Healing leadership

A liderança na jornada ESG

Fundos ESG – que levam em conta os aspectos ambiental, social e de governança – são uma realidade no Brasil e no mundo. E foram potencializados pela pandemia
Dario Neto é diretor geral do Instituto Capitalismo Consciente Brasil e CEO do Grupo Anga. Também é pai do Miguel e marido da Bruna. Marcel Fukayama é diretor geral do Sistema B Internacional e cofundador da consultoria em negócios de impacto Din4mo.

Compartilhar:

Durante a pandemia, o mercado de capitais sofreu com a volatilidade e a incerteza geradas pela queda abrupta na produção e no consumo. Em meio a tudo isso, o maior gestor de ativos do mundo, o BlackRock, evidenciou que seus fundos do tipo ESG (sigla em inglês para ambiental, social e governança) estão apresentando melhor performance do que fundos convencionais. Soa música para os ouvidos de quem tem acompanhado o CEO da gestora de investimentos, Larry Fink, e suas cartas ao mercado nos últimos três anos, com uma visão que combina lucro com propósito.

Os investimentos do tipo ESG deram um salto globalmente em 2020. Segundo a Index Industry Association (IIA), até setembro foi registrado um aumento de 40% no número de índices com esse perfil, frente a um aumento de 13,9% no ano anterior. Aliás, segundo a Pesquisa “Realidade Sustentável: 2020 Update”, do Morgan Stanley, que analisou 1,8 mil fundos de investimento e fundos de índice no primeiro semestre de 2020, o retorno médio de fundos de ações com práticas ESG analisados superou em 3,9 pontos percentuais a rentabilidade de outros fundos, reforçando a narrativa capitalista consciente de resiliência das empresas conscientes, em especial em tempos de crise.

Uma pesquisa do HSBC, publicada em outubro, mostrou que 30% dos investidores reconhecem a importância dessa agenda em meio à Covid-19; 41% das empresas emissoras consideram que ser sustentável é importante, e apenas 2% dos emissores e 1% dos investidores dão menos importância às questões ambientais, sociais e de governança devido à pandemia. Uma estimativa da PwC aponta que 60% dos ativos sob gestão serão do tipo ESG até 2025.

## Brasil acompanha
O Brasil também segue a tendência mundial. Um estudo da Empresa B
GlobeScan, encomendado pelo Instituto Akatu, mostrou que 71% dos brasileiros preferem uma retomada econômica que priorize a redução das desigualdades e a defesa do meio ambiente. Apesar de tantas evidências lastreadas com dados e fatos, a recente demanda quatro vezes superior à oferta de R$ 582 milhões em debêntures para financiamento da usina termelétrica de carvão da Engie em Pampa Sul – coordenada pelo BTG – nos lembra que ainda temos uma longa jornada e que o risco derivado das transições climáticas ainda é ignorado por parte relevante do mercado.
Nesse contexto, é fundamental que as lideranças estejam preparadas para alinhar o discurso à prática. A seguir, apresentamos exemplos que nos ajudam a ver, concretamente, como aterrissar a agenda ESG nas organizações:

– __(E) Práticas Ambientais: __a Movida, uma Empresa B associada ao Capitalismo Consciente, tornou-se este ano a primeira empresa de soluções urbanas de mobilidade a criar um programa de neutralização de carbono para toda a sua frota. Entre 2020 e 2022 serão plantadas 1 milhão de árvores no corredor de biodiversidade do Araguaia em aliança com a Fundação Black Jaguar, como parte de um projeto único de reflorestamento com 2,6 mil quilômetros de extensão, 1,7 bilhão de árvores por serem plantadas até a sua conclusão e 8% da meta do Brasil no Acordo de Paris. Um passo pioneiro e concreto que precisa ser seguido por mais e mais organizações.
– __(S) Práticas Sociais:__ incorporar práticas de equidade, diversidade e inclusão são um imperativo nas empresas alinhadas com a agenda ESG. O corajoso passo concreto e legal – seguindo a Lei nº 12.288 – da Magalu para abordar a agenda antirracista por meio do programa trainee exclusivo para pessoas negras, com o objetivo de elevar a proporção de pessoas negras em papéis de liderança (16% atualmente) nos próximos anos, e toda a sua repercussão no mercado é um grande exemplo de combate ao racismo estrutural. Com certeza, isso está em linha também com as estratégias na busca por ser uma empresa melhor, capaz de gerar mais retorno aos seus acionistas, conforme declarado pelo CEO Fred Trajano.
– __(G) Práticas de Governança:__ uma das práticas mais objetivas no Sistema B é a exigência de todas as Empresas B Certificadas para adoção da linguagem legal no contrato ou estatuto social. Em abril de 2015, a Natura aprovou unanimemente na Assembleia Geral de acionistas a adoção das cláusulas B. Trata-se de uma cláusula no objeto social e outra na administração que vincula a responsabilidade dos administradores com a geração de impacto positivo, bem como a consideração dos stakeholders nas decisões de curto e longo prazos. Pode ser considerado um importante compromisso institucional feito pela empresa e seus líderes em linha com a governança para stakeholders. É importante destacar que não precisa ser Empresa B Certificada para gerar esse compromisso. O modelo das cláusulas está disponível em sistemabbrasil.org.

O alinhamento do discurso com a prática, mais do que nunca, é crítico. Como Robert Armstrong nos alertou em seu artigo no Financial Times em agosto, há evidências de que mais da metade das empresas que firmaram o manifesto da Business Roundtable implementaram nenhuma ou apenas poucas práticas de governança de stakeholders. Poucas coisas fragilizam mais a liderança do século 21 do que a incoerência.

Portanto, essas práticas mostram como, de forma objetiva e concreta, essas empresas estão abordando cada dimensão da tríade ESG. É fundamental, no entanto, sempre pensar o tema de forma integrada. Não cremos que haja uma letra do ESG mais importante que outra. O impacto – seja ambiental, seja social, seja de governança – é simbiótico.

Os melhores conteúdos do País sobre gestão, negócios, liderança e carreira por a partir de apenas R$7,90. Assine a Revista HSM Management e torne-se o profissional que deseja ser!

Acesse aqui

Compartilhar:

Artigos relacionados

A meta não assusta. O comportamento do líder, às vezes, sim.

Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Onda de recuperações judiciais acende alerta

Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

Seu data center está preparado para racks de 100 kW?

A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Sharenting: o limite entre compartilhar e expor

Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Vendas, Liderança
17 de setembro de 2026 15H00
Toda equipe de vendas convive com metas. O problema começa quando a pressão pelo resultado transforma forecast em interrogatório, cobrança em ansiedade e gestão em controle excessivo. A autora traz uma reflexão sobre como líderes podem influenciar a performance sem comprometer a confiança e a qualidade das decisões comerciais.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

7 minutos min de leitura
Marketing
17 de setembro de 2026 13H00
As principais lições para quem está entrando no mundo das buscas generativas e quer entender como marcas passam a ser encontradas, citadas e recomendadas pelas IAs

Clayton Melo - Jornalista, estrategista de inovação, GEO PR, storytelling estratégico e comunicador de futuros. Tem MBA em Marketing pela FGV, Master em Foresight e Design de Futuros pela ESPM e formação em Leadership for the AI Age (MIT Professional Education) e Multimedia Storytelling pela University of the Arts London. É diretor de IA, Foresight e Inovação da GBR.

Direito, Regulação & Compliance
17 de setembro de 2026 08H00
Quando uma grande empresa entra em recuperação judicial, os impactos não ficam restritos ao seu balanço. Fornecedores deixam de receber, investimentos são adiados, empregos ficam ameaçados e a atividade econômica perde força, criando um efeito dominó que alcança empresas e consumidores em todo o país.

João Alberto Graça - Advogado, consultor em Direito Tributário, Societário e Governança Corporativa, membro do Conselho de Contribuintes e Recursos Fiscais do Estado do Paraná

5 minutos min de leitura
Liderança
16 de setembro de 2026 18H00
Ao observar a comunicação constante de um pequeno grupo de galinhas-d’angola, o autor encontrou uma metáfora surpreendente para um dos maiores desafios dos líderes: perceber, interpretar e responder aos sinais que as pessoas emitem antes que o silêncio, a desmotivação ou a ruptura se tornem irreversíveis.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

12 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de setembro de 2026 14H00
A área branca se tornou um ativo estratégico! Energia, refrigeração, distribuição elétrica e gestão térmica passaram a determinar quais infraestruturas conseguirão acompanhar a próxima geração da transformação digital.

Felipe Vasco da Silva - Diretor de Aplicações Tecnológicas para a América Latina da Vertiv

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
16 de setembro de 2026 08H00
Em tempos de exposição digital permanente, o compartilhamento de fotos e informações de crianças nas redes sociais exige uma reflexão cada vez mais necessária: até que ponto registrar memórias é diferente de tornar a infância pública? O fenômeno do sharenting convida pais e responsáveis a repensarem os limites entre afeto, privacidade e responsabilidade no ambiente online.

Ana Bia Medeiros - Líder em Educação na Kiddle Pass

4 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 14H00
Mais conectado, informado e exigente, o consumidor de hoje compara sua experiência de hospedagem com os melhores serviços que encontra em qualquer setor. Em um mercado cada vez mais competitivo, o futuro dos hotéis dependerá da combinação entre inovação, eficiência e de pessoas que tenham a capacidade de criar experiências memoráveis

Rodrigo Miluzzi - Diretor de Operações do Grupo Mabu

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
15 de setembro de 2026 08H00
A partir de uma conversa com Rogério Almeida, principal executivo do Cristália, este artigo discute como investimentos de longo prazo em pesquisa, tecnologia e capacidade produtiva podem contribuir para a construção de maior autonomia científica e industrial no Brasil.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

23 minutos min de leitura
Tecnologia e inovação, Estratégia
14 de setembro de 2026 18H00
A pergunta tem aparecido cada vez mais nas reuniões de orçamento. O desafio é que a resposta raramente está no código. Mais do que anunciar o fim do SaaS, a nova onda tecnológica está redefinindo onde o valor do software realmente está, quem o captura e quais capacidades as organizações escolherão desenvolver ou contratar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

13 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
14 de setembro de 2026 14H00
Um erro pesa mais do que dez acertos! A ciência mostra que experiências negativas exercem um impacto desproporcional sobre nosso comportamento. Nas organizações, essa tendência pode fazer com que líderes se tornem especialistas em apontar falhas e deixem invisíveis os comportamentos que fortalecem resultados, aprendizado e colaboração.

Valter Bahia Filho - Autor e consultor educacional de Neurociência e Comportamento, Psicologia Positiva, Comunicação, Artes e Gestão de Pessoas.

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução