Uncategorized

A indústria de alimentos deve buscar as startups (antes que seja tarde)

é sócia-fundadora da M Group, empresa que desde 2015 atua em consultoria de transformação organizacional, cultura e inovação; educação executiva e incubadora e aceleradora de projetos. Em 2012 foi eleita pela Ad Age uma das 100 mulheres mais influentes da comunicação mundial.

Compartilhar:

São muitos os exemplos de startups e tecnologias que promoveram alterações radicais em mercados até então tidos como estáveis, provocando o desaparecimento de empresas reverenciadas. Transporte urbano, turismo, bancos, comunicação… Em todos esses setores temos uma história assim para contar. 

Com a revolução digital, inovações transformadoras têm muito mais chance de surgir em startups, porque, como gosto de destacar, costuma haver uma grande resistência interna a mudanças nas organizações estabelecidas. Não raro, a inovação é compartimentalizada e designada a uma gerência ou diretoria, quando deveria ser parte da cultura. 

Muitas corporações já perceberam isso e estão buscando maneiras de se aproximar de startups. Algumas simplesmente saem às compras de pequenas e promissoras empresas, mas correm o risco de, ao integrá-las a sua estrutura, acabarem matando o espírito inovador. Outras fazem melhor, optando por diferentes formatos de relacionamento que realmente lhes permitam preparar-se para as rupturas por vir. 

Na indústria de alimentos mundial, temos exemplos interessantes do segundo grupo. Quem tiver interesse pode conhecer a Chobani Incubator, uma iniciativa que seleciona, a cada seis meses, startups do setor de alimentos com ideias e propostas que podem sacudir o setor. Foi desenvolvida pela fabricante americana de iogurtes Chobani com o propósito de melhorar a qualidade dos alimentos e barateá-los, para que mais pessoas possam consumi-los. 

Em San Francisco, Califórnia, a Givaudan, multinacional suíça fabricante de aromas e fragrâncias, montou uma unidade de inovação – uma cozinha- -laboratório – para hospedar startups com potencial de transformação. 

No Brasil, no entanto, a indústria alimentícia parece ainda não ter despertado para as startups, talvez por ignorar a existência delas localmente. Na M Group, nós já as detectamos. Em nossa unidade de negócios dedicada a incubar projetos promissores, a Startando, trabalhamos já com dois projetos do setor, e um foi a Energia da Terra. 

Essa startup desenvolveu tecnologia inovadora para lavar, cortar e embalar a vácuo cana-de-açúcar em pequenas porções, sem conservantes, com vida de prateleira de 60 dias. Não somente porções de cana- -de-açúcar para mascar, em diferentes sabores, mas também para serem usadas como mexedor de café e de drinks. Sua inovação não é só de produto, mas de entendimento do mercado. Adapta-se à urbanização crescente e à maior demanda por comida saudável – o mercado de alimentos saudáveis movimentou R$ 96 bilhões no mundo em 2016, segundo dados da Euromonitor. Daí o conceito de pequenas porções fáceis de carregar e em tamanho ideal para um snack. 

Quantas oportunidades assim há hoje no Brasil?
Talvez muitas, mas continuarão a passar despercebidas pela indústria se esta não passar a se relacionar com as startups – antes que seja tarde demais.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Live marketing ganha força na era da distração

Logotipos já não são suficientes para conquistar relevância. Em um mercado saturado de mensagens, as marcas que se destacam são aquelas capazes de transformar interações em experiências memoráveis e consumidores em protagonistas de suas histórias.

O futuro das empresas de serviços

Posicionamento claro, gestão comercial estruturada, experiência do cliente, disciplina financeira, desenvolvimento de talentos e capacidade de adaptação formam os pilares de um crescimento sustentável. O desafio das empresas de serviços já não é apenas expandir, mas criar condições para que essa expansão se mantenha saudável e rentável.

O Brasil precisa enfrentar o desafio de construir com mais eficiência

A construção civil está deixando para trás práticas marcadas por desperdícios e retrabalhos. O avanço de soluções industrializadas, novas tecnologias e modelos de gestão mais eficientes aponta para um novo cenário: construir com mais qualidade, menor impacto e maior previsibilidade.

Cultura organizacional, Estratégia
8 de junho de 2026 09H00
Este artigo provoca uma reflexão central: não é o quanto se trabalha que sustenta uma carreira, mas a capacidade de transformar trabalho em valor e impacto real.

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante

2 minutos min de leitura
Liderança, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de junho de 2026 13H00
Se líderes continuam aprendendo, por que continuam não evoluindo? A resposta pode estar na forma como treinamos - e no que deixamos de medir.

Alexandre Santille - Fundador e Sócio da teya

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de junho de 2026 08H00
Este artigo mostra como falhas operacionais e desintegração de sistemas ainda geram perdas bilionárias - e por que a inteligência artificial pode transformar a eficiência em vantagem estratégica no setor elétrico.

Gilson Paulillo - Diretor comercial da Pagar

2 minutos min de leitura
Carreira, Cultura organizacional, Gestão de pessoas
A longevidade deixou de ser apenas um dado demográfico para se tornar questão de governança

Fran Winandy

0 min de leitura
Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de junho de 2026 13H00
Quando bem interpretados, os sinais do comportamento das equipes deixam de ser rotina e passam a revelar o que realmente sustenta performance, engajamento e resultado.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

4 minutos min de leitura
ESG
6 de junho de 2026 09H00
Este artigo mostra por que a inclusão de pessoas com deficiência ainda não evoluiu de obrigação legal para estratégia de negócio nas organizações brasileiras.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

6 minutos min de leitura
Liderança
5 de junho de 2026 16H00
Organizações não estão falhando por falta de esforço, estão falhando por fazer coisas demais ao mesmo tempo. Este artigo reforça que o verdadeiro papel da liderança não é multiplicar tarefas, mas definir o problema certo e simplificar a execução.

François Bazini - CMO e Consultor

8 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Liderança
5 de junho de 2026 08H00
Como o Brasil chegou à NR1 e por que esta pode ser nossa última chance de acertar?

Thais Requito - Palestrante, consultora e pesquisadora em saúde mental e trabalho sustentável

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
4 de junho de 2026 14H00
Ao refletir sobre a evolução da indústria têxtil, o autor propõe uma mudança de lógica: mais do que investir em máquinas, a competitividade passa a depender do valor real que a tecnologia entrega ao longo do tempo.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
4 de junho de 2026 08H00
O próximo desafio da liderança não é tecnológico - é aprender a liderar humanos e máquinas na mesma mesa.

Amanda Graciano - Fundadora da Trama

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo