Uncategorized

ALL capacita 10 mil pessoas em um ano

Se o problema era (e é) a insuficiência de formação no mercado ferroviário no Brasil, a solução encontrada pela operadora ferroviária foi criar uma universidade corporativa

Compartilhar:

Experimente encontrar um engenheiro recém-formado que entenda de ferrovias no Brasil. ou um maquinista de trem. Não temos instituições para formação de ferroviários, como descobriu a américa latina logística (all) desde que assumiu a concessão da Rede Ferroviária Federal (RFFsa) para atuar na malha sul do país, em 1997. 

Resultado: a all teve de tomar para si a responsabilidade por essa educação. montou, em 2000, uma universidade corporativa, a Uniall, que dá suporte ao treinamento, à reciclagem e ao desenvolvimento e se dedica também à comunicação interna. “Só em 2014, a UniALL preparou cerca de 10,3 mil colaboradores”, informa a superintendente de gente da all, melissa loqueta. a all precisa realmente formar muitas pessoas: são 9 mil colaboradores e 3 mil terceirizados nos seis estados em que atua, e estima-se um aumento anual de 10% em sua mão de obra. 

Hoje, a all operações Ferroviárias, composta por quatro concessões ferroviárias no Brasil, totaliza 12,9 mil quilômetros de ferrovias. a demanda nem se resume mais apenas ao conhecimento ferroviário. Há outros negócios no portfólio, como a Brado logística, subsidiária que presta serviços de logística intermodal de contêineres, e a Ritmo logística, empresa voltada para o negócio rodoviário. e, como diz loqueta, surgiram no decorrer dos anos muitas demandas específicas. “Por exemplo, em 2007, tivemos um desafio enorme, que foi o de implementar o modelo de gestão meritocrático; poucos sabiam trabalhar em um cenário em que o crescimento profissional depende de mérito”, lembra ela.

> **DEPOIMENTO DE UMA GERENTE**
>
> Há oito anos na ALL, Elisângela Aparecida Pacheco, gerente de gente e gestão, já participou de quatro cursos: Formação de Líderes, Metodologia 6-Sigma (White, Yellow e Green Belt), Técnicas de Apresentação e Facilitador de Comunicação. Ela se diz convencida de que os treinamentos da universidade corporativa a fazem ter um desempenho melhor em suas atividades. “A formação em metodologia 6-Sigma me ajudou para valer na análise e na solução de problemas; e a formação de liderança, que inclui um coaching, nos torna gestores melhores, capazes de impactar diretamente o desempenho da equipe e, por tabela, os resultados gerados para a companhia”, avalia. Pacheco afirma que conciliar os cursos e suas atividades profissionais não é tarefa fácil, contudo, exigindo dedicação extra. “Mas conquistas nunca vêm com facilidade, mesmo; acho que vale a pena o esforço”, completa ela.

**ORGANIZAÇÃO**

À UniALL cabe definir o que será feito em matéria de educação e como, e ela se apoia em quatro pilares para tanto: formação operacional, treinamento de metodologia, desenvolvimento e academia all. esta tem como destaque o curso de pós-graduação em engenharia ferroviária, ministrado por profissionais da empresa e de fora, para engenheiros recém-formados que nela ingressam. ali eles têm a oportunidade de desenvolver, paralelamente ao estudo, seus projetos em campo. outro ponto alto da academia all é a educação de líderes. “Liderança é um tema com novidades constantes e a empresa precisa acompanhá-lo para que a engrenagem não pare”, explica Loqueta. 

Cada segmento de colaboradores tem um pacote educacional próprio. maquinistas, por exemplo, têm formação inteiramente dentro de casa; já mecânicos precisam apenas de um refinamento no conhecimento. o conteúdo da Uniall é formatado em parte internamente, em parte com parceiros. a companhia recorre a treinamentos de instituições externas, por exemplo, em áreas como liderança, comportamento, tecnologia da informação e gestão de mudança. os cursos são sempre definidos pelos gestores. “Fazemos um planejamento anual e o compartilhamos com eles, que enviam seus colaboradores diretos conforme podem liberá-los das atividades diárias”, conta Loqueta. 

A executiva afirma que os gestores da all já entendem que treinar é preciso, mas, mesmo assim, são tomados cuidados para não haver desperdício de investimento. para não ter salas vazias, são inscritos cerca de 10% a mais de colaboradores do que o número de vagas previsto por curso; assim, eventuais ausências não causam prejuízo. segundo a superintendente de gente da all, a meritocracia torna a universidade corporativa ainda mais relevante. “Além dos treinamentos comoditizados e dos que visam o desenvolvimento profissional e de carreira, há bolsas de pós-graduação concedidas por merecimento.” 

> **REFLEXÕES- -CHAVE**
>
> * O RH precisa mesmo conhecer  o negócio
> * A construção do modelo de ensino e da grade deve ser validada pelo gestor
> * O planejamento de cursos deve estar alinhado com as necessidades da companhia
> * É preciso  medir resultados para a empresa

**APERFEIÇOAMENTO**

A Uniall atual não é igual à universidade original; houve ajustes, como resposta à expertise acumulada. “Por exemplo, entendemos que é fundamental trabalhar com os clientes [os gestores da all]. então, os projetos são desenhados em conjunto com quem vai absorver a mão de obra treinada”, afirma Loqueta. 

Outra importante mudança ocorreu há um ano e meio. além do próprio espaço físico para abrigar os cursos e treinamentos na sede da empresa em Curitiba (pR), foram abertas unidades avançadas em santa maria (Rs) e em araraquara (sp). a motivação foi atender à alta da demanda por cursos e, assim, poder atingir mais pessoas, com o mesmo custo e qualidade. e o investimento foi parcialmente compensado pela redução de custos de traslados dos profissionais até a sede. Uma terceira alteração foi que os cursos, antes segmentados por região, agora se dividem por área de atividade.

> **A segmentação da UniALL**
>
> **Programas de engenheiros** –  A capacitação de engenheiros para o setor ferroviário inclui treinamento on the job, módulos  de desenvolvimento de competências gerenciais  e treinamento em 6-Sigma. Também há a  pós-graduação em engenharia ferroviária, um  braço do programa de trainees.
>
> **Academia** – Tem treinamentos focados em negócios, processos e procedimentos, e desenvolvimento profissional. São 15 cursos, como processos de compras, contratos e procedimentos fiscais, Excel, técnicas de apresentação e comunicação, negociação etc.
>
> **Treinamento de supervisores** – Com foco nas necessidades da rotina dos líderes das equipes de campo, aborda segurança, liderança, metodologia de gestão, processos da área em que atuam, bem como ferramentas de controle de jornada, holerite, trilha de carreira, metas etc.
>
> **Formação do time de base** –  É a formação de maquinistas, técnicos em eletromecânica, pátios, vagões, condutores de  auto de linha, normas regulamentadoras de segurança e regulamento operacional, entre outros. Em 2014, 6.265 colaboradores do time de base participaram de cursos.
>
> **All + desenvolvimento** – oferece cursos de capacitação de temas variados que colaboram tanto para o cotidiano profissional como para o pessoal. Já foram formados por ele 900 supervisores, coordenadores e gerentes. A meta é ter 15% mais participantes em 2015.
>
> **Coordenadores e gerentes** – Além de aprimorar esses líderes com as ferramentas de gente e gestão, inclui, no caso dos gerentes, módulos de finanças, negociações e estratégia, com foco em logística. os gerentes também contam com treinamentos individuais e específicos e podem participar de outros cursos.
>
>

**RESULTADOS  E O FUTURO**

“Em 2014, conseguimos realizar pelo menos um treinamento por pessoa, mas isso ainda fica aquém do desafio que existe; precisamos avançar mais”, comenta Loqueta. a avaliação de resultados é uma das reflexões-chave da Uniall, que mede a aderência ao curso e usa outros indicadores. 

Um desses indicadores, por exemplo, são falhas humanas nas ferrovias, que levam ao retrabalho. o fato de o percentual de falhas ter caído em 2014, embora não seja informado, significa sucesso da educação das equipes de manutenção, e, quando há alta incidência de falhas, um curso específico entra na programação. Já o retorno desse investimento é impossível de medir. 

“O que sabemos com segurança é que o curso serve como um meio de engajamento. Quando um colaborador se sente melhor, melhor é sua entrega”, explica loqueta. o plano da all é continuar a aumentar a programação da Uniall e desenvolver uma forte base de instrutores. “Nossa companhia é listada no Novo mercado da Bovespa e precisamos prestar muitas contas. 

Por isso, nossa preocupação é treinar para gerar resultados cada vez melhores”, afirma a executiva. e o risco de perder o colaborador bem treinado para a concorrência? Na opinião de loqueta, trata-se de um risco permanente. “Nosso concorrente em geral é a rodovia. Não vamos perder um maquinista, mas podemos, sim, perder profissionais de todas as outras funções.” o antídoto possível é não limitar-se a oferecer treinamento, proporcionando uma carreira e um ambiente de trabalho atraentes. “Nosso colaborador não deve ter nem chance de olhar para fora.”

Compartilhar:

Artigos relacionados

O retorno ao escritório e a ilusão do controle

O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

O RH precisa parar de provar que é importante

Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

O que a Odisseia pode ensinar às empresas sobre liderança e crise

Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

A confiança é a nova infraestrutura da velocidade

Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Quanto vale uma franquia da Omie?

Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Como a inteligência artificial pode destravar R$ 2,5 trilhões em crédito

Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura
Liderança
3 de agosto de 2026 14H00
Christopher Nolan levou a Odisseia de volta às conversas contemporâneas. Este artigo aproveita a trajetória de Odisseu para discutir um dos desafios mais invisíveis das organizações: reconhecer quando estratégias que garantiram sobrevivência no passado passaram a limitar confiança, aprendizagem e crescimento no presente.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
3 de agosto de 2026 08H00
Por que relações saudáveis deixaram de ser apenas uma questão de clima organizacional para se tornarem um fator estratégico de competitividade? O artigo mostra como a confiança entre pessoas e áreas influencia diretamente a velocidade de execução dos negócios.

Felipe Calbucci - CEO Latam TotalPass

4 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
2 de agosto de 2026 13H00
Mais do que contratos ou licenças, canais de software constroem mercado, relacionamento e receita. A possível recompra de franqueados pela Omie reacende o debate sobre como mensurar, jurídica e economicamente, o valor gerado por quem desenvolve a operação na ponta.

Sthefano Scalon Cruvinel - Doutrinador do Direito, Auditor Judicial com atuação no STJ e CEO da EvidJuri

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
2 de agosto de 2026 08H00
Por décadas, o mercado financeiro enxergou a assimetria de informação como um obstáculo inevitável. A combinação entre duplicata escritural e inteligência artificial sugere uma nova possibilidade: usar os próprios registros das operações comerciais para revelar padrões invisíveis, reduzir incertezas e tornar o crédito mais acessível e preciso.

Fernando Wosniak Steler - Co-Fundador e CEO da Delend

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, ESG
1º de agosto de 2026 14H00
Impulsionadas pelas exigências de investidores, certificações ambientais e adaptação climática, as edificações sustentáveis consolidam-se como ativos estratégicos para empresas que buscam eficiência, resiliência e geração de valor de longo prazo.

Euclides Ciruelos - Idealizador da SmartLy, diretor e responsável técnico da HotFloor

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
1º de agosto de 2026 08H00
Antes de criar cargos de alta gestão, organizações devem avaliar se possuem estrutura, governança e desafios estratégicos que justifiquem essas posições

Roberto Vilela - Consultor empresarial, estrategista de negócios, escritor e palestrante 

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
31 de julho de 2026 14H00
Mais contatos, mais mensagens, mais reuniões e menos impacto. Em uma economia movida por redes e ecossistemas, a vantagem competitiva não está em estar conectado o tempo todo, mas em construir conexões capazes de gerar confiança, influência, inovação e transformação ao longo do tempo.

Tássia Galvão - Fundadora e CEO da Konne

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
31 de julho de 2026 08H00
Este artigo propõe uma reflexão sobre por que atenção, presença, pensamento crítico e conexão humana podem se tornar os ativos mais valiosos de uma era cada vez mais dominada pela tecnologia.

Daniel Spinelli - Consultor especialista em liderança, Palestrante Internacional e Mentor

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo