Comunidades: HR4T – HR For Tomorrow, Desenvolvimento pessoal, Carreira

Aprendizados olímpicos para a gestão de carreira

Precisamos ser corajosos para fazer nossas melhores escolhas de vida e carreira em um mundo em que a opinião do outro por vezes ressoa mais alto do que a nossa própria voz
Sócio diretor da Tailor | Headhunter & Estrategista de RH. É conselheiro de administração & advisory de startups e mentor de carreiras. Tem grande experiência em processos de identificação de talentos, transformação cultural e turnaround de modelos de negócio. É autor do livro *O acaso não existe*.

Compartilhar:

Nas últimas semanas, não se falou de outra coisa a não ser das Olimpíadas de Tóquio. Não tem como não se entreter com tantas modalidades esportivas diferentes, se empolgar com jogadas inacreditáveis, se surpreender com a técnica utilizada em esportes não populares ou, ainda, não se emocionar com as inúmeras histórias de vida e de superação dos atletas e seus familiares.

Em virtude disso, peço licença aos nossos esportistas consagrados no Japão para escrever este artigo a partir da história do atleta de marcha atlética, Caio Bonfim, recordista brasileiro na modalidade na Rio 2016, conquistando o 4º lugar na competição. Sua trajetória de vida e suas escolhas de carreira me trouxeram ensinamentos sobre [possibilidades, escolhas e a maturidade de saber priorizar](https://www.revistahsm.com.br/post/mudancas-na-carreira-correndo-para-ou-correndo-de) o que é importante para si.

## Avalie sua trajetória de vida
A estrada percorrida por Bonfim se enquadra em uma daquelas situações que as Olimpíadas nos fazem refletir sobre emocionantes [histórias de vida e superação](https://www.mitsloanreview.com.br/post/acabe-com-os-tabus).

Nascido e criado em Sobradinho, cidade-satélite de Brasília, antes das conquistas esportivas – certamente oriundas dos inúmeros treinos com a sua mãe, a ex-marchadora Gianetti Sena, oito vezes campeã brasileira de marcha atlética –, ele teve que superar desafios impostos pela vida.

Praticante de uma modalidade pouco conhecida pelo público, o atleta superou não só o preconceito de quem cruzava com ele treinando nas ruas de Sobradinho como também um problema que teve em suas pernas, que começaram a entortar quando ele ainda era criança.

Em reportagem veiculada pela TV Globo Brasília, Bonfim afirmou que o diagnóstico nunca foi descoberto. “Minhas pernas ficaram muito arqueadas. Fui a vários médicos e eles não sabiam o que era, até que um dia eu fui ao Hospital Sarah Kubitschek (centro de excelência em doenças ortopédicas em Brasília) e um médico me disse que, no máximo, eu seria jogador de dominó”, relatou o atleta

## E faça suas melhores escolhas de carreira
Contrariando o prognóstico médico, Bonfim traçou uma carreira no esporte e obteve conquistas significativas. Ao acompanhar a trajetória do atleta, identifico importantes lições que cabem como uma luva quando gerimos nossas vidas e carreiras, que destaco a seguir:

– __As olimpíadas não são feitas somente de três lugares no pódio.__ Muitas vezes, na vida e nas organizações, não valorizamos as pequenas conquistas que fazem parte do processo e que nos levam às grandes vitórias. No ano seguinte ao quarto lugar na Rio2016 – feito este que não é pequeno, vamos combinar –, Bonfim conquistou a primeira medalha de brasileira na modalidade, de bronze, no Campeonato Mundial de Atletismo, em Londres. Em 2019, foi medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos em Lima.

– __Não precisamos escolher somente os esportes populares e consagrados.__ Nós devemos pautar nossas escolhas pelo que os outros valorizam. Desligue o rádio (ou as notificações das redes sociais!) e foque na sua lojinha. Conheça seu propósito, suas crenças e valores e atue com foco nas suas metas e objetivos. Eles são importantes para você, então não os deixe de lado porque as pessoas não os apreciam. Apaixonado pela marcha atlética, Bonfim [está construindo sua marca no esporte](https://www.revistahsm.com.br/post/qual-e-o-seu-legado).

– __A sua missão não é apenas vir aqui e ganhar medalha.__ Cada pessoa tem a sua missão (ou várias). Se você ainda não tem, corra atrás e encontre a sua. Sonho e missão andam juntos, por isso tenha um sonho grande, porque sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho, como diz o ditado. O esporte de Bonfim ainda não é tão popular no Brasil, mas suas conquistas têm contribuído para que mais pessoas o conheçam e comecem a praticá-lo. E essa missão é, por si só, muito valiosa.

– __Apesar das adversidades, você pode inspirar novas gerações.__ Em nossas vidas profissionais, mesmo distantes das pistas e dos holofotes, devemos ter consciência que podemos ser exemplo para os mais jovens. Ao contribuir com a formação das futuras gerações, nas mais diversas áreas de atuação, estamos construindo o futuro da nossa nação. Os desafios e obstáculos existirão e é preciso lidar com eles com sabedoria e resiliência.

Refletindo sobre seu resultado na Rio2016, Bonfim disse: “não teve um dia em que saí às ruas e que não fui xingado ou fui motivo de piada. Mas quando você tem o apoio da família e amigos, dá o seu melhor e vira o quarto melhor do mundo, você vê que você pode”. E abre o caminho para que outros também vejam que são capazes.

Percebo que, atualmente, vivemos em busca da aprovação e validação do outro, onde o que as outras pessoas pensam tem mais valor do que o nosso propósito, valores e objetivos. Por isso, baseado nesta história do Caio, sugiro que façamos escolhas em nossas vidas e em nossas carreiras alinhadas ao que nós acreditamos. Somente assim, [nos tornamos pessoas corajosas](https://www.revistahsm.com.br/post/a-coragem-de-ser-autentico) – que agem com o coração – para saber o que podemos, mas também para ter a clareza do que não precisamos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A inteligência agridoce: a competência que o futuro exige das líderes

Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Acessibilidade sem inteligência cultural é inclusão pela metade

Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Organizações não mudam quando as pessoas mudam. Mudam quando os sistemas mudam.

Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

O novo Marco Legal pode recolocar o transporte coletivo nos trilhos

Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de julho de 2026 14H00
Enquanto parte do mercado ainda vê a indústria como “velha economia”, empresas como WEG e John Deere mostram uma realidade diferente: na era da inteligência artificial, o ativo mais valioso pode não ser o algoritmo, mas os dados únicos gerados por ativos físicos que ninguém mais consegue reproduzir.

Átila Persici - COO da Bolder

8 minutos min de leitura
Liderança
29 de julho de 2026 07H00
Embora a presença feminina no mundo do trabalho tenha avançado de forma consistente nas últimas décadas, os desafios permanecem. Neste artigo, a autora propõe uma mudança de perspectiva: menos foco nos obstáculos e mais atenção às alavancas capazes de impulsionar transformações. Entre elas, destaca-se uma competência cada vez mais valiosa em tempos de incerteza: a capacidade de administrar paradoxos e liderar pela lógica do “E”, integrando eficiência e inovação, resultado e cuidado, racionalidade e sensibilidade.

Betania Tanure - PhD, Sócia fundadora da BTA, membro do Conselho de Administração do Magalu e da MRV e cofundadora do Grupo Mulheres do Brasil

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 14H00
Rampas, tecnologias assistivas e conformidade regulatória são apenas o ponto de partida da inclusão. Entre a conformidade técnica e a adoção real existe um elemento frequentemente negligenciado: a cultura. Este artigo explora como a Inteligência Cultural pode determinar o sucesso ou o fracasso de estratégias globais de inclusão.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor e Clara Choen - Fundadora da Savant Consulting

12 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
28 de julho de 2026 08H00
Inspirado pelo legado de Oscar Motomura, o artigo questiona uma das crenças mais difundidas da gestão contemporânea: a ideia de que a transformação acontece apenas por meio das pessoas. A verdadeira mudança, argumenta o autor, depende da capacidade de revisar as estruturas invisíveis que moldam comportamentos, decisões e culturas organizacionais.

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

5 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
27 de julho de 2026 14H00
Após anos de perda de passageiros e desafios financeiros, o transporte coletivo brasileiro ganha um novo marco regulatório que busca ampliar fontes de financiamento, reduzir desequilíbrios tarifários e criar condições para mais investimentos em qualidade, eficiência e experiência do usuário.

Vinicius Ladeira - Diretor Adjunto Nacional do SEST SENAT

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
27 de julho de 2026 08H00
Enquanto o debate sobre inteligência artificial continua concentrado em modelos, automação e produtividade, uma outra transformação acontece nos bastidores: a tensão gerada entre a democratização e a concentração de poder que pode definir a próxima fase da economia global.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

8 minutos min de leitura
Liderança
26 de julho de 2026 13H00
Após décadas em grandes empresas, o autor trocou a segurança da carreira corporativa pelo desafio de empreender na gastronomia. Nesta reflexão, mostra por que os princípios que sustentam uma multinacional - planejamento, processos, gestão financeira e foco no cliente - são exatamente os mesmos que garantem o sucesso de um restaurante.

Caio Fontenelle - Fundador dos restaurantes Figueira, Oliv e Pepper Jack

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
26 de julho de 2026 07H00
A IA pode economizar horas em atividades operacionais, mas seu maior valor talvez esteja em outro lugar: ampliar perspectivas, conectar ideias e elevar a qualidade das decisões. O desafio é entender quando estamos ganhando velocidade e quando estamos construindo algo melhor.

Isabela Corrêa - Cofundadora da People Strat

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
25 de julho de 2026 14H00
Muitas organizações ainda tratam o engajamento como uma característica individual, quando ele é, em grande parte, resultado do contexto que a liderança constrói. Este artigo mostra como confiança, autonomia, segurança psicológica e qualidade das relações influenciam diretamente a disposição das pessoas para inovar, colaborar e gerar resultados sustentáveis.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

3 minutos min de leitura
Liderança
25 de julho de 2026 08H00
Convidada pelo governo japonês para participar da primeira Convenção de Mulheres realizada no Japão, Chieko Aoki conta como uma experiência inesperada revelou a força da colaboração feminina e o impacto das redes de apoio na construção de lideranças.

Chieko Aoki - Fundadora e presidente da Blue Tree Hotels

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo