Marketing e vendas

A “hora H” do SXSW: consumo imersivo no varejo

Painéis do festival reforçaram a tendência da hibridização e hiper imersão de experiências no varejo, provocando o surgimento de novo modelo holístico de business experience
Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Compartilhar:

O South by Southwest 2021 (SXSW), que ocorreu de modo online ao longo da terceira semana de março, trouxe uma série de provocações para o presente e o futuro do marketing e das marcas no varejo, um setor, aliás, cada vez mais integrado e sustentado por tecnologias imersivas. Neste artigo, busco informar e analisar pontos essenciais de alguns painéis que abordaram esse tema.

Apesar dos avanços das tecnologias digitais, o varejo digital ainda não replicou completamente um aspecto fundamental da experiência que os consumidores têm em loja: nos ambientes físicos, eles podem tocar os produtos, experimentá-los e prová-los antes de os comprarem. Nessas interações, eles podem comprovar a qualidade, o acabamento, tamanho, caimento, e outros aspectos para avaliar se atendem ou não às suas expectativas.

Esses elementos entregam o controle, a transparência e os fatores tangíveis que constroem a confiança e impactam diretamente na decisão de compra. Afinal, a experiência é sim um fator importantíssimo no processo de aquisição. Nesse contexto, as tecnologias imersivas têm de fato potencial para inaugurar uma era para experiências de compra. Algumas delas, aliás, já estão disponíveis hoje e devem [entrar no radar das marcas](https://www.revistahsm.com.br/post/como-nasce-uma-marca).

## Transformações e experiências imersivas
Em seu painel no SXSW, a digital strategy e partner da IBM, Silke Meixner, detalhou algumas questões que seus clientes têm levantado para embarcar, de maneira definitiva, em oportunidades para criar experiências digitais mais engajadoras e prazerosas. Na realidade, o painel de Meixner, intitulado “Immersive retail: connected shopping in a new era”, trouxe questões que estão entre as prioridades das agendas de discussão de executivos.

A primeira questão é se isso será apenas uma realidade temporária, ou se irá realmente mudar a forma como as marcas interagem com seus clientes. A resposta de Meixner é que isso chegou para ficar. E se tornará uma necessidade. Para quem atua na área de marketing ou tecnologia, essa [tendência terá um impacto significativo](https://mitsloanreview.com.br/post/fjord-trends-2021-vai-redefinir-o-seculo-21) com relação às decisões de investimentos futuros.

No varejo, por exemplo, existem iniciativas no sentido de trazer as gôndolas para o ambiente digital. No entanto, ainda restam muitas dúvidas sobre quais serão as funcionalidades mais prioritárias para que a experiência omnichannel seja realmente fluída.

Tanto o varejo quanto o mercado de eventos e entretenimento estavam em transformação antes da covid-19. Entretanto, ninguém pode prever a magnitude do que seria o impacto da pandemia. Muitos que já estavam trabalhando em formas de virtualizar a experiência no varejo, agora estão no processo de buscar como pivotar e escalar os modelos que podem ser sustentados no futuro.

### Experimentando novos processos
No varejo e no mercado, além das tecnologias, os princípios e modelos de trabalho foram adaptados para formatos mais ágeis. Nesse sentido, ocorreu um processo fundamental para que as [múltiplas frentes de atuação do marketing](https://mitsloanreview.com.br/post/o-tabuleiro-de-xadrez-do-marketing-foi-chacoalhado) pudessem trabalhar em provas de conceito, experimentando e testando modelos, para depois escalar as soluções.

Posto de modo mais prático, a ideia é minimizar os riscos de investimentos em tecnologia e nas ativações de marketing, começando pequeno. A meta consiste em controlar e minimizar os riscos, tendo como objetivo, a partir desse piloto, desdobrar o conceito e sua prática para outras unidades de negócios.

De fato, as metodologias ágeis são o caminho para ter adaptabilidade, partindo do princípio de que o avanço das tecnologias e das possibilidades que surgem a partir delas cresce cada vez mais rápido.

### Games e personalização colaborativa
No mesmo painel, Toni Parisi, head de AR/VR Ad Innovation da Unity Technologies, relembrou as previsões do ‘apocalipse do varejo’, com episódios da catástrofe do modelo tradicional ‘brick-and-mortar’ já bastante avançados antes mesmo da pandemia, com impactos significativos em grandes redes de varejo que eram dependentes do modelo de vendas físicas.

Uma indústria que tem impactado e transformado outras indústrias, inclusive o varejo, é o mercado de gaming. Nos últimos anos, investimentos massivos foram feitos neste segmento, com tecnologias desenvolvidas para entregar experiências altamente imersivas. Agora, já vemos a entrada de varejos tradicionais nas megaplataformas como Fortnite e Roblox, e isso será transformador – os ‘gêmeos 3D digitais’ desses varejistas, e seus produtos 3D digitais, também irão acelerar a convergência entre o universo de gaming e do varejo.

A questão da personalização também é um fator que impacta na jornada omni dos consumidores, que buscam experiências adicionais para ver a loja antes de visitá-la pessoalmente. [Consumidores esperam ser reconhecidos como indivíduos](https://www.revistahsm.com.br/post/futuro-no-agora-negocios-conscientes-responsaveis-e-humanizados) e querem compartilhar as suas experiências, o que eleva a importância dos conteúdos e as formas de entregá-los, que passam a ser menos unidirecionais e mais cocriadas com os clientes.

### Entre desafios, oportunidades
Essa nova realidade traz implicações técnicas e deve estar na agenda dos executivos da área de marketing tanto no curto quanto no longo prazo. E é o que tem tirado o sono de muitos executivos, mas também representa uma grande oportunidade.

As áreas de marketing têm buscado cada vez mais uma estrutura de dados que seja robusta para uma entrega de experiência personalizada. No entanto, essa experiência deve evoluir para algo mais orgânico, mais ‘taylor made’.

“Deve ser algo multissensorial, deve ter muito poder de engajar, e deve ser também algo divertido!”, segundo Toni Parisi. E o processo de análise da performance dos diferentes formatos e conteúdos será ainda mais crítico, para garantir que nesse processo de feedback seja possível entregar experiências fluidas, engajadoras e de maneira muito mais emocional ao longo das jornadas dos consumidores.

## O modelo holístico do BX
Fazendo um hyperlink aqui, vale comentar sobre o conceito de business experience (BX) apresentado na palestra “Pivot do Growth: the business experience” com Baiju Shah, chief strategy officer da Accenture Interactive. De acordo com a consultoria: “uma evolução da CX, o BX é uma abordagem mais holística que permite que as organizações se tornem obcecadas pelo cliente e retomem o crescimento.”

O executivo apresentou resultados de uma pesquisa realizada com 1.550 executivos (sendo quase um quarto deles CEOs) em 21 países, em 22 setores. Conclusão: as empresas que operam seus negócios como iniciativas de experiência crescem seus lucros em até 6x se comparados às outras empresas.

Mais do que um conceito simples, o business experience deve gerar uma profunda reflexão sobre como as expectativas dos consumidores se tornaram extremamente fluidas, transbordando diferentes categorias de produtos e serviços. Ou seja, eles já não comparam as suas experiências entre as marcas concorrentes do mesmo segmento, mas também com outras categorias e marcas.

Ocorre assim um grande impacto para as equipes de marketing e branding. Antes, o mindset de customer experience estava orientado para gerar desejo e fazer com que os clientes pudessem adquirir marcas, produtos e serviços. Agora, esse paradigma evolui para um modelo mental de business experience. Nele, as empresas e marcas fazem produtos, serviços e experiências que as pessoas querem. Ou seja: a marca passa a ser construída através de experiências que conectam consumidores ao que eles desejam e precisam, e não o contrário.

## PROVOCAÇÕES FINAIS
Em síntese, a hora de “reimaginar” as experiências no varejo e no e-commerce é agora, pois os consumidores estão prontos e exigindo uma evolução da experiência de compra online. As marcas, por sua vez, precisam entender como a área de tecnologia imersiva, que acelera rapidamente, pode ajudar a impulsionar a escala nesta nova era de compras online.

E você? Já está testando novos caminhos para essa transformação digital do seu negócio? Se os seus “planos de 5 anos” caíram por terra, como a necessidade de sobreviver na crise fez com que a sua organização experimentasse novos caminhos, outros processos de tomada de decisão e novos formatos e modelos de trabalho?

*Saiba mais sobre os principais conteúdos sobre liderança, negócios e carreira assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) na sua plataforma favorita.*

Compartilhar:

Fundadora da Zero Gravity Thinking. Consultora e mentora em estratégia, inovação e transformação organizacional.

Artigos relacionados

Isolamento nas empresas não é só físico: é cultural

Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 14H00
Muito além da programação e da montagem de robôs, o artigo mostra como a robótica educacional está ajudando estudantes a pensar criticamente, experimentar, colaborar e criar soluções para problemas reais, conectando aprendizagem, propósito e impacto social desde a escola.

André Brandão Sala - CEO da Robomind

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de setembro de 2026 08H00
O Brasil já demonstrou sua capacidade de formar pesquisadores altamente qualificados. O desafio agora é fortalecer as pontes entre universidades, empresas, investidores e empreendedores para que a produção científica gere mais inovação, competitividade e impacto social.

Luiz Caires, PhD - Cofundador e CEO da Vyro Bio

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
6 de setembro de 2026 15H00
Nem sempre a queda de engajamento está relacionada à falta de motivação individual. Muitas vezes, ela surge em ambientes onde as pessoas deixam de se sentir ouvidas, evitam discordar e aprendem que é mais seguro permanecer em silêncio.

Rodrigo Rovaris - Gerente de Gente & Gestão da Blendus

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Marketing & growth
6 de setembro de 2026 08h00
À medida que a produção de conteúdo se torna cada vez mais presente na vida profissional e pessoal, surge uma questão importante: estamos ampliando oportunidades ou naturalizando a ideia de que toda experiência, habilidade e momento da vida precisam ser convertidos em visibilidade, audiência e monetização?

Ingrid Spyker - sócia da Creator Economy

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo