Business content

Aprendizagem digital é caminho para aprimorar colaboradores e turbinar negócios

Pesquisa mostra que a aprendizagem digital ainda tem espaço para crescer nas organizações. Duas grandes empresas mostram como
É jornalista, colaborador de __HSM Management__ e __MIT Sloan Review Brasil__, autor dos livros Esquina Maldita e Rua da Margem - Histórias de Porto Alegre, além de editar o portal do Rua da Margem.

Compartilhar:

Em um contexto de mudanças aceleradas pela transformação digital, desenvolver as competências certas é imprescindível para o crescimento e a inovação. É neste sentido que as empresas estão explorando novas maneiras de ampliar a aquisição de habilidades técnicas e socioemocionais.

À medida que a tecnologia revoluciona a forma de aprender e crescer no ambiente de trabalho, os modelos de aprendizagem também precisam evoluir para de fato aprimorar o desempenho dos funcionários e turbinar os resultados da organização. Para medir essa realidade, a CrossKnowledge foi a campo e realizou uma pesquisa global.

Especialista em soluções de aprendizagem digital, a CrossKnowledge avaliou o nível de maturidade dos ambientes de educação corporativa de 198 organizações de todos os continentes. O [Relatório Global de Maturidade em Educação Digital](https://www.google.com/url?q=https://page.crossknowledge.com/Relatorio-Global-Maturidade-Educacao-Digital-Infografico-BR.html&sa=D&source=docs&ust=1645651471253128&usg=AOvVaw0ltYhrbDsvQ8CinX2-JJjU) concluiu que C-levels, diretores e gerentes veem a educação digital de maneira mais favorável em comparação aos demais colaboradores.

“Eu acredito que um C-level considere outros aspectos tecnológicos isolados, como ferramentas corporativas, e seu próprio entendimento tecnológico para considerar a maturidade digital de suas companhias”, diz Pedro von Gal, client success project manager da Crossknowledge.

Ela acrescenta que, a rigor, um executivo C-level sofre menos pressão para fazer os cursos obrigatórios e entrar na plataforma de aprendizagem – diferentemente dos usuários intermediários, que são cobrados para realizar tarefas e também treinamentos obrigatórios.

O Relatório Global de Maturidade em Educação Digital mostrou ainda que os departamentos de tecnologia e desenvolvimento são os que depositam nível de confiança mais alto (68% ante 18% de RH e 14% para outras funções) na educação digital. Por outro lado, há setores que até se revelam céticos quanto ao tema.

Para von Gal, a conclusão do estudo coloca o time de desenvolvimento humano e organizacional (DHO) diante de um grande desafio. Segundo ele, os dados do relatório comprovam que “a maturidade digital não pode ser avaliada somente pelo aspecto técnico, que é a parte mais fácil, ela deve considerar também o aculturamento digital e o bom uso dessas ferramentas”.

A pesquisa da CrossKnowledge indicou ainda que, quanto maior o porte da organização em número de colaboradores, maior também é a percepção da maturidade em educação digital. Por fim, ao avaliar as dimensões que oferecem potencial mais elevado de crescimento, foi constatado um equilíbrio bastante acentuado, com a rubrica “alunos” à frente (51%) de “arquitetura de aprendizagem” (48%) e “experiência de aprendizagem” (49%).

De acordo com von Gal, todos os pontos da pesquisa, se analisados de maneira isolada ou complementar, refletem “o investimento da energia da empresa em desenvolver competências com um aprendizado personalizado, tentando alinhar as prioridades estratégicas globalmente”.

Embora indicadores como NPS (metodologia utilizada para medir a satisfação do cliente) sejam importantes, é necessário avaliar todos os itens envolvidos no ecossistema digital. “Isso precisa ser cruzado com outras informações dentro da organização, por exemplo, se a estratégia está ligada ao resultado do negócio e se a adesão à cultura de aprendizado digital está clara para todos os colaboradores. Esses indicadores ditam o caminho que a empresa deve seguir em termos de maturidade digital”, afirma o client success project manager da Crossknowledge.

## Uma disputa pela atenção

Quando o colaborador de uma empresa toma o celular em suas mãos, ele tem na ponta dos dedos uma infinidade de opções – Instagram, Twitter, Facebook, Netflix, Spotify e muitos outros aplicativos de lazer e entretenimento, que disputam a preferência do usuário a cada segundo. É nesse ambiente que as plataformas de educação corporativa digital navegam. Por isso, é bom que se utilizem das mesmas armas.

“Todo mundo já teve uma mãe que obrigava a estudar”, diz, com bom humor, Elisa Faeda Pierobom. Ela é diretora de gente e gestão da Shoulder, empresa que atua na produção e no varejo de moda feminina. “Mas, hoje em dia, a gente sabe que ninguém aprende porque a mãe mandou. O desafio é produzir conteúdo que atenda às necessidades dos colaboradores com uma navegação simples, boa e agradável. A nossa briga é pela atenção das pessoas”, define ela, acrescentando que a inteligência artificial é a grande aliada dessa disputa.

Em seguida, Pierobom faz uma comparação para deixar o raciocínio ainda mais claro: “Quando a Netflix sugere aquele filme que já estava na nossa cabeça, achamos que o aplicativo adivinhou. Mas isso é resultado do uso de algoritmos”.

A Shoulder é um exemplo de empresa que atingiu elevado grau de maturidade em educação digital. A companhia já trabalha há sete anos com uma universidade corporativa construída na plataforma da Crossknowledge, denominada Academia Shoulder no âmbito interno. Com 80 lojas espalhadas pelo Brasil, conta com cerca de mil colaboradores, sendo metade alocada no varejo, outros 300 na sede da empresa, em São Paulo, e o restante na fábrica de Campo Grande (MS).

Uma das principais estratégias adotadas pela empresa é a descentralização da produção do conhecimento a ser compartilhado dentro da organização. Isso significa que cada área é responsável pelas informações de sua especialidade, as quais serão repassadas aos demais setores por meio da plataforma digital.

Evidentemente, a equipe de RH participa ativamente da construção do processo de distribuição do conhecimento. É o time que aponta caminhos e soluções. Mas, em última instância, a produção de conteúdo é responsabilidade da área técnica à qual está relacionado.

Como era de se esperar, os efeitos positivos da estratégia da Shoulder se manifestam de diferentes maneiras. De um lado, cada setor é estimulado a se envolver por completo no processo de educação corporativa. De outra parte, o conhecimento técnico (conforme a especialidade) ganha visibilidade por toda a organização. “Eu diria que essa forma descentralizada de produzir conteúdo é o coração da Academia Shoulder”, afirma Elisa.

O.k., mas como funciona na prática? A diretora de gente e gestão da Shoulder relata que, desde a criação de um novo produto, existe a preocupação de produzir conhecimento para ser compartilhado com todas as áreas da companhia. Assim, o processo criativo do produto é documentado para que possa impulsionar as vendas lá adiante.

“A pessoa que criou a coleção é responsável por traduzir a essência daquele produto para a funcionária que trabalha no varejo e, desse modo, ajudá-la a vender melhor aquela roupa e a fidelizar o cliente”, assinala Elisa Pierobom. Em outras palavras, a capacitação faz parte da estratégia de lançamento do produto, o que revela o grau de maturidade da organização.

Paralelamente, a plataforma digital permite entregar um conteúdo de qualidade para um público extremamente diversificado. “Temos na empresa desde senhorinhas costureiras até jovens descolados na ponta do varejo. Ainda assim, a adesão é impressionante”, diz a gestora. Não à toa, os índices de engajamento da plataforma giram em torno de 96% a 97% ao longo dos últimos anos.

Outro sinal de maturidade do processo de educação corporativa da Shoulder é a homogeneidade de desempenho das lojas. “Esse indicador é muito visível para nós. Antes, havia uma discrepância entre os resultados de lojas já estabelecidas e de outras recém-abertas, ou que contavam com novas gerentes. Agora, todas apresentam desempenhos alinhados”, comenta Pierobom.

Mesmo durante o período mais duro da pandemia, a empresa não promoveu desligamentos no quadro de colaboradores. Além de solidariedade às famílias, a decisão foi tomada para preservar as conquistas do processo de educação corporativa.

“Investimos tanto no desenvolvimento das pessoas que não seria uma atitude inteligente que abríssemos mão delas por causa de um período de dificuldades. Resolvemos segurar as equipes com unhas e dentes. Afinal, demoramos alguns anos para atingir esse ponto de amadurecimento e não queríamos colocar tudo a perder”, pondera a gestora.

## Educação digital embaixo da terra

Já a Nexa Resources (empresa de mineração e metalurgia, com ênfase em zinco e cobre, que integra o Grupo Votorantim) encontra-se em outro ponto da jornada: ainda prepara as bases para consolidar um programa de educação corporativa digital.

Os indícios são de que chegará a um resultado consistente. Um dos maiores desafios da companhia é conseguir disseminar conhecimento altamente técnico ao contingente de 10 mil colaboradores, distribuído por uma vasta região, que inclui desde os estados brasileiros de Minas Gerais e do Mato Grosso até uma parte do Peru.

“Essa é uma atividade que exige know-how muito específico. Não se acha pessoa para fazer mineração em qualquer lugar. É preciso ensinar”, diz Talita Fernandes, gerente de desenvolvimento de talentos e transformação da Nexa Resources.

Se, neste contexto, a educação corporativa já se constitui em um enorme desafio, a dificuldade é ainda maior levando em conta que grande parte dos funcionários trabalha em áreas remotas, inclusive, embaixo da terra. Por essa razão, a escolha da plataforma digital da Crossknowledge se mostrou adequada.

“Hoje, temos hubs dentro de minas subterrâneas”, afirma Fernandes. Há que se levar em conta também que, afora a questão propriamente técnica, a Nexa Resources preza fortemente por uma educação de segurança e sustentabilidade, que são pilares da linha de atuação adotada pela companhia.

A executiva alerta ainda que, apesar das dificuldades de infraestrutura, a prática vem demonstrando que a principal questão a ser resolvida no processo de evolução da educação digital da Nexa Resources é a mudança de mindset. Foi preciso alterar a mentalidade das pessoas para que elas percebessem que é possível fazer educação corporativa de qualquer lugar pelo formato online.

Mais que isso, para mostrar a elas o impacto da nova forma de treinar e se capacitar no negócio e na vida delas. “É claro que estamos pensando na perpetuidade do negócio, mas também buscamos ampliar ao máximo as potencialidades das pessoas. Temos que impactar a carreira e a vida delas”, complementa a executiva.

Em última instância, trata-se de uma grande transformação cultural dentro da empresa, como observa Paula Suarez, consultora de DHO da Nexa Resources. Não custa reforçar que a companhia tem operações em diferentes países e regiões geográficas, incluindo montanha, mar e zonas urbanas, o que implica, necessariamente, diferentes abordagens sobre a evolução da educação corporativa. A implantação das novas formas de aprendizado envolveu, por isso, as lideranças de todas as unidades.

“Sabemos que nosso maior desafio é o aspecto humano, e isso requer um processo de escuta, influência e simpatia”, conclui Suarez.

Compartilhar:

Artigos relacionados

E se envelhecer não fosse apenas uma consequência do tempo?

Pesquisas recentes indicam que o envelhecimento biológico pode ser medido, acompanhado e, em determinadas dimensões, influenciado. A partir dessa nova compreensão, cresce o interesse por abordagens capazes de identificar riscos precocemente e promover trajetórias de saúde mais duradouras ao longo da vida.

Por que a IA se tornou membro essencial em equipes de manutenção preditiva?

A evolução da manutenção preditiva está levando a inteligência artificial para além da detecção de falhas. Sistemas multiagentes especializados começam a atuar como apoio para diferentes perfis profissionais, conectando análises técnicas, indicadores operacionais e recomendações de ação em um único fluxo de trabalho. O resultado é uma tomada de decisão mais rápida, contextualizada e alinhada às necessidades da operação.

Estamos dispostos a arriscar o futuro da humanidade pelo resultado no curto prazo?

Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

O papel dos lubrificantes nos 70 anos da indústria automotiva no Brasil

A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Smart Sampa: vazamento de senhas expõe o desafio de proteger uma cidade monitorada por milhares de câmeras

O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Bem-estar & saúde
29 de outubro de 2026 15H00
Pesquisas recentes indicam que o envelhecimento biológico pode ser medido, acompanhado e, em determinadas dimensões, influenciado. A partir dessa nova compreensão, cresce o interesse por abordagens capazes de identificar riscos precocemente e promover trajetórias de saúde mais duradouras ao longo da vida.

Natalia Gonçalves - Superintendente Pesquisa & Desenvolvimento e Diretora Instituto de Ensino e Pesquisa (IEPD) da Dasa

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
29 de outubro de 2026 08H00
A evolução da manutenção preditiva está levando a inteligência artificial para além da detecção de falhas. Sistemas multiagentes especializados começam a atuar como apoio para diferentes perfis profissionais, conectando análises técnicas, indicadores operacionais e recomendações de ação em um único fluxo de trabalho. O resultado é uma tomada de decisão mais rápida, contextualizada e alinhada às necessidades da operação.

Bernardo Murta - Principal Engineer da Dynamox

3 minutos min de leitura
Estratégia
28 de outubro de 2026 15H00
Quando compreendemos que nossas decisões impactam pessoas que ainda nem nasceram, o futuro deixa de ser uma ideia abstrata e passa a exigir compromisso concreto. A partir de uma visão inspirada nos saberes indígenas e na interdependência entre pessoas, comunidades e natureza, o texto defende a construção de respostas coletivas para problemas que exigem uma compreensão mais ampla e integrada da realidade.

Alexandre Farias Benjamim, - Sociólogo e membro do Conselho Fiscal da Sustentalli

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
28 de outubro de 2026 08H00
A trajetória dos lubrificantes automotivos acompanha os principais marcos da indústria automotiva brasileira. Com a chegada de motores mais eficientes, exigências ambientais mais rigorosas e a expansão da eletrificação, o setor precisou inovar continuamente para atender novas demandas e permanecer relevante em um cenário de transformação da mobilidade.

Marcelo Martini - Gerente de Vendas do Aftermarket da FUCHS

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de outubro de 2026 15H00
O debate sobre videomonitoramento e inteligência artificial não se limita aos benefícios dessas ferramentas. Ele também envolve questões como governança, controle de acessos, transparência e proteção de dados. O artigo analisa como incidentes e questionamentos recentes reforçam a importância de mecanismos de supervisão capazes de garantir que tecnologias de segurança operem de forma confiável e responsável.

Afonso Morais - Fundador do escritório Pardi e Morais Consultores Jurídicos e Criador e apresentador do podcast Falando de Fraudes

6 minutos min de leitura
Estratégia
27 de outubro de 2026 08H00
Na teoria, cada contato acontece no momento certo e segue o fluxo previsto. Na prática, volume, prioridades e limitações operacionais exigem adaptações constantes. O desafio das empresas não é criar estratégias perfeitas, mas garantir que elas resistam às pressões do dia a dia sem perder seu propósito original.

Guilherme Busch - VP da Paschoalotto

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de outubro de 2026 15H00
Quando a visibilidade se transforma em critério implícito de reconhecimento, profissionais podem passar a priorizar projetos que geram exposição em detrimento daqueles que realmente precisam ser feitos. O artigo explora como o loud working pode afetar a colaboração e a dinâmica das equipes.

João Paulo Batistella - Fundador e CEO da Eleva Technologies,

3 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
26 de outubro de 2026 08H00
De onde vem o termo, o que existe ao redor de um agente e por que transformar capacidade de raciocínio em trabalho confiável é uma decisão de gestão, não apenas de tecnologia.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

10 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
25 de outubro de 2026 14H00
À medida que a inteligência artificial transforma funções, processos e competências, cresce a pressão sobre as áreas de Recursos Humanos para encontrar profissionais preparados para um cenário de constante transformação. O desafio não é apenas contratar talentos, mas desenvolver a capacidade de adaptação dentro das organizações.

Daniela Camargo - Head of People & Culture da VOLL

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
25 de outubro de 2026 08H00
Os efeitos das mudanças climáticas já são sentidos em diferentes regiões do planeta e tendem a se intensificar nas próximas décadas. Mais do que reagir aos desastres quando eles acontecem, o texto defende uma abordagem baseada em prevenção, planejamento e uso estratégico da tecnologia para reduzir vulnerabilidades e aumentar a capacidade de adaptação.

Álvaro Trilho - Diretor de Riscos da WTW Brasil

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução