Tecnologias exponenciais
4 min de leitura

A IA está no meio de nós

A Inteligência Artificial, impulsionada pelo uso massivo e acessível, avança exponencialmente, destacando-se como uma ferramenta inclusiva e transformadora para o futuro da gestão de pessoas e dos negócios
Marcelo Nóbrega é especialista em Inovação e Tecnologia em Gestão de Pessoas. Após 30 anos no mundo corporativo, hoje atua como investidor-anjo, conselheiro e mentor de HR TechsÉ professor do Mestrado Profissional da FGV-SP e ministra cursos de pós-graduação nesta e em outras instituições sobre liderança, planejamento estratégico de RH, People Analytics e AI em Gestão de Pessoas. Foi eleito o profissional de RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn em 2018. É autor do livro “Você está Contratado!” e host do webcast do mesmo nome. É Mestre em Ciência da Computação pela Columbia University e PhD pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Compartilhar:

O hype da AI começou no final de 2022 quando a OpenAI disponibilizou o acesso gratuito ao ChatGPT para o público em geral. Em três meses, 100 milhões de pessoas experimentaram a novidade. Mas a verdade é que algoritmos de AI estão presentes no nosso dia a dia há muito tempo.

Uma brevíssima história da AI

Eu ainda era estudante de graduação, no final da década de 80, quando aprendi a programar em LISP para escrever algoritmos de AI. Me lembro que eu e mais quatro colegas passamos um semestre escrevendo código para que o computador fosse capaz de entender uma única palavra dita pela mesma pessoa. Diferenças de sotaque ou entonação confundiam a máquina. Nessas quase quatro décadas, o avanço dos algoritmos de processamento de linguagem natural é impressionante. Hoje conversamos fluidamente com Siri, Alexa e bots de empresas para pedir música, roteiros de viagem, 2ª via de documentos.

Quando John McCarthy reuniu um grupo de dez matemáticos e cientistas da computação no verão de 1956 no Dartmouth College seu objetivo era apenas um projeto de verão para discutir a capacidade das máquinas de executar tarefas humanas. Ali teve início a área de pesquisa e conhecimento que hoje gera tantas expectativas e receios: a Inteligência Artificial. Inicialmente, os pesquisados de IA concentraram-se em desenvolver sistemas de apoio a decisão, processamento de linguagem natural e jogos. Algoritmos de IA hoje são utilizados para reconhecimento de imagens, tradução de idiomas, recomendações no seu feed de redes sociais, e-commerce, roteirização e em veículos autônomos. Os termos “aprendizado de máquina” e ”redes neurais” estão presentes no nosso cotidiano.

Empresas como Waze, Amazon, Netflix, Uber e AirBnB tem os seus motores de IA como peça fundamental de vantagem competitiva. Tal é o poder da IA de exponencializar a produtividade das pessoas que já se fala que em breve surgirá uma startup unicórnio de uma pessoa apenas.

“Simular habilidades até o momento dominadas por seres humanos” é uma definição simples do que é a Inteligência Artificial. Repare que ela implica evolução quando diz “até o momento”. É verdade que hoje a IA ainda alucina (eu atribuo esses erros mais ao despreparo dos usuários do que a erros dos algoritmos), mas imagine o que ela será capaz de fazer em alguns anos. Afinal, são milhares de pessoas trabalhando para avançar a IA ao redor do mundo em centenas de centros de pesquisa, instituições de ensino, empresas e startups criativas.

A grande jogada

Está aí a sacada genial da OpenAI ao liberar o ChatGPT para uso gratuito. O que é machine learning se não a máquina sendo treinada por seres humanos? Instantaneamente, a Open AI passou a contar com milhões de treinadores para a sua Inteligência Artificial. As demais startups de IA seguiram o mesmo caminho, oferecendo versões gratuitas dos seus produtos. Um ganho para todos nós!

Nas minhas aulas e palestras sobre IA, Tecnologia e Inovação em Gestão de Pessoas abordo tanto o poder transformacional dessas novidades quanto dilemas que nos preocupam.

The Terminator

O “Exterminador do Futuro”, filme de 1984 com Arnold Schwarzenegger, talvez seja a razão pela qual tememos robôs e algoritmos de IA. Aceitaríamos melhor a perspectiva de convivermos com robôs se não os antropomorfizássemos (tente falar três vezes rapidamente)? Se robôs não tivessem a forma humana, mas representassem cachorrinhos, gatinhos ou coelhinhos, nos sentiríamos mais confortáveis? As pesquisas sobre interações homem-máquina mostram que sim. Aspiradores de pó autônomos não metem medo em ninguém, não é?

Vamos tanto conviver com robôs e assistentes pessoais movidos a AI no ambiente do trabalho no futuro quanto usar a tecnologia para avançar a qualidade da gestão de pessoas.

AI em Gestão de Pessoas

Vejo a tecnologia como uma ferramenta de inclusão como jamais houve. Eis alguns exemplos.

Muitas empresas recebem milhares de CV`s todos os anos. Obviamente, recrutadores humanos não conseguem dar atenção a todos. A AI, por outro lado, pode ler e avaliar milhares de currículos em segundos garantindo que todos são igualmente considerados.

Quando pensamos experiência do colaborador, a AI pode auxiliar trabalhadores, líderes e RH´s no desenho dos processos de onboarding e na personalização das jornadas de carreira e treinamento e desenvolvimento.

O conceito que conhecemos como ONA (Organizational Network Analysis) permite o mapeamento das relações dentro de uma empresa. O grafo resultante revela as pessoas mais influentes e líderes centralizadores, descobre talentos ocultos, denuncia silos, ajuda a prevenir fadiga e burnout e alerta quanto a comportamentos discriminatórios.

AI é o novo Excel. O Excel não acabou com a profissão de Contadores, mas a transformou profundamente criando novas oportunidades de especialização para os abertos ao aprendizado.

Hoje, no entanto, a mudança é muito rápida. A capacitação de colaboradores e a discussão de compliance e ética da IA deve fazer da parte da agenda de RH urgentemente.

A AI esteja convosco.

Compartilhar:

Marcelo Nóbrega é especialista em Inovação e Tecnologia em Gestão de Pessoas. Após 30 anos no mundo corporativo, hoje atua como investidor-anjo, conselheiro e mentor de HR TechsÉ professor do Mestrado Profissional da FGV-SP e ministra cursos de pós-graduação nesta e em outras instituições sobre liderança, planejamento estratégico de RH, People Analytics e AI em Gestão de Pessoas. Foi eleito o profissional de RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn em 2018. É autor do livro “Você está Contratado!” e host do webcast do mesmo nome. É Mestre em Ciência da Computação pela Columbia University e PhD pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Artigos relacionados

Sabedoria: a competência que a inteligência artificial não pode substituir

Quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, maior parece ser a necessidade de desenvolver capacidades profundamente humanas. O artigo discute como empatia, autoconsciência, propósito e discernimento podem se tornar elementos centrais da liderança em um mundo onde a inteligência está cada vez mais acessível, mas a sabedoria continua sendo uma escolha.

Os oito pilares que sustentam uma estratégia sólida de IA

O sucesso das iniciativas de inteligência artificial depende de muito mais do que bons algoritmos. O artigo explora os elementos fundamentais para transformar a IA em uma ferramenta estratégica de negócios, conectando inovação, governança, segurança, compliance e desenvolvimento organizacional.

74% das empresas consideram a cibersegurança de terceiros muito importante

A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Inovação & estratégia, Liderança
6 de novembro de 2026 15H00
Quanto mais inteligentes se tornam as máquinas, maior parece ser a necessidade de desenvolver capacidades profundamente humanas. O artigo discute como empatia, autoconsciência, propósito e discernimento podem se tornar elementos centrais da liderança em um mundo onde a inteligência está cada vez mais acessível, mas a sabedoria continua sendo uma escolha.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
6 de novembro de 2026 08H00
O artigo explora como empresas de hospitalidade e entretenimento podem integrar marketing, operação e relacionamento para transformar uma compra em uma conexão contínua com a marca.

João Biancardi - Diretor de Marketing, CRO e Experiência do Cliente do Grupo Mabu

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia
5 de novembro de 2026 14H00
O sucesso das iniciativas de inteligência artificial depende de muito mais do que bons algoritmos. O artigo explora os elementos fundamentais para transformar a IA em uma ferramenta estratégica de negócios, conectando inovação, governança, segurança, compliance e desenvolvimento organizacional.

Sergio Hirase - CTO do Mycon

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de novembro de 2026 08H00
A porta de entrada para um incidente cibernético nem sempre está dentro da organização. Em muitos casos, ela pode estar em um parceiro, prestador de serviço ou fornecedor com acesso a sistemas, dados e processos críticos. O artigo explora por que a gestão de terceiros se tornou um dos principais desafios da segurança digital contemporânea.

Bruno Santos -Ssócio e CRO da área de Gestão de Terceiros da Bernhoeft

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
4 de novembro de 2026 14H00
Mais do que decidir quanto automatizar, líderes e organizações precisarão aprender a desenhar processos que combinem criatividade, julgamento, validação e execução para gerar resultados melhores do que aqueles que humanos ou máquinas seriam capazes de produzir isoladamente.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de novembro de 2026 12H00
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
ESG
3 de novembro de 2026 08H00
Velocidade, por si só, não garante melhores decisões. A partir das recentes mudanças nos processos normativos da CVM, o artigo propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar eficiência, excelência técnica e diversidade de perspectivas na construção regulatória.

Renata Oliva Battiferro - Diretora Executiva e Head do Investors Group do 30% Club Brazil

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de novembro de 2026 15H00
Dados não estruturados, documentos físicos e processos legados impactam a adoção da IA e por que a automação inteligente se tornou uma peça-chave dessa transformação. O texto explora por que a preparação dos dados pode ser mais importante do que a própria tecnologia.

Alexandre Cardoso - Business Development Manager da Ricoh LATAM

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT