Uncategorized

A ascensão das habilidades humanas

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Compartilhar:

A estrutura da civilização enfrenta um conjunto de mudanças profundas, rápidas e de difícil interpretação. O politólogo Sérgio Abranches afirma em seu ensaio “A era do imprevisto: a grande transição do século XXI” que há três dimensões principais nesta era de transformações: 

(1) as mudanças sócio-estruturais; 

(2) as mudanças científicas e tecnológicas;

 e as (3) mudanças climático-ambientais. 

 Essas modificações alteram o mundo do trabalho como o conhecemos. 

O resultado imediato é um ambiente de ampla incerteza e imprevisibilidade para o planejamento de carreiras no médio-longo prazo. Contudo, é possível identificar algumas perspectivas profissionais que se consolidaram. Alguns elementos da carreira profissional do futuro, se não estão claros, estão pelo menos bem delineados. O mais notável destes elementos é o fator humano. 

Vários estudos apontam para o fim de diversos empregos que se tornarão obsoletos diante dos avanços tecnológicos. O Boston Consulting Group, por exemplo, [afirmou que até 2025 um quarto dos postos de trabalho serão substituídos por máquinas](https://www.bcg.com/pt-br/publications/2015/lean-manufacturing-innovation-robots-redefine-competitiveness.aspx). Relatório da Universidade de Oxford estima que [35% dos empregos do Reino Unido estão sob risco de automação nos próximos vinte anos](https://www2.deloitte.com/uk/en/pages/growth/articles/from-brawn-to-brains–the-impact-of-technology-on-jobs-in-the-u.html). Deste modo, a pergunta-chave que o profissional contemporâneo deve fazer é: **serei substituído por uma máquina?**

No curso da atual revolução tecnológica, os empregos mais vulneráveis são os mecânicos, repetitivos e de baixa interação social. Hoje não são apenas os trabalhadores de fábricas que estão ameaçados diante de máquinas capazes de executarem serviços com maior destreza e velocidade. 

Os funcionários que realizam serviços burocráticos e repetitivos, como escrita de relatórios e elaboração de planilhas, também são vulneráveis pois são facilmente substituídos por softwares. O site [Will Robots Take My Job](https://willrobotstakemyjob.com/) apresenta projeções sobre quais empregos têm mais chances de serem substituídos por máquinas. Por exemplo: dentistas têm 0% de chance de serem substituídos; juízes têm 40%; gerentes de remuneração e benefícios possuem 96%.

Por outro lado, postos que necessitam de trabalhadores com inteligência social e emocional, capacidade criativa, ideias originais, senso de humor, habilidades de negociação, são menos vulneráveis e levam vantagem em face da automação. Os profissionais deste século precisam desenvolver competências que os tornem capazes de inventar, testar e avaliar hipóteses, interagir socialmente, dominar e ensinar as máquinas. 

Relatórios do Fórum Econômico Mundial, da PWC e da Future Lifelong Learning Plataform apontam pelo menos sete conjuntos de habilidades humanas que podem ser diferenciais competitivos: 

1. **Autoconsciência:** capacidade de entender o que motiva, o que frustra, o que vale, o que não vale, o que tem propósito; 

2. **Pensamento crítico e integrado:** capacidade de interpretar fatos, números, relatórios, cenários complexos, variáveis e perceber a conexão de assuntos que não estão diretamente relacionados;

3. **Empatia:** capacidade de entender e se conectar genuinamente com outros seres humanos; 

4. **Criatividade:** capacidade de pensar novas soluções, combinar conhecimentos, gerar valor; 

5. **Inteligência emocional:** capacidade de lidar com emoções e situações diversas; 

6. **Comunicação:** capacidade de se expressar de maneira oral e escrita; 

7. **Assimilação:** capacidade de aprender, conseguir filtrar conteúdos e transformar o conhecimento em sabedoria prática.

O mundo do trabalho está mudando drasticamente. O futuro é humano.

Compartilhar:

Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

Artigos relacionados

O que os Niyamas podem ensinar sobre consciência, disciplina e evolução organizacional

Processos, políticas e estratégias não surgem sozinhos. Eles são resultado das escolhas feitas diariamente por quem exerce liderança e influencia decisões. Embora tenham sido concebidos há mais de dois mil anos, os Niyamas oferecem reflexões surpreendentemente atuais para organizações que desejam construir culturas mais conscientes, coerentes e alinhadas aos desafios do presente.

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de setembro de 2026 14H00
Rotular profissionais como tóxicos pode encerrar uma conversa, mas raramente resolve o problema. Ao investigar como comportamentos se formam e se repetem nas organizações, o artigo convida líderes a substituírem julgamentos rápidos por diagnósticos mais profundos e eficazes.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
11 de setembro de 2026 08H00
Mais do que dominar ferramentas, o desafio da liderança passou a ser tomar decisões, engajar pessoas e construir crescimento em um ambiente de incerteza permanente.

Eduardo Raffaini - Sócio-líder de Soluções de Strategy da Deloitte

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
10 de setembro de 2026 18H00
Discordâncias fazem parte de qualquer equipe diversa, mas nem sempre encontram espaço para serem expressas. O verdadeiro risco para as organizações não está no excesso de conflitos, mas na ausência deles.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

2 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
10 de setembro de 2026 12H00
Sua estratégia está no PowerPoint ou no orçamento? No trimestre em que o plano de 2027 ganha aprovação, uma disputa invisível acontece dentro das empresas. De um lado, a estratégia que promete transformação. Do outro, o orçamento que preserva as prioridades de sempre. Quase sempre, é a planilha que decide o vencedor.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
10 de setembro de 2026 08H00
As declarações recentes dos líderes da OpenAI e da NVIDIA reacenderam uma das discussões mais importantes da era digital: a Inteligência Artificial Geral já é uma realidade? Ao conectar os avanços mais recentes da IA às previsões feitas por Ray Kurzweil décadas atrás, o artigo explora não apenas a evolução da tecnologia, mas também o desafio humano, organizacional e social de acompanhar uma transformação que pode estar acontecendo mais rápido do que imaginávamos.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

16 minutos min de leitura
Liderança, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
9 de setembro de 2026 14H00
Ao relatar uma experiência marcante durante sua recuperação de uma cirurgia, o autor provoca uma reflexão sobre um erro recorrente nas organizações: confiar mais naquilo que é visível do que na experiência de quem vive o problema. Quando líderes ignoram relatos e se apoiam apenas em protocolos e percepções, perdem informação, confiança e capacidade de tomar melhores decisões.

Djalma Scartezini - CEO da REIS, Sócio da Egalite e Embaixador do Comitê Paralímpico Brasileiro

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução