Empreendedorismo
4 min de leitura

Adote uma mentalidade de startup e destrave o crescimento na sua empresa

Saiba como transformar escassez em criatividade, ativar o potencial das pessoas e liderar mudanças com agilidade e desapego com 5 hacks práticos que ajudam empresas a inovar e crescer mesmo em tempos de incerteza.
Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

Compartilhar:

Recentemente, tive a oportunidade de falar no maior evento de Liderança e Gestão do Brasil, o HSM+, sobre um tema que tem me instigado: como adotar uma mentalidade de startup para destravar o crescimento das empresas.

Vou aproveitar esta coluna, para compartilhar com você os 5 hacks práticos que apresentei lá. Esses hacks são baseados em 25 anos de experiência como intraempreendedor em grandes multinacionais, autor do primeiro guia prático de intraempreendedorismo no Brasil e, desde 2019, atuando em startups e empresas médias como CMO, CRO e Co-Founder sob demanda.

E como você sabe, não estamos em tempos fáceis. O cenário econômico está cheio de incertezas, e o ambiente corporativo parece, por vezes, uma caverna escura. Você consegue ver seus contornos, mas ao entrar, a sensação é de desconhecimento total. Será que as experiências anteriores nos prepararam para a verdadeira profundidade desse novo desafio?

Me arrisco a dizer que, para muitas empresas, ainda estamos na fase de procurar respostas em velhos arquivos e manuais. Mas aqui vai o alerta: a mudança já está em curso e não podemos mais esperar. A transição de uma Era Industrial – onde a produção em massa e o emprego eram o foco – para uma Era do Conhecimento, onde a tecnologia será totalmente integrada aos nossos modelos de vida e trabalho, já está em curso.

E a maior falha que você pode cometer, nesse momento, é não assumir nenhum risco, logo a pergunta é: até quando você vai esperar para entrar nessa caverna, sem saber o que está do outro lado?

Aqui estão os 5 hacks práticos que podem ajudar você e a sua empresa a acelerar o crescimento – e a enfrentar esse novo mundo com mais confiança e agilidade.

1. Escassez como propulsor da criatividade e inovação

Quando você pensa em momentos de escassez, o que vem à sua mente? Você viveu a pandemia e sabe do que estou falando. O que parecia impensável – como trabalhar remotamente ou receber serviços sem sair de casa. A escassez nos forçou a ser mais criativos, mais ágeis. Quando as condições são abundantes, tendemos a ser mais conservadores, avessos a riscos. Mas no desconforto da escassez, a inovação floresce.

Vamos pegar um exemplo interessante: o Google X, um laboratório de inovação da Alphabet. Ali, projetos como o “Tapestry” (energia limpa para todos) ou o “Mineral” (biodiversidade e agricultura sustentável) são desenvolvidos com orçamentos de U$ 50-100 mil por ano. Esses projetos têm um orçamento reduzido, mas são impulsionados pela necessidade de encontrar soluções reais para problemas globais. A escassez de recursos forçou a equipe a ser mais criativa, fazendo escolhas mais ágeis e assertivas.

2. Reconheça os grandes colaboradores

Vivemos na era do conhecimento coletivo. Não podemos mais esperar que uma única pessoa ou liderança detenha todas as respostas. A verdadeira diversidade, a inovação real, vem da colaboração. E se você ainda acredita na “individualidade do herói”, repense. Quando foi a última vez que você tomou uma decisão onde o coletivo teve mais peso do que seu ego?

Aqui vai uma provocação: tente lembrar de uma decisão em que o coletivo se sobrepôs ao individual, e onde ninguém se importou de quem levou os créditos. Estamos tão acostumados com o “jogo do sucesso individual” que, muitas vezes, deixamos de reconhecer quem realmente promove o senso de colaboração. Olhe ao seu redor: quem são as pessoas que fazem a diferença no time, sem necessariamente buscar holofotes?

Lembro de um exemplo muito bom do Cubo Itaú, o hub de inovação que reúne mais de 500 startups. Uma dessas startups estava com dificuldades para ajustar sua política comercial. Em vez de tentar resolver sozinhos, abriram a discussão para todo o ecossistema. Em dois encontros, problemas foram solucionados, novas conexões foram feitas e, como num efeito colateral, até outras questões foram endereçadas. A colaboração real foi o diferencial.

3. Descubra e ative as fortalezas das pessoas

Se tem uma época do ano que gera tensão nas empresas, essa época é a de avaliação de desempenho. Estamos tão focados em eficiência e produtividade que acabamos encaixando as pessoas em quadrantes (como na famosa 9 Box Matrix). Isso é assustador! Em vez de olhar para as pessoas como “candidatos a vender um produto ou serviço”, que tal reconhecê-las por suas fortalezas?

Pense no impacto de olhar para sua equipe a partir de quatro perspectivas: motivação (o que a pessoa ama fazer), talento (o que ela faz bem), potencial (como ela pode gerar mais valor) e impacto (o que a move). Esse tipo de abordagem pode transformar a cultura de sua empresa, tornando-a mais inclusiva e mais engajada.

Para inspirar – No Banco Santander, sob a liderança de Sergio Rial, colaboradores com potencial empreendedor, mas com pouca chance de expressão interna, foram convidados a criar startups fora do banco, mas como parte do ecossistema. Essa estratégia, que elimina o controle rígido e fomenta a inovação sem restrições, gerou uma verdadeira mudança na forma de pensar e agir dentro da empresa.

4. Ative o desapego radical

Na inovação, muitas vezes tratamos nossas ideias como filhos. Quando acreditamos em algo, defendemos até o fim, mesmo quando sabemos que talvez não vá dar certo. Isso é o oposto de uma mentalidade ágil, que deve ser orientada por testes rápidos e feedback real. Nas startups, as ideias não são defendidas com unhas e dentes, mas sim avaliadas com base na necessidade real do mercado e nos resultados que elas geram.

Quando a ideia parte de um problema real, e não de um desejo idealizado, o processo se torna mais eficiente. O desapego radical se aplica aqui: abandonamos o apego emocional às ideias e nos concentramos em encontrar soluções reais. A hipótese que não for testada não resiste, ponto final. E isso é essencial para um ambiente inovador.

5. Qual é o EU da mudança?

Esse é o hack mais provocador de todos: em muitas empresas, a inovação é tratada como se fosse responsabilidade de “alguém mais”. Se você quiser ver isso na prática, promova uma coleta de ideias dentro da sua equipe e depois faça um debate sobre como elas podem ser executadas. O que você vai ver, provavelmente, é uma terceirização de responsabilidades. “O problema é da área X”, “A cultura da empresa é que não ajuda”… e assim por diante.

Agora, remova todas essas barreiras. O que resta? Em muitas situações, você verá uma dificuldade de ação. O maior problema não é a falta de recursos ou da equipe certa, mas a mentalidade de que alguém mais deve agir. E é aqui que entra o verdadeiro poder da liderança: o EU da mudança. Você, como líder, precisa assumir a responsabilidade de transformar a cultura da empresa, para que as ideias se tornem ações concretas.

Faz sentido? Note que esses hacks não demandam mais investimento ou recursos (ao contrário), mas apenas uma mudança de mentalidade de liderança.

Enquanto isso, se quiser saber mais sobre os sinais, cada vez mais evidentes, de uma mudança de Era, convido você a assistir ou escutar o episódio Provocações e Futuros Inquietantes do podcast o lado i, com Carlos Piazza, Darwinista Digital e Futurista Regenerativo. Um papo para sacudir os neurônios.

E antes de você ir, deixo a seguinte pergunta: o que EU (você, no caso) vai fazer para corrigir aquilo que já não concorda ou aceita mais?

Compartilhar:

Alexandre Waclawovsky, o Wacla, é um hacker sistêmico, especialista em solucionar problemas complexos, através de soluções criativas e não óbvias. Com 25 anos de experiência como intraempreendor em empresas multinacionais de bens de consumo, serviços e entretenimento, ocupou posições de liderança em marketing, vendas, mídia e inovação no Brasil e América Latina. Wacla é pioneiro na prática da modalidade Talento sob Demanda no Brasil, atuando como CMO, CRO e Partner as a Service em startups e empresas de médio porte, desde 2019. Atua também como professor convidado em instituições renomadas, como a Fundação Dom Cabral, FIAP e Miami Ad School, além de autor de dois livros: "Guide for Network Planning" e "invente o seu lado i – a arte de

Artigos relacionados

Por que entender o orçamento hospitalar se tornou estratégico para as operadoras

O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Onde a inteligência artificial realmente gera dinheiro no varejo alimentar

Sistemas desconectados, estoques imprecisos e perdas recorrentes tornam o hortifrúti uma das operações mais complexas do varejo alimentar. Ao contrário das promessas de transformação total, a inteligência artificial vem demonstrando valor justamente onde consegue reconstruir informações, prever demanda e apoiar decisões com impacto direto sobre vendas e desperdício.

Ou você constrói um ecossistema de parceiros ou será engolido por um

Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Mudar para continuar o mesmo

Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

SOMPO Holdings: da crise provocada por si mesma a uma transformação guiada por propósito

Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Estratégia, Finanças
16 de agosto de 2026 15H00
O envelhecimento populacional, a incorporação de novas tecnologias e o aumento das demandas assistenciais estão pressionando os custos da saúde em níveis inéditos. Mais do que analisar despesas, entender a formação do orçamento hospitalar tornou-se uma competência estratégica para operadoras que buscam conciliar qualidade assistencial, eficiência operacional e sustentabilidade de longo prazo.

Anderson Farias - CEO da TopSaúde Hub

3 minutos min de leitura
Liderança, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de agosto de 2026 10H00

Denise Joaquim Marques - Consultora internacional de negócios, especialista em Vendas e Marketing

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
15 de agosto de 2026 14H00
Sistemas desconectados, estoques imprecisos e perdas recorrentes tornam o hortifrúti uma das operações mais complexas do varejo alimentar. Ao contrário das promessas de transformação total, a inteligência artificial vem demonstrando valor justamente onde consegue reconstruir informações, prever demanda e apoiar decisões com impacto direto sobre vendas e desperdício.

Marco Perlman - CEO da Aravita

3 minutos min de leitura
Estratégia, Ecossistema
15 de agosto de 2026 08H00
Embora a maioria das empresas reconheça o potencial dos ecossistemas de parceiros para gerar receita e ampliar mercados, poucas conseguem transformar essa ambição em resultados consistentes. O artigo explora por que a construção de um ecossistema eficaz vai muito além da criação de um canal comercial, exigindo arquitetura, governança, ativação e uma estratégia capaz de conectar parceiros aos objetivos de crescimento do negócio.

Juliana Tubino e Nara Vaz Guimarães - Cofundadoras do Ecossistema Octo e coautoras do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Marketing
14 de agosto de 2026 13H00
Ao visitar um dos vinhedos mais renomados de Bordeaux, o autor encontrou uma reflexão que ultrapassa o universo do vinho e alcança empresas, famílias e instituições. A decisão do Château Lafleur de abandonar uma denominação de origem histórica revela um dilema cada vez mais presente nas organizações: como preservar princípios e identidade em um mundo que exige adaptação constante?

Antonio Carlos Matos da Silva - Conselheiro independente associado ao IBGC

5 minutos min de leitura
Liderança
14 de agosto de 2026 08H00
Após mergulhar em uma crise provocada por escândalos que abalaram sua credibilidade, a SOMPO Holdings encontrou na liderança de Mikio Okumura o impulso para redefinir sua identidade. Inspirado por aprendizados adquiridos no Brasil, o executivo promoveu uma transformação que combinou propósito, tecnologia e foco no cliente para reconstruir a confiança e conduzir a seguradora a resultados recordes.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

13 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
13 de agosto de 2026 14H00
Mais de 150 anos após os estudos pioneiros de Ignaz Semmelweis e Florence Nightingale, a higiene das mãos permanece como uma das intervenções mais importantes para a segurança do paciente. O desafio atual não está na falta de evidências, mas na capacidade das instituições de transformar conhecimento em hábito e protocolo em cultura.

Marcos Gurgel - Diretor Comercial na divisão Avitum da B. Braun Brasil

4 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia, Vendas
13 de agosto de 2026 08H00
Vendas estão entre as atividades mais antigas, estratégicas e decisivas de qualquer organização, mas continuam sendo tratadas por muitas empresas como uma responsabilidade exclusiva da área comercial. Nesta coluna de estreia, a autora propõe uma reflexão sobre por que receita é resultado de um sistema que envolve liderança, cultura, processos, tecnologia, experiência do cliente e estratégia, e por que a pergunta mais importante talvez não seja por que os vendedores não vendem, mas o que a própria organização está fazendo para dificultar a venda.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo