Uncategorized

A inevitável adesão à nuvem

Resiliência, ganho em escalabilidade, processamento de dados em massa (big data), redução de custo e adoção do home office são algumas das vantagens apontadas pelas empresas na adoção da computação em nuvem
A entrevista é de Sílvio Anaz, colaborador de HSM Mannagement.

Compartilhar:

OO iPlayer, da BBC, é o mais popular serviço de vídeo on-demand no Reino Unido: em um ano, forneceu 600 milhões de horas de filmes, séries e programas de TV. A procura por seu acervo cresceu muito depois que os usuários passaram a acessá-lo também em tablets e smartphones. Como o iPlayer atendeu ao estouro de demanda? A BBC utilizou a tecnologia da “cloud computing”, ou computação em nuvem, como um serviço terceirizado em que se paga apenas o que se usa. Além da resiliência, a nuvem lhe deu capacidade de previsão, já que a rede britânica soube antecipadamente quanto lhe custaria oferecer os gigantescos volumes de conteúdo aos usuários, e isso facilitou o planejamento e a execução da estratégia do iPlayer. Se operasse com servidores tradicionais dentro de casa, ela não registraria tanto êxito. Assim como a BBC, cada vez mais empresas estão vendo a computação em nuvem como a melhor maneira de repor ou ampliar suas capacidades em tecnologia da informação (TI) sem grandes investimentos em infraestrutura e equipes operacionais, tanto que 76% das organizações têm alguma estratégia voltada para o setor, segundo pesquisa mundial realizada pela Capgemini, provedora global de serviços de consultoria, tecnologia e terceirização. As razões? Redução de custo de 25% a 30%, mais rapidez em pôr produtos no mercado, eficiência operacional e liberação de espaço nos servidores (data centers) internos. A nuvem vem ganhando mais adeptos corporativos também por conta de fenômenos como o big data –como processar conjuntos extremamente volumosos de dados apenas em casa?–, a crescente mobilidade dos profissionais e a prática do home office, que exigem da pessoa que carregue o escritório consigo para onde quer que vá. Isso explica por que a decisão sobre esse assunto está mudando de mãos dentro das empresas: em vez de exclusiva do departamento de TI, agora passa a ser estratégica, a cargo das unidades de negócios –conforme a pesquisa da Capgemini, estas já decidem em 45% dos casos. No entanto, apenas 56% das organizações pesquisadas afirmaram confiar em colocar seus dados em nuvem, com temores quanto a segurança, confidencialidade e propriedade intelectual, acentuados pelas recentes denúncias de espionagem na internet. 

> **Modelo de gestão em xeque** 
>
> Como a mobilidade dos profissionais requer o acesso às informações da companhia a partir de qualquer lugar, isso instiga que o modelo de gestão de pessoas relacionado com o tempo de trabalho dentro do escritório seja substituído por outro modelo, mais orientado a resultados e produtividade. “Esse é o maior desafio de gestão para o qual as empresas precisam se preparar agora, e a nuvem é um elemento fundamental dele”, analisa Paulo Marcelo, presidente da Capgemini Brasil. As áreas de back office, como as de recursos humanos, jurídica e financeira, estão puxando o cordão, porque se beneficiam diretamente da maior adoção do home office e da ampliação da capacidade de processamento das aplicações em períodos críticos, como fechamento de resultados trimestrais ou anuais, por exemplo. 
>
> **Obstáculos**
>
> Denis Arcieri, da IDC Brasil, vê dois obstáculos cruciais atualmente no País em relação à migração para a nuvem. O primeiro é a segurança. “Diferentemente de outros países, no Brasil, o CIO quer saber onde está a nuvem; ele quer visitar o data center, e é importante para ele que a nuvem não esteja longe fisicamente da sede de sua organização.” O segundo ponto é a infraestrutura de rede no Brasil. “Em alguns casos, a infraestrutura de telecomunicações é um fator inibidor à adoção da computação em nuvem.” Quão maduro é o Brasil em TI? Considera-se que, quanto maior o investimento em softwares e serviços, maior é a maturidade de um mercado. Se, na média mundial, os investimentos são distribuídos meio a meio, no Brasil, ainda são 60% em hardware e 40% em software e serviços, segundo a IDC.

**TENDÊNCIAS NO BRASIL**

Como as empresas brasileiras estão se comportando em relação ao uso da nuvem? Uma das primeiras a abraçá-la, uma das maiores redes de lojas de departamentos de vestuário no Brasil foi estudada anonimamente na tese de mestrado de Cyro Sobragi, defendida em 2012 na escola de administração da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), permitindo uma visão do que vem acontecendo. A empresa adotou o modelo híbrido: 40% de sua infraestrutura e serviços em TI foram para a nuvem pública e 60% continuaram internos, na chamada nuvem privada. Na nuvem pública, ficaram o serviço de automação da força de trabalho, o de e-mail e o sistema de gestão de projetos, e, na privada, as aplicações que exigem customização, como o ERP (Enterprise Resource Planning). A reportagem de HSM Management procurou várias companhias que têm estratégias de nuvem, mas nenhuma quis detalhar o que vem fazendo. Segundo Paulo Marcelo, presidente da Capgemini Brasil, até grandes bancos e órgãos do setor público, naturalmente mais conservadores, já estão na nuvem pública hoje. Experiências de consultoria e um estudo realizado pela IDC Brasil, empresa especializada em tendências de tecnologia, traduzem os principais movimentos:

**» Crescimento em números.** Em 2014, o mercado mundial de computação em nuvem deve crescer 25% e atingir US$ 100 bilhões, segundo projeção da IDC. No Brasil, um pouco atrasado, o crescimento previsto é bem maior: 65%. Em 2013, o mercado de nuvem pública no País girou em torno de US$ 342 milhões. Em 2014, passará a US$ 569 milhões e, em 2017, chegará a US$ 2,6 bilhões. 

**» 60% querem adotar.** A última radiografia da nuvem no País feita pela IDC Brasil, no segundo semestre de 2013, aponta um rápido amadurecimento do mercado em relação à computação em nuvem. Se em janeiro de 2010 apenas 3,5% dos CIOs entrevistados manifestaram a intenção de investir em computação em nuvem, no segundo semestre de 2013 quase 60% afirmaram ter essa intenção em 2014. Isso é menos do que os 76% da amostra mundial da pesquisa da Capgemini, mas a evolução é significativa. “A tendência é que neste ano a maioria das empresas faça algum investimento em nuvem pública ou privada, seja em infraestrutura, softwares ou plataformas”, afirma Denis Arcieri, country manager da IDC Brasil. “A perspectiva é que mais de 20% dos servidores comercializados em 2014 irão para data centers públicos, e muitos deles vão estruturar os provedores de cloud computing para fornecer o serviço.” 

**» Pequenas e médias puxam.** Grande parte do crescimento tem vindo de pequenas e médias empresas, segundo Arcieri. A projeção revela uma consolidação do uso da computação em nuvem pelas organizações. Mas, como frisa Paulo Marcelo, até setores refratários quanto a essa terceirização, por causa de regulações e restrições mais severas do que as da média do mercado, já possuem atividades em nuvem pública hoje. 

**» O uso mais comum.** A pesquisa da Capgemini mostra que 83% dos entrevistados usam a nuvem para desenvolvimento e gestão de novas aplicações. As unidades de negócios veem a nuvem como plataforma ideal para que novas aplicações cheguem ao mercado o mais rápido possível, e ela de fato tem se tornado a plataforma-padrão para hospedar aplicações novas. 

**» Aplicações estão mais sofisticadas.** Antes eram colocadas na nuvem aplicações mais básicas, como o e-mail, e agora já se detecta a intenção de migrar soluções como o CRM [Customer Relationship Management] e o ERP. “Isso está claramente alinhado à pressão que os CIOs sofrem para reduzir o prazo do ciclo de implementação de uma solução nas empresas”, diz Arcieri. 

**» Analytics começa a engatinhar.** Segundo a Capgemini Brasil, grande parte das empresas brasileiras realmente não possui uma estratégia clara de analytics, porque elas centram esforços nos sistemas transacionais que sustentam suas operações. No entanto, segundo Paulo Marcelo, alguns clientes já estão usando a nuvem por sua grande capacidade de processamento. “Como o refinamento das informações e o vínculo com os dados internos do negócio ainda acontecem em soluções in- -house, fica irrelevante a preocupação com a segurança das informações na nuvem.” Ele afirma que as empresas que estão utilizando ferramentas de analytics como orientadores de seu negócio geralmente mostram-se muito satisfeitas com os resultados alcançados. 

**» Resistentes e defensores.** As áreas menos favoráveis à migração para a nuvem são as de back office, e as mais favoráveis, as de TI e de negócios, que enxergam novas possibilidades de produtos e ofertas usando a flexibilidade e a velocidade de resultados que a nuvem proporciona. “Provavelmente, as áreas mais resistentes ainda não mediram os ganhos que a migração para a nuvem pode trazer para suas organizações”, diz Paulo Marcelo. 

**» Nuvens especializadas.** Ainda não há no Brasil as nuvens especializadas em segmentos de negócio, como a escocesa LawCloud, nuvem para escritórios de advocacia, ou a Capital Markets Community Platform, nuvem do mercado de capitais fruto de parceria entre a Bolsa de Valores de Nova York e a VMWare. 

**» Foco em segurança.** Quanto ao sigilo de dados sensíveis dos clientes finais, Paulo Marcelo lembra que o modelo de negócio para empresas é diferente dos serviços disponibilizados ao público em geral, como Dropbox ou Google Drive. “Os modelos profissionais são fortemente baseados não só em acordos de nível de serviço, mas em um sofisticado roteiro de cópias de segurança, permitindo que eventuais dados perdidos sejam rapidamente recuperados.” 

**» Excelência em casa.** Se a empresa que adota o serviço em nuvem não mantém em seu quadro especialistas na área, deveria, na visão de Paulo Marcelo, para conectar negócios e tecnologia.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Tudo que aprendi sobre a gestão da nova hotelaria nos últimos cinco anos

Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

O SaaSpocalypse chegou? Talvez a pergunta esteja errada.

A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

O cérebro é um velcro para críticas e um teflon para elogios

Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

O líder como jardineiro: a vantagem competitiva que cresce como um jardim

Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

O prêmio do julgamento na era da inteligência abundante

Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

12 minutos min de leitura
Liderança
14 de setembro de 2026 08H00
Inspirada na filosofia dos mestres jardineiros japoneses, o autor analisa a trajetória centenária da Omron e questiona um dos pilares da gestão tradicional: e se o papel do líder não fosse controlar resultados, mas cultivar o ambiente onde inovação, autonomia e crescimento acontecem naturalmente?

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

11 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 17H00
Modelos de inteligência artificial estão cada vez mais baratos, disponíveis e semelhantes em desempenho. O desafio das organizações não é apenas automatizar processos, mas definir onde a decisão deve continuar sendo humana e como transformar discernimento em vantagem competitiva.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
13 de setembro de 2026 14h00
Os movimentos recentes de Art’G e Belmont Emeralds revelam estratégias de geração e captura de valor

Adriana Salles Gomes

0 min de leitura
Inovação & estratégia
13 de setembro de 2026 08H00
Enquanto os ciclos tecnológicos se tornam cada vez mais curtos, organizações enfrentam um desafio permanente: transformar inovação em resultados concretos e que gere valor para o negócio no longo prazo.

Andréia Rengel - CEO e sócia da AMcom

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
12 de setembro de 2026 14H00
Em um ambiente empresarial cada vez mais orientado por dados, o people analytics permite que o RH amplie sua influência nas decisões corporativas.

Gabriela Resende - Diretora de Operações de Recursos Humanos da Propay

5 minutos min de leitura
User Experience, UX
12 de setembro de 2026 09H00
Uma experiência ruim não gera apenas insatisfação. Ela aumenta custos operacionais, compromete a reputação da marca, reduz receitas futuras e pode encerrar relacionamentos construídos ao longo de anos.

Tâmara Lira - CFO da Paschoalotto

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução