Desenvolvimento pessoal
Oferecido por:

A busca pelo caminho do meio

Depois de ligar o “review mode”, notei um padrão de comportamento curioso e muito comum no mundo corporativo
Marcelo Nóbrega é especialista em Inovação e Tecnologia em Gestão de Pessoas. Após 30 anos no mundo corporativo, hoje atua como investidor-anjo, conselheiro e mentor de HR TechsÉ professor do Mestrado Profissional da FGV-SP e ministra cursos de pós-graduação nesta e em outras instituições sobre liderança, planejamento estratégico de RH, People Analytics e AI em Gestão de Pessoas. Foi eleito o profissional de RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn em 2018. É autor do livro “Você está Contratado!” e host do webcast do mesmo nome. É Mestre em Ciência da Computação pela Columbia University e PhD pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Compartilhar:

Era pra eu estar escrevendo sobre o desenrolar do meu plano de ações para o período sabático. Depois de 30 anos de carteira assinada, tinha muitas expectativas: viajar, me divertir, curtir a família, aprender coisas novas. E, como manda o figurino de um executivo, tudo com cronograma, prazo, orçamento bem definidos e…

Pausa. 

Essas linhas iniciais do texto me incomodaram, não entendi exatamente porquê. Fui procurar nos arquivos o meu primeiro artigo para o “Sabaticando”. Dezembro de 2019. Nele, conto o quanto planejei esse (que seria) meu momento de ócio criativo. Descrevo ali um misto de ansiedade e receio. Destaco o compromisso de revelar nos textos os pontos altos e baixos desta jornada sabaticosa. Apesar de todo o planejamento, não dava para imaginar que havia um vírus novo no meio do caminho. 

Curioso sobre a minha própria jornada, resolvi reler todos os conteúdos produzidos para o blog. No mundo corporativo alguns chamam esse processo de “After action review”. Aquele momento, no fim de um projeto, em que avaliamos se o resultado e o processo de trabalho funcionaram bem. E coletamos insights e aprendizados para aplicar em projetos futuros. 

Em janeiro de 2020, me questionei se a decisão de parada sabática tinha sido acertada. O risco de perder a relevância, de ser esquecido por não ter mais um sobrenome corporativo…

Aparentemente, digeri a dúvida e segui em frente. Mantive um ritmo forte de atividade. Continuei me exigindo o mesmo nível de produtividade e impacto. Viajei, estudei, trabalhei. Nada de contemplação. Foram tempos bons.

Em março, veio a pandemia e descobri, de forma dura, que a vida não é um algoritmo. Não há como prever e se preparar para todas as surpresas. Os gurus corporativos nos dizem que precisamos nos reinventar frequentemente. Será mesmo? O mundo não é mais VUCA, é VUPCA, agora com o ´P´ de paradoxo. Vamos incluindo acrônimos e ensinamentos na bagagem. 

A partir daí, seguiu-se um frenesi de participações em workshops, webinários e podcasts. Produzi até um EAD e um reality show! 

Vamos criar e compartilhar muito conteúdo, para sermos úteis e relevantes, Uhull!! \o/

Espera aí, não seria para nos sentirmos úteis e relevantes?

Dizem que são necessários quatro meses para incorporarmos novos comportamentos (modus operandi). Já deu, apitaria o Arnaldo! Não fosse um fato: precisamos antes adotar um novo modus pensandi, o bendito mindset. Ferrou. 

Semana passada, fiz algo bem diferente: nada. Sério. Li muito, me interessei por duas séries no Netflix, me exercitei, comi e dormi. O nome disso é mesmo ´nada´? 

Pensando melhor agora, depois do que escrevi para esta edição, acho que o incômodo das primeiras linhas veio de perceber que ainda mantemos nossos papéis compartimentalizados. De outra forma, por que sermos forçados a nos desligar de uma empresa para podermos nos divertir, aprender, curtir a vida? Perdemos todos com isso: os profissionais, que não conseguem equilibrar os dois lados da vida e são levados a uma ruptura com as empresas, e as empresas, que abrem mão de profissionais renovados, reinventados e energizados pós-experiências sabáticas. Salve a contradição nossa de cada dia.

Por que encarar a vida com o rigor das metodologias de gestão de empresas? Por que definir prazos, cronogramas e orçamento para os prazeres da vida? Por que insistir em manter isso tudo separado? 

Sigo procurando o caminho do meio.

Compartilhar:

Marcelo Nóbrega é especialista em Inovação e Tecnologia em Gestão de Pessoas. Após 30 anos no mundo corporativo, hoje atua como investidor-anjo, conselheiro e mentor de HR TechsÉ professor do Mestrado Profissional da FGV-SP e ministra cursos de pós-graduação nesta e em outras instituições sobre liderança, planejamento estratégico de RH, People Analytics e AI em Gestão de Pessoas. Foi eleito o profissional de RH mais influente da América Latina e Top Voice do LinkedIn em 2018. É autor do livro “Você está Contratado!” e host do webcast do mesmo nome. É Mestre em Ciência da Computação pela Columbia University e PhD pela Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Artigos relacionados

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

Oferecido por:
8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

Oferecido por:
3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução