Inovação

A atuação do novo jurídico na expansão de negócios

Inovações nessa área estão construindo soluções inéditas para organizações no mundo todo
Katsuren Machado é advogada e consultora, especialista em experiência do cliente do jurídico para a expansão de negócios. Precursora no tema Legal Customer Experience com o desenvolvimento de estratégias que permitem a transformação de produtos e serviços que envolvem o contexto jurídico.

Compartilhar:

Sempre que falamos sobre departamentos jurídicos, ouvimos relatos sobre as dificuldades na comunicação e a aversão a todo e qualquer risco. Obviamente, a inovação nessa área não passa nem na porta: é sempre evitada em nome da “segurança”.

Pouco se entende o jurídico como engrenagem essencial no desenvolvimento do negócio e com um papel que vá além de reativo e resolvedor de problemas para ser também preditivo e gerador de oportunidades. Para isso, é primordial que ele atue em estreita relação com as outras áreas da organização e conheça os processos, estratégias e desafios coletivos. O jurídico não faz parte do negócio, mas é o negócio.

Desenhar a [jornada de contratação de colaboradores](https://www.revistahsm.com.br/post/contratacao-de-minorias-e-lgpd-como-lidar-com-a-inseguranca-juridica) pensando nos objetivos de ambos os lados e na experiência que vai refletir os valores e a cultura da organização deve ter a participação do jurídico. O departamento, com uma visão ampla sobre o vínculo e a natureza dessa relação, pode ajudar a estabelecer melhor comunicação e processos, evitando possíveis conflitos judiciais.

Ao mesmo tempo, incluir áreas de venda e negociação na elaboração dos contratos que regulam serviços prestados pode trazer um ponto de vista que valoriza a experiência humana acima da burocracia desnecessária. Temos legislações que regulam diversos interesses. Na maioria das vezes, aumentar as cláusulas de um documento serve apenas para travar negócios e prejudicar a reputação da marca. Redundância é ineficiência!

Se desejamos que as organizações cresçam e sejam inovadoras, precisamos assumir um novo comportamento. A partir da construção de laços mais humanos e empáticos, podemos pensar em estratégias para que a segurança jurídica esteja presente sem deixar de lado a criatividade, essa tecnologia natural intrínseca a todos nós.

## Legal design
Dentre inúmeros conceitos que envolvem inovação jurídica, o “legal design” (“design jurídico”, na sigla em inglês) despertou a atenção em todo o mundo nos últimos anos. Foi mencionado em artigos no Financial Times por sua funcionalidade em empresas pioneiras no assunto, como Shell e HSBC.

O legal design busca reconstruir o que entendemos por serviços e relações jurídicas, integrando conhecimentos diversos para entregar mais eficiência a todos os envolvidos, minimizando as barreiras e democratizando o que é complexo.

Todos precisam ser ouvidos e cada ponto de vista deve ser analisado. Ao unir design, neurociência, tecnologia e comunicação, o legal design chegou para repensarmos o direito e todas as ligações possíveis na reconstrução de vínculos mais humanos e dinâmicos.

## Experiência do cliente e o direito
Pensar em um jurídico que constrói, analisa e mensura a experiência das pessoas que se relacionam com ele ainda é incomum. Entretanto, o novo papel dessa área exige que ela ultrapasse seus antigos padrões que nos trouxeram até aqui.

No contexto atual de extrema transformação, o jurídico precisa deixar de ser apenas reativo e operacional. Isso só é possível em colaboração com as outras engrenagens do negócio e com uma visão sistêmica do panorama atual e, então, da visualização de onde se pretende chegar.

Crescer sem uma sólida estrutura pode se tornar um problema irreversível. Com um “zoom out” e a cooperação entre lideranças, não há limites para organizações serem catalisadoras do futuro desejável.

Além de resolver problemas, o direito pode ser o aliado ideal para construir conexões emocionais com clientes internos e externos e reduzir atritos para que as empresas alavanquem seus resultados. Em síntese, o “legal design” é uma nova ferramenta que reorganiza o jurídico e melhora a qualidade das relações entre as partes envolvidas em um negócio. Ele torna o jurídico um departamento comprometido não só com os aspectos jurídicos, mas com as estratégias, o crescimento e a relevância dos negócios.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Por que o marketing precisa sair da própria bolha

As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Por que alguns eventos entram para a história e outros são esquecidos na semana seguinte

Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

O fim da guerra fiscal: como a Reforma Tributária pode mudar a logística brasileira

Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Saudável, gostoso e acessível: a equação que desafia a indústria de alimentos no Brasil 

Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

A fadiga de decidir em tempos de excesso

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo