Liderança, Gestão de pessoas

A diferença que a segurança psicológica faz

Quando o time conta com um círculo de segurança sólido, a confiança se estabelece e até a neuroquímica colabora para que juntos obtenham bons resultados
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Cada vez mais ouvimos pessoas compartilhando suas frustrações com o trabalho, fato que vai na contramão do que diz a ciência sobre os benefícios de estarmos em paz com o nosso ganha-pão. Quando tudo está bem ao nosso redor, nós podemos focar em fazer as coisas darem certo; não perdemos tempo com distrações. E o sentimento de realização que experimentamos nessas ocasiões nos dá mais e mais vontade continuar.

Diferentes pesquisas sobre ambiente organizacional e engajamento dão conta de que tem sido cada vez maior o número de pessoas que experimentam desagrado ou frustração com seu trabalho.

Vamos nos “demorar” um pouco mais nessa questão. O que incomoda as pessoas, muitas vezes, não são os desafios externos. Ao contrário, quando alguém lamenta o trabalho provavelmente está sofrendo com as interações internas, sejam com outras áreas, colegas ou mesmo com a liderança imediata.

Simon Sinek, em um dos seus livros, fala um pouco sobre esse tema e possíveis razões para experimentarmos frustração ou estresse dentro de casa. Segundo o autor, isso acontece devido à falta de um círculo de segurança.

Ao criar esse círculo de segurança entre as pessoas da organização, a liderança reduz as ameaças que são sentidas dentro do grupo, liberando-o para dedicar mais tempo e energia para proteger a organização dos “perigos” constantes do exterior. Sem esse círculo de segurança, as pessoas acabam dedicando muito tempo e energia para se protegerem umas das outras.

Quando existe essa segurança interna, criamos um ambiente mais favorável à troca de informação, à inovação, à comunicação eficaz e, o que considero uma fortaleza para qualquer empresa, aos altos níveis de confiança.

Confiança, aliás, não cai do céu. Ela é construída no dia a dia a partir da convivência e das demonstrações sucessivas de suporte que as pessoas experimentam. Em um determinado ponto, nós podemos “baixar a guarda” sobre o ambiente, pois podemos dizer que o conhecemos e sabemos que estamos seguros.

Quando podemos colocar toda a nossa energia em avançar nos desafios externos, sem nos preocuparmos com os internos, experimentamos os efeitos da dopamina no organismo – uma sensação de satisfação. Talvez também tenhamos a oportunidade de sentir mais os efeitos da serotonina, ou uma sensação que nos invade quando nos damos conta de que gostamos um dos outros e somos respeitados. Nós nos sentimos mais fortes e confiantes.

Quando tudo vai bem, talvez o corpo também libere mais ocitocina. Ela melhora o nosso humor, nossa abertura para a interação social, diminui a ansiedade e aumenta a ligação entre nossos colegas (e família).

Tudo vai muito bem até que esse arranjo perfeito da segurança seja colocado em risco. Aí o cérebro passa a liberar outro tipo de substância: o cortisol. Ele não é um bom parceiro da ocitocina e a inibe. O cortisol tem a função de nos proteger dos inimigos e nos deixar preparados para lutar. Dentro das organizações, é uma porta aberta ao estresse.

Fica então a pergunta: quais têm sido as nossas ações concretas para regular (ou restaurar) o círculo de segurança? Consigo falar sobre um tema difícil? Se tenho uma cadeira de liderança, demonstro ao meu time que pode contar comigo? Como lidar se observarmos que falta segurança interna?

Reflexões que podem render um livro.

Deixe aqui nos comentários sua reflexão.

*Gostou do artigo da Viviane Mansi? Saiba mais sobre liderança e gestão de pessoas assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

A inteligência agridoce: a competência que o futuro exige das líderes

Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Acessibilidade sem inteligência cultural é inclusão pela metade

Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Organizações não mudam quando as pessoas mudam. Mudam quando os sistemas mudam.

Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

O novo Marco Legal pode recolocar o transporte coletivo nos trilhos

Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Administrar um restaurante e uma multinacional é mais parecido do que parece

Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional – planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente – são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Liderança
29 de junho de 2026 16H00
Ao revisitar a história de Francisco Serrão, este artigo propõe uma inversão rara na lógica da liderança contemporânea: talvez a verdadeira coragem não esteja em continuar a todo custo, mas da capacidade de definir limites.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de junho de 2026 08H00
Ao contrastar o poder das big techs ocidentais com a força industrial e estrutural do Oriente, este artigo amplia a leitura sobre inovação e revela que o futuro da economia global não será definido por empresas isoladas, mas pela interação entre ecossistemas tecnológicos interdependentes.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de junho de 2026 15H00
Com Sérgio Frangioni e a Blanver como pontos de observação, o terceiro artigo da série sobre a indústria farmacêutica brasileira investiga como decisões empresariais, PDPs, IFAs e produção local podem aproximar inovação farmacêutica da vida concreta dos pacientes.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

13 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de junho de 2026 08H00
Diante de um cenário de sobrecarga crescente no trabalho, este artigo mostra que o problema não está apenas no volume, mas na forma como o trabalho é organizado, e apresenta caminhos práticos para redesenhá-lo com mais significado, autonomia e energia.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Estratégia
27 de junho de 2026 15H00
Mais do que acumular experiências, este artigo propõe uma mudança na forma de pensar carreira, apoiando-se em conceitos como “capital profissional” (composto de cinco capitais) e “professional equity”

Nathália Brandão - Head de Educação Corporativa no TikTok LATAM, Escritora e Forbes Under 30

5 minutos min de leitura
Liderança
27 de junho de 2026 08H00
Na estreia da coluna do Grupo Mulheres do Brasil, este artigo mostra que a liderança do futuro não será construída por decisões individuais, mas pela capacidade de mobilizar diversidade, escuta e inteligência coletiva para enfrentar desafios que já não cabem em uma única visão.

Andrea Gasques - Diretora de Comunicação do Grupo Mulheres do Brasil

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de junho de 2026 14H00
Ao revisitar os 30 anos do CESAR, este artigo mostra por que, em um mundo cada vez mais automatizado, a vantagem competitiva não estará apenas na tecnologia, mas na capacidade de formar pessoas que saibam interpretar, conectar e dar sentido ao conhecimento.

Janaina Calazans - Gerente de Ensino Superior da CESAR School

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
26 de junho de 2026 08H00
Este artigo revela por que o verdadeiro desafio da IA não é adoção, mas uso intencional, capaz de ampliar o pensamento, e não substituí-lo.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de recursos
25 de junho de 2026 15H00
A teoria dos jogos expõe o erro estrutural por trás do modelo reativo que consome bilhões sem gerar resultados proporcionais. Este artigo mostra que não falta dinheiro na saúde, falta estratégia para usar.

Dr. Jorge Luiz Andrade - Anestesiologista e vice-presidente da Unimed Nova Iguaçu

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
25 de junho de 2026 08H00
Com o avanço da longevidade e a transformação demográfica, este artigo mostra por que o futuro das empresas depende menos de estratégias de atração e mais da capacidade de liderar diferentes ciclos de vida, repensando saúde, carreira e gestão de pessoas.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo