Transformação Digital, ESG

A neoindustrialização brasileira através da bioeconomia

O caminho para a regeneração passa pela construção inovadora da biotecnologia, por isso, é momento de compreender onde e como ter essa percepção no processo de neoindustrialização que está ocorrendo no Brasil.
Bruna Rezende é economista com Global MBA pela Berlin School of Creative Leadership, MBA Executivo pelo Insper e programas em Harvard, Kaos Pilot e Schumacher College. Atua há 15 anos com inovação e sustentabilidade. É fundadora e CEO da IRIS, um ecossistema de inovação sustentável que atua para viabilizar negócios regenerativos, através de educação, consultoria e venture builder. Lidera projetos em diversos países em empresas como Natura, Itaú, LinkedIn, Johnson & Johnson, Localiza, Ipiranga, Dexco, Cielo, Hydro, dentre outras. Professora na HSM, FIA e Singularity University, é também palestrante em eventos como Rock In Rio Lisboa, Festival Path, Festival Wired, RD Summit, HSM+, Websummit, dentre outros. Seu propósito é contribuir na construção de um sistema econômico como um sistema vivo

Compartilhar:

A reunião do G20 (fórum de cooperação econômica internacional criado em 1999 em resposta às crises econômicas da década de 1990) que acontecerá no Brasil em novembro desse ano se aproxima e com ela as discussões sobre as oportunidades que o país tem em atrair capital internacional e parcerias que contribuam para desbloquear o potencial do país em desenvolver sua neoindustrialização através da Bioeconomia.

E, o que é Bioeconomia?

É um sistema econômico no qual recursos, processos e princípios biológicos são utilizados para fornecer bens e serviços, abrangendo agricultura, silvicultura, pesca, produção de alimentos, biotecnologia e bioenergia. Essencialmente, a bioeconomia centra-se no aproveitamento do potencial dos recursos biológicos renováveis, tais como culturas, florestas, algas e organismos marinhos, para produzir uma vasta gama de produtos, desde alimentos e medicamentos até biocombustíveis e bioplásticos.

O Brasil, nesse contexto, tem um potencial gigante de crescimento econômico, por integrar:

__● Maior biodiversidade do planeta:__ O Brasil possui ecossistemas vastos e diversos, incluindo a floresta amazônica, o Cerrado e extensos litorais. Esses ecossistemas abrigam uma riqueza de recursos biológicos, como plantas, animais e microrganismos, que podem ser utilizados em diversas atividades bioeconômicas.

__● Potência Agrícola:__ O Brasil é um dos principais produtores agrícolas do mundo, com forte ênfase em culturas como cana-de-açúcar, soja, café e laranja. Esta proeza agrícola proporciona uma base sólida para a bioeconomia, uma vez que os resíduos agrícolas e a biomassa podem ser utilizados para produzir biocombustíveis, bioquímicos e outros bioprodutos.

__● Potencial de Energia Renovável:__ O Brasil fez avanços significativos na produção de biocombustíveis, especialmente etanol derivado da cana-de-açúcar. O país tem uma das maiores indústrias de biocombustíveis do mundo, com o etanol amplamente utilizado como aditivo de combustível na gasolina/diesel ou como combustível independente. A experiência do Brasil em bioenergia está alinhada com os objetivos da bioeconomia para reduzir a dependência de combustíveis fósseis e mitigar as mudanças climáticas.

__● Hotspot de Biodiversidade:__ O Brasil abriga uma impressionante variedade de espécies vegetais e animais, muitas das quais possuem propriedades bioquímicas únicas com aplicações potenciais em biotecnologia, produtos farmacêuticos e outros setores. A rica biodiversidade do país oferece amplas oportunidades para a bioprospecção e o desenvolvimento de novos bioprodutos.

__● Desafios Ambientais:__ O Brasil enfrenta desafios ambientais como desmatamento, degradação de terras e perda de biodiversidade. A adoção de uma abordagem bioeconômica pode oferecer soluções sustentáveis para estes desafios, promovendo a utilização responsável dos recursos naturais, reduzindo a desflorestação através de práticas sustentáveis de gestão dos solos e promovendo esforços de conservação.

A integração desses atributos podem ser a alavanca de um novo modelo de produção industrial baseado no uso de recursos biológicos. De acordo com a Associação Brasileira de Bioinovação (ABBI), estima-se que essa atividade industrial gerará cerca de USD 300 Bi até 2050.
Compreendo que existam 3 frentes de atuação de desenvolvimento para chegarmos nesse valor, sendo elas:

# 1. Políticas para mitigação de emissão de GEEs (Gases de Efeito Estufa)

O país se encontra num momento crucial rumo à descarbonização de sua economia. Além da estreia no mercado regulado de carbono estar num horizonte próximo, o governo lançou em setembro de 2023 o Programa Combustível do Futuro, que traz um conjunto de iniciativas para promover a mobilidade sustentável de baixo carbono, e a Câmara dos Deputados aprovou projeto de lei, originado e aprovado no Senado, estabelecendo o marco legal das atividades de captura e armazenamento de dióxido de carbono (CCS) em reservatórios geológicos no país.

Somado a isso, a iniciativa privada, seja por pressão de investidores, clientes e acionistas, seja por convicção estão se organizando cada vez mais em suas jornadas de descarbonização. Essa combinação de esforços é saudável, uma vez que na economia internacional, a baixa pegada de carbono é cada vez mais percebida como sinônimo de qualidade do produto. Assim, há uma tendência do mercado de pagar um prêmio por processos produtivos que obedecem a boas práticas.

# 2. Consolidação da produção de multi-combustíveis na matriz energética brasileira

O Brasil já tem a matriz energética mais limpa comparada a EUA, Europa e China e vem se consolidando como um potencial exportador de energia renovável quando falamos em Biomassa, Hidrogênio verde, e Etanol de segunda geração, por exemplo.

Estima-se que consigamos reduzir em 550 MM de toneladas de carbono na atmosfera até 2050 com o aumento do uso de biocombustíveis, bioquímicos e outros produtos de origem biológica no Brasil.

# 3. Intensificação de tecnologias bio renováveis

Soluções que impactem o aumento da produtividade na agricultura, liberando áreas para culturas energéticas e que reduzam as emissões durante o processo produtivo, tais como:

– Proteínas alternativas

– Fixação de carbono no solo

– Variedades vegetais de alto rendimento

– Fixação biológica de nitrogênio

– Controle biológico

Com isso, a conversão de biomassa em bioprodutos de alto valor agregado, importantes para a substituição de produtos de origem fóssil e viabilizar assim, economicamente, o desenvolvimento de biorrefinarias, com a produção de bioquímicos, enzimas, biofertilizantes, biomateriais, e biocombustíveis.

Para tanto, é importante fortalecer cadeias produtivas que utilizam recursos naturais de forma sustentável.

Acredito que essa seja uma grande oportunidade para a economia brasileira: a integração da agricultura e da indústria, tornando-as parte do mesmo processo de desenvolvimento econômico. Temos a oportunidade de cultivar e aprimorar nossa agricultura a favor da produção de alimentos, fibras, energia, prestação de serviços ambientais e ecossistêmicos, química verde, dentre outros. Ou seja, temos a oportunidade de desenvolver uma economia regenerativa interna, e liderar a agenda global de transição climática.

Compartilhar:

Bruna Rezende é economista com Global MBA pela Berlin School of Creative Leadership, MBA Executivo pelo Insper e programas em Harvard, Kaos Pilot e Schumacher College. Atua há 15 anos com inovação e sustentabilidade. É fundadora e CEO da IRIS, um ecossistema de inovação sustentável que atua para viabilizar negócios regenerativos, através de educação, consultoria e venture builder. Lidera projetos em diversos países em empresas como Natura, Itaú, LinkedIn, Johnson & Johnson, Localiza, Ipiranga, Dexco, Cielo, Hydro, dentre outras. Professora na HSM, FIA e Singularity University, é também palestrante em eventos como Rock In Rio Lisboa, Festival Path, Festival Wired, RD Summit, HSM+, Websummit, dentre outros. Seu propósito é contribuir na construção de um sistema econômico como um sistema vivo

Artigos relacionados

Estratégia, ESG
28 de maio de 2026 08H00
Este artigo mostra como o mercado voluntário de carbono foi da narrativa ambiental para a lógica de investimento - e por que empresas que ainda tratam o tema como reputação estão ignorando uma nova infraestrutura de valor global.

Eduardo Joaquim da Silva - Coordenador do Comitê Estratégico e Expansão de Negócios da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
27 de maio de 2026 17H00
Este artigo traz um compilado dos principais insights que emergiram da edição do ATD Summit 2026. Realizada em Los Angeles, entre os dias 17 e 20 de maio, as reflexões desse evento global precisam entrar, com urgência, na agenda de líderes e organizações.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
27 de maio de 2026 14H00
Ao propor o conceito PACE, este artigo argumenta que a inteligência artificial não apenas intensificou o caos, mas criou uma nova infraestrutura de ação - deslocando o foco da sobrevivência para a capacidade de operar, decidir e criar valor em um mundo reprogramável.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT e membro do Conselho de Administração da IMA

13 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
27 de maio de 2026 08H00
A crise do trabalho não é de esforço - é de estrutura. Este artigo mostra que nunca se investiu tanto em produtividade, e nunca o trabalho pareceu tão insustentável.

Tiago Amor - CEO na Lecom

3 minutos min de leitura
Estratégia
26 de maio de 2026 14H00
O problema das govtechs não é a burocracia - é tratar o governo como cliente quando ele deveria ser parceiro.

Luiz Costa - Gerente de Inovação da Dome Ventures e Lincoln Ferdinand - Gerente de Marketing da Dome Ventures

3 minutos min de leitura
Estratégia, Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de maio de 2026 07H00
Ao criticar abordagens superficiais e reativas, este artigo mostra por que cumprir a norma não basta - e como organizações precisam ir além do diagnóstico de risco para construir, de fato, ambientes que sustentem o florescimento humano.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

11 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
25 de maio de 2026 17H00
Diante da crescente complexidade dos negócios, este artigo propõe uma mudança estrutural: sair de modelos organizacionais fragmentados para desenvolver a nexialidade - a capacidade de conectar inteligências, integrar decisões e operar como um sistema coletivo em rede.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

7 minutos min de leitura
Estratégia
26 de maio de 2026 14H00
Quando a inteligência deixa de ser centralizada, a criatividade deixa de ser limitada - e a organização inteira passa a responder melhor ao mundo real.

Marcos Brabo - Chief Strategy Officer (CSO) e sócio da Agência Ginga

4 minutos min de leitura
Estratégia
25 de maio de 2026 08H00
Ao olhar para o fitness como laboratório de comportamento, este artigo revela por que engajamento real não nasce da atração inicial, mas da capacidade de transformar intenção em rotina por meio de conveniência, personalização e pertencimento.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Estratégia, Gestão de Pessoas
24 de maio de 2026 12H00
Quando a energia do Mundial entra no cotidiano corporativo, o humor, empatia e pertencimento se modificam; e quem ganha é a corporação, com o incremento do comprometimento de colaboradores e impactados

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

0 min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão