Cultura organizacional, Gestão de pessoas, Liderança, times e cultura, Liderança

A nova “velha” liderança

Na coluna deste mês, Alexandre Waclawovsky explora o impacto das lideranças autoritárias e como os colaboradores estão percebendo seu próprio impacto no trabalho.
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

Compartilhar:

Em uma conversa informal com a Cecilia Pinaffi, coordenadora do curso de Liderança Criativa na Miami Ad School, onde sou professor, em preparação para a turma de julho, ao perguntar qual era o perfil das pessoas, ouvi: “outra turma ótima, mas que vem machucada em busca de novas formas de liderar”.

Curioso para entender o que esse “machucado” significava, enviei uma pesquisa anônima, para os 56 alunos, com 3 perguntas:

__1. Como descrevo a liderança na minha empresa em 1 palavra?__

__2. Como descrevo a minha forma atual de liderar em 1 palavra?__

__3. Como descreveria a minha forma desejada de liderar em 1 palavra?__

A resposta em 1 palavra era importante, para evitar divagações ou justificativas, capturando o que vinha à mente.

Abaixo, algumas das respostas, que recebi como um alerta silencioso, de que muito se fala sobre a extinção da modalidade de liderança, por “comando e controle”, mas que na verdade ainda segue presente e ativa.

![Liderança na minha empresa – Wacla](//images.ctfassets.net/ucp6tw9r5u7d/1Bqvzg9gOUGuTiKSfsp6Pn/8219810bb4af0877c81405074e274d9d/image.png)

Quase 90% das respostas à pergunta, que pede uma descrição da liderança atuais nas empresas, teve alguma palavra negativa ou desfavorável, o que remete a uma liderança confusa e desequilibrada, que se prende a uma gestão baseada em comando e controle, o que traz sobrecarga.

Quase 80% das respostas à pergunta sobre como “eu lidero atualmente”, vieram com palavras de conciliação ou colaboração, o que indica, que as novas lideranças estão sob pressão, ao tentar navegar entre suas lideranças, que ainda impõe práticas consideradas obsoletas e novas gerações ávidas por modelos mais abertos e participativos.

Note a diferença entre as respostas das colunas como lidero vs. como desejaria liderar, para confirmar essa pressão, especialmente, nos níveis médios das empresas.

Esse “miolo” de lideranças em formação, demonstra apetite para serem mais inspiradoras, engajadoras e equilibradas, mas esbarram num muro de velhas práticas e exemplos das lideranças anteriores, que aparentam grande desconforto em “soltar um pouco mais a corda” do controle.

Não é à toa, que problemas de saúde mental tem crescido e levaram o Brasil, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde) a ocupar o posto de 2º país com mais pessoas ansiosas e o 5º com pessoas em depressão no mundo.

# Algumas reflexões e provocações

__1. Em situações desafiadoras, nosso comportamento, tende a emular o que foi aprendido e “funcionou”__

Durante a aula, uma aluna comentou que estava sobrecarregada, pela baixa qualidade e proatividade de sua equipe. Ao questioná-la por que não dava mais autonomia aos seus liderados, veio a resposta: “se dou autonomia, preciso refazer quase tudo. Raramente, recebo algo com qualidade”.

Repare que essa é uma prática de comando e controle aprendida e praticada, como garantia de trabalho bem-feito. Em situações difíceis, nossa tendência é recorrer aos modelos conhecidos e já praticados versus buscar novas maneiras de atuação.
Dar autonomia, significa ensinar e calibrar o trabalho esperado, mas sem fazê-lo pela pessoa. Ao longo da carreira, aprendi que ao delegar e dar autonomia, não deveria esperar que o trabalho fosse feito à minha maneira, mas que entregasse o resultado esperado.

Parece fácil, mas a tendência em aplicar os nossos filtros de qualidade, nos leva ao microgerenciamento, “refações” e, consequente, desmotivação das equipes em tentar novas formas de fazer.

Notou a diferença? Ao nos colocarmos como filtros de qualidade, desmotivamos e desempoderamos nossas equipes, que ao constatarem que tudo o que fazem será revisado e corrigido, vão passa a devolver qualquer coisa, numa dinâmica de perde-perde e desmotivação.

__2. Quebrar esse molde ou forma, construídos por décadas e que ainda teimam em se manifestar é preciso, diria o Mestre Yoda__

Mudanças são desconfortáveis. Fato! Porém, se não dermos espaço à novas formas de fazer, colaborar e liderar, contribuiremos para a manutenção de espaços de pressão e insatisfação.

Gosto de fazer uma analogia da liderança a um maestro de uma orquestra. Se no passado era exigido que o maestro dominasse todos os instrumentos, preparado para fazer correções na maneira de tocar de qualquer instrumentista, hoje esse mesmo maestro precisa ter a capacidade de extrair o melhor som e talento de seus músicos.

Ao ser um condutor e líder inspirador, ele dará autonomia aos instrumentistas para tocarem de sua maneira, respeitando à partitura ou plano, se preferir.
Já que esse artigo foi elaborado, a partir de um papo com a Cecilia Pinaffi, nada mais justo do que convidá-la para uma reflexão. Aí vai:

__3. Existe uma pressão gigante na liderança por fazer o certo__

Fazer o certo significa atender às expectativas de resultados, o que elimina qualquer possibilidade de erro. Estamos em uma época em que as agendas são infinitas, uma época na qual temos que gerenciar mais e mais atividades ao mesmo tempo, uma época em que as estruturas nas organizações estão cada vez mais enxutas, e os recursos cada vez mais escassos.

Nesse contexto, percebo a liderança fragilizada e tendo que lidar com uma equipe na qual o absenteísmo por questões de saúde mental aumenta cada vez mais, ao mesmo tempo em que essas lideranças têm que lidar com sua própria saúde mental.

Uma possível saída para esse dilema é falarmos sobre emoções, e como elas impactam as relações nas organizações. O letramento emocional é fundamental para reconhecermos e lidarmos com as emoções da forma correta, e esse tema deve ter mais espaços de discussão nas organizações. Admitir suas vulnerabilidades e saber lidar com elas é o primeiro passo para diminuir a sensação da falta de um modelo que substitua o comando e controle

__Convido você a refletir sobre as 3 considerações acima, como forma de reflexão sobre como você é liderado, lidera e gostaria de liderar.__

Compartilhar:

Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

Artigos relacionados

Da reflexão à praxis organizacional: O potencial do design relacional

Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Ninguém chega ao topo sem cuidar da mente: O papel da NR-1

Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional – é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
12 de abril de 2026 14H00
Entre intenção e espontaneidade, a comunicação organizacional revela camadas inconscientes que moldam vínculos, culturas e resultados. Este artigo propõe o Design Relacional como ponte entre teoria profunda e prática concreta para construir ambientes de trabalho mais seguros, autênticos e sustentáveis.

Daniela Cais - TEDx Speake e Designer de Relações Profissionais

9 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
12 de abril de 2026 09H00
Na montanha, aprender a reconhecer os próprios limites não é opcional - é questão de sobrevivência. No ambiente corporativo deveria ser parecido. Identificar sinais precoces de sobrecarga, entender como reagimos sob pressão e criar espaços seguros de diálogo são medidas preventivas muito eficazes.

Aretha Duarte - Primeira mulher negra latino-americana a escalar o Everest

5 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de abril de 2026 13H00
A adoção de novas tecnologias está avançando mais rápido do que a capacidade das lideranças de repensar o trabalho. Este artigo mostra que a IA promete ganho de performance, mas expõe lideranças que já operam no limite.

Felipe Calbucci - CEO Latam da TotalPass

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de abril de 2026 08H00
Quando a empresa cresce, o modelo mental do fundador precisa crescer junto - ou vira obstáculo. Este artigo demonstra que criar uma empresa exige um tipo de liderança. Escalá‑la exige outro.

Gustavo Mota - CEO do Lance

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de abril de 2026 15H00
Enquanto o Brasil envelhece, muitas empresas seguem desenhando experiências para um usuário que já não existe. Este artigo mostra que quando a tecnologia exige adaptação do usuário, ela deixa de servir e passa a excluir.

Vitor Perez - Co-fundador da Kyvo

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
10 de abril de 2026 08H00
Este artigo mostra que o problema nunca foi a geração. Mas sim a incapacidade da liderança de sustentar a complexidade humana no trabalho.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Marketing & growth
9 de abril de 2026 14H00
À medida que a tecnologia se democratiza, a vantagem competitiva migra para a forma de operar. Este artigo demonstra que como q inteligência artificial já é comum, o diferencial agora está em quem sabe transformá‑la em sistema de crescimento.

Renan Caixeiro - Co-fundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
9 de abril de 2026 07H00
O mercado não mudou as pessoas. Mudou o jeito de trabalhar. Este artigo mostra que a verdadeira vantagem competitiva agora não está no que você faz, mas no que você sabe delegar - e no que não delega.

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Inovação & estratégia
8 de abril de 2026 16H00
Quando a experiência falha, o problema raramente é tecnologia - é decisão estratégica. Este artigo mostra que no fim das contas o cliente não quer encantamento, ele quer previsibilidade, simplicidade e pouco esforço.

Ana Flávia Martins - CMO da Algar

4 minutos min de leitura
Estratégia, Liderança
8 de abril de 2026 08H00
O bar já entendeu que o mundo virou parte do jogo corporativo. Conflitos, tarifas e decisões políticas estão impactando negócios em tempo real. A pergunta é: o CEO entendeu ou ainda acha que isso é “assunto de diplomata”?

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...