Liderança

4 atitudes que todo líder deveria ter em tempos de Coronavírus

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Compartilhar:

Esses dias eu brinquei com um gerente da minha equipe, dizendo que estamos todos fazendo PHD em liderança. Do nada, fomos jogados a centenas de quilômetros de distância de nossas zonas de conforto ao ter que lidar com nossas próprias vidas viradas de cabeça para baixo e, ao mesmo tempo, ainda liderar uma equipe que está passando pelo mesmo desafio.

Quem poderia imaginar que estaríamos enfrentando uma pandemia que, até então, só existia nos livros de história e nos filmes hollywoodianos?

Eu, por exemplo, vi-me tendo que trabalhar, ser pai, professor, cozinheiro e faxineiro, tentando dar conta de todas essas atividades comprimidas em um único dia, e sem qualquer resquício daquela estrutura material e rede de apoio que tínhamos antes. Estou vivendo na pele, dentro do meu contexto social, um grande desafio que me deixa cansado, e por vezes estressado, ao ter que lidar com a falta de tempo e a sensação de que sempre estou devendo algo. Em alguns momentos, tenho a impressão de que não estou sendo um bom pai; em outros, parece que não estou entregando o resultado esperado no trabalho, como sempre fazia.

Alguém mais está com aquela essa sensação de que está sempre devendo algo? Sei que tem muita gente assim.

Por isso, mais do que nunca, é hora do líder arregaçar as mangas e começar a gerenciar esse cenário que acabei de descrever. A tarefa vai exigir o reconhecimento de vulnerabilidades e limitações, excelente comunicação, empatia e o uso eficiente dos recursos do seu time.

1. Permita-se ser vulnerável
————————-

Uma das primeiras coisas que fiz foi ser honesto com a minha equipe: estou cansado. Contei, com riqueza de detalhes, como me sinto trabalhando em múltiplas tarefas simultâneas e tão diversas, e como isso está sendo desgastante. Dividi com meu time o que tentamos fazer em casa, desenvolvemos um sistema de turnos (manhã e tarde), e relatei como isso facilitou um pouco toda a carga extra que tivemos que encarar. Em resumo: está difícil lidar com tudo. Fiz questão de falar isso para todos. 

O motivo? Sei que muitos estão passando por algo semelhante, cada um dentro do seu contexto de vida. Escutar um pouco sobre a vida real do seu líder mostra que, no fundo, todos temos os nossos desafios, o que humaniza a coisa toda. Isso pode fazer com que eles também se sintam confortáveis em falar sobre suas próprias dificuldades, algo que exige flexibilidade e segurança. No final, saber dessas informações de bastidores é fundamental para o líder reequilibrar a divisão de tarefas do time (já, já falaremos mais disso).

2. Comunique em excesso 
———————

Eu tinha um VP que sempre dizia que “repetição não estraga a prece”. Agora, mais do que nunca, é hora de comunicar muito bem e em excesso. Toda essa situação gera dúvidas e angústias sobre o que vai acontecer e qual será a nova dinâmica no trabalho. É papel do líder abordar cada uma dessas preocupações, repetindo a mensagem para que ela seja bem absorvida e processada.

Estabeleça canais para manter contato com o time, principalmente para quem está trabalhando remoto. Eu, por exemplo, nas primeiras semanas falava duas vezes ao dia com meus gerentes por videoconferência. Também marquei uma reunião de uma hora com todas as suas equipes para falar como eu estava lidando com tudo, escutar como eles estavam se sentindo e então passar algumas mensagens importantes.

É hora de ficar próximo do time e pecar pelo excesso. Reúna-se regularmente com sua equipe, mesmo que não existam informações novas ou um plano formal para lidar com a situação. Pergunte como eles estão, dê o mínimo de informações que tiver em mãos e fale que, quando tiver mais, conversarão novamente.

Aqui na firma fizemos até um happy hour virtual, regado a bebida preferida de cada um, um momento em que jogamos conversa fora e nos conectamos ainda mais. A experiência foi ótima!

3. Tenha empatia
————-

Cada um vai reagir de uma forma diferente ao que estamos vivendo. Já observei de tudo: vi pessoas que estão tendo muita dificuldade em se concentrar, por conta do excesso de informação que estamos recebendo, por preocupação com seus entes queridos ou por outros motivos. Vi pessoas que, para se ocuparem, pediram mais trabalho, pois assim se sentem produtivas e com a mente focada em algo. Vi alguns, como eu, que estão com um filho pequeno em casa e tentando fazer a coisa toda funcionar de alguma forma.

Não tem certo ou errado, cada um vai encontrar o seu jeito e apresentar um limite. Você, como líder, tem o papel de escutar e entender. Mostre empatia genuína sobre o que está acontecendo e coloque-se à disposição para ajudar como puder. Mesmo que não possa fazer nada, o simples ato de mostrar interesse e estender a mão já é reconfortante.

Mas há muito que podemos fazer. Outro dia fiz uma reunião com uma gerente de um time que dá suporte para o meu. Estávamos revisando o planejamento do trimestre quando ela disse que teríamos que diminuir o escopo de um projeto, pois a pessoa que cuida dele tem um filho pequeno em casa e, com a quarentena, terá que despriorizar algumas coisas. Achei a análise e decisão da gerente de uma empatia e inteligência incríveis.

Temos pessoas, e suas famílias, com necessidades distintas nesses tempos de trabalho remoto. Você já mapeou essas condições junto à sua equipe?

4. Use o seu time de forma inteligente 
————————————

Como vimos nas situações acima, cada pessoa do time irá reagir de uma forma única e tem necessidades e dinâmicas familiares diferentes. O líder que estiver próximo, e comunicando bem, vai conseguir olhar para todo o sistema e usar o poder do grupo de uma forma otimizada. Tire a carga de trabalho daquelas pessoas que tem filho pequeno, outros entes queridos que precisam cuidar, e passe para aqueles que estão pedindo ou podem pegar um pouco mais de tarefas neste momento. Considere também pausar ou despriorizar projetos menores, que podem ser retomados quando tudo estiver um pouco mais normalizado. Um cuidado importante: não assuma nada, pergunte. Mesmo quem se encaixa nas situações que citei acima pode querer ir em outra direção. Dê a opção e depois tomem a decisão juntos.

Não são os únicos, mas esses são os pontos de gestão de pessoas que considero mais críticos neste cenário singular, em que liderança eficiente nunca foi tão essencial. Boa sorte para todos nós!

Compartilhar:

Luciano possui +20 anos de experiência no mercado digital tendo iniciado sua carreira no portal UOL, trabalhou 10 anos no Google Brasil em diversas áreas e foi diretor no Facebook Brasil a frente de uma equipe de vendas em São Paulo. É escritor e autor do livro "Seja Egoísta com sua Carreira", embaixador da Escola Conquer e faz parte do conselho consultivo da Agile.Inc.

Artigos relacionados

Sua empresa precisa de um cargo ou de uma competência?

Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

O que CEOs e CFOs realmente avaliam nas reuniões de orçamento

Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Estratégia, Cultura organizacional
31 de agosto de 2026 07H00
Ao revisitar conceitos milenares do Yoga sob a ótica da gestão contemporânea, o artigo propõe uma pergunta essencial para líderes e organizações: os sistemas que construímos estão alinhados aos valores que afirmamos praticar?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

6 minutos min de leitura
ESG
30 de agosto de 2026 14H00
Enquanto muitas empresas ainda estruturam suas decisões de contratação a partir de cargos e organogramas, um novo modelo ganha espaço: acessar especialistas, mentores e executivos sob demanda para resolver desafios específicos de negócio. O artigo mostra como o Open Talent está redefinindo a gestão de pessoas e criando formas mais ágeis de conectar competências às necessidades reais das organizações.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças, Gestão de recursos
30 de agosto de 2026 07H00
Toda discussão sobre orçamento coloca duas perguntas na mesa ao mesmo tempo: por que investir nesta iniciativa e por que confiar no julgamento de quem a propõe? Ao explorar a lógica por trás das decisões de alocação de recursos, o artigo revela por que as negociações orçamentárias são também um dos mais importantes testes de liderança nas organizações.

François Bazini - CMO e Consultor

6 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo