Tecnologia e inovação

Agroecologia high tech é possível? Parte II

Tecnologia e agricultura caminham cada vez mais juntas no Brasil, gerando inovação e novas oportunidades para o setor
Técnico Agrícola e administrador, especialista em cafeicultura sustentável, trabalhou na Prefeitura Municipal de Poços de Caldas (MG) e foi coordenador do Movimento Poços de Caldas Cidade de Comércio Justo e Solidário. Ulisses é consultor de associações e cooperativas e certificações agrícolas.

Compartilhar:

Com a pandemia de Covid-19, o uso da tecnologia se intensificou não só na cidade, como também no campo. Com poucos ou muitos recursos tecnológicos, os produtores já contavam com este apoio para obter sucesso e, com a crise, este processo foi acelerado.

Um exemplo que costumo dar aconteceu comigo há sete anos. Agendei uma visita a uma propriedade de agricultura familiar e no dia marcado acabou chovendo. Decidi fazer a visita assim mesmo e, chegando lá, para a minha surpresa, o agricultor disse havia sido avisado da chuva por mensagem. O monitoramento das previsões climáticas é uma das tecnologias mais utilizadas no campo. E, naquele dia, percebi que teria que aderir à ferramenta.

Outro movimento cada mais vez mais forte é o de produtores utilizando redes sociais, como Instagram e Facebook, e listas de transmissão no Whatsap para comercializar suas produções. Já a Cooperativa de Cafeicultores de Rondônia apostou em algo mais sofisticado: em uma feira do setor em Belo Horizonte apresentou, por meio de realidade virtual, detalhes sobre sua produção ‘em tempo real’.

## Oportunidades infinitas

No campo as oportunidades para o uso da tecnologia são infinitas. Uma aplicação bastante impressionante é da Alice, inteligência artificial lançada pela empresa Solinftec que usa dados e inteligência artificial para apoiar produtores nas operações e na tomada de decisão. Ou então os drones, tecnologia que vem crescendo sua aplicação no campo, pois auxilia na captura de imagens aéreas que permitem acompanhar o desenvolvimento da lavoura em relação ao surgimento de pragas, doenças e outros problemas.

São inúmeras as soluções para o agronegócio desde a gestão de cadeias de suprimento, à rastreabilidade do rebanho bovino, de inovações que auxiliam o produtor, até aquelas que facilitam o trabalho de consultores ou técnicos de campo. Inovações incrementais ou tecnologias que prometem criar um novo mercado como o caso das fazendas digitais, a exemplo da alemã Infarm, que produzem alimentos em ambientes fechados, com controle ambiental (umidade, temperatura, gases, etc.) e 100% de monitoramento.

Os softwares de gestão, que auxiliam o produtor na difícil tarefa de manter controles, custos, ordens de serviços, estoques, contas a pagar etc, também estão sendo cada vez mais utilizados. Ótima notícia, dado que as atividades administrativas muitas vezes eram deixadas de lado em detrimento à operação.
Essa agricultura tecnológica, de precisão e digital está em grande expansão e, não à toa, vem atraindo a atenção de fundos de investimento, que buscam ter as agritechs em seus portifólios.

Esses investidores estão vislumbrando o grande potencial da tecnologia em aumentar a produtividade, reduzir custos e proporcionar maiores lucros em um setor que precisa continuar crescendo para alimentar uma população que em 2050 deve ser superior a 9,7 bilhões de pessoas.

## De olho no futuro

O campo muda, mas essa mudança não nasce necessariamente dentro das propriedades, mas sim em escritórios, espaços coworking, incubadoras de empresas e em polos tecnológicos. Nestes locais, há pesquisadores, universitários e profissionais com diferentes formações, como computação, gestão, marketing, automação, logística, entre outros, o que ajuda a fomentar a inovação e a criação de soluções escaláveis.

O objetivo é tornar mais previsível e seguro o processo produtivo no campo, fator que sempre esteve muito sujeito às condições climáticas. Especialistas desta área garantem que, com a tecnologia adequada, será possível atender a necessidade crescente do mundo por alimentos, de maneira abundante e segura.

Tais transformações representam para o Brasil um universo de oportunidades. Atuando de forma coordenada (governos, empresas, produtores, universidades, mídia especializada e profissionais), temos potencial para liderar não só a produção de alimentos, mas também o setor de tecnologias para o campo, gerando ainda mais emprego, renda e desenvolvimento sustentável.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A NR-1 perguntou sobre o trabalho. A empresa respondeu sobre as pessoas.

A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

A equipe de marketing do futuro pode caber em uma pessoa

Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Problemas complexos exigem criatividade coletiva

O artigo demonstra que a criatividade deixa de ser atributo exclusivo da inovação e passa a ocupar um papel central na capacidade das organizações de compreender problemas complexos e construir soluções que gerem valor no longo prazo.

O consumidor já é omnichannel. Sua empresa também é?

A antiga disputa entre e-commerce e lojas físicas perdeu sentido. O consumidor atual transita naturalmente entre ambientes digitais e presenciais, esperando uma experiência única, integrada e sem atritos. O artigo mostra por que o sucesso no varejo já não depende da força de um canal específico, mas da capacidade de conectar dados, tecnologia, atendimento e conveniência para construir jornadas fluidas e relevantes em todos os pontos de contato com a marca.

Posicionamento não é desculpa para ser do contra

Existe uma crença silenciosa nas empresas de que profissionais experientes precisam ter opinião sobre tudo e discordar de quase todos. O problema é que posicionamento não é sinônimo de oposição. Neste artigo, o autor provoca uma reflexão sobre como a necessidade de marcar território pode comprometer relacionamentos, confiança e crescimento na carreira, e por que profissionais verdadeiramente influentes são aqueles que contribuem para a qualidade das decisões, independentemente de quem trouxe a ideia para a mesa.

Liderança
12 de agosto de 2026 14H00
Em um cenário onde conhecimento, repertório e fluência tecnológica estão distribuídos entre diferentes gerações, a liderança deixa de ser uma posição fixa e passa a circular conforme o contexto. O artigo explora como a IA está redefinindo autoridade, colaboração e tomada de decisão, tornando a capacidade de aprender, adaptar-se e reconhecer quem deve liderar em cada momento uma das competências mais importantes do futuro.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de agosto de 2026 08H00
O artigo defende que o verdadeiro valor surge quando a IA deixa de operar de forma isolada e passa a integrar toda a jornada de negócio, conectando pessoas, processos, dados e governança em um único sistema de performance.

Guilherme Stefanini - CMO do Grupo Stefanini, CEO da Stefanini Marketing e sócio da W3haus e Gauge.

4 minutos min de leitura
Liderança
11 de agosto de 2026 18H00
A liderança é uma invenção humana ou um princípio presente na própria natureza? Longe das salas de reunião e dos modelos de gestão, a natureza oferece pistas valiosas sobre uma das capacidades mais humanas das organizações: a liderança. A partir de observações do cotidiano no campo, o autor propõe uma reflexão sobre as origens da condução, da cooperação e da construção de instituições, sugerindo que liderar talvez seja menos uma técnica aprendida e mais a expressão consciente de uma lógica que acompanha a vida há milhões de anos.

Carlos Eduardo de Barros - Fundador e CEO da Cogntion & Business Consultoria, conselheiro de empresas e consultor em estratégia, governança e liderança

16 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 14H00
Empresas estão investindo bilhões em inteligência artificial, mas poucas conseguem responder uma pergunta simples: quanto valor real cada interação com IA está gerando para o negócio? O artigo propõe uma nova forma de avaliar projetos de IA generativa, baseada no conceito de retorno sobre tokens, e mostra por que medir apenas adoção, volume de uso ou número de licenças já não é suficiente para justificar investimentos, escalar soluções e transformar tecnologia em resultado.

Leonardo Tristão - CEO da Performa_IT

22 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
11 de agosto de 2026 08H00
Enquanto líderes cobram ganhos de produtividade e redução de custos, muitas empresas ignoram um fato básico: inteligência artificial não gera transformação por osmose. Sem redesenho de processos, desenvolvimento de competências e participação das pessoas, a tecnologia corre o risco de se transformar apenas em mais uma ferramenta cara dentro da organização.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab, Professor, Pesquisador e Keynote Speaker de inovação e novas tecnologias

14 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de agosto de 2026 08H00
Este artigo explora por que empatia, hospitalidade, escuta e construção de vínculos podem se tornar os ativos mais valiosos da próxima década.

Dr. Henrique Moura - Chefe da Fonoaudiologia do BP Paulista e BP Mirante. Além de atuar como Professor da Pós Graduação e do Mestrado do Hospital Israelita Albert Einstein

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de agosto de 2026 08H00
A pressão para adotar inteligência artificial cresce em praticamente todos os setores, mas muitas iniciativas continuam fracassando pelo mesmo motivo: começam pela tecnologia e não pelo problema. Com exemplos da indústria e reflexões sobre governança, processos e tomada de decisão, o artigo mostra por que a maturidade digital de uma organização não deve ser medida pela quantidade de projetos de IA que ela anuncia, mas pela sua capacidade de transformar desafios reais em resultados concretos.

Marcelo Paiva - Diretor de Operações da Formel D

7 minutos min de leitura
Marketing & growth
9 de agosto de 2026 14h00
Com milhares de publicações nas redes sociais, a villain era tornou-se uma forma de nomear um movimento cada vez mais presente entre mulheres: abandonar a obrigação de agradar constantemente e sustentar escolhas, opiniões e limites sem culpa. O artigo discute o que esse fenômeno revela sobre expectativas sociais, relações de trabalho e construção de autonomia.

Estela Brunhara - Sócia e Diretora de Consumer Behavior & Estratégia da FutureBrand São Paulo

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Liderança
9 de agosto de 2026 08H00
Ao recorrer a pensadores como Foucault, Hannah Arendt e Kant, o artigo mostra por que cultura, ética, reflexão crítica e capacidade de julgamento continuam sendo ativos indispensáveis para líderes e organizações que desejam tomar melhores decisões em um mundo cada vez mais automatizado.

Denilson Shikako - CEO e fundador da Fábrica de Criatividade

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo