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A identificação de talentos em uma era disruptiva

Poucas organizações contam com ferramentas e práticas modernas para a contratação de lideranças em um ambiente em constante transformação
Consultoras seniores de Carreira e Estratégia de Talentos

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A saída do diretor de RH para a América Latina pegou todo mundo de surpresa naquela multinacional americana do setor farmacêutico. Um time de seis executivos seniores se reportava a ele: um gerente de Desenvolvimento Organizacional (D.O.), uma gerente de Remuneração, uma de Comunicação, dois gerentes de RH nas fábricas e uma gerente de RH responsável pelas operações de Argentina e Chile.  

O gerente de D.O., considerado o mais bem preparado entre todos os subordinados, assumiu como interino e, a princípio, era considerado o mais provável substituto para a posição. No entanto, os meses se passavam e a confirmação da mudança não vinha. A VP global de RH, baseada em Nova York e com pouco tempo de casa, não estava convencida de que o interino tinha condições de assumir aquela posição tão estratégica. Aliás, ela mal conhecia o time do antigo diretor e não havia registro das avaliações de competências e de potencial das pessoas. No final, a organização se viu obrigada a procurar um novo diretor no mercado – um processo que levou quase seis meses e custou uma fortuna em honorários pagos à consultoria de headhunting. 

Finalmente, num mês de abril, o novo diretor de RH, que vinha do setor automotivo, assumiu a posição na farmacêutica. Logo de início foi possível perceber um claro desencaixe entre a as competências exigidas pela posição e a personalidade do novo gestor. Era preciso aprender rápido!

Muito hábil em negociar com líderes sindicais, movimentos grevistas e conduzir a organização aos maiores prêmios e certificações técnicas, o recém-chegado era alheio a como fomentar um ambiente de inovação e pesquisa científica, com foco na saúde e bem-estar da sociedade, competência chave da sua nova organização.  

O processo lento de aprendizado e de adaptação às novas competências logo mostrou consequências: em pouco menos de oito meses, três dos altos executivos que faziam parte do time regional pediram demissão. 

Formou-se então um círculo vicioso: como não havia processos eficientes para identificar o nível de potencial de eventuais sucessores para esses gerentes que se desligaram da farmacêutica, a organização foi obrigada a recorrer novamente ao mercado. E, mais uma vez, os processos foram lentos, onerosos e não puderam determinar a agilidade de aprendizado desses gerentes. Eles seriam capazes de ir além, de seguir frente a novos desafios e novas posições?

História Local, Problema Global
——————————-

A narrativa acima não é privilégio brasileiro, mas uma realidade global. Um estudo recente realizado pela consultoria Mercer|Mettl com mais de 200 empresas de diversos tamanhos, atuando em 23 diferentes setores industriais e presentes em todos os continentes, revelou que encontrar talentos e desenvolvê-los para assumirem posições estratégicas é um dos principais e mais críticos desafios enfrentados pelas organizações hoje em dia. 

O relatório “[Tendências na Contratação de Lideranças 2019](https://www.mercer.com.br/our-thinking/career/tendencias-na-contratacao-de-liderancas-2019.html)” mostra dados preocupantes:

* 42% das empresas não tem um modelo de competências no qual possam estruturar seus processos de contratação;

* 34% das empresas não tem um pipeline interno de sucessão;

* 27% sofrem com o longo tempo requerido para a contratação de líderes;

* 3.5 meses é o tempo médio gasto pela maioria das empresas para finalizar o processo de contratação de lideranças;

* 86% das organizações preveem uma escassez de líderes nos próximos 3 anos.

A informação mais impressionante da pesquisa conduzida pela Mercer|Mettl é que a falta de clareza das competências desejadas em seus líderes, somada à precariedade dos processos de avaliação destas competências durante o processo de seleção, levam as organizações a contratarem os líderes errados em aproximadamente 50% das vezes. 

De fato, contratação, integração e desenvolvimento de líderes normalmente demandam muito tempo. Na ausência de um plano sucessório, as organizações se veem forçadas a contratar do mercado todas as vezes que uma vaga de liderança precisa ser preenchida.

Isso significa que é preciso iniciar a busca por líderes com cerca de um ano ou mais de antecedência (antes da vaga se tornar disponível), para assegurar que a nova contratação esteja pronta para assumir a posição no momento certo. Por outro lado, esses processos tão longos aumentam o risco de as organizações sofrerem uma elevada taxa de desistência de candidatos.

Por todas essas razões, a maioria dos especialistas em contratação de líderes aconselha que as empresas procurem talentos internamente primeiro, pois isso torna o processo de contratação mais rápido, mais barato e resulta em uma taxa de sucesso maior.

Além disso, com a escassez de talentos de liderança no mercado, deixar de ter um pipeline interno de altos potenciais traz um impacto adverso nas chances de uma organização encontrar o talento certo, adequado para suas vagas de liderança.

Melhores práticas
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Há certas práticas que as organizações podem aplicar para aumentar suas chances de contratar com êxito os líderes certos. São elas:

* Crie um modelo de competências organizacionais e de liderança preciso e regularmente atualizado para saber quais habilidades são necessárias para cada cargo (agora e no futuro), para saber quem contratar.

* Faça uso de ferramentas de avaliação para aferir com precisão os níveis de potencial e habilidade das pessoas para tomar decisões de contratação amparadas em dados, o que aumenta significativamente as suas chances de recrutar os talentos certos. As organizações que utilizam alguma forma de ferramenta de avaliação cientificamente validada durante a contratação têm maior probabilidade de sucesso do que quando são usados apenas métodos tradicionais de recrutamento.

* Tenha mapeados quais as posições críticas e o pipeline de liderança para ocupar futuras posições na organização, uma vez que esses talentos são escassos no mercado.

* Envolva as lideranças nas decisões de contratação de outros líderes para assegurar que as novas contratações compartilhem a visão, missão e valores da organização.

* Torne seu processo de contratação mais amigável, estando atento a toda a experiência vivenciada pelo candidato durante o mesmo. Talento de qualidade permanece disponível no mercado por poucos dias.

Investimento necessário
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O banco de talentos aptos a entregar resultados em um ambiente de constante transformação é escasso.  A demanda começa a ultrapassar cada vez mais o suprimento. Nesta época e nestes tempos, para identificar potenciais e contratá-los antes que outro o faça, é importante adotar práticas de ponta, que aumentem significativamente as suas chances de identificar com precisão as pessoas certas e em seguida proporcionar-lhes uma agradável experiência de processo de contratação.

Afinal, contar com uma forte liderança e assegurar que haja um banco de talentos prontos a ocupar posições chave no futuro, são fatores determinantes para a rentabilidade e perenidade de uma organização.

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