Intraempreendedorismo
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A escassez pode ativar o intraempreendedorismo

Existem quatro práticas comuns que são executadas de maneiras completamente diferentes pelas empresas tradicionais e startups e poderiam ser incorporadas pelas organizações que buscam praticar a inovação aberta
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

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Uma das perguntas mais frequentes que recebo é sobre as maiores diferenças entre a cultura e as práticas das grandes empresas versus as startups e é sobre isso que gostaria de falar na coluna desse mês. Acredite! São marcantes e falo por experiência própria atuando durante 25 anos em sete multinacionais e nos últimos quatro anos em sete startups de diferentes portes e segmentos.

Enquanto o empreendedor lida com escassez de recursos e muita liberdade de ação, o intraempreendedor enfrenta abundância de recursos, mas escassez de liberdade.

A seguir, comparo quatro práticas comuns aos negócios, mas executadas de maneiras totalmente diferentes nas empresas tradicionais e nas startups. Ao final de cada prática vou apontar uma causa raiz, que é comum e poderia ser incorporada pelas empresas, para ativar o intraempreendedorismo e a geração de novos negócios com muito sucesso (e desconforto), gerando um grande ganho aos negócios.

## 1 – Colaboração
Apesar de ser uma palavra evocada com extrema facilidade e recorrência nos corredores e salas de reunião corporativos, existe uma diferença brutal em como ela é empregada nos dois universos.

Repare que a colaboração nas empresas é política, ou seja, negociada e com uma troca de interesses. Qualquer semelhança com o ambiente político não é mera coincidência. Sempre existe uma negociação envolvida ao redor de uma colaboração. Eu ajudo agora e você me ajuda depois. Cedo aqui, para que você ceda ali. Apoio você nessa questão, para ter o seu apoio em outra. Sempre vai existir um toma lá da cá.

Nas startups, a colaboração é autêntica, ou seja, não existe uma necessidade de troca ou retorno envolvidos. Eu apoio outra startup em determinado assunto, porque sei o quão difícil é ter recursos disponíveis (experiência, por exemplo) e não espero nada em troca. Colaboro, pois sei que alguém irá colaborar comigo e não necessariamente será aquele que ajudei.

Repare que a escassez de recursos é o que incentiva essa colaboração autêntica.

## 2 – Clareza no problema (real) a resolver
Posso citar diversos exemplos durante meus anos trabalhando em grandes empresas, onde o problema real dos consumidores ou clientes era secundário. Sim, por inúmeras vezes foi mais importante atender ao que era ditado pela matriz, que em outro país, localizado em outro continente, estava mais preocupada em unificar uma execução do que validar e adaptá-la aos mercados ou mesmo as vontades do chefe, que tinha determinada convicção inquestionável.

Outras tantas vezes, o jogo político se impunha às reais necessidades do mercado ou em outras, a inovação sofria uma infinidade de questionamentos financeiros e uma necessidade de validações, que beiravam o impossível (na verdade, eram, e para passar essas barreiras, as equipes iam reduzindo, reduzindo, até a quase mudança cosmética de um produto ou serviço, para conseguir avançar). Quem já ouviu o ditado popular “melhor ser feliz, a ter razão” sabe bem como é lidar com esse contexto e frustração.

Enquanto isso, as startups têm como grande desafio o product market fit (PMF) ou a adequação do seu produto ou serviço ao mercado. Sem os mesmos recursos das grandes empresas, as pesquisas e testes são muito mais modestos. As evoluções acontecem em pequenos saltos, através de protótipos reais e testados. O foco é 100% no cliente ou consumidor final.

Não há jogo político, afinal o que está em jogo é a sobrevivência do próprio negócio. Resolver uma dor real do cliente ou consumidor, logo se torna a única forma possível de prosperar.

Diferente de grandes marcas, já construídas com investimento pesado em mídia e canais de distribuição, aqui o que vale é a venda real e não a potencial.
Repare, novamente, que a escassez de recursos é o que incentiva a busca e validação do problema real.

## 3 – Plano bom é plano executado
Se você trabalha em uma empresa, já deve ter recebido ou produzido incontáveis apresentações de powerpoint. Pergunto: quantos desses planos foram executados e testados na prática? Pela minha experiência, muito poucos.

O tempo e a energia que são investidos em pensar, discutir, repensar, rediscutir, alinhar, realinhar são obscenos. Custos e recursos são consumidos em vão, numa busca hipotética de certezas, que cada vez menos se materializam. Tudo precisa ser feito em escala e com baixo risco. Muito comum, reduzir o tamanho da ambição para conseguir acomodar o plano a métrica ou KPI (key performance indicator) determinados.

Mas, não deveria ser ao contrário? Pois é!

Enquanto isso, as startups estão voltadas e focadas para testar seus planos na vida real. De nada valem discussões, reuniões e alinhamentos intermináveis. Menos preocupadas com a escala, validam suas hipóteses com clientes ou consumidores reais. Na prática e pelo fazer! Não funcionou? Ok! Aprende, ajusta e testa outra vez, até conseguir a maturidade necessária para poder escalar.

Repare, que mais uma vez, a escassez de recursos é o que incentiva o aprender pelo fazer. Um bom plano é um plano feito e não um plano perfeito!

## 4 – Desapego
Entenda por desapego a facilidade (ou não) em mudar de plano ou rota, assim que o contexto de mercado ou negócio demandem.

Isso pode parecer óbvio para quem está fora de uma empresa estabelecida, mas acredite, a combinação de planos de carreira, políticas de remuneração, jogos políticos e uma série de outros componentes, leva ao apego excessivo às ideias e planos que poderiam ser abandonados, economizando recursos (humanos e financeiros) e tempo.

Incontáveis vezes acompanhei e participei de projetos, que não eram viáveis fora do powerpoint, mas politicamente, mesmo não concordando, precisava embarcar e fazer parte, afinal minha carreira, bônus ou alianças estavam em jogo.

Numa startup o desapego é levado ao limite e isso não quer dizer que não existem ideias ou planos ruins. Sim, existem e muitas. A diferença é que ao serem testadas em pequenas doses e grupos sem sucesso, são sumariamente abandonadas.

Se dei uma ideia que não funcionou e ela foi abandonada vou capturar os aprendizados e não serei culpado por isso. É parte do processo de aprender pelo fazer. Reuniões e discussões são feitas, apenas quando são necessárias. O nível de confiança e autonomia é grande e os erros não são punidos.

Novamente, a escassez de recursos, demandando um comportamento diferente.
Acredito que essas quatro práticas comuns e tão diferentes (ainda) poderiam ser repensadas e adotadas pelas empresas, que buscam uma prática genuína de inovação aberta. De nada vale investir em startups, se você não aprende e incorpora o que elas têm de diferente.

Nesses casos, repare que a escassez de recursos (financeiros, processos e humanos) faz uma grande diferença na forma de pensar e executar.

Deixo um convite para que você, líder, reflita sobre o seu papel (sim, você) na criação de uma cultura de fomento ao intraempreendedorismo.

Siga também o podcast de *[O lado i](https://open.spotify.com/show/25yLJw8sWtrrR3v1TwuPY0?si=59f8c6b8fe674243)* no Spotify para acessar mais de 50, verdadeiras, mentorias de grandes profissionais do mercado contando aquilo que não falam nas entrevistas ou eventos.

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Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

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