Estratégia e Execução
Oferecido por:

Afinidades afetivas para gestores

Visita guiada de gestores à 33ª Bienal de Arte de São Paulo, organizada pela Fundação Dom Cabral, relaciona arte e gestão, no espírito pós-moderno

Compartilhar:

“O fim da tragédia do um.” 

Essa frase estranha era parte do título de uma das sete exposições coletivas em que a 33ª Bienal de São Paulo, encerrada em dezembro passado no Parque do Ibirapuera, dividiu-se. Atraindo o interesse dos executivos, esse evento – que está entre os três mais importantes do circuito artístico internacional, ao lado da Bienal de Veneza e da Documenta de Kassel – teve como tema as “afinidades afetivas”, ou seja, as conexões entre pessoas baseadas em afetos e não apenas na racionalidade. 

É um assunto que anda no topo da lista de preocupações dos executivos, pelo menos desde que o Fórum Econômico Mundial listou como novas habilidades necessárias à competitividade as criativas, sociais e as emocionais.

Ricardo Carvalho, professor da Fundação Dom Cabral, organizou uma série de visitas guiadas para gestores a fim de fazer a relação entre a arte ali exposta e o universo da gestão. E HSM Management acompanhou uma delas, para entender se os gestores sairiam impactados pelas afinidades afetivas. Confira a seguir alguns insights:

**Colaboração x centralização.** O espanhol Gabriel Pérez-Barreiro foi o curador da Bienal de 2018 e abriu mão da “centralização”, algo muito caro às empresas. Escolheu sete artistas para fazer a curadoria das exposições e os estimulou a interagir com o entorno e a conversar com as pessoas que trabalham ali, como porteiros, jardineiros etc. Um biombo de Mark Dion tinha folhas colhidas no Parque do Ibirapuera, por exemplo. Não poderia haver símbolo maior da gestão colaborativa. “Isso inaugura a renúncia ao poder central. A mensagem é: todos somos líderes”, comentou Ricardo Carvalho.

**Criatividade + curiosidade.** O artista-curador Antonio Ballester Moreno montou uma homenagem a Friedrich Fröbel, o criador do conceito “Kindergarten”, ou jardim de infância, desenvolvido no final do século 18 para as crianças aprenderem com as mãos. Chamou crianças de centros educacionais unificados (CEUs) de São Paulo para fazer uma mandala de 6 mil cogumelos de argila. Eles vieram nas mais criativas formas e até gnomos apareceram. O olhar fresco foi recuperado. 

Em outro ponto, o projeto de Denise Milan expunha pedras gigantescas de quartzo que por fora parecem comuns e por dentro parecem tesouros; como Carvalho comentou, é a curiosidade de olhar do outro lado que nos faz encontrar o valor maior, tanto nessa instalação como nas empresas.

**Transparência.** Cortinas como essas da artista-curadora brasileira Sofia Borges tornavam o ambiente labiríntico, destoando dos espaços abertos do prédio projetado por Oscar Niemeyer. Isso mostrou como a não transparência, algo a que muitas empresas e executivos ainda são apegados, incomoda cada vez mais. Tanto que os críticos de arte se queixaram da dificuldade de apreciar as obras assim. Sofia Borges “postou” ainda várias frases de impacto, entre elas “o fogo cego” – que, ao lado da obra O Dourado Cego Sorridente Deus Brilhante, pode ser entendida nas empresas como a negação do que é preciso ver. Isso deve ter ligação, segundo um dos gestores visitantes, com o hábito de esconder erros nas empresas.

**Habilidades de comunicação.** A artista-curadora argentina Claudia Fontes distribuiu caquinhos de porcelana carregando palavras em uma mesa, o que representou uma mensagem dupla para os executivos: a fragmentação das informações é a tônica do cotidiano e esses fragmentos podem ser articulados de modo criativo. Carvalho propôs que as pessoas construíssem suas frases com as palavras ali, um exercício ao qual os gestores se dedicaram com afinco. 

Para alinhar todo o seu núcleo, Claudia Fontes encomendou ao escritor Pablo Martíns Ruiz um conto policial, chamado O Pássaro Lento – um alinhamento que qualquer empresa admiraria – e várias das peças podiam ser vistas como pistas para solucionar o mistério do pássaro – mais ou menos como são as ações de um plano para atingir um objetivo de negócios. Em seu projeto individual, a artista brasileira Vânia Mignone trabalhou com telas contendo mensagens impactantes sobre comunicação entre as pessoas.

A sala do artista guatemalteco Aníbal López foi o mais polêmico dos 12 projetos individuais da 33ª Bienal. López, que já tinha levado à Documenta de Kassel um assassino de aluguel para responder a perguntas do público, expôs em São Paulo obras financiadas com o dinheiro de um assalto a mão armada que ele fez na rua. A vítima foi um homem de classe média de 40 anos de idade e a ação foi chamada por ele de “empréstimo” – era a violência como modo de financiar a arte. Como Carvalho ressaltou, isso traduz os questionamentos que as novas gerações têm introduzidos nos negócios: “Em que medida os fins justificam os meios?”.

Outra obra de López, uma pedra de mármore cheia de tiros, foi vista por um dos visitantes como metáfora para a repressão a propostas diferentes – ou seja, as organizações não deixam seus colaboradores esculpirem novas formas de fazer as coisas.

**CONSENSO, NA ARTE E NOS NEGÓCIOS**

Apesar do elevado número de visitantes (736 mil), a crítica especializada não apreciou muito essa edição do evento, acusando-a de “exercício narcisista dos artistas-curadores” e de “desconectada da realidade”. 

Os feedbacks dos gestores do grupo da FDC, no entanto, foram no sentido oposto. Eles perceberam ação colaborativa no evento, seja pela temática compartilhada pelos artistas-curadores, seja por usarem elementos em comum – das referências a pássaros presentes em vários espaços à repetição de recursos como palavras escritas, cortinas e biombos. É tolice buscar consenso nas decisões, não é?

Compartilhar:

Artigos relacionados

Reduzimos o analfabetismo. Agora precisamos evitar que os jovens abandonem a escola.

Pela primeira vez, a taxa de analfabetismo entre brasileiros com 15 anos ou mais ficou abaixo de 5%. O avanço, porém, expõe uma nova urgência: milhares de jovens continuam deixando a escola para trabalhar. O desafio agora é construir caminhos que permitam estudar, gerar renda e desenvolver competências para um mercado de trabalho em rápida transformação.

Entre o burnout, a felicidade e a IA: o que aprendemos no Mind Summit 2026

Em sua primeira experiência em um grande evento de negócios, duas estudantes foram convidadas a refletir sobre temas que impactam diretamente a nova geração de profissionais. O resultado foi uma jornada de descobertas sobre bem-estar, propósito, trabalho e o papel das pessoas em um futuro cada vez mais tecnológico.

O futuro da governança continua sendo humano

Com a participação de nomes como Christopher Garman, Thomas Shannon, Sergio Rial, Jeane Tsutsui e Guilherme Horn, o Congresso IBGC 2026 propõe um debate sobre um dos temas mais relevantes da atualidade: como exercer liderança e governança em um mundo marcado por inteligência artificial, incertezas geopolíticas e mudanças cada vez mais rápidas, sem abrir mão das competências que permanecem essencialmente humanas.

Crédito justo depende de informação, não apenas de regulação

Investigações sobre práticas abusivas colocam em evidência a necessidade de repensar a relação entre instituições financeiras e consumidores. Em um ambiente marcado por inovação digital e alta demanda por crédito, a transparência deixa de ser apenas uma obrigação regulatória e passa a ser condição essencial para a sustentabilidade do setor.

O conselho do Mind Summit 2026: mens sana in “corporate” sano

Das reflexões de Amy Edmondson sobre segurança psicológica aos alertas de Michael Long sobre a economia da atenção, passando pelas provocações de Paul Goldsmith e Deepika Chopra, a última edição do Mind Summit revelou um ponto em comum: o futuro do trabalho dependerá menos da capacidade das máquinas e mais da nossa habilidade de preservar aquilo que nos torna humanos em meio à aceleração tecnológica.

Preservar a empresa ou a aparência? Recuperação Judicial não é atestado de fracasso

Enquanto grupos como Casas Bahia, Americanas e Braskem recorrem abertamente a processos de reestruturação para preservar suas operações, muitos empresários de médio porte ainda enxergam a Recuperação Judicial como um sinal de fracasso. O artigo questiona essa percepção e mostra por que, em muitos casos, o verdadeiro risco não está na recuperação em si, mas em esperar tempo demais para enfrentar a crise.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

Oferecido por:
3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

Oferecido por:
5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

Oferecido por:
6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

Oferecido por:
4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 08H00
O artigo utiliza a clássica fábula dos três porquinhos para mostrar por que organizações que apostam apenas em estruturas robustas, sem capacidade de adaptação, podem se tornar mais vulneráveis justamente quando o ambiente exige flexibilidade e aprendizado contínuo.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

Oferecido por:
10 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução