E-dossiê: Gestão de times de híbridos

4 papéis dos líderes no trabalho híbrido

Liderança multimodal traz novos desafios aos gestores e exige as competências de condutor, catalisador, coach e patrocinador

Compartilhar:

Segundo uma [pesquisa](https://home.kpmg/br/pt/home/insights/2021/09/trabalho-presencial-home-office.html) da KPMG no Brasil, o ano de 2022 vai marcar a retomada da presencialidade no trabalho. Mas não de forma total: entre os entrevistados, ligados a 287 empresas brasileiras de diversos setores, 85% apostam no hibridismo. O estudo indica, inclusive, que a maior fração de tempo caberá ao modelo virtual – algo como três dias em casa e dois no escritório. Apesar de algumas resistências e temores em relação a um eventual enfraquecimento da cultura organizacional, o que era uma projeção está prestes a se tornar realidade: o mundo do trabalho no pós-pandemia assume o [formato híbrido,](https://www.revistahsm.com.br/post/como-gerenciar-o-escritorio-na-era-do-trabalho-hibrido) ou multimodal, combinando o remoto e o presencial.

Nesse cenário, uma grande preocupação das empresas diz respeito à adequação das lideranças. “A ‘volta ao normal’ é o maior desafio dos líderes este ano, o que inclui não só a definição de um modelo de trabalho como manter um nível de engajamento alto da parte dos talentos”, afirma Jorge Elias, presidente da Ingredion para a América do Sul. Flavia Bittencourt, CEO da Adidas no Brasil, concorda: “Do ponto de vista da gestão de talentos, parece que um grande desafio da liderança será o retorno ao escritório. Estamos trabalhando num plano de transição”. Para ela, o trabalho remoto não vai desaparecer, mas o contato físico deve ser estimulado, por ser benéfico à cultura organizacional.

Como os líderes estabelecem metas, monitoram avanços, promovem o compartilhamento de informações e garantem a conexão entre os que estão em casa com o pessoal do escritório? Em outras palavras, como garantem a comunicação e a colaboração eficazes? Estudos diversos mostram que essa é uma dor efetiva – no *estudo da LiveCareer,* por exemplo, mais de um terço dos entrevistados percebiam desafios significativos nesses fronts, desafios esses que cabem aos líderes.

Os professores de comportamento organizacional e liderança da IMD Business School Robert Hooijberg e Michael Watkins debruçaram-se sobre essas questões. Depois de identificar que o trabalho multimodal exige novas competências de todos, eles definiram quatro papéis a serem desempenhados pelos líderes. A seguir, você confere e entende cada um deles.

## 1. Condutor

Hooijberg e Watkins comparam o papel de condutor ao do maestro de uma orquestra. Assim como o maestro faz com os músicos em um concerto, o líder deve garantir que os colaboradores realizem suas tarefas com êxito individual e coletivo. Isso vale especialmente para o trabalho online, quando o acompanhamento da rotina não é simples.

Nesse processo, as plataformas virtuais de conferência precisam ser usadas com parcimônia e eficiência. “O sucesso desse papel depende do equilíbrio entre a demonstração de cuidado e o engajamento genuínos e o microgerenciamento, que abala o estado de espírito da equipe”, escrevem os pesquisadores em artigo publicado na [MIT Sloan Management Review Brasil](https://www.mitsloanreview.com.br/post/o-futuro-da-lideranca-de-equipes-e-multimodal).

## 2. Catalisador

Já o papel de catalisador se aplica com mais ênfase durante o trabalho presencial. Na química, o termo se refere à substância que aumenta a velocidade de uma reação. No trabalho, significa que o líder deve estimular características como colaboração, criatividade, inovação, dedicação, assim como a criação de uma cultura comum entre os colaboradores.

“Para tanto, a liderança cria um ambiente de confiança e segurança psicológica. Isso facilita a existência de diálogos francos e de debate criativo ao se discutir ideias”, explicam Hooijberg e Watkins. Nesse caso, tudo depende da construção de vínculos que vão além da distribuição de ordens, para que o líder funcione como um suporte da equipe.

## 3. Coach

O papel de coach diz respeito ao contato dos líderes com cada pessoa da sua equipe. Em resumo, trata-se de ajudá-los individualmente a melhorar a performance, a produtividade e o engajamento. Ao contrário do condutor (predominantemente remoto) e do catalisador (predominantemente presencial), o coach atua tanto no home office como no escritório.

Além do desenvolvimento profissional, seu foco está na garantia do bem-estar do colaborador. Afinal, equilibrar a nova rotina com a satisfação pessoal é um dos principais desafios do trabalho híbrido. “Este papel exige um alto grau de inteligência emocional e a habilidade de equilibrar a empatia e a pressão por superar limites”, defendem.

## 4. Patrocinador

O papel de patrocinador requer a defesa externa da sua equipe junto, por exemplo, aos demais gestores e stakeholders. Essa defesa engloba a busca por recursos, a comunicação dos resultados e a construção de uma imagem positiva. Assim como no coach, sua atuação acontece tanto no ambiente virtual como no presencial.

Na pesquisa, Hooijberg e Watkins reforçam a necessidade de determinadas competências para exercer a função. “O papel de patrocinador requer habilidades de negociação, influência fora da alçada e o estabelecimento de alianças”, escrevem. “Quanto mais alta a posição na empresa, maior a demanda pelo papel do patrocinador”, completam.

### Confiança é palavra-chave

O sucesso do líder depende da habilidade de se adaptar aos quatro papéis citados acima, conforme as particularidades do seu time. Mas o fio condutor dessa jornada precisa ser, mais do que nunca, a confiança entre a liderança e as equipes. Isso porque o modelo híbrido se baseia no entendimento de que cada um está fazendo suas tarefas, independentemente do local e horários em que prefira trabalhar.

Os pesquisadores apontam duas maneiras de reforçar a confiança, sobretudo no ambiente virtual.

Uma delas é compartilhar as realizações individuais, a fim de que todos acompanhem as entregas da equipe e se sintam parte de algo maior. A outra consiste em checar individualmente o andamento das tarefas, auxiliando os colaboradores caso necessitem de ajuda.

Seja como for, é hora de adaptação da liderança.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Live marketing ganha força na era da distração

Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

O futuro das empresas de serviços

Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

O Brasil precisa enfrentar o desafio de construir com mais eficiência

A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Marketing & growth, Comunicação, Estratégia
3 de julho de 2026 08H00
Se a sua mensagem interna viralizar amanhã, você sustentaria o que disse?

Ana Paula Soares - Fundadora e diretora-geral da Encaso Assessoria

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, User Experience, UX
2 de julho de 2026 14H00
A digitalização do pós-obra pode transformar operações, reduzir custos e fortalecer a experiência do cliente no setor imobiliário. Este artigo mostra que as construtoras podem transformar o momento da entrega das chaves em inteligência, eficiência e vantagem competitiva.

Jean Ferrari - CEO da FastBuilt

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de julho de 2026 08H00
Seu maior risco digital pode estar no bolso do seu colaborador. Este artigo revela por que a gestão da frota móvel deixou de ser uma questão operacional e passou a ser uma decisão estratégica de segurança e eficiência.

Stephanie Peart - Head da Leapfone

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de julho de 2026 15H00
A liderança centrada no controle está perdendo espaço. Este artigo mostra como a capacidade de desenvolver autonomia será o principal diferencial das organizações do futuro.

Marcelo Neri - CEO, Mentor Executivo, Palestrante Internacional e Escritor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, User Experience, UX
1º de julho de 2026 08H00
Muito além do debate entre humano e IA, este artigo expõe o verdadeiro problema do atendimento moderno: não é quem responde, mas quem tem poder para decidir, e por que a falta de autoridade na ponta continua destruindo experiências e confiança.

Átila Persici Filho - COO da Bolder, Professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação

8 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
30 de junho de 2026 15H00
A partir dos sinais do Web Summit Rio 2026, este artigo mostra como a saúde mental deixou de ser benefício periférico para se tornar uma variável crítica de negócio, impactando investimento, regulação e a própria sustentabilidade das empresas.

Weber Stival - Fundador e CEO da Unolife.

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
30 de junho de 2026 08H00
A NR-1 mudou a regra: cuidar da saúde mental agora exige gestão. Este artigo mostra como a nova norma transforma riscos psicossociais em variável estratégica, exigindo das empresas organização, método e accountability na gestão do ambiente de trabalho.

Erich Silva - COO e Head de Talentos da Lecom

3 minutos min de leitura
Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo