Carreira
Oferecido por:

As competências do futuro, hoje

É preciso aprender, reaprender e desaprender em tempo real
Global CHRO da Minerva Foods e Board Member das startups DataSprints e Leo Learning. Sócio Fundador da AL+ People & Performance Solutions, empresa que atuo como Coach Executivo de CEOs formado pela Columbia University, Palestrante e Escritor. Conselheiro de Empresas certificado pelo IBGC, Psicólogo com MBA pela Universidade de São Paulo e Vanderbilt University com formação em RH Estratégico Avançado pela Michigan University. Executivo sênior com passagens em posições de Liderança Global e América Latina de áreas de Pessoas, Cultura, Estratégia e Atendimento ao Cliente em empresas como Neon, Dasa, Itaú Unibanco e MasterCard. Professor de Gestão de Pessoas do Insper e Professor convidado do MBA da FIA/USP. Colunista das revistas HSM Management e da Época Negócios.

Compartilhar:

Fui reprovado em mais de vinte processos seletivos de estágio quando faltavam sete meses para a formatura. Eu procurava uma oportunidade para ser efetivado, já que na empresa pública em que eu trabalhava essa chance era zero. Apesar das várias negativas, não desisti.

A cada não que eu recebia, tentava entender o que deu errado e ajustava a minha abordagem. Finalmente a oportunidade veio. Fui contratado como estagiário do Grupo Amil, com uma regra, no mínimo, curiosa: “não pergunte sobre sua efetivação”. Pelos corredores, dizia-se que era impossível ser efetivado. Não dei ouvidos. Fiz o meu melhor.

Sem dúvidas os nãos iniciais me fortaleceram e me ajudaram a ser, em quatro meses, o mais novo contratado da empresa. E três anos depois, promovido a gerente de RH, fui transferido do Rio de Janeiro para São Paulo aos 25 anos.  

A adversidade desperta em nós capacidades que, em circunstâncias favoráveis, teriam ficado adormecidas, como dizia o poeta Horácio. Não há vergonha alguma em ser reprovado, mas sim em desistir da luta, ou manter o discurso e a tática em time que está perdendo. 

Esses dias, assistindo a uma reportagem de TV, senti que muitos brasileiros não têm medo de reprovação, mas não sabem como mudar a estratégia de busca de empregos e avaliação de novas carreiras.

A matéria mostrava uma jovem mãe desempregada em busca de oportunidades no mercado de trabalho. Ela atuava no comércio, mas foi demitida durante a pandemia. A personagem entregava o currículo físico, de loja em loja. A cada não que recebia, com sorriso no rosto, ela falava ao repórter que ela tentaria no próximo estabelecimento comercial. Ao final, a reportagem mostrou o obvio: ela não conseguiu atingir seu objetivo.

Não sei sobre as habilidades que a moça dispunha – a reportagem não abordou esse tema – mas um telespectador atento ao contexto do mercado de trabalho saberia que essa estratégia não teria um efeito positivo.

Primeiro, a [pandemia](https://revistahsm.com.br/post/o-poder-da-empatia-dos-ceos-durante-a-pandemia) acertou em cheio o comércio, não houve contratações no segmento, mas sim demissões com muitos negócios fechando durante a quarentena.

Segundo, com a aceleração da transformação digital, a forma de contratação de porta em porta deve, aos poucos, desaparecer, inclusive no comércio, segmento que antes da pandemia ainda resistia à digitalização dos processos.  

## Tsunami da transformação digital 

O progresso tecnológico está permitindo que as máquinas concluam em minutos muitas das tarefas que antes exigiam esforço de tempo e paciência dos seres humanos. Essa nova revolução da automação já estava redesenhando os empregos em um passado recente, mas surgiu como um tsunami no mercado de trabalho por conta da pandemia. 

Quase todos os segmentos estão sendo transformados, alguns profundamente. É o caso do comércio, que tende a usar formatos híbridos entre o digital e o físico. E os empregos são inclinados a acompanhar essas mudanças. O vendedor nota dez do contato presencial pode não ter as habilidades exigidas para exercer um bom trabalho nesse novo formato online.

Na indústria, muitos profissionais competentes em suas funções podem ter seus empregos ameaçados porque não conseguiram surfar na onda de conhecimentos digitais, e não por falta de oportunidades no mercado. 

O problema que enfrentamos globalmente é que a esmagadora maioria dos trabalhadores de hoje precisará desenvolver novas habilidades num espaço curto de tempo. Para tanto, será necessário um pacto entre governos, empresas e indivíduos para a busca dessas novas skills. 

Como costumo postar nas redes sociais, os profissionais de hoje precisaram aprender, reaprender e desaprender. É necessário fazer um “*reset yourself”* na maneira em que o conhecimento é aprendido. Longe o tempo em que as competências adquiridas em uma graduação manteriam as pessoas no mercado de trabalho pela vida inteira. A agilidade das transformações é em tempo real – o que aprendemos agora, amanhã pode não ser mais útil.

Por isso, a preparação para esse futuro do trabalho, que eu digo que já é passado, é um dos principais problemas de negócios de nosso tempo. Não há tempo hábil para uma formação acadêmica de profissionais com a atual demanda reprimida no mercado. Essa transformação exige quase que uma instantaneidade do conhecimento. 

## Habilidades esperadas do profissional 

Como salientado no livro “The second machine age”, as novas tecnologias fazem hoje pelo intelecto humano o que os motores a vapor fizeram a nossa forma muscular durante a revolução industrial – as potencializam.

Portanto, é esperado dos profissionais do futuro papéis mais centrados em tarefas cognitivas estritamente humanas, tais como comunicação não-violenta, colaboração, adaptação às novas demandas e criatividade. Estas habilidades ajudam a descobrir novas perspectivas, geraram ideias inovadoras e estabelecem conexões emocionais, competências muito disputadas pelas empresas, em especial, em cargos de liderança

Precisamos nos reinventar todos os dias para um novo cenário. De acordo com pesquisa conduzida pelo Fórum Econômico Mundial, daqui a cinco anos, 35% das habilidades que hoje são consideradas essenciais vão mudar. Assim sendo, não há como buscarmos os mesmos resultados se não mudarmos nossas estratégias. 

Todos nós já fomos demitidos e estamos em fase de transição, empregados ou não. A questão é como nos desapegamos do velho normal para seguirmos adiante no novo normal de cada dia. A minha dica é: [olhe para o futuro](https://revistahsm.com.br/post/planejar-ou-nao-planejar-a-carreira-eis-a-questao) e fortaleça seus conhecimentos. O conhecimento é um poder potencial, que só vira aprendizado depois de ser aplicado na prática.

Ganhamos conhecimento quando lemos, ouvimos, assistimos. Começamos a transforma-lo em aprendizado quando debatemos, aplicamos e compartilhamos. Porque quanto mais compartilhamos, ensinamos. E quando ensinamos, aprendemos. 

Para finalizar e iluminar o nosso progresso na jornada do aprendizado, cito a tríade virtuosa ressaltada pelo filósofo e monge inglês Beda: generosidade, coerência e a humildade. Generosidade para ensinar o que sabemos. Coerência para praticar o que ensinamos. Humildade para perguntar o que não sabemos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Thought leadership: quando a ideia vale mais que a visibilidade

Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

A IA não vai tornar o trabalho mais humano. Nós é que precisamos fazer isso.

A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Por que você deve reconsiderar a rota enquanto ela ainda funciona

Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Diversidade não é tendência. É teste de autenticidade.

Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Cultura organizacional, Comunicação, Estratégia
1º de outubro de 2026 14H00
Palcos, entrevistas e redes sociais ampliam alcance, mas não constroem autoridade por si só. O artigo explora como empresas e executivos podem desenvolver influência genuína em um cenário em que a confiança se tornou mais pessoal, mais seletiva e cada vez mais vinculada à qualidade do pensamento que produzem e compartilham.

Caetano Tona - Fundador da Life Lab, TEDx Organizer e Professor de Comunicação na ESPM

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
1º de outubro de 2026 08H00
A tecnologia está mudando a forma como criamos, trabalhamos e tomamos decisões. Mas existe uma diferença fundamental entre processar informação e acumular vivência. O artigo propõe uma reflexão sobre pensamento crítico, criatividade e o papel das chamadas “power skills” em um cenário onde a inteligência artificial amplia capacidades, mas não substitui experiências humanas.

Carol Martins - CEO da SOAP

Oferecido por SOAP
3 minutos min de leitura
Estratégia e Execução
30 de setembro de 2026 14H00
Poucos elementos são tão perigosos quanto um sistema que parece funcionar bem o suficiente para não ser questionado. No universo das parcerias, resultados de curto prazo podem mascarar desalinhamentos estratégicos, limitações de escala e modelos que já não atendem às necessidades futuras da empresa.

Juliana Tubino - Cofundadora do Ecossistema Octo e coautora do best-seller Ecossistema de Parceiros: Método Octo.

6 minutos min de leitura
ESG
30 de setembro de 2026 08H00
Dados recentes mostram uma queda significativa na representação de grupos historicamente sub-representados na comunicação das empresas. Mais do que uma questão de imagem, a mudança reacende discussões sobre consistência, coragem institucional e a capacidade das marcas de sustentar seus valores quando eles deixam de ser consenso.

Dilma Campos - Copresidente da Mark Up

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Cultura organizacional, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 14H00
Dois jovens iniciaram a carreira no mesmo programa de trainees, com formações semelhantes e perspectivas promissoras. Trinta anos depois, vivem realidades profissionais e financeiras muito diferentes. A partir dessa história, o artigo propõe uma reflexão sobre como empresas podem contribuir para trajetórias mais sustentáveis e equitativas ao longo de toda a vida.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora nas áreas de Diversidade Geracional, Etarismo e Longevidade

10 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
29 de setembro de 2026 08H00
Enquanto algumas organizações reduzem contratações de profissionais em início de carreira graças aos ganhos de produtividade proporcionados pela inteligência artificial, outras fazem exatamente o oposto e ampliam seus programas de formação. O motivo é simples: toda vaga júnior eliminada hoje pode se transformar em uma escassez de profissionais experientes amanhã.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
28 de setembro de 2026 14H00
Lideranças são constantemente cobradas a desenvolver equipes engajadas, seguras e resilientes. Mas o que acontece quando elas recebem a responsabilidade pela mudança sem tempo, recursos ou autonomia para promovê-la? Uma reflexão sobre o limite entre responsabilidade individual e responsabilidade organizacional.

Indira Leite - Consultora em Educação Corporativa e Mestre em Psicologia Organizacional, Especialista em Engajamento de Equipes.

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
28 de setembro de 2026 08H00
Conversar com um assistente para resolver uma demanda parece simples para o usuário. Para as organizações, porém, isso exige uma transformação muito mais profunda: explicitar processos, organizar capacidades de negócio e construir uma arquitetura capaz de conectar intenção, decisão e execução de forma confiável. É nesse encontro entre inteligência artificial e arquitetura headless que surge uma nova lógica para o futuro das operações empresariais.

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

12 minutos min de leitura
Cultura organizacional
27 de setembro de 2026 14H00
O artigo mostra como o recuo estratégico do ego, a escuta hospitaleira e a responsabilidade pelo vínculo podem transformar relações em uma poderosa infraestrutura de alta performance.

Daniela Cais - Designer de Relações Profissionais, TEDx Speaker, Mentora de Comunicação para Carreiras e Negócios

6 minutos min de leitura
Diversidade, ESG, Gestão de pessoas
27 de setembro de 2026 08H00
Inovação não garante inclusão por si só. Para que a inteligência artificial amplie oportunidades para pessoas com deficiência, será necessário combinar tecnologia, governança, acessibilidade e mediação humana qualificada.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução