Uncategorized

A serenidade é fundamental aos executivos brasileiros

Pesquisas da BTA mostram o que está acontecendo com eles nesta crise, dos problemas de saúde à consciência da necessidade de uma mudança cultural
PhD, sócia fundadora da BTA, consultoria em desenvolvimento empresarial, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil. Além disso, Betania é professora da PUC Minas Gerais e do Insead, da França, autora de 13 livros e coautora de Estratégia e Gestão Empresarial, com Sumantra Ghoshal, entre outros.

Compartilhar:

Serenidade. Essa é uma palavra-chave quando se fala de liderança, especialmente no momento atual, em que o mundo, e o Brasil de modo particular, se move com grande intensidade em resposta à necessidade de mudança de modelos de negócio. 

Pensando sobre as competências necessárias aos executivos nos dias de hoje, a serenidade, aliada ao profundo conhecimento da dinâmica do negócio, é chave. Sob o nível de tensão que vivemos, até os executivos mais experientes correm o risco de tropeçar sem os dois requisitos, “matando” competências nucleares da empresa ao capitanear mudanças sem manejar conscientemente as várias dimensões organizacionais – estrutura, processos, estratégias, pessoas e liderança, articulados pelo propósito e pela cultura. 

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/0b6650a9-1cda-445f-b2ba-5c8695b33ee8.jpeg)

Nossas pesquisas sobre as competências dos executivos requeridas neste momento revelam que a cultura é apontada pelos dirigentes das empresas como a dimensão que mais precisa mudar. Uma diferença fundamental entre a crise atual e outras já vividas no Brasil é que hoje há consciência – e ação – dos bons dirigentes quanto ao fato de que cortar e cortar não é suficiente para chegar a resultados sustentáveis – sinal de maturidade. As competências racionais, objetivas, dos líderes são muito importantes, mas nosso foco é saber da reação deles à intensa pressão. Qual o nível de tensão? Há espaço para a serenidade? O gráfico ao lado permite ter uma visão desse comportamento. Nossas pesquisas revelam que, se o nível de tensão é muito baixo, falta motivação para maiores desafios; se é alto demais, a capacidade analítica e decisória das pessoas é afetada. 

Nos dois casos, a competência e a performance podem ser prejudicadas. Outro reflexo da crise, e das frequentes mudanças radicais, que, apesar do caráter pessoal, tem forte impacto no desempenho profissional são os problemas de saúde. Dor de cabeça, dor no peito, úlcera, dificuldade de dormir, obesidade, alcoolismo e drogas são os mais comuns, somando-se a depressão e diminuição do apetite sexual. Vale o preço? Provavelmente não, mas é possível fazer diferente, e volto a dizer que para isso serenidade é palavra-chave. 

Não há uma fórmula única para a serenidade, mas algumas ideias podem ajudar. O que um bom comandante de navio em um mar revolto faz? Ele conhece com maestria os instrumentos de bordo, sabe interpretar o impacto dos ventos e tem muita clareza de seu norte – a causa capaz de mobilizar todos na direção certa.  

O mesmo vale para os líderes em situação de crise. Seu papel é também fazer a gestão do ciclo de sentimentos típicos desse momento e, antes, manejar os próprios sentimentos. Reserve tempo para conversar com as pessoas e ouvi-las, em vez de ficar só apagando incêndios. Assim haverá menos fogo e as pessoas chegarão à tensão produtiva (veja o gráfico).  Aumentará a chance de a viagem ser boa.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Empresas preparadas para a próxima década não usam IA. Elas se reorganizam ao redor dela.

A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

O que separa empresas inovadoras das que apenas fazem inovação

Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Pare de tentar prever o mundo. Construa uma empresa que aguenta vários.

Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Contratar, promover ou buscar fora: a decisão que separa o líder do gestor

Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura
Cultura organizacional
30 de julho de 2026 14H00
Tecnologias, processos e estratégias podem mudar rapidamente. O que diferencia organizações resilientes é a capacidade de preservar os princípios que orientam decisões e comportamentos, transformando a cultura em um elemento de coerência em meio à mudança contínua.

Diego Alegre - CEO do Arquipélago "Culturas que transformam"

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
30 de julho de 2026 07H00
A agricultura é uma das grandes forças econômicas do Brasil, mas seus mecanismos de inovação ainda são pouco compreendidos fora do setor. Este artigo parte de uma conversa com Jonas Hipólito, CEO da Biotrop, para observar como ciência, bioinsumos, biodiversidade, dados e competição global começam a redesenhar a próxima etapa da produtividade agrícola.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

21 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo