ESG
4 min de leitura

A necessidade de soluções estratégicas em saúde suplementar frente ao crescimento das reclamações

Crescimento de reclamações à ANS reflete crise na saúde suplementar, impulsionada por reajustes abusivos e falta de transparência nos planos de saúde. Empresas enfrentam desafios para equilibrar custos e atender colaboradores. Soluções como auditorias, BI e humanização do atendimento surgem como alternativas para melhorar a experiência dos beneficiários e promover sustentabilidade no setor.
CEO da Safe Care e possui mais de duas décadas de experiência em consultoria de seguros e benefícios corporativos, incluindo áreas como saúde, vida e odontologia

Compartilhar:

Nos últimos cinco anos, vimos um crescimento alarmante no número de reclamações de beneficiários de planos de saúde junto à Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). O aumento de queixas relacionadas à portabilidade de carências, que saltaram de 1.005 em 2019 para 3.748 em 2023, é apenas a ponta do iceberg. Esse cenário reflete uma insatisfação cada vez maior com a saúde suplementar no Brasil e evidencia a necessidade de uma abordagem mais eficiente e humanizada no setor, especialmente em tempos de inflação médica crescente e reajustes abusivos.

As empresas, responsáveis por 70% dos planos de saúde no Brasil, estão em uma posição delicada. Além de lidar com o aumento dos custos médicos, que muitas vezes ultrapassam os 25% nos reajustes, enfrentam também a insatisfação dos colaboradores que, por vezes, não conseguem sequer acessar procedimentos fora do rol da ANS ou entendem mal as coberturas dos planos. Com uma sinistralidade média de 88,2%, a gestão de benefícios de saúde tornou-se um desafio crítico para a sustentabilidade financeira das empresas e o bem-estar de seus colaboradores.

O Impacto dos Reajustes Abusivos e da Sinistralidade Elevada

Os aumentos nos custos dos planos de saúde empresariais não apenas pressionam os orçamentos das empresas, mas também refletem diretamente na qualidade de vida dos colaboradores. Muitos planos sofrem com a falta de transparência, o que leva a um ciclo de insatisfação, onde os beneficiários enfrentam barreiras para entender seus contratos ou conseguir autorizações para exames e procedimentos complexos. Isso gera reclamações recorrentes, evidenciando a necessidade de uma gestão mais clara e eficaz.

Neste cenário, muitas empresas têm buscado soluções integradas para mitigar esses impactos. A implementação de auditorias médicas avançadas é uma dessas soluções. Elas garantem que os custos cobrados sejam precisos e evitam gastos indevidos, proporcionando maior controle sobre os valores pagos aos prestadores de serviços de saúde. Além disso, ferramentas de automação de processos e a utilização de Business Intelligence (BI) têm sido fundamentais para a eficiência na gestão de benefícios.

A tecnologia, por si só, oferece poderosas ferramentas para a visualização de dados, mas o verdadeiro diferencial competitivo reside na capacidade de fazer uma leitura inteligente e crítica dessas informações. É na interpretação dos dados que se encontram os insights valiosos, capazes de orientar decisões assertivas e corretivas. Mais do que apenas exibir números, é necessário que os gestores e analistas compreendam os padrões, identifiquem tendências e antecipem riscos para agir de maneira eficaz e sustentável.

Ferramentas de BI, por exemplo, são essenciais para prever reajustes e mapear padrões de custo, auxiliando as empresas a tomar decisões estratégicas que vão além da simples contenção de despesas. Elas permitem não apenas otimizar os recursos, mas também garantir que os colaboradores recebam benefícios de qualidade. A saúde suplementar, nesse cenário, deve ser encarada como um investimento estratégico, refletindo a visão de longo prazo da empresa, e não apenas como mais um custo a ser controlado.

A Humanização como Diferencial Competitivo

No entanto, a tecnologia por si só não é suficiente. O mercado de saúde suplementar enfrenta uma crise de confiança, onde os beneficiários se sentem cada vez mais desamparados. Isso exige uma mudança de paradigma na forma como o atendimento é conduzido. Empresas que investem na humanização do atendimento aos beneficiários se destacam, pois conseguem equilibrar eficiência com acolhimento.

O “Cuidando de Você”, desenvolvido pela Safe Care, é um exemplo de como a humanização pode transformar a experiência do colaborador no uso do plano de saúde. O programa oferece suporte integral 24 horas por dia, facilitando desde o agendamento de consultas até o acompanhamento em emergências e urgências. Além disso, oferece suporte na liberação de exames e procedimentos complexos, intermediações em internações e acompanhamento de gestantes e pacientes com condições de saúde sensíveis.

Essa abordagem não só alivia o RH das empresas ao lidar com questões burocráticas, mas também reduz significativamente as reclamações dos beneficiários, criando um ambiente de maior confiança e satisfação. A humanização do atendimento é mais do que um diferencial; ela é uma resposta necessária ao descontentamento dos usuários que, cada vez mais, exigem um sistema de saúde suplementar que atenda suas necessidades de forma ágil e empática.

O Futuro da Gestão de Benefícios: Prevenção e Promoção da Saúde

Para enfrentar a crise nos planos de saúde, as empresas precisam adotar estratégias de longo prazo, que vão além da mera contenção de custos. A promoção da saúde e a prevenção de doenças são elementos centrais para reduzir a sinistralidade e garantir um sistema mais sustentável. Investir em programas que incentivem hábitos saudáveis, acompanhamento médico preventivo e gestão de condições crônicas pode gerar economia a longo prazo, além de promover o bem-estar dos colaboradores.

A crise da saúde suplementar, intensificada pelo aumento das reclamações na ANS, é um indicativo de que o setor precisa de uma reformulação. Empresas que adotarem soluções integradas, como auditorias médicas, BI e um atendimento mais humanizado, não apenas estarão melhor preparadas para enfrentar os desafios econômicos, como também serão capazes de oferecer uma experiência mais positiva para seus colaboradores.

No final, a adoção de uma gestão estratégica e humanizada de benefícios de saúde é a chave para superar os desafios atuais e garantir um futuro mais promissor para o setor. O mercado está em transformação, e aqueles que se anteciparem, utilizando as ferramentas corretas, estarão na vanguarda dessa mudança.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quanta esperança você deposita em 2026?

No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa – o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura
Liderança, ESG
16 de janeiro de 2026
No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura
Estratégia, ESG
6 de janeiro de 2025
Com a reforma tributária e um cenário econômico mais rigoroso, 2026 será um divisor de águas para PMEs: decisões de preço deixam de ser operacionais e passam a definir a sobrevivência do negócio.

Alexandre Costa - Gerente de Pricing e Inteligência de Mercado

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #170

O que ficou e o que está mudando na gangorra da gestão

Esta edição especial, que foi inspirada no HSM+2025, ajuda você a entender o sobe-e-desce de conhecimentos e habilidades gerenciais no século 21 para alcançar a sabedoria da liderança