Tecnologia e inovação

A construção da vida digital e física como uma só

A nova edição do estudo da Accenture, divulgado nesta semana, o Technology Vision 2023, aponta que não haverá mais barreiras entre as vidas física e digital de todos e de tudo na nova realidade com a tecnologia exponencial
Sandra Regina da Silva é colaboradora de HSM Management.

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Chegou a hora do encontro entre átomos e bits. A nova realidade, com a tecnologia exponencial, não apresentará mais barreiras entre as vidas física e digital de todos e de tudo. Essa é a conclusão da Technology Vision 2023, a nova edição do estudo da Accenture, divulgado nesta semana. Para essa realidade ser construída, o estudo aponta quatro tendências, as quais merecem atenção do mercado corporativo para poderem prosperar no futuro próximo. “Para isso, teremos desafios”, acentua Flávia Picolo, líder de tecnologia na Accenture para América Latina, completando que precisamos eliminar as barreiras para, então, avançar.

A forma como todos operam hoje – ou mundo físico, ou mundo digital – não é o mais eficiente, segundo ela, causando fadiga nas pessoas. O foco em life centricity passa a ser essencial nessa nova era. “Pelos nossos estudos, uma companhia, por exemplo, de US$ 10 bilhões {de receita} terá em cinco anos um acréscimo de US$ 4 bilhões com um mindset mais arrojado, enquanto, sem ele, terá uma redução de US$ 1 bilhão”, avisa Picolo.

Mas as pessoas estão preparadas para o pulo exponencial da tecnologia? Apesar do timing humano ser mais lento, há alguns motores que nos habilitam a trilhar as jornadas; e a inteligência artificial generativa, com sua maior capacidade de processamento, desponta como um dos principais motores.

Assim, voltando à Technology Vision 2023, que reuniu respostas de 4,7 mil executivos entrevistados globalmente – sendo 185 no Brasil –, quatro tendências despontam como as bases da nova realidade que combina as vidas física e digital de todos. São elas:

## 1 – Seus dados, meus dados, nossos dados
Como Picolo falou: “A ‘permacrise’ impõe a ‘permalente’ dos dados”. O primeiro termo referindo-se à guerra, crise de supply chain, ameaças sanitárias, volatilidades, entre outros, e no meio de tudo consumidores multifacetados. Quanto ao segundo termo {permalente} diz respeito à exigência de novos olhares, aprendizados etc. em resposta a todas as mudanças, e, portanto, colocando a transparência como o recurso mais precioso. Ou seja, é um novo olhar para todos os dados, em que é necessário deixar às claras quem os usa e como os usa.

Pelo estudo da Accenture, 94% dos executivos brasileiros acreditam que os dados são o grande diferencial competitivo. Defender a transparência dos dados é fundamental. Afinal, só no primeiro trimestre de 2022, 286 mil brasileiros foram expostos em vazamento de dados pela internet, de acordo com levantamento da Surfshark.

Um bom sinal de avanço, segundo Vanessa Fonseca, líder da Accenture Security Brasil, é que 92% dos executivos disseram utilizar equipes multidisciplinares, investindo de maneira mais inteligente com foco na vida do consumidor. Outro dado é a percepção de 82% dos entrevistados de que os consumidores são seus principais stakeholders na questão de exercer maior pressão por transparência das organizações.

## 2 – Identidade digital
Para 79% dos líderes brasileiros, a ID única é um imperativo estratégico para o crescimento. Um bom exemplo de iniciativa para derrubar as fronteiras entre a vida física e digital é a do gov.br, com a junção da identidade de modo inteligente e transparente.

Com a identidade digital, as empresas terão de repensar como criam e associam dados, além de como os dados são compartilhados e geridos. Se bem-feito, haverá mais segurança e confiança de clientes e parceiros.

Nessa frente, Victor Lima, líder do LiquidStudio para América Latina e tech sustainability, destaca os benefícios da identidade digital para o supply chain. A Accenture, inclusive, desenvolveu uma solução em blockchain para uma fabricante de chocolate, com o objetivo de identificar – e erradicar – práticas como mão de obra infantil e análoga à escravidão no processo do cacau na sua cadeia.

## 3 – IA generativa
“Essa é a sensação da Tech Vision”, afirma Picolo. De fato, sua expansão é impressionante, e pelo estudo 95% dos executivos acreditam na nova era da inteligência empresarial. E isso exige uma nova engenharia técnica e humana, para lidar com o enorme potencial dos LLM (Large Language Models, que são algoritmos de IA que reconhecem, resumem e geram linguagem humana a partir de grandes conjuntos de dados baseados em texto).

É especialmente importante considerando que o Brasil foi o quinto país que mais acessou o ChatGPT. Estudos apontam que os LLM podem impactar 40% de todas as horas trabalhadas, o que exige de todos os profissionais a busca por novas habilidades e skills, assim como para exercerem seus potenciais criativos, tendo a IA como suporte.

Um exemplo de aplicação prática é a capacidade da IA generativa decifrar a caligrafia médica, transformando receitas em dados. Além de facilitar a interpretação do que o médico escreveu, a informação pode ser distribuída na cadeia de farmácia, rede pública, hospitais etc.

Outro case apresentado foi o de uma siderurgia, ao implantar o sistema de compras com SAP Ariba. Ela agora conta com uma agente virtual, a GenIA, que responde perguntas complexas sobre delegação e ordens de serviço.

Já na área de telecom, Daniel Lazaro, líder de data&AI para mercados em crescimento, conta sobre a aplicação para otimizar os ativos de rede. A IA generativa cria projetos 2D e 3D com interação via texto.

## 4 – Eterna fronteira
Pelo estudo da Accenture, o ciclo de feedback entre ciência e tecnologia está ficando mais rápido. Além disso, o avanço de um acelera o desenvolvimento do outro. Tanto que dos entrevistados, 75% acreditam que será possível começar a desvendar os grandes desafios da humanidade.

A Accenture apresentou sua solução que pode transformar a indústria de óleo, gás e mineração, utilizando computação quântica. Com ela, é possível obter 1 milhão de vezes mais precisão do que as demais técnicas, o que leva a redução de custos, de riscos de segurança e de impacto ambiental.

No campo da biologia, conforme Daniel Franulovic, líder do Accenture Metaverse Continuum Business Group para América Latina, “conhecemos 200 milhões de proteínas diferentes. Para compreender uma dobra de proteína era na tentativa e erro”. Agora, a AlphaFold (IA da DeepMind do Google) realiza previsões da estrutura de proteínas, eliminando a barreira de tempo que era necessário nessas compreensões.

Outro exemplo é a acessibilidade a experimentos em laboratórios espaciais digitais, com IA, no modelo space as service para pesquisas de empresas.
Enquanto nove de cada dez respondentes da pesquisa da Accenture dizem acreditar que a tecnologia é chave para o crescimento, 92% das empresas ainda resistem a uma transformação completa e, talvez por isso, 86% delas investem em projetos pontuais e não têm ações contínuas.

Picolo avisa que os executivos brasileiros percebem a necessidade e o desejo de se investir nessas tecnologias incrementais, mas “falta coragem, há uma certa timidez para dar o primeiro passo”. Ainda mais considerando o momento atual de cautela, por conta das turbulências, em que o investimento maior é na sobrevivência corporativa. Mas as empresas também precisam avançar. Pelo estudo, 62% dos executivos brasileiros esperam inovação acelerada em suas respectivas empresas. Será suficiente?

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