Uncategorized
Oferecido por:

A evolução de uma pequena empresa familiar

Com um crescimento acelerado nos últimos três anos que a fez aproximar-se da categoria de companhia de grande porte, a Mecalor combina ferramentas de ponta da gestão, como a orientação pelo propósito e o pensamento caórdico.
Húngaro de nascimento herdou a Mecalor Soluções em Engenharia Térmica da família e é seu CEO desde 1987. Formado engenheiro mecânico pela Escola Politécnica da USP em 1972, fez doutorado em engenharia térmica pela Pennsylvania State University em 1977, foi professor-assistente da instituição em 1978 e ocupou diversos cargos na Promon Engenharia de 1978 a 1988.

Compartilhar:

Transformar uma pequena empresa familiar em uma corporação moderna requer atenção, ousadia e mudanças constantes. Como crescer e se diversificar de forma sustentável sem colocar em risco a confiança e a fidelidade dos clientes?

Na Mecalor, nós nos obrigamos a repensar a empresa e os processos constantemente. Aplicamos algumas ideias pouco ortodoxas. Por exemplo, acreditamos que o provérbio “em time que está ganhando não se mexe” não se aplica: é sempre hora de usar a criatividade para se questionar, reinventar, mudar e inovar. E mexemos muito nos últimos 15 anos, mais acentuadamente nos últimos cinco anos.

Por exemplo, em novembro de 2016, percebemos que definir um propósito era fundamental para direcionar nossos esforços e evitar dispersões. Reunimos um grupo de 30 colaboradores, o Grupo 2020, e em quatro encontros fora do ambiente empresarial discutiram temas como: Qual é a nossa razão de ser? Por que estamos aqui? O que nos diferencia dos concorrentes? Após muita discussão o grupo criou o propósito que passou a nortear a nossa atuação: “Se você quer um parceiro que só sossega quando entrega o melhor, então está no lugar certo”. Em 2018, continuaremos a fazer essas reuniões para pensar o negócio.

**A ORDEM**

Com o propósito, definimos as coisas que não podem mudar. Uma base sólida de competências e valores deve sempre sustentar nossa estratégia– é o nosso DNA, aquilo que nos diferencia dos outros, e qualquer mudança que se proponha deve estar alinhada a isso. A consolidação da declaração de valores e princípios da Mecalor, amplamente discutida e abrangendo temas comerciais, de liderança, gestão, propósito e atitude, foi mais um dos produtos dessas reuniões. 

Em seguida, com base no modelo de análise VRIO [valor, raridade, imitabilidade e organização], adotamos como alicerce do nosso pensamento seis pilares de competência que passaram a orientar as nossas ações estratégicas: (1)Cliente fiel, (2) Qualidade do começo ao fim, (3)Orgulho e prazer no trabalho, (4)Cultura de inovação, (5)Expertise em projeto, fabricação e instalação e (6)Excelência operacional. Para estimular nosso pessoal a reforçar os pilares de competência, criamos indicadores que traduzem o sucesso de nossas ações. Com esses números sabemos se nossos esforços estão obtendo o resultado desejado.

Na prática, nosso propósito de encarar as situações do ponto de vista dos clientes e lhes oferecer uma solução com relação custo-benefício excelente criou uma cultura de inquietação, de sempre buscar o melhor. 

Incentivamos práticas que estimulam o compartilhamento de informação, tomadas de decisão de baixo para cima e resolução de conflitos em grupo. Crises devem ser resolvidas em grupo e com rapidez e transparência – antes mesmo que seus efeitos apareçam (devemos estar atentos à fumaça, antes de o fogo aparecer). Os esforços de treinamento e conscientização da equipe geraram nos funcionários autogerenciamento, integridade, vontade de dar o melhor de si e prestar contas de suas responsabilidades (accountability) – alguns dos conceitos que fundamentam nossas ações na empresa. 

**O CAOS**

Como empresa de tecnologia que somos, trabalhamos diariamente com os desafios da inovação. Somos provocados constantemente por clientes, funcionários e parceiros a superar algum tipo de obstáculo ou criar uma solução para um problema técnico. 

Aprendemos ao longo dos anos que a melhor forma de equacionar questões técnicas é uma atuação em duas etapas. A fase um, criativa, é por sua natureza caótica, pode levar a discussões acaloradas sem um prazo determinado de conclusão. Sob a coordenação de um profissional que estudou a fundo o problema em pauta, adotamos sempre que possível uma abordagem “base zero”, ou seja, desconsiderando o que já existe e refletindo como agiríamos se não houvesse nenhum impedimento de ordem técnica ou financeira. Todas as opções são exaustivamente discutidas em um grupo heterogêneo de pessoas. Sugestões “sem sentido” podem ser a semente de ideias brilhantes. 

Esse processo, chamado de brainstorming em muitas empresas, só chega ao fim quando todos estão felizes com a alternativa escolhida. Não se trata de obter consenso, mas de atingir um clima de cumplicidade entre os participantes.

A segunda etapa, o plano de ação, exige ordem – muita organização e disciplina. O responsável por cada atividade deve prestar contas do andamento de suas ações e garantir que sejam cumpridas à risca no prazo acordado. Técnicas de planejamento e controle de projetos devem ser aplicadas. 

Assim é o processo caórdico de inovação (caórdico é o termo cunhado por Dee Hock, fundador e ex-CEO da Visa, reunindo as palavras caos e ordem), essencial para garantir a sustentabilidade da organização num ambiente de alta volatilidade. Os profissionais precisam aprender a conviver com o paradoxo entre as discussões aparentemente sem rumo e a necessidade de um processo formal de desenvolvimento, que inclui controle da documentação, cumprimento de cronogramas etc.

**RESULTADOS**

Talvez o pensamento caórdico seja a verdadeira modernidade – saber aliar a leveza dos pensamentos à rigidez de conduta. Mas será que gera resultados? Ao menos no caso da Mecalor, posso atestar que sim. Os esforços de treinamento e conscientização de todos os colaboradores, por exemplo, têm se mostrado eficazes. O índice médio de 89% obtido nas pesquisas rotineiras de satisfação dos clientes em 2017 o refletem. 

Nos últimos 15 anos, o crescimento médio das vendas – descontada a inflação – foi superior a 10% e, em 2017, passou dos 60% em comparação ao ano anterior.  Além disso, mais de 40% das vendas foram relativas a produtos e serviços incorporados ao portfólio nos últimos três anos. 

A exportação foi um dos caminhos naturais para o crescimento. Nos últimos cinco anos, as vendas para o mercado externo saltaram de 2% para 13% do faturamento. Hoje, a empresa exporta para todos os países da América do Sul e Central e está iniciando um fornecimento expressivo para os Estados Unidos.

**SAIBA MAIS SOBRE A MECALOR**

Fundada em 1960 por Sándor Szegö, imigrante refugiado da revolução húngara de 1956, a empresa de soluções de engenharia térmica Mecalor está desde 1987 sob o comando do fi lho do fundador, János – e o neto George Szegö foi contratado como seu gerente de engenharia em 2013. Além disso, a empresa conta com gestores profissionais – quatro diretores e seis gerentes.

Com um faturamento líquido de R$ 75 milhões e 200 funcionários em 2017, a Mecalor se instalou recentemente na fronteira entre empresas de médio e grande porte. Entre suas inovações, destaca-se o DryCooler, equipamento que substitui as tradicionais torres de resfriamento das fábricas, permitindo economizar água.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução