Gestão de Pessoas
Oferecido por:

5 razões para não oferecer contrapropostas para talentos

Práticas culturais que sustentam uma boa relação entre líderes e colaboradores, remuneração qualificada e planos de sucessão são alternativas saudáveis para reconhecer talentos; no entanto: parem de reter seus talentos
Jornalista, com MBA em Recursos Humanos, acumula mais de 20 anos de experiência profissional. Trabalhou na Editora Abril por 15 anos, nas revistas Exame, Você S/A e Você RH. Ingressou no Great Place to Work em 2016 e, desde Janeiro de 2023 faz parte do Ecossistema Great People, parceiro do GPTW no Brasil, como diretora de Conteúdo e Relações Institucionais. Faz palestras em todo o País, traçando análises históricas e tendências sobre a evolução nas relações de trabalho e seu impacto na gestão de pessoas. Autora dos livros: *Grandes líderes de lessoas*, *25 anos de história da gestão de pessoas* e *Negócios nas melhores empresas para trabalhar*, já visitou mais de 200 empresas analisando ambientes de trabalho.

Compartilhar:

2022 começou com algumas áreas sofrendo de superaquecimento: precisam desesperadamente contratar profissionais e, principalmente, manter os seus preciosos talentos por perto para que o rombo não fique maior. [Estou falando daqueles ligados à tecnologia](https://www.mitsloanreview.com.br/post/remotizacao-e-a-emigracao-de-talentos-do-brasil), claro, mas não somente.

Segundo algumas pesquisas, áreas como recursos humanos, finanças e marketing também estão enfrentando um déficit de profissionais e, de forma geral, há uma debandada de empregados por outras razões que não apenas às relacionadas ao aquecimento do mercado, conforme escrevi no meu último artigo: *[Fui! Recorde nos pedidos de demissão acende um alerta](https://www.revistahsm.com.br/post/fui-recorde-nos-pedidos-de-demissao-acende-um-alerta)*.

Para estancar essa sangria, algumas empresas estão usando a ferramenta mais antiga para atrair e segurar suas pessoas: a oferta de dinheiro. O Facebook, por exemplo, que há alguns anos vem sofrendo com sua reputação no mercado, portanto, tendo mais dificuldades para atrair talentos, dobrou o número de ações oferecidas na contratação e aumentou os salários cerca de 10% no último ano.

Ainda assim, segundo o *Business Insider*, a conta não está fechando. Por quê? Porque as contrapropostas são ineficazes e nada sustentáveis. É a maneira mais fácil de seduzir — a curto prazo — o colaborador e, acredite, mais cara de perder um talento.

Abaixo, aponto cinco motivos que explicam por que você não deveria oferecer uma contraproposta para seu talento que acaba de pedir de demissão.

__1. Ele vai embora, mais cedo ou mais tarde__

Segundo um artigo publicado na Cornell University por Jasamine Chen e Blake White, após a aceitação de uma contraproposta, 55% dos colaboradores relatam maior infelicidade e níveis reduzidos de comprometimento. Apenas 16% dos funcionários que aceitam as contrapropostas acreditam que seu relacionamento com o empregador melhorou após a oferta. E o mais agravante: a maioria dos colaboradores que aceitam o dinheiro para ficar, vão acabar deixando seu emprego num intervalo de seis a 24 meses, de toda forma.

__2. Você promete, mas não cumpre__

Outro dado que chamou a atenção no artigo publicado por Chen e Blake é que a maioria das empresas (83%) não tem um sistema formal de criação de contraproposta estruturada. Essa é — geralmente — uma carta que se tira da manga quando o líder recebe o aviso da demissão. É nessa hora que ele decide oferecer um aumento no salário base, bônus maiores, promoções e mudanças de cargos.

O problema é que, embora se ofereça a Lua para o funcionário ficar, geralmente não se cumpre a promessa. Ainda segundo Chen e Blake, 60% dos funcionários não recebem um aumento salarial prometido, 82% não veem mudança no seu cargo e 70% dos profissionais permanecem trabalhando no mesmo nível de responsabilidade de antes.

__3. Você blefa, eles também__

O problema acima leva a outro problema maior: o do joguinho corporativo. Ao fazer contrapropostas, você sinaliza um traço importante da cultura da sua empresa: o de valorizar os talentos apenas quando eles estão indo embora. E isso é ruim. Primeiro, porque mostra que a gestão de pessoas está em último plano, afinal, não há um critério definido para se estabelecer promoções e aumento de salário e muito menos um acompanhamento da remuneração paga pelo mercado.

Segundo, porque o funcionário pode usar essa mesma ferramenta contra você. Ao saber que, somente na base da ameaça de ir embora, ele pode conseguir um aumento ou promoção, ele blefa. Esse jogo de faz de conta é a prática que mais mina a confiança de uma relação — e confiança é a base para se estabelecer relacionamentos sustentáveis e sólidos numa organização.

__4. Eles não querem só dinheiro__

Outra razão para não oferecer contraproposta tem a ver com o motivo da saída. Muitos chefes (e aqui vou usar a palavra chefe mesmo) acreditam que é só oferecer uma graninha a mais ou fazer as ditas promessas acima que eles vão segurar seus talentos. No entanto, o motivo mais comum para a saída de funcionários não tem a ver com o pagamento em si, mas com seu desenvolvimento.

Há quase uma década, o principal o motivo de permanência dos funcionários que respondem à pesquisa do[ Great Place to Work](https://www.revistahsm.com.br/post/gptw-menores-porem-melhores), que dá origem ao ranking das Melhores Empresas para Trabalhar no Brasil, é oportunidade de crescimento. Em segundo lugar, aparece qualidade de vida. Em terceiro, alinhamento de valores. Apenas 13% dos respondentes apontam a remuneração como principal razão para ficar no emprego, deixando esse item em quarto lugar no ranking de permanência.

Para manter as pessoas-chave da sua organização, é preciso abordar a causa raiz do que está provocando a saída. De que forma? Criando uma cultura aberta em que o feedback constante permita um [alinhamento das expectativas entre colaboradores e seus líderes](https://mitsloanreview.com.br/post/2022-o-ano-da-lideranca-inclusiva-estrategica).

__5. O talento pode voltar (e melhor)__

Por fim, vamos falar (de novo) de retenção. Segurar talentos não deveria fazer mais parte do mundo do trabalho atual: híbrido, fluido e imprevisível. Já falei e escrevi sobre isso à exaustão, mas sempre vale a pena repetir: parem de reter seus talentos.

Ao prendê-los com uma contraproposta, você os está impedindo de conhecer e explorar novos caminhos, testarem, errarem, acertarem, crescerem e, quem sabe, voltarem para o seu negócio num outro nível de maturidade. Seja como funcionário novamente, como parceiro, como cliente, como fornecedor.

Deixá-los partir não demonstra apenas maturidade na sua gestão de pessoas, mas também inteligência.

## Valores, ações e práticas culturais

Portanto, no lugar de promover leilões corporativos, olhe para sua cultura e para as práticas que sustentam essa cultura. Seus líderes estão cientes que o mundo mudou e que oferecer dinheiro não é uma alternativa saudável para segurar seus talentos?

Para complementar, sua empresa tem feito uma análise de mercado de remuneração e tem uma política clara de desempenho com critérios bem definidos de promoção?

Fora isso, você já mapeou quem são as pessoas-chave da sua organização? Se sim, há um plano de sucessão em caso de essas pessoas buscarem outros caminhos? Antes de abrir a carteira, faça essa reflexão. Vai levar mais tempo, mas certamente trará melhores resultados.

*Gostou do artigo do Daniela Diniz? Confira outros conteúdos sobre gestão de pessoas assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Artigos relacionados

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Nunca soubemos tanto sobre o cliente. Nunca foi tão difícil compreendê-lo.

As empresas acumulam volumes crescentes de dados, tecnologias e ferramentas para entender o consumidor. Ainda assim, muitos clientes continuam sentindo que não são realmente compreendidos. Nesse cenário, o papel do marketing evolui: deixa de ser apenas uma função de comunicação para se tornar um elo estratégico comportamento, experiência e crescimento do negócio.

A longevidade está criando o próximo grande mercado

O crescimento da população acima dos 60 anos está alterando padrões de consumo, comportamento e bem-estar em velocidade crescente. Para as empresas, o desafio não é criar soluções para idosos, mas compreender como a própria noção de envelhecimento está mudando e quais oportunidades surgem a partir dessa nova realidade.

Compliance virou estratégia no agronegócio

A crescente complexidade regulatória da armazenagem e distribuição de agroquímicos elevou o nível de responsabilidade das empresas do setor. O que antes era visto como uma exigência burocrática agora impacta diretamente a sustentabilidade financeira, jurídica e reputacional das organizações.

O que muda na cadeia do cobre com o fim da Substituição Tributária

Ao eliminar distorções fiscais e reduzir a antecipação do recolhimento do ICMS em determinados produtos, as novas regras trazem mais equilíbrio tributário para fabricantes e distribuidores. A mudança não reduz necessariamente a carga tributária, mas pode melhorar o fluxo de caixa, simplificar operações e impulsionar a competitividade do setor.

A nova morada dos softwares são as interfaces de IA

Durante anos, as empresas disputaram espaço na tela dos usuários por meio de aplicativos, portais e plataformas digitais. Agora, a ascensão das interfaces de inteligência artificial inaugura uma nova lógica: em vez de buscar atenção, os softwares passam a competir para estar presentes no momento exato em que uma decisão é tomada.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de setembro de 2026 14H00
A IA não está eliminando apenas empregos. Está eliminando a experiência. Se os profissionais juniores deixam de executar as atividades que historicamente os preparavam para desafios mais complexos, surge um problema silencioso para empresas e para o mercado de trabalho: onde serão desenvolvidos os talentos que ocuparão as posições de liderança e especialização nos próximos anos?

Matheus Fonseca - Fundador da Leapy

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de setembro de 2026 08H00
Profissionais de alto impacto já conseguem pesquisar, analisar, testar hipóteses e executar entregas com um nível de autonomia impensável há poucos anos. O problema é que muitas organizações ainda operam com estruturas, processos e planos de carreira desenhados para limitar exatamente esse potencial.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Liderança
18 de setembro de 2026 14H00
A crença de que tudo é urgente pode até transmitir sensação de velocidade, mas frequentemente produz o efeito oposto: queda de qualidade, esgotamento das equipes e perda de produtividade. Mais do que acelerar a execução, liderar exige coragem para definir prioridades, estabelecer limites e fazer escolhas conscientes sobre onde concentrar energia e recursos.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

Oferecido por:
2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de setembro de 2026 08H00
Depois de anos de investimentos em modelagem, capacitação e padronização, muitas empresas de engenharia enfrentam um novo desafio: fazer com que o BIM (Building Information Management) deixe de ser uma competência operacional e passe a influenciar a gestão, a integração entre áreas e a geração de valor para a organização.

Marcus Granadeiro - Membro do RICS - Royal Institution of Chartered Surveyors (MRICS) e sócio-diretor do Construtivo

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

Oferecido por:
7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Oferecido por:
Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

Oferecido por:
12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

Oferecido por:
4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução