Inovação

Apple, Facebook, Google e Alibaba vão a Hollywood

As gigantes da tecnologia estão realizando o que a Netflix e a Amazon já tinham provado ser possível: vencer também no mundo do entretenimento

Compartilhar:

> Vale a leitura porque… 
>
> … por décadas, os setores de tecnologia e entretenimento não confiaram um no outro. Enquanto Hollywood proclamava: “O conteúdo é o principal”, o Vale do Silício rebatia: “A plataforma manda”. … agora, o movimento se inverte: os titãs  da tecnologia – e das comunidades –,  como Apple, Google, Facebook e Alibaba (e também Verizon, AT&T, Snapchat e Twitter), começam a criar conteúdo de entretenimento original. … o movimento de migrar para um novo setor (e de ser colaborativo com seus players tradicionais) pode inspirar outros setores.

As gigantes da tecnologia querem conquistar o setor de entretenimento. A Apple planeja lançar séries de TV originais por meio de um aplicativo de exclusividades na Apple TV e no iTunes. O Google lançou, pelo YouTube, uma divisão de “originais”. O Facebook vem estimulando (e até remunerando) celebridades pelo live streaming (transmissão ao vivo) de vídeos em sua plataforma, e o Alibaba está licenciando, financiando e desenvolvendo longas-metragens. 

O que está por trás dessa corrida a Hollywood? Há duas razões. A primeira é que as companhias de tecnologia não podem mais ignorar o sucesso obtido pela Netflix e pela Amazon ao produzirem programação exclusiva de alta qualidade. A Netflix tornou-se um negócio de US$ 40 bilhões desde que apostou nesse setor, reunindo 75 milhões de assinantes e conquistando Emmys e Globos de Ouro. 

A Amazon Prime amealhou dezenas de milhões de novos consumidores e também diversos prêmios. Tudo isso alimentou o cenário competitivo. “As empresas tech estão admiradas do poder da Netflix sobre consumidores e mídias”, afirma Blair Westlake, ex-presidente do conselho da Universal Television e diretor de mídia e entretenimento da Microsoft. Em segundo lugar, as companhias de tecnologia veem no setor oportunidades de crescimento à medida que declina a TV a cabo. 

“Se eu parar de pagar US$ 200 por mês pela TV por assinatura e estiver disposto a gastar isso com uma versão mais ‘à la carte’, será que o YouTube Red Originals me oferecerá algo assim?”, provoca Jeremy Zimmer, cofundador e CEO da United Talent Agency. “Quem vai ganhar essa?” Alibaba, Apple, Facebook e Google querem seu quinhão nesse mercado. 

Estão entre as empresas mais ricas do mundo, com valor de mercado total de US$ 1,5 trilhão, quase quatro vezes o tamanho dos cinco maiores conglomerados de mídia atualmente. A Apple, com US$ 216 bilhões em caixa, poderia comprar a Netflix, a Paramount Pictures, a HBO e a Warner Bros e ainda manter muitas reservas. Até agora, porém, nenhuma das companhias de tecnologia parece interessada em comprar outra em Hollywood. Em vez disso, querem estabelecer a própria presença. Hollywood talvez nunca volte a ser a mesma.

**Apple: O ESQUADRÃO DA JUSTIÇA**

No relatório anual de 2015, a Apple revelou US$ 19,9 bilhões de faturamento em serviços, os quais incluem vendas de entretenimento pela iTunes Store, App Store, Apple Music, AppleCare e Apple Pay, uma receita que cresce 24% ao ano. Segundo seu CFO, Luca Maestri, tais serviços – “apps, filmes e séries de TV” – são vistos como parte importante da estratégia de crescimento da empresa. 

Tradução: a Apple deve parar de ficar obcecada pelas vendas do novo iPhone e pensar em quanto pode ganhar com os mais de 1 bilhão de usuários de dispositivos da marca. 

Gerar conteúdo original é o próximo passo lógico para a companhia e, aparentemente, ela está adotando uma abordagem dupla nisso: (1) produzir filmes curtos, vídeos de música e documentários voltados para promover a Apple Music, serviço lançado no ano passado, que conta com 13 milhões de assinantes (enquanto o iTunes tem 860 milhões de contas), e (2) oferecer entretenimento como se fosse uma TV. A julgar pelo que se conhece da Apple, ela não quer apenas encontrar sua House of Cards, e sim várias dessas séries ao mesmo tempo. 

A iniciativa está sendo liderada por Robert Kondrk, vice-presidente de conteúdo do iTunes. Entre seus desafios está equilibrar a ambição de emplacar vários hits simultâneos, com o risco inerente a isso. O lado desfavorável é que, segundo analistas, a Apple está muito cautelosa, enquanto a Amazon e a Netflix continuam a acelerar investimentos. 

Outra preocupação é o modo fechado em que a Apple opera, levando-a a querer controlar cada aspecto das mídias, como um estúdio à moda antiga, quando na Hollywood de hoje as pessoas se reúnem em projetos e depois se separam. Ainda há muitas questões em aberto, como qual seria o modelo de negócio da empresa para fazer dinheiro com conteúdo, mas a Apple é a Apple.

**Google: O DESPERTAR DA FORÇA**

As ambições de Susanne Daniels, diretora de conteúdo original do YouTube, incluem programas de TV exclusivos, filmes e músicas disponíveis apenas para assinantes do canal Red Originals, a US$ 9,99 por mês, sem anúncios. 

Esse início se baseia em usuários do YouTube, mas, em 2017, Daniels talvez produza programas que não tenham nenhuma conexão com o YouTube, conforme o Red Originals encontre seu nicho. Os profissionais da área se animaram com a remuneração do YouTube. “Eles não estão no nível de verba de um Game of Thrones, mas já são bem competitivos”, comenta Chris Jacquemin, sócio e responsável por conteúdo digital da agência de talentos WME. 

Esse padrão poderá ajudar o YouTube a superar a imagem de “apenas uma ferramenta de marketing eficaz” e atrair os criadores. O YouTube desenvolveu o próprio produto de live streaming, o Connect, e tenta afastar o Facebook, que hoje ostenta 8 bilhões de vídeos por dia. Também é uma defesa contra a Netflix, que ousou “roubar” uma estrela do YouTube, Miranda Sings, para criar uma série original. Talvez o mais importante,  porém, seja que se trata de um esforço do Google para diversificar as receitas do YouTube, acrescentando faturamento com consumidor à receita com publicidade. 

Daniels não revela como o Red Originals se saiu nos primeiros quatro meses; só afirma que está “atingindo metas ambiciosas”. Ela diz, ainda, que, desde que chegou ao YouTube, há cerca de um ano, vem pensando bastante sobre as forças e fragilidades da marca. 

“A audiência vê o YouTube como uma força realmente positiva, entendendo que seus influenciadores detêm capital social e que, associada a eles, [a audiência] também tem esse capital social. É uma comunidade essencial”, afirma a executiva.

**Facebook: AMIZADE COLORIDA**

O Facebook vem dando grande impulso ao vídeo ao vivo. O próprio CEO, Mark Zuckerberg, tem obsessão por isso: a empresa está em conversa com a NFL (liga de futebol americano), e a rede de TV E! já possui um programa ao vivo de fofocas exclusivo no Facebook. Os vídeos ao vivo sugerem o tipo de urgência e engajamento que os anunciantes adoram, e, para dar conta do trabalho, o Facebook vem contratando profissionais avidamente. 

A executiva de operações Sheryl Sandberg visitou as principais agências de talentos de Hollywood com a missão de convencê-las a fazer com que seus clientes usem o Facebook Live, com um bônus: as celebridades seriam pagas por isso. 

Em especial, a companhia está em busca de jovens estrelas que se sintam confortáveis sem script e sem filtros. Sejam comediantes, chefs de cozinha, atletas, músicos, políticos ou jornalistas, o Facebook espera torná-las “estrelas” do Live, como as celebridades do YouTube, e as remunerará com base em quantas vezes por semana postarem seus vídeos. Um dia, essa iniciativa poderá evoluir para um modelo de compartilhamento de receita baseado nos anúncios veiculados. Sibyl Goldman, diretora de parcerias de entretenimento do Facebook, enfatiza que tudo se encontra em fase de testes. 

“Estamos tentando animar os parceiros a experimentar esse formato, e parte do ânimo está em oferecer algum apoio financeiro de curto prazo”, diz. Como acontece com o YouTube Red Originals, a tentativa é de que o Live não seja visto apenas como uma ferramenta promocional. 

Em função de seu alcance sem paralelos, bem como do potencial embutido em seus dados, o Facebook tem sido muito bem-sucedido em fazer com que os estúdios e redes de TV usem sua plataforma para lançar trailers e outros conteúdos. Agora que se volta para conteúdo original criado exclusivamente para seus mais de 1,6 bilhão de usuários mensais, contudo, o sucesso embute um desafio: o setor de entretenimento não costuma ver a rede social como uma arena criativa, e o modelo financeiro não ajuda nada, pois os criadores querem saber o que ganharão com suas criações.

Outro desafio é o próprio modo de funcionamento do Facebook. O feed, que traz conteúdo customizado para cada usuário, permanece um conceito confuso para programadores que ainda estão tendo de se acostumar à ideia de lançar uma temporada inteira de um programa de uma só vez. A aposta do Facebook é que o engajamento profundo possa ajudar a atrair criadores, da mesma forma como foi capaz de atrair audiência e anunciantes.

**Alibaba: O SENHOR DOS ANÉIS**

O Alibaba promoveu o filme Missão Impossível 5: Nação Secreta, que rendeu US$ 86 milhões no fim de semana de lançamento na China, um recorde tanto para a atração como para o astro Tom Cruise. 

Não à toa, Jack Ma, presidente do conselho do Alibaba Group, quer que a companhia se torne a maior do mundo em entretenimento. Desde que alcançou US$ 25 bilhões ao abrir capital, um IPO recorde, Ma vem procurando expandir sua atuação no setor e está sedento por conteúdo do nível de Hollywood para direcionar aquisições nas diversas plataformas de e-commerce do Alibaba, incluindo o Taobao Movies, seu serviço de venda de ingressos para cinema. (A previsão é que a China ultrapasse a bilheteria de cinema dos EUA em 2017 – em 2015, a venda de ingressos aumentou 50% lá, ante uma taxa de um dígito nos EUA.) 

Diferentemente de outras empresas de tecnologia, Ma criou o próprio braço de produção de filmes, o Alibaba Pictures, baseado em Pasadena, Califórnia, e presidido por Zhang Wei, ex-apresentadora de TV, que vem cortejando estúdios para que produzam e adquiram filmes do Alibaba. 

Ela também fechou acordos com a Lionsgate e a Disney para exibir suas obras em TV por assinatura na China. Como o filme será escolhido? Não com algoritmos do tipo Netflix, mas com números de compra de entretenimento dos clientes. Só falta à empresa superar barreiras culturais nas negociações com os criadores.

> Você aplica quando…
>
> … imagina se sua empresa poderia crescer mais entrando em outro setor, assim como as companhias de tecnologia ao ingressarem na área de entretenimento. … procura interfaces entre seu setor atual e o novo – e as explora. … faz uma fase de testes para sentir o novo mercado e ajustar-se. … desenvolve modelos de negócio e de gestão que “combinem” os dois setores.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A escassez de talentos pode estar no processo seletivo

Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

O melhor profissional do time pode estar na lista de desligamento

Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Por que alguém ensinaria a IA a fazer o próprio trabalho?

Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ter mais robôs já não é suficiente

Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

A pergunta que todo treinamento deveria responder

Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 14H00
Um teste aparentemente simples, aplicado em uma fábrica japonesa, revela por que algumas organizações encontram talentos onde outras enxergam apenas falta de experiência. O artigo oferece uma perspectiva provocativa sobre a escassez de talentos e sobre como empresas podem identificar capacidades que currículos nem sempre conseguem revelar.

Marta Ferreira

7 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
13 de outubro de 2026 08H00
Nem sempre as pessoas que mais contribuem para os resultados são aquelas que aparecem melhor nos indicadores individuais. Em muitas organizações, existe um trabalho invisível que conecta equipes, transfere conhecimento, reduz conflitos e faz o restante do sistema funcionar. O artigo propõe uma reflexão sobre os limites dos modelos tradicionais de avaliação de desempenho e alerta para um risco pouco percebido: demitir quem sustenta as relações e a colaboração de um time pode custar muito mais do que qualquer planilha é capaz de mostrar.

Átila Persici Filho - Consultor de gestão estratégica, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e conselheiro de inovação

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
12 de outubro de 2026 18H00
Por trás de cada iniciativa de inteligência artificial existe uma negociação raramente explicitada. Compartilhar conhecimento, revisar respostas, adaptar processos e sustentar a transição exige tempo, esforço e exposição. Antes de atribuir a resistência à mudança a uma questão cultural, talvez seja preciso entender quais incentivos estão sendo oferecidos para que as pessoas escolham cooperar.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

9 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
12 de outubro de 2026 14H00
Durante anos, a automação corporativa esteve associada à eliminação de tarefas repetitivas e operacionais. Agora, uma nova etapa começa a ganhar espaço: a integração entre RPA, inteligência artificial, APIs e agentes autônomos para coordenar processos inteiros de ponta a ponta.

Daniel Torres - CEO da Roboteasy

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
12 de outubro de 2026 08H00
Por muito tempo, compliance foi visto como a última etapa antes da aprovação de um projeto. Hoje, organizações mais maduras estão adotando uma abordagem diferente: envolver a área desde o início para construir soluções viáveis, seguras e aderentes às expectativas de governança e integridade.

André Tourinho - Gerente de Integridade da Eldorado Brasil Celulose

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Cultura organizacional
11 de outubro de 2026 14H00
Treinamentos costumam ser vistos como solução para desafios de desempenho, cultura e transformação. Mas existe uma pergunta que raramente aparece nas discussões sobre desenvolvimento: o ambiente de trabalho favorece os comportamentos que a organização deseja incentivar? O artigo mostra por que o sucesso de qualquer programa depende menos do conteúdo ensinado e mais da coerência entre estratégia, liderança e mecanismos de gestão.

Lauro Xerfan Neto - Conselheiro empresarial, consultor e professor na USP EACH e na FIA LabFin Provar

10 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
11 de outubro de 2026 08H00
A saída de um pesquisador da Anthropic reacende um debate que está deixando os laboratórios e chegando às empresas: como garantir que sistemas de inteligência artificial cada vez mais autônomos continuem operando de forma previsível, segura e alinhada aos objetivos humanos?

Claudio Lucio - Pesquisador, professor e sócio-fundador da A3Data

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
10 de outubro de 2026 14H00
Se toda hora economizada pela tecnologia é imediatamente preenchida por outra demanda, talvez o problema não esteja nas ferramentas, mas na forma como organizamos o trabalho. O artigo discute por que produtividade e bem-estar não deveriam ser objetivos opostos e como a inteligência artificial está colocando essa contradição em evidência.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
10 de outubro de 2026 08H00
O que realmente importa para quem utiliza serviços financeiros é resolver uma demanda com segurança e agilidade. Em um setor cada vez mais digital, a vantagem competitiva estará menos na tecnologia em si e mais na capacidade de combinar automação e inteligência humana da forma certa em cada etapa da jornada.

João Pedro Brasileiro - CEO da Innovation Latam, Professor da Fundação Dom Cabral (FDC) e da XP Educação

3 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
9 de outubro de 2026 14H00
O artigo mostra por que a transição para o novo modelo tributário exige uma visão integrada da cadeia de suprimentos e alerta que a vantagem competitiva poderá estar menos na interpretação da legislação e mais na capacidade de adaptar processos, sistemas e operações antes que as mudanças se tornem obrigatórias.

Jade Lumi Satomi - Diretora de Indústria na nstech

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução