Marketing e vendas

A cura para o trauma na digitalização de marketing e vendas

No mundo pré-pandemia muitas empresas acabaram desistindo do tema cedo demais. Agora, sem alternativas, o ideal é que elas não cometam esses três erros.
Co-fundador da Resultados Digitais, líder de automação de Marketing na América Latina e nos 8 primeiros anos da empresa liderou a criação e escalada da área de Marketing, tida como referência no Brasil. Pela RD se tornou também Empreendedor Endeavor e recebeu os prêmios de Empreendedores do Ano pela Endeavor (2017) e pela Revista Pequenas Empresas Grandes Negócios na categoria serviços (2015). Também foi eleito um dos Forbes Under30 em 2019. Formado em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina, foi professor de marketing digital na pós gradução da PUC RS, Be Academy, Estácio (SC) e Sustentare. Também foi eleito o profissional do ano em Inbound Marketing três vezes consecutivas pelo Prêmio Digitalks (2016, 2017 e 2018).

Compartilhar:

Um amigo muito próximo tem um restaurante. Ele já havia tentado estruturar o delivery antes e se frustrou com os resultados. A comida não chegava com uma boa apresentação, a operação da logística de entrega se mostrava complicada e era necessário um esforço para conseguir promover a opção e fazer com que as pessoas pedissem de fato. Como resultado, ele acabou desistindo todas as vezes, deixando a ideia pra lá e mantendo as coisas como já estavam.

Corta para 2020: chega uma imprevisível pandemia e a opção de manter tudo como estava já não existe mais. É aceitar meses de prejuízo e incerteza, com grandes possibilidades de encerrar as atividades, ou se reinventar e entrar forte no delivery para sobreviver.

Sabe o que aconteceu? Quando essa era a única opção, todas as barreiras foram rapidamente transpostas. O que faltava era olhar com mais carinho, entender melhor o modelo, estudar mais fundo as alternativas, investir mais tempo e vontade para fazer dar certo. Hoje o delivery funciona muito bem, com um custo fixo bem menor, e ele já pensa em criar novos restaurantes – mas dessa vez só trabalhando no delivery, mais lucrativo.

Eu já vi muitas vezes o movimento parecido na digitalização de marketing e vendas. Empresas que lá atrás buscaram fazer seu site, criaram perfis em redes sociais ou até um blog, logo depois, com resultados pouco relevantes, viraram céticos. Muitas mantiveram suas atividades, mas de forma protocolar e cumprindo tabela, sem investimentos significativos ou sem depositar grandes esperanças. Em sua maioria, as vendas continuaram baseadas nos pontos físicos ou na prospecção dos vendedores. O investimento em marketing fica no material de apoio, no trade, nas mídias tradicionais. Até que chega uma pandemia e…

Não tem mais alternativa. Agora várias empresas têm um trauma e uma descrença para curar. Muitas outras ainda vão falhar ao colocar um novo site no ar e esperar os clientes chegarem. Em breve elas descobrirão que o caminho não é simples assim.

Marketing digital, diferente da mudança logística de uma operação delivery, é um trabalho muito mais focado em médio e longo. Vai ser difícil ver as coisas funcionando logo de cara. O segundo ponto é que colocar um site no ar e esperar os clientes chegarem é pouco provável que traga resultados. Assim como quem resolveu as frustrações do delivery, vai ser preciso olhar com mais carinho, entender melhor o modelo, estudar mais a fundo as alternativas, investir mais tempo e vontade para fazer dar certo.

Essa é minha primeira coluna e vamos explorar o tema muitas vezes ainda, mas já adianto aqui os três erros mais comuns cometidos pelas empresas:

### 1. Não entender como estruturar um funil de fato

É preciso atrair visitantes, converter esses visitantes para conseguir fazer relacionamento, fazer relacionamento de fato (para ganhar credibilidade e preparar para a venda), realizar a venda em si e analisar tudo para otimizar.

A maioria das empresas não entende que isso é uma sequência e não sabe como cada canal se encaixa. Não percebem que as pessoas só vão seguir nas redes sociais se entregarmos valor e construirmos relacionamento, em vez de vender a todo instante. Que só fazer um site não vai atrair as pessoas, vai ser preciso produzir conteúdo e otimizar para o Google ou comprar mídia. Que atrair para o site e já tentar vender direto vai ser muito mais difícil do que se captarmos o contato e trabalharmos o relacionamento antes. Ou mesmo que às vezes o processo não vai ser todo digital e automatizado e que um toque humano em algumas etapas, como as vendas, pode ainda fazer muita diferença.

O que funciona é o todo, o conjunto. E cada uma dessas coisas tem técnicas, vai demandar estudos e tempo.

### 2. Não ter consistência e paciência

As pessoas começam empolgadas e esperando que os resultados sejam incríveis. E a verdade é que no começo eles raramente são. É preciso ir aprendendo, ajustando, otimizando. E depois de um longo trabalho de formiguinha e muita consistência, eles chegam.

É uma maratona, não uma corrida de 100 metros.

### 3. Não entender a fundo o cliente

Conhecer as técnicas é importante, mas não mais importante do que conhecer profundamente seu cliente. Quando o interesse dele pelo seu produto começa a despertar? Como e com quem ele se informa? Quais dúvidas ele tem ao longo do processo?

Se entendemos isso tudo, fica muito fácil saber como e onde se posicionar.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Inovação & estratégia
25 de agosto de 2026 14H00
O artigo mostra que inovação não é um destino nem um grande projeto isolado, mas um processo contínuo de testar hipóteses, aprender com evidências e evoluir com intenção estratégica.

Thomas Rebergue - Chief Business Officer da GINGA

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
25 de agosto de 2026 08H00
O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up, futurista e especialista em sustentabilidade e live marketing.

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, User Experience, UX
24 de agosto de 2026 14H00
A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

André Seibel - CEO do Circuito de Compras

3 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
24 de agosto de 2026 08H00
Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

3 minutos min de leitura
Marketing & growth, Inovação & estratégia
23 de agosto de 2026 13H00
As grandes ideias raramente surgem da repetição das mesmas referências. Em uma época de acesso democratizado à informação e às tecnologias, o diferencial competitivo passa a ser a qualidade das perguntas que fazemos. Ao refletir sobre arte, cultura e criatividade, o artigo argumenta que as marcas mais inovadoras serão aquelas capazes de formar pessoas que aprendam a observar, conectar e interpretar o mundo de formas que ainda não foram exploradas.

Rui Piranda - Sócio-fundador da ForALL

4 minutos min de leitura
Marketing & growth
23 de agosto de 2026 08H00
Por trás dos maiores eventos do mundo existe um trabalho que começa muito antes da abertura dos portões. Leitura de cenário, curadoria estratégica, construção de comunidade e a capacidade de reunir as pessoas certas explicam por que alguns encontros se tornam plataformas de influência, inovação e negócios, enquanto outros permanecem apenas como eventos.

Evandro Monteiro - CEO da Origami Marketing e Eventos.

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo