Desenvolvimento pessoal

Ainda dá tempo de planejar 2022

Quando se planeja a rota prevendo os percalços, aumentam-se as chances de enfrentá-los e seguir adiante; se você tem tentado atingir algum objetivo e não tem conseguido, a resposta pode estar na forma que você enxerga o caminho
Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Também é professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno. Siga o colunista no Instagram - [@wesleybarbosa] - e ouça o podcast de Wesley Barbosa, [No Brain No Gain](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=QLRGTDmPSo-1bOS5FJrdmA&nd=1),

Compartilhar:

Os astronautas que pisaram na Lua tinham como ídolo um navegador de meio milênio. Comandando no século 16 uma frota de cinco barcos com 250 homens em uma desesperadora empreitada, sobre profundas tempestades, foi um homem que acabou fazendo com que sua pequena esquadra se tornasse a responsável pela primeira circunavegação, além da descoberta de mares inimagináveis e a comprovação que a Terra é redonda.

Seu nome é Fernão de Magalhães, que queria apenas abrir para Portugal um novo caminho marítimo até as ilhas Molucas, hoje conhecida como Indonésia.

Esse marco histórico mostra que planejar não se trata de ir ao encontro do acerto, mas de diminuir os riscos dos erros, ir reconfigurando sua própria rota.

## Como diminuir a probabilidade de erro?

Historicamente, você foi educado a planejar iniciativas a partir de uma meta, ou de algumas. Ou seja, olhamos para onde queremos estar no futuro e começarmos a traçar ações de como iremos conquistar o objetivo almejado.

Para seguirmos adiante neste artigo, vamos precisar desconstruir esse pensamento, pois essa visão pertence a um tipo de perspectiva que busca a vitória pelo caminho do acerto, o que torna o percurso dificultoso.

Esse tipo de perspectiva nos traz dois grandes vilões de toda meta: a crise de ansiedade e de procrastinação.

Para iniciarmos o planejamento de forma coerente, realista e nos blindando de barreiras recorrentes em sua execução, precisamos criar consciência sobre as formas de pensamento estratégico para nos aproximarmos de um cenário favorável.

Estabelecer sensações é o principal e mais valioso passo. Ausente em praticamente todos os planejamentos, as sensações são os fatores determinantes de qualquer visão. Precisamos compreender que na vida tudo que fazemos é em busca de sentido, e quando estabelecemos as sensações que queremos sentir, ampliamos nossa visão e tomamos decisões mais saudáveis.

Faça uma lista de tudo que gostaria de sentir este ano, estabelecendo quais são as sensações que gostaria de priorizar, como sensações de bem-estar financeiro, corporal, mental.

Agora o tom do plano está alinhado, com isto nos restam sete passos para que estas sensações sejam bem representadas dentro do que escolheremos fazer este ano.

### 1. Mapeamento de atividades

Faça um mapeamento de todas as atividades possíveis que irão de trazer as sensações que listou acima. Busque atividades práticas que estimulam o que você busca sentir. Se você quer se sentir fisicamente mais disposto, investir em nutricionistas e personal trainers são atividades coerentes. Caso sua sensação prioritária seja se sentir mais financeiramente livre, um curso de organização financeira, ou mesmo um plano de carreira, irão te ajudar a chegar lá.

### 2. Definição de metas

Primeiro passo é entender o estágio atual que você se encontra, para ter uma ideia de como as sensações que busca podem ser provocadas ainda na posição atual, para que, caso necessário, fazer uma transição seja menos trabalhoso do que seria se não conseguir aproveitar o momento.

A definição da meta tem que interagir com o mapeamento de atividades, só que aqui se define a parte quantitativa das atividades. Por exemplo, se você colocou ganhos financeiros maiores como uma das atividades, é na definição de metas que você coloca o quanto você atingir anualmente, quebrando em milestones, ou seja, em pequenas conquistas. Particularmente, gosto de iniciar pensando anualmente e ir detalhando por semestre, trimestre, mensal e, inclusive, semanal.

Essa definição de meta vai te ajudar a constituir uma percepção que as coisas estão andando, coerente com como o cérebro percebe os ganhos, de acordo com o sistema de recompensas neural, que analisa risco versus recompensa em tudo que decidimos.

### 3. Definição de áreas de objetivo

Criar definições de áreas de objetivo nos ajuda a priorizar o que devemos fazer inicialmente. Metas de relacionamentos, conhecimento, financeiras. Ou seja, neste tópico precisamos separar os pilares que buscamos desenvolver e alcançar no ano, isso torna a jornada mais horizontal, trazendo uma percepção de ganho em diversos aspectos da vida.

### 4. Criação de indicadores

Criar indicadores de resultados é fundamental para conseguir se sentir dentro de um plano. Se você quer, por exemplo, mudar de empresa, o número de entrevistas que faz é um desses indicadores.

No caso de estar buscando mais saúde mental, a quantidade de tarefas que faz para ter estímulos de bem-estar, como investir em ter um sono melhor, se alimentar melhor, praticar exercícios físicos, se torna um desses indicadores. Eu, por exemplo, preciso completar cinco atividades por mês para alcançar minha meta, essas cinco atividades são meus indicadores.

O alcance dos indicadores deve servir para que cada peça forme um quebra-cabeça no final, um encaixe coerente que traz sentido e te faz sentir o progresso.

### 5. Planejando a ação

O que você vai fazer para tornar esses indicadores acima uma realidade. Se você colocou nas tuas metas de educação que quer ler 15 livros, é nesse tópico que você vai selecionar os temas e as deadlines que irão lê-los. Para fluir melhor, sugiro a utilização da ferramenta 5Ws2Hs, criada na década de 1970 por Sakichi Toyoda, inicialmente para o setor automobilístico no Japão. A ferramenta serve justamente para automatizar os processos, e trazer ordem de prioridade e sentido.

### 6. Priorização

Priorizar é o tema mais complexo de todo plano, mesmo para quem recebe um plano de mentoria. A pergunta que mais recebo quando finalizo uma mentoria é: “e agora, por onde devo começar?”. E de tanto ouvir a mesma pergunta, resolvi criar uma metodologia dentro das que já utilizava.

Escrever uma carta no futuro na primeira pessoa do singular, utilizando o passado simples dentro de um tempo de três meses, traz uma poderosa visão sobre o como estaremos em um futuro tão próximo. Essa visão abraça sensações, te dá noção de esforço e te faz sentir que é possível iniciar o plano por este caminho.

O segredo aqui é realmente quebrar as atividades em pequenos pedaços, para que eles se complementem e virem algo maior num futuro próximo. Separe as atividades em três blocos: qualificação, posicionamento e resultado.

A qualificação é o momento em que você se qualifica para o que quer conquistar. O posicionamento entra na fase do momento em que você precisa colocar suas qualificações a prova. Por fim, os resultados, a fase que você deve focar em gerar números.

Se tivesse que dar um bom exemplo, seria um objetivo onde você quer migrar para ser um palestrante. Você pode planejar a busca por metodologias, fazer cursos e se qualificar no primeiro trimestre. Buscar agências de palestras, fazer portfólio e iniciar sua busca por eventos no segundo trimestre, e iniciar os contratos de apresentações no terceiro.

Priorize sempre o que tiver 100% de controle, como fazer cursos, ir a eventos, ativar networking. Depois liste tudo que for mais prático de fazer no cargo que você está hoje. Como esses dois pensamentos em prática, você vai entender que consegue equilibrar o momento atual com a transição, por exemplo, ou mesmo se sentir progredindo em direção ao que planejou.

### 7. Correção de curso

Subjugado pela maioria, aqui mora a essência de um plano bem-sucedido, a correção de rota. A cada trimestre é preciso reavaliar se o caminho deve ser escalado ou corrigido. Aqui vive a consciência do que está indo certo ou errado.

Replanejar o próximo ciclo é tão essencial quanto o próprio planejamento inicial. Isso faz com que você tenha mais inteligência de redução de possíveis erros, corrigindo um dos grandes responsáveis pelo desânimo; a expectativa não atingida.

Quando criamos mecanismos para estimular a consciência constante, nos imunizamos da frustração, que apesar de não ser uma perfeita imunização, diminui o tamanho da queda, e ainda no ar nos dá a opção de abrirmos um paraquedas.

Após seguir todos esses passos, construa um kanban, torne isso um plano de ação visual, para que você possa gerenciar e influenciar melhor suas decisões de forma prática e sem depender da tua memória.

Como disse, esses passos não te trarão nenhuma conquista, mas eles vão te trazer consciência do caminho. Isso te fará diminuir as chances de falhar, e quem diminui as chances de falar, matematicamente, amplia a de vencer.

Quando estiver planejando tuas sensações, vale sempre lembrar que a vida não é sobre durar para sempre, é sobre viver melhor o tempo que durar.

Por fim, gravei um episódio no *[podcast #122 do No Brain No Gain Cast](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=52888c8be6b64edf&nd=1)* para complementar esse artigo. Convido você a ouvir e refletir sobre o tema.

*Gostou do artigo do Wesley Barbosa? Confira outros artigos sobre planejanmento e desenvolvimento pessoal assinando gratuitamente [nossas newsletters](https://www.revistahsm.com.br/newsletter) e escutando [nossos podcasts](https://www.revistahsm.com.br/podcasts) em sua plataforma de streaming favorita.*

Compartilhar:

Saiu da periferia de Maceió e se tornou executivo do Facebook no Vale do Silício e Sócio da XP Investimentos. É o fundador da Become, empresa de educação executiva e corporativa. É professor de Neurociências, com aulas ministradas na quarta maior universidade do mundo, UC Berkeley, e Singularity University, ambas na Califórnia. Também é professor convidado da Fundação Dom Cabral. Foi o executivo responsável por trazer o Baidu (o Google chinês) para a América Latina. Também liderou startups chinesas de games sociais, como o Colheita Feliz, e o idealizador da ONG chancelada pela ONU e acelerada por Stanford, Ajude o Pequeno. Siga o colunista no Instagram - [@wesleybarbosa] - e ouça o podcast de Wesley Barbosa, [No Brain No Gain](https://open.spotify.com/episode/3LzGWqyWnLSo07gwUkKa6R?si=QLRGTDmPSo-1bOS5FJrdmA&nd=1),

Artigos relacionados

O fim da guerra fiscal: como a Reforma Tributária pode mudar a logística brasileira

Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Saudável, gostoso e acessível: a equação que desafia a indústria de alimentos no Brasil 

Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

A fadiga de decidir em tempos de excesso

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Quanto custa quando o sistema para? Alguns minutos fora do ar podem custar milhões

À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

A Reforma Tributária vai criar uma nova onda de negócios B2B

Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Direito, Regulação & Compliance
22 de agosto de 2026 14H00
Galpões logísticos, centros de distribuição e rotas de abastecimento foram desenhados ao longo dos anos para aproveitar benefícios fiscais estaduais. Com a chegada do IBS e da CBS, a localização das operações tende a voltar a ser determinada pela eficiência logística e pela proximidade dos mercados consumidores, desencadeando uma das maiores reconfigurações econômicas das últimas décadas.

Caio Navarro - Fundador e CEO da consultoria Hand

7 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Bem-estar & saúde, Marketing & growth
22 de agosto de 2026 07H00
Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

Mayara Marcon - Head de Marketing na Lightsweet

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
21 de agosto de 2026 18H00
Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Rose Kurdoglian - Fundadora da RK Mentoring Hub

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
21 de agosto de 2026 14H00
À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo