Uncategorized

5 motivos por que as estratégias de diversidade falham

Fundadora e CEO da Blend Edu, startup que já tem em seu portfólio empresas como 3M, TIM, Reserva, Movile, Grupo Fleury, TechnipFMC, Prumo Logística, brMalls etc. Thalita também está presente na lista da Forbes Under 30 de 2019, como uma dos 6 jovens destaques na categoria Terceiro Setor e Empreendedorismo Social.

Compartilhar:

“Que dicas você daria para quem está precisando estruturar a estratégia de diversidade e inclusão na empresa?”. Esta é uma das perguntas que mais escuto ao terminar as minhas palestras em eventos e congressos. Elas vêm de profissionais de diferentes indústrias, setores e tamanhos. Ao final, todos querem saber: **como avançar com o tema e como desenhar a estratégia de diversidade da minha organização?**

Sempre começo a minha resposta explicando que diversidade é um tema vasto, complexo e em constante mudança. Isso significa que não existe uma “receita de bolo” ou uma fórmula única para se chegar nessa resposta, portanto, a sua abordagem precisará considerar sua indústria, cultura organizacional e contexto atual do negócio. No entanto, existem alguns pontos fundamentais e conselhos que eu gostaria de ter recebido quando (anos atrás) comecei minha trajetória profissional neste tema, desenhando do zero o programa de diversidade de uma grande organização quando esse assunto ainda não estava sendo muito discutido no Brasil.

Estas dicas não só emergiram da minha experiência prática – fazendo com que este tema avançasse dentro de uma empresa com mais de 60 mil funcionários e atuação em mais de 20 países – mas também da minha atuação como fundadora da [Blend Edu](http://www.blend-edu.com/), startup que desenvolve experiências educacionais com foco em diversidade, onde tenho tido a chance de realizar projetos para empresas que atuam desde indústrias tradicionais (como a Prumo Logística), à indústrias mais inovadoras (como a 3M e a Reserva) e com produtos digitais (como é o caso da Movile).

Abaixo compartilho 4 pontos centrais, que (quando não são considerados) costumam ser os motivos para que as ações e estratégia de diversidade não funcionem:

1. Crie uma conexão clara entre diversidade e inclusão (D&I) e a estratégia do negócio
—————————————————————————————

O tema “diversidade” está para os tempos atuais, assim como o tema “sustentabilidade” está para o final dos anos 80 ou início dos anos 90. Isso significa que algumas empresas já entendem a relevância do assunto para o negócio, mas muitas outras ainda estão dando os seus primeiros passos. Independentemente do estágio de maturidade em que a sua organização se encontra, você precisará pensar em como inserir diversidade na agenda estratégica do negócio se quiser ter sucesso no longo prazo. 

Se a sua empresa estiver (como a maioria) começando a endereçar o tema de forma estruturada, você tem dois caminhos possíveis: 

* Influenciar para a inclusão da diversidade como um objetivo / OKR, valor ou meta corporativa – o que costuma demorar mais para acontecer, se o grau de maturidade da organização for baixo, ou

* Conectar diversidade com um dos itens que já compõem sua agenda estratégica atual – um caminho mais rápido e também efetivo. Por exemplo, se a sua empresa está falando sobre colaboração, inovação, expansão do pipeline de consumidores ou transformação digital, mostre para a alta liderança que D&I possui uma conexão extremamente forte com esses assuntos (além de todos os outros objetivos específicos de gestão de talentos).

Esta é uma maneira que as pessoas entendam que investir em diversidade não é só a coisa certa a se fazer (moralmente e eticamente falando), mas também traz resultados como: **obter uma performance financeira 35% superior, aumentar em até 152% as chances de compreender o cliente e ter colaboradores 17% mais engajados.**

2. Busque um sponsor (ou mais)
——————————-

Todos os programas de diversidade devem ter como objetivo de longo prazo gerar uma transformação cultural, ou seja, fazer com que a empresa tenha uma cultura inclusiva. Se isso não acontecer, de nada vai adiantar ter iniciativas maravilhosas, recrutar candidatos diversos e colocar o tema na sua estratégia. No final das contas, a sua “cultura devora a estratégia no café da manhã”, como disse Peter Drucker. Se os comportamentos, as decisões, os símbolos e o pensamento não forem inclusivos, os resultados não irão se sustentar.

E, por mais que todos os colaboradores (individualmente) componham a cultura organizacional, é comum a entendermos como um movimento “top-down”, definido pela alta liderança da organização. Por isso, torna-se fundamental encontrar pelo menos um sponsor para seu programa de diversidade, que possa lhe apoiar na gestão da mudança e lhe emprestar o “capital social” para conquistar influência dentro da empresa.

3. Crie um senso de comunidade
——————————-

Enquanto o sponsor poderá lhe ajudar com um movimento “top-down” (de cima para baixo), a construção de comunidades é uma forma de conseguir apoio e construir bases para um fluxo “bottom-up” (de baixo para cima). Muitas empresas têm construído ERGs (do inglês employee resource groups, também chamados de grupos de afinidade ou grupos de diversidade) com os seus colaboradores como forma de criar um mecanismo de escuta ativa, gerar engajamento, construir segurança psicológica e um forte senso de identidade entre as pessoas. Se o grupo for estruturado de maneira sólida (com objetivo claro, estrutura e governança), pode ser uma forma extraordinária de ganhar aliados e deixar emergir uma liderança informal entre as pessoas que já são, pessoalmente, envolvidas com a causa da diversidade.

4. Desperte os colaboradores para o tema
—————————————–

Pesquisa do [Instituto Ethos](https://www.ethos.org.br/wp-content/uploads/2016/05/Perfil_Social_Tacial_Genero_500empresas.pdf) mostra que 7 a cada 10 das 500 maiores empresas do Brasil já investem em treinamentos de diversidade. E isso não é por acaso. Para possibilitar o engajamento de gestores e colaboradores nas iniciativas do programa de diversidade, precisamos criar uma consciência coletiva e um senso de urgência. Não adianta colocar o assunto na agenda estratégica, ter um sponsor e construir comunidades, se os funcionários (do operacional à alta liderança) não compreenderem o porquê isto é relevante, nem se engajarem com as ações.

Já vi empresas fazendo esforços enormes para ter um shortlist de candidatos diversos, mas, no final, o(a) gestor(a) escolher o candidato mais parecido com ele(a) por uma questão de [viés inconsciente](https://www.blend-edu.com/post/vi%C3%A9s-inconsciente-nas-empresas-entenda-o-conceito-e-dicas-para-minimiza-los-na-organiza%C3%A7%C3%A3o). Ou até mesmo já vi empresas lançarem um censo de diversidade, mas os colaboradores não saberem se eles se autodeclaram como “mulher cis” ou “mulher trans”, pelo simples fato de não saber o que significa o termo “cisgênero” (cis). Por isso, precisamos começar com o básico, explicar os conceitos, evidenciar o “business case”, as razões históricas e os benefícios de ter um ambiente mais inclusivo.

Outra forma muito efetiva é criar experiências para que as pessoas se conectem emocionalmente com o tema e se abram (racionalmente) para o assunto. Com uma das nossas clientes, por exemplo, construímos uma ação onde criamos uma sala de experiências para que os colaboradores pudessem interagir e colocar a empatia em prática por meio de óculos de realidade virtual, calçada sensorial e colete musical.

5. Comece com quem quer
————————

Muitas vezes gastamos energia para tentar convencer líderes que simplesmente ainda não compraram a ideia. Acredito que isso venha do nosso “mindset industrial”, onde estamos acostumados a implementar ações em massa, de uma única vez.

Portanto, minha dica é simples: comece com quem quer. Use metodologias ágeis para testar suas ações. Se alie com os “poucos e bons”, que querem, genuinamente, implementar as ações e construa o business case. Chega a ser curioso, mas é impressionante como as pessoas respondem à “gestão da inveja” e ao “só acredito vendo”. Quando sua empresa começa a evidenciar e reconhecer os líderes que já estão fazendo um bom trabalho em diversidade e inclusão, rapidamente a notícia se espalha e várias outras pessoas passam a querer fazer parte do programa.

No final, estruturar sua estratégia de diversidade demanda planejamento e consistência, mas acredite: os resultados (já comprovados) compensam todo o esforço e investimento. 

Conteúdo produzido em colaboração entre a [Revista HSM Management](https://revistahsm.com.br/) e a [Blend Edu](http://www.blend-edu.com/), startup referência no desenvolvimento de treinamentos e experiências educacionais sobre diversidade nas empresas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O benefício existe. Mas as pessoas têm tempo para usá-lo?

Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Mobilidade interna: Por que quando o tema é talentos estamos sempre olhando para a grama do vizinho?

A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura
Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo