Finanças
4 min de leitura

A linguagem secreta dos investidores: o que eles dizem e o que realmente querem dizer

Uma das características mais importantes no mundo atual é o que Roland Barthez chamava de "Além do texto". Este é mais um daqueles artigos fantásticos que vão te ajudar a compreender entrelinhas que muitas vezes a experiência forja nosso entendimento, por isso, nos vale compartilhar estes manejos.
Idealizador do Clube BoraFazer, TEDx Speaker, CEO da Seabra Academy, Investidor Anjo e Board Advisor - Pool I.A. da Bossa Invest. Atuou no Shark Tank Brasil, Planeta Startup, Batalha das Startups, Meet the Drapers Brasil, Startup World Cup e Empreender para Vencer.

Compartilhar:

Investimento

Qualquer empreendedor, não importa se na fase inicial ou já no ápice do sucesso, possivelmente se reuniu em algum momento com investidores para capitalizar o seu negócio, certo? Durante reuniões ou rodadas de investimento, muitas frases são ditas como respostas ao que você tem a oferecer. No entanto, você sabe realmente o que elas significam?

Como investidor-anjo, estou sempre cercado pelas situações narradas acima, porém, pelo meu ponto de vista, sei muito bem o que significa cada palavra dita por quem quer investir em um novo negócio. Abaixo, descrevo as respostas mais comuns dadas por nós investidores, porém com um trunfo: descrevo claramente o que cada uma delas quer dizer. 

O que os investidores dizem (D) e o que realmente querem dizer (QR)

D: Gostaríamos de manter contato.

QD: Nós não estamos nenhum pouco interessados no momento, mas se você começar a fazer sucesso sem nós, entre em contato novamente que te daremos uma nova chance para se apresentar. 

D: Seu negócio está muito na fase inicial.

QD: Estamos aguardando outra pessoa assumir o risco primeiro. Se você sobreviver, nós vamos considerar te escutar de novo assim que for mais seguro.

D: Você precisa de uma equipe mais sólida.

QD: Não estamos confiantes nas suas habilidades, porém nós também não vamos ajudar você a construir uma equipe. Encontre co-fundadores complementares e não ache que pode carregar um piano nas costas sozinho. 

D: Quem mais está envolvido na rodada de investimento?

QD: Precisamos saber se existem nomes de maior peso ou investidores mais experientes envolvidos. Mostre um selo de qualidade. 

D: Você deveria considerar bootstrapping (crescimento de uma empresa usando apenas recursos próprios, sem depender de investimentos externos).

QD: Você precisa fazer todo o trabalho duro para provar o conceito, e em seguida nós podemos entrar em cena assim que estiver claro que você construiu algo valioso.

D: Precisamos ver um caminho claro para a geração de caixa.

QD: Só estamos interessados assim que você souber como ganhar dinheiro – é sua a responsabilidade de criar um projeto que seja financeira viável.

D: Precisamos conduzir a due dilligence.

QD: Este seu negócio não está me cheirando bem, mas deixarei para os especialistas dizerem.

D: Vemos um grande potencial aqui.

QD: Vemos potencial, mas não temos conhecimento suficiente para julgar se vale arriscar nesse momento então iremos esperar por mais evidências.

D: Estamos recusando essa oportunidade, porém é mais sobre sinergia do que qualquer outro motivo. Achamos que tem potencial, mas não para nós nesse instante.

QD: Você é o problema. VOCÊ!

D: SIM.

QD: Estamos interessados, mas espere para estourar a champanhe – ainda temos milhões de perguntas, termos a serem negociados, e um grande mergulho no seu negócio antes de nos comprometermos.

Considerando essas respostas, a próxima vez que você empreendedor estiver cercado por investidores, saberá muito bem o que eles querem dizer e, assim, poderá interpretar corretamente essa linguagem secreta que pode te levar ao sucesso ou ao fracasso – tudo dependerá da maneira como você irá reagir e responder a esse “idioma dos investidores”.

Portanto, minha dica é: utilize essas respostas como ponto de partida para melhor entender seu possível investidor. Reflita sobre elas e internalize ao máximo esses fatores dentro do seu novo negócio, melhorando e masterizando os aspectos implícitos de cada uma e, desse modo, tornando a sua empresa ou startup uma oportunidade imperdível.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Antes de encantar, tente não atrapalhar o cliente!

Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia – é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Por que bons líderes fracassam quando cruzam fronteiras

Executivos não falham no cenário internacional por falta de competência, mas por aplicar decisões no código cultural errado. Este artigo mostra que no ambiente global, liderar deixa de ser comportamento e passa a ser tradução

Cultura organizacional, Estratégia
29 de março de 2026 07H00
Este artigo revela por que entender o nível real de complexidade do próprio negócio deixou de ser escolha estratégica e virou condição de sobrevivência.

Daniella Portásio Borges - CEO da Butterfly Growth

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de março de 2026 11H00
A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo - e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Poliana Abreu - Chief Knowledge Officer da Singularity Brazil, HSM e Learning Village

2 minutos min de leitura
Estratégia
28 de março de 2026 06H00
Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência - e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

André Veneziani - VP Comercial Brasil e Latam da C-MORE

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de março de 2026 13H00
Investir em centros de P&D deixou de ser opcional: tornou‑se uma decisão estratégica para competir em mercados cada vez mais tecnológicos.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Estratégia
27 de março de 2026 07H00
Medir saúde organizacional deveria estar no mesmo painel que receita, margem e eficiência. Quando empresas tratam bem-estar como benefício e não como gestão, elas não só ignoram dados alarmantes - elas comprometem produtividade, engajamento e resultado.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
ESG
26 de março de 2026 15H00
A capitulação da SEC diante das regras climáticas criou dois mundos corporativos: um onde ESG é obrigatório e outro onde é opcional. Para CEOs de multinacionais, isso não é apenas questão regulatória, é o maior dilema estratégico da década. Como liderar empresas globais quando as regras do jogo mudam conforme a geografia?

Marceli Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de março de 2026 09H00
À medida que desafios logísticos se tornam complexos demais para a computação tradicional, este artigo mostra por que a computação quântica pode inaugurar uma nova era de eficiência para o setor de mobilidade e entregas - e como empresas que começarem a aprender agora sairão anos à frente quando essa revolução enfim ganhar escala.

Pâmela Bezerra - Pesquisadora do CESAR e professora de pós-graduação da CESAR School e Everton Dias - Gerente de Projetos

7 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
25 de março de 2026 15H00
IA executa, analisa e recomenda. Cabe ao líder humano decidir, inspirar e construir cultura.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
ESG
25 de março de 2026 09H00
Quando propósito vira vantagem competitiva, manter impacto e lucro separados é mais que atraso - é miopia estratégica.

Ana Fontes - Empreendedora social, fundadora da Rede Mulher Empreendedora e Instituto RME, VP do Conselho do Pacto Global da ONU

5 minutos min de leitura
Finanças, Estratégia
24 de março de 2026 14H00
Quando a geopolítica esquenta, o impacto não começa nos noticiários - começa na planilha: energia mais cara, logística pressionada, insumos instáveis e margens comprimidas. Este artigo revela por que guerras longínquas se tornam, em poucos dias, um problema urgente de precificação, estratégia e sobrevivência financeira para as empresas.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...