Gestão de Pessoas

A politicagem do dia a dia

Em mais um texto de sua coluna, Viviane Mansi traz uma reflexão sobre a politicagem interna e suas implicações nas organizações.
É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Compartilhar:

Eu tento abrir uma caixinha de perguntas uma vez por semana no meu Instagram.

Em geral debatemos dilemas corporativos. Um tema que é recorrente e chega despertando inquietação, ira e inconformismo é a politicagem interna.

O tema vai parar nas rodinhas de conversa e em livros, então queria fazer algumas reflexões para ampliar o debate.

Nossa atuação, em qualquer contexto, é política, pois em geral existe uma dinâmica de poder e regras – em geral não ditas – que determinam a interação de um grupo. Isso não quer dizer, no entanto, que precisamos fazer disso uma atitude que incomoda ou prejudica alguém, ou olhar a questão da política com uma conotação ruim.

Como diz Karen Dillon, num livro que compila algumas regras de sobrevivência em diferentes contextos políticos, é possível alcançar sucesso sem ser uma pessoa obstinada por poder ou ser uma pessoa alpinista corporativa – perfis que em geral se usam mais de política para criar um ambiente positivo para prosperar.

Onde é que percebemos a política se manifestando na empresa? Quando convivemos com pessoas difíceis e nos perguntamos o que ela ainda faz na empresa, quando buscamos influenciar pessoas, quando lutamos por recursos, quando percebemos que a nossa liderança tem proferidos(as), quando lidamos com panelinhas… e essa lista podia ganhar mais 10 linhas. Parece, portanto, difícil imaginar um mundo sem política. Aliás, uma pesquisa de uma consultoria inglesa chamada Revelation traz um dado tenso: 95% dos entrevistados afirmam ter sido afetados por manipulações e jogos de interesse no trabalho.

Então, o que fazer? Entre as muitas possibilidades, podemos lidar de forma construtiva, o que pode significar compreender a dinâmica entre os colegas, trabalhar em conjunto, colocar os interesses da empresa antes dos interesses do grupo ou pessoais. Parece exaustivo, mas é melhor do que usar a política como a responsável pela falta de resultados, falta de promoção, frustração.

Mauricio Goldstein e Philip Read ainda nos lembram que o jogo político muitas vezes é inconsciente, e têm consequências que realmente têm o potencial de drenar a energia e a dedicação das pessoas numa empresa.

Os autores lembram que a liderança pode ficar atenta para não facilitar os jogos. Como fazem isso? Cultivando transparência, a honestidade intelectual, espírito de equipe, comportamentos abertos, produtivos e criativos; aumentando a consciência de que os jogos existem e agem constantemente. O jogo às claras, vamos dizer sim, permite que todo mundo participe.

Por outro lado, culturas que se baseiam em hierarquias, com alta pressão, em que tudo é visto como confidencial e estão ancoradas no medo como forma de gestão, tendem a encorajam o jogo.

Seja como for, se você sente que a política interna não está fazendo bem para as pessoas, cuide de duas coisas para começar: (1) crie uma arena de debate aberto, onde todos possam ver e serem vistos, e (2) invista na comunicação direta. Os jogadores profissionais não gostam de nenhuma delas.

E, caso queira mergulhar nesse mundo, sugiro duas literaturas:

Jogos políticos nas empresas – como compreender e transformar relações e organizações, de Mauricio Goldstein a Philip Read;

Como lidar com a política no trabalho – Coleção Harvard Business Review, organizado pela Karen Dillon;

E você, conta pra gente: como tem visto e vivido o assunto?

Compartilhar:

É conselheira de empresas, mentora e professora. Durante anos foi executiva de empresas, passando por organizações como Toyota, GE, Votorantim e MSD. É autora de diversos livros, entre os quais está o ‘Emoção e Comunicação - Reflexão para humanização das relações de trabalho’, escrito em parceria com a Cynthia Provedel.

Artigos relacionados

Acordo Mercosul e União Europeia representa um novo ciclo de crescimento para o franchising brasileiro

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

As edtechs brasileiras aprenderam a crescer sem investimento. Mas até onde isso pode levá-las?

Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Eleitor 70+: o valor do repertório em uma sociedade que envelhece

À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

A publicidade não disputa mais audiência. Disputa atenção.

O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 20H00
Plataformas de saúde, apoio emocional e programas de qualidade de vida nunca foram tão comuns nas organizações. Ainda assim, muitos colaboradores afirmam não ter tempo para utilizá-los. O artigo propõe uma reflexão sobre a distância entre acesso e uso efetivo, mostrando por que a próxima evolução do bem-estar corporativo depende menos de novos benefícios e mais de mudanças na cultura, na liderança e na gestão do tempo.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de agosto de 2026 18H00
A sua próxima contratação pode já estar dentro da empresa. Dados mostram que muitos profissionais deixam suas organizações não por falta de oportunidades no mercado, mas por não enxergarem caminhos de crescimento internamente. O artigo discute por que iniciativas como marketplaces de talentos, projetos multidisciplinares, gig assignments e conversas estruturadas de carreira são fundamentais para revelar potencial, ampliar a mobilidade interna e transformar talentos já existentes em uma vantagem competitiva para o negócio.

Miguel Nisembaum - Sócio da Mapa de Talentos, gestor da comunidade de aprendizagem Lider Academy e professor

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
31 de agosto de 2026 14H00
A lógica do “trabalhe enquanto eles dormem” ajudou a moldar uma geração de profissionais que transformou o cansaço em símbolo de mérito. O artigo questiona os mitos da cultura hustle e defende o sono como um dos investimentos mais estratégicos para desempenho, bem-estar e crescimento sustentável.

Valter Roldão - CEO da Luuna

5 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo