Diversidade

As dimensões da diversidade

O aumento da consciência sobre as nuances de DEI ao longo do tempo foi se estruturando em diferentes dimensões, tratadas em novo livro
Fundadora da #JustaCausa, do programa #lídercomneivia e dos movimentos #ondeestãoasmulheres e #aquiestãoasmulheres

Compartilhar:

No final de 1998, ouvi pela primeira vez o termo “biodiversidade brasileira”. Eu havia acabado de assumir a liderança da comunicação de produtos da Natura e entrei para o time multidisciplinar de desenvolvimento da linha Natura Ekos. Naquela época, eu ainda era solteira e o mundo não era digital nem global, muito menos conectado em rede. Mas foi ali que comecei meu processo de letramento em sustentabilidade e minha conscientização de que a vida é um encadeamento de relações. Tudo está relacionado: eu comigo mesma (corpo, mente e espírito), eu e as outras pessoas, eu e o planeta.

No começo de 2011, quase 13 anos depois, já casada há uma década e mãe de duas meninas de sete e cinco anos, assumi a liderança da área de comunicação da GE no Brasil e comecei a fazer parte do grupo global de afinidade de mulheres da empresa, o Women´s Network. Ele existia desde 1997 para compartilhar experiências, melhores práticas e o conhecimento de mulheres bem-sucedidas na GE, além de promover o talento feminino e definir políticas que gerassem a inclusão, equidade e diversidade na empresa.

Aquela era uma discussão inédita na minha vida profissional e, sendo bastante franca, ainda não fazia muito sentido para mim. Mas, como mulher líder, eu precisava dar o exemplo e me engajei no grupo, no melhor estilo “fake it until you make it”. Aos poucos fui entendendo o quanto precisávamos falar e agir para que a empresa fosse um reflexo da sociedade para a qual trabalhávamos. Tanto foi assim que, em 2013, fui uma das aliadas fundadoras do grupo LGBT na GE do Brasil.

Em 2014, no início da Copa do Mundo no Brasil, assumi a liderança da área de comunicação da Goodyear na América Latina e descobri, num misto de orgulho e estranhamento, que eu era a primeira mulher a fazer parte da diretoria regional da empresa em 99 anos. Eu estava tão acostumada a não ter e nem ver mulheres líderes CEOs, vice-presidentes, diretoras ou conselheiras que levei quase um ano para entender que “ser a primeira” a ocupar uma posição de poder, na segunda década do século 21, não era “normal”.

Esse entendimento aconteceu em maio de 2015, quando a Amcham me convidou para contar minha história em um fórum de liderança feminina e eu me dei conta de que, praticamente, não havia mulheres nas posições de alta liderança em nenhuma esfera, pública ou privada, da nossa sociedade. Foi nesse momento que olhei para minhas meninas e entendi que eu precisava fazer tudo o que estivesse ao meu alcance para transformar essa realidade e deixar o mundo melhor, mais justo e igualitário para elas.

Nesses sete anos, muita coisa aconteceu. Para começar, recusei um convite para ir trabalhar em Akron, Ohio. Meu lugar é aqui, no meu país. Criei o movimento social digital #ondeestãoasmulheres, que questiona a falta de representatividade de mulheres nas esferas de poder e o #aquiestãoasmulheres, movimento de sororidade que evidencia e visibiliza nossa presença, pioneirismo e protagonismo em todos os cantos e áreas de conhecimento e atuação.

Entre 2016 e 2017, liderei a área de comunicação, relações públicas e sustentabilidade da J&J Consumo na América Latina, onde fui uma das líderes do grupo de mulheres e membro fundadora do comitê de inclusão e diversidade da empresa na América Latina. Sei o quanto minha indignação com a ausência da diversidade racial “corporativa”, em pleno ano de 2017, ajudou a incluir e acelerar essa pauta por lá.

De 2018 a 2021, tive o privilégio de atuar como consultora em vários projetos corporativos, que começavam com o diagnóstico de cultura, passando pela definição do papel de inclusão e diversidade na estratégia de cada empresa, a construção do plano de curto, médio e longo prazo, com seus pilares, metas e métricas, assim como a sensibilização, letramento e mentoria de líderes, e o treinamento das equipes. Também me tornei voluntária na Best Buddies, embaixadora da Plan International e da Inspiring Girls, mentora de mulheres no Ismart, IVG e no Comitê de Igualdade Racial do Grupo Mulheres do Brasil.

Hoje lidero a área de cultura, inclusão e diversidade na UHG Brasil, faço parte do comitê estratégico de Diversidade e Inclusão da Amcham, do grupo de líderes do Movimento pela Equidade Racial (Mover), da Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas e da Rede Empresarial pela Inclusão Social (Reis).

Nessa minha longa e intensa jornada, aprendi que o planeta é diverso e nós, pessoas, somos iguais na nossa humanidade e absolutamente singulares na nossa diversidade. Mas a inclusão é uma escolha individual que requer consciência, intenção e ação. Você sabe com quantas dimensões se constroem ambientes inclusivos e diversos?

Não se preocupe: somos todos aprendizes nessa jornada. Alguns com mais tempo de estrada, sem dúvida. Mas, se alguém disser que conhece e tem uma matriz que integra todas as dimensões, desconfie!

Foi pensando em ajudar as lideranças empresariais nas suas jornadas de inclusão e diversidade que o Luciano Amato ousou reunir em um livro inédito, recém-lançado, um time de 44 pessoas que, com muito propósito, consciência e coragem vem construindo esse novo mundo social e ambientalmente mais sustentável, que precisamos deixar para as futuras gerações.

Sou uma das coautoras do livro *[Diversidade e Inclusão e suas Dimensões](https://www.amazon.com.br/Diversidade-inclus%C3%A3o-dimens%C3%B5es-Luciano-Amato/dp/6559223051)*, em que falamos sobre gênero, gerações, LGBTQIAP+, pessoas com deficiência, diversidade religiosa, corpos, raça e etnia, refugiados e migrações, egressos, inclusão social, ESG, além de temas conceituais, transversais e cases empresarias. Uma verdadeira enciclopédia que te convida a aprender uma nova, essencial e urgente forma de ser, estar e liderar no mundo.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quem vê as baratas cedo lidera melhor

Os melhores líderes internacionais não se destacam apenas pela estratégia. Destacam-se por perceber cedo os pequenos sinais de desalinhamento entre a matriz e os mercados, antes que eles virem problemas caros.

A NR‑1 encontrou a IA. O modelo antigo não sobrevive.

A nova norma exige gestão contínua de risco, mas só a inteligência artificial permite sair da fotografia pontual e avançar para um modelo preditivo de saúde mental nas organizações. Esse artigo demonstra por que a gestão de riscos psicossociais exige uma operação contínua, preditiva e orientada por dados.

Construa ou arrependa-se

Este artigo desmonta o mito de que “todo mundo já chegou” na inteligência artificial – os dados mostram que não é verdade. E é exatamente aí que mora a maior oportunidade desta década (para quem tiver coragem de começar).

Você não perdeu o controle – perdeu o monopólio da inteligência

O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas – mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Bem-estar & saúde, Cultura organizacional
1º de maio de 2026 14H00
Se o trabalho mudou, o espaço precisa mudar também. Este artigo revela por que exigir presença física sem intencionalidade cultural e cognitiva compromete saúde mental e produtividade.

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

16 minutos min de leitura
Liderança, Marketing & growth
1º de maio de 2026 07H00
Os melhores líderes internacionais não se destacam apenas pela estratégia. Destacam-se por perceber cedo os pequenos sinais de desalinhamento entre a matriz e os mercados, antes que eles virem problemas caros.

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 18H00
A nova norma exige gestão contínua de risco, mas só a inteligência artificial permite sair da fotografia pontual e avançar para um modelo preditivo de saúde mental nas organizações. Esse artigo demonstra por que a gestão de riscos psicossociais exige uma operação contínua, preditiva e orientada por dados.

Leandro Mattos- Expert em neurociência da Singularity Brazil e CEO da CogniSigns

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia, Liderança
30 de abril de 2026 15H00
Este artigo desmonta o mito de que “todo mundo já chegou” na inteligência artificial - os dados mostram que não é verdade. E é exatamente aí que mora a maior oportunidade desta década (para quem tiver coragem de começar).

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
30 de abril de 2026 11H00
O futuro não é humano nem artificial: é combinado. O diferencial está em quem sabe conduzir essa inteligência. Este artigo propõe uma mudança radical de mentalidade: na era em que a inteligência deixou de ser exclusiva do humano, o diferencial competitivo não está mais em saber respostas - mas em fazer as perguntas certas, reduzir a fricção cognitiva e liderar a combinação entre mente humana e IA.

Eduardo Ibrahim - Fundador e CEO da Humana AI, Faculty Global da Singularity University e autor do best-seller Economia Exponencial

6 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
30 de abril de 2026 08H00
Quem nunca falou e sentiu que o outro “desligou”? Este artigo recorre à neurociência para explicar por que isso acontece - e sugere o que fazer para trazer a atenção de volta.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 18H00
Este é o primeiro artigo de uma série de cinco que investiga o setor farmacêutico brasileiro a partir de dados, conversas com líderes e comparações internacionais, para entender onde estamos, como o capital vem sendo alocado e até que ponto a indústria nacional consegue, de fato, gerar inovação e deslocamento tecnológico.

Rodrigo Magnago - CEO da RMagnago

17 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 13H00
Sua empresa tem um lab de inovação, patrocina hackathon e todo mundo fala em "mindset de crescimento". Mas o que, concretamente, mudou no seu modelo de negócio nos últimos dois anos?

Atila Persici Filho - CINO da Bolder e Professor FIAP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
29 de abril de 2026 07H00
Este artigo mostra como empresas de todos os portes podem acessar financiamentos e subvenções públicas para avançar em inteligência artificial sem comprometer o caixa, o capital ou as demais prioridades do negócio.

Eline Casasola - CEO da Atitude Inovação, Atitude Collab e sócia da Hub89

6 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de abril de 2026 14H00
Em um mundo onde algoritmos decidem o que vemos, compramos e consumimos, este artigo questiona até que ponto estamos realmente exercendo o poder de escolha no mundo digital. O autor mostra como a conveniência, combinada a IA, vem moldando nossas decisões, hábitos e até a nossa percepção da realidade.

Marcel Nobre - CEO da BetaLab

7 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...