Uncategorized

A maldição da sobrevivência

Marcelo Cardoso é CEO da Metaintegral Associates, uma empresa com sede em São Francisco que aplica a transformação de negócios baseada na Teoria Integral. Pedro Paro é CEO e Cofundador da Humanizadas.

Compartilhar:

Ao chegarem na Itália, em abril de 2020, os médicos chineses deixaram uma mensagem para o mundo: **“somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore e flores do mesmo jardim”**. Um fato que pode marcar as próximas gerações. _Qual seria a intenção dos médicos com essa mensagem? E quanto tempo nós, Humanidade, teremos para realmente compreender essa mensagem?_

Não foram apenas os médicos chineses oferecendo uma resposta à crise provocada pela pandemia do coronavírus. Uma série de empresas, tidas como grandes concorrentes, nas últimas semanas passaram a adotar práticas mais conscientes e ações de cooperação em prol do bem coletivo. Uma atitude de empatia, preocupação e atenção com o próximo. 

Para observar o fenômeno dessa mudança, a Humanizadas, em parceria com o Instituto Capitalismo Consciente Brasil e pesquisadores da Universidade de São Paulo (EESC-USP),  comparou as práticas emergentes dos negócios em resposta à crise do covid-19, com as práticas das empresas de destaque na 1ª Edição da Pesquisa Empresas Humanizadas em 2019 (“Humanizadas-19”). Essa análise utilizou a lente dos 10 MetaCapitais propostos pelo Prof. Sean Esbjörn-Hargens (PhD). Os resultados não podem ser generalizados para todas as empresas, mas trazem valiosos insights e reflexões. O quadro a seguir revela a síntese do estudo.

O foco diante da crise

O ponto cego diante da crise

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/05e9ebba-1439-43b8-81a9-28d78fb54b2f.png)

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/f65eef82-7790-40a0-91c3-922113323046.png)

É comum associarmos a palavra capital à “riqueza na forma de dinheiro ou ativo”. Essa definição não está equivocada, mas está incompleta. Segundo o dicionário de Oxford, também podemos definir capital como “**um recurso valioso de qualquer natureza”.** Sob essa nova perspectiva, mais ampla, além do capital financeiro, encontramos pelo menos outros nove capitais: saúde, social, manufaturado, intelectual, humano, cultural, psicológico, natural e espiritual. 

Em todas as nossas relações, o tempo todo, estamos fazendo trocas em diferentes capitais. Na maioria das vezes de maneira inconsciente. E dados os níveis de incerteza e volatilidade diante dessa crise sem precedentes, fomos arremessados a um grau de complexidade sob uma perspectiva multi capitais que a gente nunca experimentou. 

Ao analisar os resultados da pesquisa e as práticas emergentes em resposta à crise, surge a hipótese de estarmos vivendo um novo fenômeno em nossa sociedade. Ao mesmo tempo que o coronavírus provocou o distanciamento social e uma quarenta global , em compensação, ele também abriu espaço para **o compartilhamento e a solidariedade em uma dimensão sistêmica.** 

Uma evidência é o fato do capital social ser o único a manter posição de destaque em ambos os períodos. Outra evidência, é a quantidade de organizações e grupos sociais se mobilizando em resposta à crise. As favelas, por exemplo, mesmo diante de uma infraestrutura pública extremamente precária, não colapsaram totalmente em função das redes de apoio social

Fruto da colaboração, o capital social parece ter se fortalecido não apenas nas comunidades locais, mas também no ambiente empresarial. É o caso do Bradesco, Itaú e Santander que se uniram em torno de uma causa social. É o caso do Fundo Covida20, formado pela união do Sistema B, Instituto Capitalismo Consciente Brasil (ICCB), Trê e Dinamo, e de tantas outras instituições que uniram forças nesse momento tão singular. 

Entre executivos, comunidades, indivíduos e famílias, embora exista sim um movimento de busca pela sobrevivência, também existe um lindo movimento de busca pela solidariedade. Quando buscamos as teorias de sistemas complexos, e resgatamos o conceito de se tornar **anti-frágil,** os capitais humano, cultural, psicológico, natural e espiritual, ganham extrema relevância. Esses capitais são fundamentais para uma empresa lidar com a incerteza, ter respostas ágeis, inovar e se transformar diante de um ambiente de alta complexidade. 

Para ir além da sobrevivência, e prosperar diante do cenário atual, precisamos criar em nossas relações um ambiente de segurança psicológica e safe to fail, onde as pessoas encontrem espaço para se permitirem estar em um beta permanente. Para conseguirmos coletivamente sair desse movimento sistêmico de atenção às questões básicas de sobrevivência, precisamos de um catalisador. 

Um catalisador capaz de aumentar a velocidade de nossas ações e ao mesmo tempo consumindo a menor quantidade de energia possível. E **talvez o capital social seja esse catalisador**, capaz de conectar e trazer a esperança de um futuro melhor. Capaz de deixar para trás a maldição de viver em um ciclo constante de necessidades básicas e de sobrevivência, e quem sabe entrar em um ciclo de desenvolvimento e prosperidade coletiva. 

Em nossa história recente, esta também é a primeira vez na qual, coletivamente, experimentamos o capital social com tamanha força. Neste momento **podemos estar diante da crise que tanto necessitávamos para entrarmos no próximo estágio evolutivo de nossas lideranças, organizações e sociedade.** O capital social pode significar o catalisador dessa transformação. Ele pode ser o responsável pela ativação dos outros capitais, fundamentais para desenvolvermos a anti-fragilidade. 

Diante desse cenário de grandes incertezas, volatilidade e complexidade, podemos enfim compreender que _“somos ondas do mesmo mar, folhas da mesma árvore e flores do mesmo jardim”._

#### Sobre a humanizadas

A humanizadas traz à luz a práticas de negócio mais conscientes, humanas, sustentáveis e inovadoras. Hoje sabemos que esses bons exemplos podem provocar uma transformação e nos identificamos como mensageiros desses. 

Diante desse contexto, nos sentimos na obrigação genuína de espalhar a mensagem de quem está fazendo algo de diferente para, de fato, tentar elevar a Humanidade quando ela deixa de ser prioridade. Por isso decidimos lançar [esse relatório](https://materiais.revistahsm.com.br/praticas-emergentes-negocios) com as **práticas emergentes dos negócios em resposta a Covid-19.  O download é gratuito!**

Compartilhar:

Artigos relacionados

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

O problema não começa no canteiro. Só fica visível nele.

Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
4 de novembro de 2026 14H00
Mais do que decidir quanto automatizar, líderes e organizações precisarão aprender a desenhar processos que combinem criatividade, julgamento, validação e execução para gerar resultados melhores do que aqueles que humanos ou máquinas seriam capazes de produzir isoladamente.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de novembro de 2026
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

0 min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
ESG
3 de novembro de 2026 08H00
Velocidade, por si só, não garante melhores decisões. A partir das recentes mudanças nos processos normativos da CVM, o artigo propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar eficiência, excelência técnica e diversidade de perspectivas na construção regulatória.

Renata Oliva Battiferro - Diretora Executiva e Head do Investors Group do 30% Club Brazil

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de novembro de 2026 15H00
Dados não estruturados, documentos físicos e processos legados impactam a adoção da IA e por que a automação inteligente se tornou uma peça-chave dessa transformação. O texto explora por que a preparação dos dados pode ser mais importante do que a própria tecnologia.

Alexandre Cardoso - Business Development Manager da Ricoh LATAM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT