Dossiê: Jovens Talentos, Gestão de pessoas
Oferecido por:

A experiência do candidato importa!

Jovens estão sempre em busca de uma oportunidade, e uma péssima experiência no processo seletivo pode significar muito mais do que a perda de um potencial talento
Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios, com mais de 30 anos de experiência como redatora, repórter, editora e revisora. Colaboradora de HSM Management e de MIT Sloan Management Review Brasil.

Compartilhar:

Menos de uma década atrás, Louise, candidata a uma vaga de emprego na telecom britânica Virgin Media, decidiu cancelar os serviços da companhia após considerar ruim sua experiência no processo de seleção. A irmã de Louise, por sua vez, também deixou de ser cliente da empresa. Logo depois, o então gestor de RH Graeme Johnson, atualmente na companhia de entretenimento Entain, decidiu investigar o impacto das experiências negativas dos candidatos para a Virgin – e concluiu que as perdas chegavam a US$ 5,4 milhões por ano.

Ao levantar o aspecto financeiro sobre os processos negativos de seleção, o levantamento foi muito além do que os [estudos de RH já indicavam](https://www.revistahsm.com.br/post/procura-se-um-rh-que-entenda-de-gente): a experiência do candidato importa. Não há mais dúvidas de que essa experiência inicial impacta na atração e contratação dos talentos. Mas não é só isso.

Voltando ao exemplo inicial, se outras “Louises” tivessem tido uma experiência significativamente positiva no processo da Virgin, não haveria perda de receita por esse motivo. Simultaneamente, parte das “Louises” ainda poderiam falar bem da empresa, que veria, possivelmente, sua carteira de clientes e, consequentemente, seu faturamento engordar.

Segundo a pesquisa *The far-reaching impact of candidate experience*, realizada pela IBM, 62% dos candidatos que ficaram satisfeitos com a experiência no processo seletivo, mesmo que não tenham sido contratados, provavelmente recomendariam a empresa para outras pessoas, o que poderia ser feito por apenas 28% dos que não ficaram satisfeitos.

O mesmo estudo demonstra que os candidatos com jornadas positivas têm duas vezes mais chances de se tornar um cliente da empresa quando comparados com os [candidatos insatisfeitos](https://www.revistahsm.com.br/post/experiencia-do-colaborador-responsabilidade-do-rh-ou-da-lideranca) (53% e 25%, respectivamente). Um processo seletivo, portanto, diz muito sobre a marca, sobre seus processos e leva o candidato a ter uma percepção clara sobre como será seu futuro naquela companhia, para o bem ou para o mal.

## Um mapa para garantir a experiência
O processo seletivo é a jornada que será trilhada pelo candidato à vaga, desde o momento da divulgação de uma oportunidade até a contratação. Esse modelo tradicional de seleção é o mais utilizado pelas empresas, também por aquelas que buscam jovens talentos, como os programas de estágio e de trainee.

Porém, desenhar os requisitos de uma vaga e pensar quais são as dinâmicas e etapas necessárias – geralmente divididas em quatro: atração, desenvolvimento, seleção e contratação – não é mais suficiente. É necessário ter uma visão sistêmica de todo o processo, alinhando a conexão entre as etapas. Essa é a chave para desenhar o mapa da jornada de seleção e, assim, garantir aos candidatos uma boa experiência, especialmente quando pensamos na juventude.

Para garantir que os jovens tenham uma experiência positiva em todo o processo, [é preciso ser ágil e transparente](https://www.revistahsm.com.br/post/ruido-caos-energia-e-conflito). Tenha em mente que uma grande parcela da juventude busca informações sobre uma empresa antes de se candidatar a uma vaga. De acordo com a pesquisa da IBM, 55% dos participantes afirmaram que tiveram uma impressão positiva sobre a organização contratante antes de se inscrever.

Como os jovens estão, em massa, nas redes sociais, é importante a divulgação das vagas nesses canais, assim como criar narrativas que explorem a cultura organizacional, o propósito, a missão e os valores das organizações.

A [juventude também está vinculada às universidades](https://www.revistahsm.com.br/post/educacao-precisa-focar-nas-necessidades-do-mercado-em-transformacao), meio importante para a divulgação de novas vagas. Outro canal é o parceiro que ajudará na seleção dos candidatos, como uma consultoria ou plataformas de vagas diversas, já que dispõe de um banco de dados rico de pessoas que buscam oportunidades. Vídeos com depoimentos de colaboradores jovens costumam chamar a atenção dos candidatos.

Esse público-alvo também pode se interessar em eventos relacionados às vagas e às empresas, como uma forma de aproximar candidatos, colaboradores e áreas de RH. Essa é uma alternativa a ser considerada, especialmente no formato online, uma vez que companhias que demonstram não só interesse na atração, mas também na capacitação dos candidatos tendem a conquistar um maior número de inscrições nas posições em aberto. A inscrição, aliás, deve ser simples e direta, para não dar brecha para que o candidato desista de preencher a ficha com seus dados.

## Em busca do “algo a mais”
Depois de ter os inscritos, a meta é mantê-los interessados em trabalhar na sua empresa. Pesquisas indicam que uma boa estratégia é criar conteúdos que agreguem valor aos jovens, como aqueles voltados ao desenvolvimento de soft skills, por exemplo.

Isso fará com que os selecionados ingressem na empresa com aquele “algo a mais”. E, conforme citado anteriormente, candidatos que não forem selecionados levarão algum conhecimento sobre o processo em questão.

Paralelamente, [ocorrem as fases de testes ou desafios](https://www.revistahsm.com.br/post/novas-regras-para-o-mesmo-jogo-autonomia-e-confianca), que podem ser específicos, como de lógica, de habilidades pessoais, entre outros. É aconselhável que não sejam testes muito longos ou de alta complexidade, mas objetivos, para se extrair o que a empresa deseja encontrar nos jovens talentos. A comunicação constante é fundamental, a ser realizada no decorrer de cada fase – essa atitude manterá os candidatos engajados. É um cuidado essencial e muito valorizado pela juventude.

Diante da proximidade da escolha, é essencial lembrar que todo candidato anseia por tal resultado, [há uma ansiedade grande nesse processo](https://www.revistahsm.com.br/post/lideres-desempenham-fator-de-protecao-a-saude-mental-dos-colaboradores). Por isso, nunca é demais lembrar: não deixe de comunicar a um candidato a decisão de que ele não avançará para a próxima fase. O ideal é que esse feedback não fique somente em “após análise, decidimos seguir com candidatos mais aderentes à vaga”. Se o jovem souber o real motivo para sua dispensa, poderá buscar aperfeiçoamento em seus pontos fracos. Os selecionados passam, então, para a etapa da contratação e precisam ser acolhidos para o onboarding.

Como última dica: revisite a cultura e o clima organizacional antes de buscar jovens talentos no mercado. É difícil mascarar, no decorrer de todo um processo seletivo, como a empresa é em seu âmago.

Foi na entrevista pessoal de Louise com um executivo da Virgin que a fez cortar todos os laços com a empresa de telefonia e TV a cabo britânica. Na época, Johnson recomendou, entre outras ações, que os gerentes de contratação fossem treinados novamente. Isso porque ele percebeu que um candidato insatisfeito pode ter impactos muito mais profundos do que apenas um comentário aleatório com um familiar ou amigo ou até uma crítica numa rede social.

__*O E-Dossiê Jovens Talentos é uma coprodução de HSM Management e Eureca.*__

Compartilhar:

Artigos relacionados

O que o gestor intermediário recebe, além da cobrança?

Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Headless: a empresa precisa funcionar fora da própria tela

Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de setembro de 2026 18H00
Mais do que uma questão tecnológica, o crescimento do Shadow AI evidencia a necessidade de fortalecer políticas internas, educação digital e governança para proteger um dos ativos mais valiosos das empresas: seus dados.

Adriano Pinhal - Superintendente de Inteligência Artificial da Mapfre

3 minutos min de leitura
Educação
26 de setembro de 2026 12H00
Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Vinicius Tondolo - Diretor executivo da Fundação Sagres

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de setembro de 2026 07H00
Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

Ana Luiza Oliveira e Ellen Couto - Integrantes do LabJornalismo, projeto da HSM Management em parceria com a Anhembi Morumbi

6 minutos min de leitura
ESG
25 de setembro de 2026 15H00
Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Luiz Martha - Diretor de Conhecimento e Impacto do IBGC- Instituto Brasileiro de Governança Corporativa e Rodolfo Fücher - Líder do Grupo Curador do 27º Congresso IBGC.

3 minutos min de leitura
Estratégia, Direito, Regulação & Compliance, Finanças
25 de setembro de 2026 08H00
Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

Rodolfo Takahashi - CEO da Gooroo Crédito

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução