Liderança, Comunidades: CEOs do Amanhã

A escolha da gestão humanizada e consciente na prática

Humildade, equilíbrio nos relacionamentos e capacidade de despertar o propósito estão entre as grandes missões de um líder humanizado
Ana Rocha é coordenadora de product analytics no Ebancx, após ter cuidado da operação na América Latina. Graduada em administração na FAE Curitiba, é apaixonada por pessoas, esportes e artes, inconformada, do tipo que acredita na humanidade e na transformação do mundo. Voluntária no Instituto Joule como mentora de jovens em início de carreira, é embaixadora do Capitalismo Consciente e faz parte da comunidade Young Leaders.

Compartilhar:

O ano de 2020 trouxe muitas mudanças e desafios. Em meio à crise, assumi a gestão do time product analytics no Ebanx, empresa que começou como startup e se tornou unicórnio com um crescimento acelerado. Meu sonho grande sempre foi inspirar o trabalho de maneira mais autônoma e fluída para executar nossa missão: tomar [decisões baseadas em dados](https://www.revistahsm.com.br/post/o-poder-da-analise-de-dados-na-era-da-informacao), gerar análises, reportes, insights e estudos, impulsionando os resultados dos projetos.

Escolhi praticar uma gestão humanizada e consciente, você já ouviu falar? Sempre me interessei pelo tema, e ao assumir esta cadeira no Ebanx, estou aplicando na prática os conceitos que vou compartilhar com vocês. Esse perfil de gestão anda na contramão da maioria dos líderes no cenário atual, e compartilho aqui o porquê.

Perguntei a algumas pessoas com que frequência elas participam de reuniões com pauta de desenvolvimento pessoal junto aos líderes. A grande maioria das respostas foi desanimadora – “não” ou “não frequentemente”. Questionei também se elas sabem o que precisam melhorar para dar o próximo passo na carreira – surpreendentemente, novamente ouvi um não.

Betania Tanure, uma das maiores especialistas em gestão empresarial e desenvolvimento de liderança do Brasil, realizou um estudo sobre como os líderes exercem o poder, e identificou que o estilo de liderança que predomina no país é o autocrático. Qual é o problema disso? A liderança autocrática inibe a autonomia e ambição das pessoas.

A pesquisa *Trabalho dos Sonhos*, realizada pela Cia de Talentos, em 2020, aponta que somente 50% dos funcionários (jovens, média gerência e alta liderança) acreditam que os líderes deixam claro quais mudanças precisam ser feitas. Resultados de estudos soam como alertas para mim, e deveriam soar para você também. Em um cenário complexo e caótico de crise cultural que mudou nosso jeito de viver, de trabalhar e de nos relacionar, os líderes ainda deixam de lado a [abordagem humanizada](https://www.revistahsm.com.br/post/muito-mais-que-liderar-inspirar-para-transformar).

Eu, uma eterna inconformada e em meio a uma cultura autocrática predominante, busquei construir o perfil de liderança consciente como solução para um ano repleto de desafios para todos nós. No livro *Filosofia e Gestão*, Márcio Fernandes fala sobre características na nova liderança, e eu compartilho como apliquei algumas delas:
## Humildade
O primeiro desafio foi a minha própria adaptação à gestão remota e à nova rotina. Acredito que esse tenha sido o seu também. O [líder consciente](https://www.revistahsm.com.br/post/sua-lideranca-e-inclusiva) está, primeiramente, monitorando a si mesmo. Sua entrega com qualidade, seu horário de trabalho visando equilíbrio – cumprindo as horas necessárias para entregar o que se precisa, gerando confiança, mas também determinando horários para cuidar dos problemas e rotinas pessoais.

Eu organizo pelo menos uma manhã e uma tarde na semana para revisão e planejamento. Nesse momento, determino as entregas profissionais esperadas por mim e pela equipe, e também as minhas tarefas pessoais.

Depois deste exercício, as rotinas de alinhamento com o time se tornam momentos de alinhamento pessoal e profissional. Perguntar o que funciona para cada um do seu time, explicar o que esperar da sua rotina, com descontração e constantes termômetros de sentimento, nos humaniza e nos aproxima. A consequência é o que nos leva ao item seguinte.
## Equilíbrio entre efetivo e afetivo
O desafio seguinte foi negocial: negociar os relacionamentos e fazer novos acordos de convivência. Cuidar dos relacionamentos com todos os stakeholders: liderados e líder, áreas com interações e intersecções de atividades, acionistas, comunidade, família – a nossa própria e a família dos membros do nosso time.

Combinei com o meu time a reunião de alinhamento diário às 10 da manhã e expliquei para eles que, para mim, funciona bem começar a trabalhar às 9h, pois me dá tempo de acordar com calma e manter minha rotina de meditação e exercício. Além disso, antes do alinhamento, consigo revisar rapidamente o dia anterior e o esperado para o presente.

Percebi que essa liderança de si é fundamental e inspiradora, em especial a partir do momento que vi as minhas práticas se multiplicarem para membros do time. Como líder, tudo o que fazemos e como fazemos movimenta as estruturas e o engajamento das pessoas. Portanto, garantir a sustentabilidade do time é, em primeiro lugar, olhar para si mesmo, se perceber e se ajustar como exemplo a ser seguido – e nesse caso, foi a [rotina de autocuidado e organização](https://www.revistahsm.com.br/post/como-desenvolver-competencias-comportamentais).
## Capacidade de despertar o propósito
O resultado dessas ações é ser mais empático e poder perceber as diferenças e similaridades entre nós e o nosso time. Saber identificar e individualizar os relacionamentos que temos com cada integrante da equipe nos leva a posicionar a pessoa certa no lugar certo, entendendo o sonho grande de cada um e orquestrando os talentos da melhor maneira possível.

Quando começo a trabalhar com alguém novo, costumo perguntar qual o sonho grande dessa pessoa. Contudo, se você nunca perguntou, não é tarde para começar a conhecer a fundo seu time. Se conhecemos os perfis e construímos confiança por meio do alinhamento das atividades atuais como construção de bagagem para conquistar o sonho, estamos dando a liberdade de serem quem são e criar melhorias e soluções criativas espontaneamente de acordo com a ambição pessoal!

Na prática, esse despertar do propósito acontece nos alinhamentos diários. Mas ter um momento específico do mês para refletir sobre o período tem sido a melhor maneira de calibrar o desenvolvimento individual com autonomia e liberdade. É nesse momento que aproveito para esclarecer o que precisa mudar e por quais razões.

Só posso começar a concluir essa reflexão com a seguinte afirmação: alta performance em time de dados é sobre pessoas, assim como em qualquer time. Nosso desafio como líder é acelerar ou mudar o direcionamento do caminho que as empresas estão percorrendo.

Como empresas são sobre pessoas, devemos sempre nos questionar como inspirar cada indivíduo a maximizar seus resultados e [crescer como profissional](https://www.revistahsm.com.br/post/novas-habilidades-aprender-ou-morrer) e ser humano. Espero que esse texto te faça refletir sobre como você quer ser lembrado no papel de líder, e encarar os desafios do dia a dia aplicando esses conceitos. Que os próximos desafios nos permitam manter e aprofundar a humanização que foi acelerada pela crise.

Confira mais artigos como esse no [Fórum: CEOs do Amanhã](https://www.revistahsm.com.br/forum/forum-ceos-do-amanha).

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a liderança encontra a vida real

Este artigo mostra que quando cinco gerações convivem nas empresas e nas famílias, a liderança deixa de ser apenas um papel corporativo e passa a exigir coerência, empatia e presença em todos os espaços da vida.

Diversidade não gera performance. O que gera é a forma como ela é operada

Diversidade amplia repertório, mas também multiplica complexidade. Este artigo mostra por que equipes diversas só performam quando há uma arquitetura clara de decisão, comunicação e gestão de conflitos – e como a falta desse sistema transforma inclusão em ruído operacional e perda de velocidade competitiva.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de abril de 2026 15H00
Enquanto o Brasil envelhece, muitas empresas seguem desenhando experiências para um usuário que já não existe. Este artigo mostra que quando a tecnologia exige adaptação do usuário, ela deixa de servir e passa a excluir.

Vitor Perez - Co-fundador da Kyvo

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de abril de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema nunca foi a geração. Mas sim a incapacidade da liderança de sustentar a complexidade humana no trabalho.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
9 de abril de 2026 14H00
À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.

Renan Caixeiro - Co-fundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
9 de abril de 2026 07H00
O mercado não mudou as pessoas. Mudou o jeito de trabalhar. Este artigo mostra que a verdadeira vantagem competitiva agora não está no que você faz, mas no que você sabe delegar - e no que não delega.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
8 de abril de 2026 16H00
Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia - é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Ana Flávia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
8 de abril de 2026 08H00
O bar já entendeu que o mundo virou parte do jogo corporativo. Conflitos, tarifas e decisões políticas estão impactando negócios em tempo real. A pergunta é: o CEO entendeu ou ainda acha que isso é “assunto de diplomata”?

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...