Uncategorized

A solução DIGITAL para o gap de infraestrutura

Saiba como as tecnologias digitais podem reduzir os gargalos de infraestrutura no Brasil
O estudo foi conduzido por Philip Evans, com a colaboração de Lionel Aré, Patrick Forth, Nicolas Harlé e Massimo Portincaso. Aqui publicamos os highlights.

Compartilhar:

![](https://revista-hsm-public.s3.amazonaws.com/uploads/68e6ea37-a728-4360-b8b3-7c5032ba6dda.png)

As tecnologias digitais devem transformar em breve o mundo da infraestrutura, assim como estão transformando outros setores – aumentando a produtividade e a utilidade para os usuários. 

No Brasil, onde serão necessários mais de US$ 1 trilhão de investimentos para reduzir os gargalos de infraestrutura ao longo dos próximos dez anos, essas tecnologias podem ser particularmente impactantes, ajudando a criar uma agenda positiva para a sociedade, o governo e as organizações privadas, ainda mais em um momento em que os programas de infraestrutura existentes sofrem um déficit de recursos, de desempenho na entrega e de imagem. 

A experiência do The Boston Consulting Group em projetos com governos e empresas indica várias abordagens: 

**CURTO PRAZO:
OPERAÇÕES**

Implementadas em até dois anos, há dois tipos de iniciativa: 

**• Melhora da experiência do usuário.** Vejamos o exemplo de um aeroporto. Nele, a experiência do passageiro passa por muitas etapas – de check-in, raio X, área de embarque, imigração, shopping, coleta de bagagem, entre outras –, todas elas com muitos elementos de insatisfação. 

Já há soluções digitais disponíveis para fazer o processo de check-in e de embarque no modo self-service, além de sistemas de fila inteligentes (que notificam passageiros sobre tamanho e tempo estimado da fila), aplicativos móveis que proveem navegação com GPS para portões de embarque e lojas, e aplicativos de monitoramento e tempo de entrega de bagagem. 

Sistemas de identificação biométrica com impressão digital ou facial também podem ser usados em todas as etapas de identificação, eliminando a necessidade de os passageiros mostrarem seus documentos de viagem múltiplas vezes. 

Conforme pesquisas do BCG, aeroportos que contam com esses tipos de tecnologia reduzem o tempo de permanência dos passageiros dentro de suas dependências e conseguem deixar o cliente até 50% mais satisfeito. 

**• Digitalização de processos.** Um exemplo vem do Reino Unido, onde quatro aeroportos usam drones para segurança, que desempenham missões de vigilância sete vezes mais rápido do que por via terrestre a um custo dez vezes inferior. Outro é do Brasil. Trata-se do programa Waze Connected Citizen, lançado no Rio de Janeiro, que faz o compartilhamento de informações provenientes dos usuários com o centro de operações da prefeitura. Com isso, os agentes de trânsito conseguem direcionar ações para aumentar a eficiência na manutenção das rodovias ou no monitoramento do tráfego urbano. 

**MÉDIO PRAZO:
CONSTRUÇÃO**

Factíveis em dois a cinco anos, essas iniciativas têm duas alavancas: 

**• Aumento da capacidade de infraestruturas existentes.** Isso é ilustrado pelo UK Network Rail Digital Program, programa que visa 40% de aumento da capacidade de tráfego da rede ferroviária do Reino Unido com a digitalização da sinalização, o que permite reduzir o espaço de tempo entre os trens sem afetar o nível de segurança. Essa medida representa custos 30% inferiores à construção de trechos novos. Os aeroportos brasileiros, que há muito operam em sua capacidade máxima, poderiam se beneficiar desses investimentos, reduzindo os altos níveis de ociosidade de equipes de solo, que podem chegar a mais de 40%.

**• Novas construções já digitalizadas.** Com uma economia de custos potencial de 15%, isso pode incluir (1) uma concepção otimizada baseada em melhores processos de design (design 3D, por exemplo) e maior coordenação entre os envolvidos, diminuindo o prazo de construção, (2) monitoramento com informações compartilhadas em tempo real para melhorar a manutenção e a operação dos ativos (a manutenção passa a ser preditiva) e (3) uso do Building Information Modeling (BIM), plataforma de software para o design, a modelagem, o planejamento e a colaboração entre as partes já utilizada em alguns países para facilitar as interações entre os players de dada infraestrutura e integrar as diferentes tecnologias com dados do projeto. 

**LONGO PRAZO:
DESIGN E ENGENHARIA**

Medidas que podem mudar o jogo em prazos superiores a cinco anos são: 

**• Aumento da transparência no planejamento das futuras construções.** A rede Nossas Cidades, organização que reúne mais de 300 mil pessoas em nove cidades brasileiras com aplicativos digitais, ilustra esse fenômeno ao utilizar ferramentas online e ações offline para estimular o compartilhamento de conhecimento na criação e divulgação de iniciativas que transformem as cidades na direção do desejo dos cidadãos.

**• Agregação de ideias para criar soluções alternativas.** Por exemplo, desde 2015, a agência reguladora dos táxis de Nova York disponibiliza uma plataforma aberta de acesso público com todos os históricos de viagens para permitir a análise de padrões de transporte e incentivar o desenvolvimento de novos serviços relacionados. Grandes volumes de dados acessados em tempo real permitem fazer isso.

**• Alinhamento dos interesses dos diferentes stakeholders no início do planejamento.** A interação entre agentes da sociedade civil, setor privado e público, viabilizada pelas tecnologias digitais, permite melhorar o perfil econômico de um projeto, aumentando sua utilidade e reduzindo os custos de transação. 

**INDO ALÉM**

Até o financiamento de infraestrutura pode ter uma abordagem digital. Nos EUA, a plataforma de crowdfunding Infrashares obtém financiamento para projetos como estações de tratamento de água e estradas, com investidores privados adquirindo pequenos montantes de debêntures ou ações. 

A associação entre as palavras “digital” e “infraestrutura” soa estranha para muitos, porque de certo modo combina o século 21 com o século passado. Mas a solução talvez passe, sim, por essa combinação.

Compartilhar:

Artigos relacionados

IA como álibi das decisões não pensadas

Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

O problema não começa no canteiro. Só fica visível nele.

Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Executivos estão estudando contabilidade para chegar ao C-level. Eu fiz o caminho inverso.

O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Segurança cibernética: o orçamento está protegendo os riscos certos?

O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Marketing & growth
4 de novembro de 2026
Será que as empresas, focando a agilidade das entregas com assistência de inteligência artificial, deixaram em segundo plano a qualidade do raciocínio? E quais são os riscos disso?

Camila Besseler - Fundadora e CEO da mCMOs, ecossistema para mulheres da alta liderança em marketing, growth e receita. Tem 25 anos de experiência na interseção entre estratégia, marca, dados e receita, com passagens por Grupo Tigre e CI&T. Estuda sistemas — o marketing é um deles — e escreve sobre estratégia, mercado e melhores decisões.

0 min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
4 de novembro de 2026 08H00
Atrasos, mudanças de escopo e disputas contratuais costumam ser tratados como falhas da execução. O artigo argumenta que, na maioria dos casos, os conflitos já estavam contratados desde o início, em escopos incompletos, riscos mal distribuídos e orçamentos desconectados da realidade do projeto.

Nayron Russo - Advogado e sócio do escritório Aroeira Salles

4 minutos min de leitura
Liderança
3 de novembro de 2026 14H00
O artigo reflete sobre a evolução da carreira financeira e sobre o papel da contabilidade como ferramenta de gestão, mostrando que lucro, sozinho, raramente conta a história completa de uma empresa. Mais do que interpretar demonstrações financeiras, entender balanços, fluxo de caixa e capital de giro tornou-se uma competência essencial para líderes que desejam crescer de forma sustentável, tomar decisões mais consistentes e enxergar riscos e oportunidades antes que eles apareçam nos resultados.

Darcio Zarpellon - Diretor Financeiro (CFO) e membro certificado do Conselho de Administração (CCA-IBGC | CFO-BR IBEF)

6 minutos min de leitura
ESG
3 de novembro de 2026 08H00
Velocidade, por si só, não garante melhores decisões. A partir das recentes mudanças nos processos normativos da CVM, o artigo propõe uma reflexão sobre os desafios de conciliar eficiência, excelência técnica e diversidade de perspectivas na construção regulatória.

Renata Oliva Battiferro - Diretora Executiva e Head do Investors Group do 30% Club Brazil

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
2 de novembro de 2026 15H00
Dados não estruturados, documentos físicos e processos legados impactam a adoção da IA e por que a automação inteligente se tornou uma peça-chave dessa transformação. O texto explora por que a preparação dos dados pode ser mais importante do que a própria tecnologia.

Alexandre Cardoso - Business Development Manager da Ricoh LATAM

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
2 de novembro de 2026 08H00
O crescimento das ameaças digitais exige mais do que aumentar recursos destinados à segurança cibernética. Exige compreender quais riscos realmente importam para o negócio. O artigo explora por que as organizações precisam abandonar modelos baseados na inércia e adotar uma lógica orientada por risco para direcionar seus investimentos.

Ricardo Moraes - Sócio-líder de segurança cibernética e Daniel Pacheco - Sócio-líder de consultoria em tecnologia da KPMG no Brasil

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Estratégia
1º de novembro de 2026 15H00
O mercado de saúde vive um novo ciclo de fusões e aquisições impulsionado pela busca por capacidades estratégicas já consolidadas. O texto mostra como infraestrutura, conhecimento regulatório, tecnologia e acesso a clientes estão se tornando ativos cada vez mais valiosos para empresas que precisam acelerar sua expansão.

Sergio Luconi - Sócio-diretor da Zaxo M&A Partners

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
1º de novembro de 2026 08H00
O Brasil lidera os rankings globais em número de fundos de investimento, mas essa estatística nem sempre é interpretada corretamente. O artigo analisa a diferença entre quantidade de veículos e volume de patrimônio administrado, discutindo por que a elevada quantidade de fundos pode refletir características regulatórias e de transparência do mercado brasileiro, e não necessariamente riscos associados à opacidade ou à ocultação patrimonial. Mais do que um debate sobre números, a reflexão propõe uma análise crítica sobre regulação, rastreabilidade e o papel da indústria de fundos no financiamento da economia.

José Roberto Meirelles - Sócio da área de mercado de capitais e fundos de investimento do Silveiro Advogados

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Liderança
31 de outubro de 2026 15H00
A partir de referências históricas e filosóficas que atravessam de Hegel a Beethoven, o artigo propõe uma reflexão sobre os valores que parecem ganhar força na sociedade contemporânea. Em um cenário marcado por transformações políticas, sociais e culturais, temas como autonomia, propósito, afeto, pertencimento e responsabilidade compartilhada surgem como elementos centrais para compreender os desafios do presente.

André Naves - Defensor Público Regional de Direitos Humanos em SP, Comendador Cultural, Escritor e Professor

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
31 de outubro de 2026 08H00
Conselhos, mentorias, projetos estratégicos, participações societárias e posições temporárias estão redesenhando o papel dos executivos mais experientes.

Renata Fabrini - Sócia-fundadora da Plongê

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

CAPA_HSM_30_ANOS-1_pages-to-jpg-0001

Acesse agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #175

EDIÇÃO ESPECIAL DE 30 ANOS DA HSM MANAGEMENT