Transformação Digital

A revolução musical na era do streaming: conexões, diversificação e experiências

A expectativa de vida cresceu consideravelmente, chegando a 76 anos em alguns pontos no Brasil, então: é hora de reconhecer o poder econômico e os hábitos de consumo dessa população madura e diversa, que representa uma oportunidade valiosa para os negócios.
Head da Estúdio Eixo, onde mapeia o zeitgeist para co-criar possibilidades e soluções novas e melhores, Kika é produtora, jornalista, maker e entusiasta cultural. "Porque em um mundo tão plural, não posso ser apenas uma coisa." Tem mais de dez anos de experiência adquirida com diferentes players da indústria da comunicação nas duas maiores editoras do Brasil: Editora Globo e Abril. Três anos trabalhando na Foodpass, responsável pela estratégia criativa, design de experiência e liderança de projetos com Nespresso, Renault, Ifood, BR Malls, Andorinha e Food Female, o primeiro encontro para conectar e capacitar mulheres no setor de alimentos.

Compartilhar:

A indústria musical está em constante evolução, regida por novas tecnologias, hábitos de consumo e tendências socioculturais. Nos últimos anos, essa transformação se acelerou, impulsionada pela ascensão do streaming, a onipresença das redes sociais e o impacto da pandemia. A música está sendo redefinida, não apenas em como a consumimos, mas em como nos conectamos com ela.

O streaming revolucionou a forma como consumimos música, democratizando o acesso a um universo sonoro infinito. Plataformas como Spotify, Deezer e Apple Music oferecem catálogos musicais extensos, permitindo que os usuários explorem gêneros, descubram novos artistas e criem suas próprias trilhas sonoras para cada momento da vida.

Segundo a pesquisa Media Outlook, da PwC, o mercado global de streaming deverá movimentar US$ 36,8 bilhões em 2026.

Essa mudança na lógica de consumo trouxe benefícios tanto para o público quanto para a indústria. Por um lado, os ouvintes ganharam autonomia e liberdade para curtir suas músicas favoritas sem restrições. Por outro, a indústria musical ampliou seu alcance, conquistando novos públicos e monetizando o acesso à música de forma mais eficiente.

# Desvendando as preferências musicais: diversidade e conexões inusitadas

O streaming de música não é apenas uma tecnologia, é um catalisador de mudanças culturais. Oferecendo um catálogo vasto e instantâneo a um custo acessível, ele democratizou o acesso à música. Esta democratização, por sua vez, tem incentivado a diversificação das preferências musicais. As playlists criadas pelas plataformas de streaming ampliam nossos horizontes, apresentando-nos a novos artistas e gêneros. Assim, testemunhamos um fenômeno intrigante: a quebra de barreiras na indústria musical.

Parcerias inusitadas, como a colaboração entre Sandy e a banda de heavy metal Angra e até a junção de Coldplay e BTS, exemplificam essa nova dinâmica. 96% das músicas mais ouvidas no Spotify Brasil são feats. Por isso, não é à toa que temos observado o crescimento de parcerias cada vez mais singulares nesse meio.

Não apenas os artistas estão explorando territórios musicais inesperados, mas também alcançando um público mais amplo, impulsionados pela viralização nas redes sociais.

# O papel das redes sociais

Falar em redes sociais é reconhecer o papel central que elas desempenham na transformação do consumo musical. Plataformas como TikTok e Instagram estão redefinindo a descoberta de músicas. Os formatos curtos de vídeo estão moldando não apenas nossas experiências musicais, mas também influenciando a própria criação. O que acontece no mundo virtual reverbera na vida física, demonstrando como as tendências globais estão interligadas.

O papel das redes sociais vai além da simples divulgação. Elas se tornaram espaços de interação entre fãs, artistas e marcas, criando uma comunidade vibrante e engajada em torno da música. Essa comunidade impulsiona o engajamento, gera tendências e molda a cultura musical da era digital.

Uma pesquisa da Eixo apontou que 7 das 10 músicas mais ouvidas de 2020 no Spotify viralizaram primeiro no TikTok. E que 70% dos adolescentes esperam descobrir novas músicas ou artistas por meio das redes sociais.

A pandemia acelerou esses processos de digitalização musical, foi quando o Spotify emergiu como um refúgio para muitos durante os tempos turbulentos.

Segundo a pesquisa, os minutos reproduzidos no Spotify aumentaram 22% em 2021 em comparação com 2020, por usuários entre 15 e 44 anos. Além disso, 59% dos usuários das gerações Z e Millennial em todo o mundo disseram que compartilharam mais conteúdos com os amigos durante a pandemia como forma de manter contato.

Com o isolamento social e a suspensão de eventos presenciais, o streaming, as redes sociais e as transmissões ao vivo se tornaram os principais canais de acesso à música e de conexão entre artistas e fãs.

Essa mudança impulsionou o crescimento do mercado de streaming e fortaleceu o papel das redes sociais na descoberta musical. As transmissões ao vivo, por sua vez, se tornaram uma alternativa para que os fãs acompanhassem seus artistas favoritos, mesmo à distância.

# Do digital para as ruas, ou vice-versa

Os festivais de música também têm se mostrado ferramentas poderosas para a disseminação de músicas e gêneros musicais. Os eventos lotados no Brasil e fora comprovam isso.

A busca por festivais disparou tanto online quanto offline, por isso a revolução musical não se limita ao digital. Os festivais, que em uma época não tão distante eram puramente presenciais, também estão se adaptando às transmissões ao vivo. Essas transmissões não apenas ampliam seu alcance, mas também proporcionam uma sensação de pertencimento para aqueles que não podem estar presentes fisicamente.

O Lollapalooza é um exemplo desse fenômeno. Com a cobertura do canal Multishow, o festival impactou mais de 18 milhões de pessoas, tanto online quanto na TV. Essa abordagem multiplataforma não apenas atende às demandas de um público acostumado a assistir a shows em casa, mas também se torna um instrumento de monetização para marcas parceiras.

E falando em marcas, não podemos ignorar o papel das empresas nas interações musicais. O TikTok, por exemplo, emergiu como um dos patrocinadores mais comentados do Rock in Rio. Essa sinergia entre marcas e música não só impulsiona a visibilidade das marcas, mas também enriquece a experiência musical dos espectadores.

Estamos vivendo uma revolução que vai além da forma como consumimos música. Estamos testemunhando uma transformação na maneira como nos conectamos com a música, com os artistas e uns com os outros.

O streaming democratizou o acesso à diversidade musical, as redes sociais se tornaram espaços de interação e descoberta, enquanto os eventos presenciais e suas transmissões ao vivo proporcionaram uma sensação de conexão em meio ao distanciamento. Esses fenômenos não apenas refletem as mudanças na indústria musical, mas também exemplificam como a música, independente do cenário, continua a ser um poderoso meio de expressão e conexão humana, moldando nossa cultura e experiências coletivas.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Pressão econômica leva Geração Z ao consumo compartilhado

Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual – e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Todos nus com a mão no bolso

Não é a idade que torna líderes obsoletos – é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Marketing & growth
15 de maio de 2026 13H00
Quando viver sozinho deixa de ser viável, o consumo também deixa de ser individual - e isso muda tudo para as marcas. Este artigo mostra como a Geração Z está redefinindo consumo, pertencimento e a forma como as empresas precisam se posicionar.

Dilma Campos - CEO da Nossa Praia e CSO da Biosphera.ntwk

3 minutos min de leitura
Liderança
15 de maio de 2026 07H00
Não é a idade que torna líderes obsoletos - é a incapacidade de abandonar ideias antigas em um mundo que já mudou. Este artigo questiona o mito da liderança geracional e aponta qual o verdadeiro divisor de águas.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

0 min de leitura
Marketing
14 de maio de 2026 15H00
Executivo tende a achar que, depois de um certo ponto, não é mais preciso contar o que faz. O case da co-founder do Nubank prova exatamente o contrário.

Bruna Lopes de Barros

4 minutos min de leitura
Liderança
14 de maio de 2026 08H00
À luz do Aikidô, este artigo analisa a transição da liderança coercitiva para a liderança que harmoniza sistemas complexos, revelando como princípios como Wago, Awase e Shugi‑Dokusai redefinem estratégia e competitividade na era da incerteza.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Liderança
13 de maio de 2026 15H00
Em um mundo dominado pela urgência e pelo excesso de estímulos, este artigo provoca uma reflexão essencial: até que ponto estamos tomando decisões - ou apenas reagindo? E por que recuperar a capacidade de pausar, escolher e agir com intenção se tornou um diferencial crítico para líderes e organizações.

sabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

7 minutos min de leitura
Finanças, Inovação & estratégia
13 de maio de 2026 08H00
Entre pressão por resultados imediatos e apostas de longo prazo, este artigo analisa como iniciativas de CVC podem sobreviver ao conservadorismo corporativo e construir valor além do retorno financeiro.

Rafael Siciliani - Gerente de New Business Development na Deloitte

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
12 de maio de 2026 14H00
O que antes era visto como informalidade agora é diferencial: este artigo explora como a cultura brasileira vem ganhando espaço global - e se transformando em ativo estratégico nas empresas.

Bell Gama - Sócia-fundadora da Air Branding

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
12 de maio de 2026 08H00
Enquanto agendas lotam e decisões patinam, este artigo mostra como a ascensão dos agentes de IA expõe a fragilidade das arquiteturas de decisão - e por que insistir em reuniões pode ser sinal de atraso estrutural.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
11 de maio de 2026 15H00
A troca no comando da Apple reacende um dilema central da liderança: como assumir um legado sem se tornar refém dele - e por que repetir o passado pode ser o maior risco em qualquer processo de sucessão.

Maria Eduarda Silveira - CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
11 de maio de 2026 08H00
Vivara, Natura, Blip, iFood e Endeavor já estão usando o Open Talent para ganhar agilidade e impacto. Este artigo revela por que a liderança por projeto e o talento sob demanda estão redesenhando o futuro do trabalho.

Cristiane Mendes - CEO da Chiefs.Group

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão