Uncategorized

As duas formas de pensamento

Guilherme Soárez, CEO da HSM

Compartilhar:

Em 2010, entrevistamos Rosabeth Moss Kanter, a célebre especialista de gestão e liderança da Harvard Business School, e lhe perguntamos se os gestores costumam pensar. Sabe qual foi a resposta dela? “Em geral, não. Em vez de fazer pausas para pensar, os líderes das organizações costumam cair na armadilha de automaticamente tentar repetir seu último êxito.” 

Um ano depois, em 2011, um estudo da HBS comprovou o que ela disse: os CEOs gastam 60% de seu tempo em reuniões, 25% ao telefone ou em eventos públicos e 15% no resto, incluindo viagens, e-mails, leituras e reflexões (o que deve deixar no máximo 5% do tempo total para o pensamento reflexivo). 

Em 2017, os CEOs continuam a não pensar – com honrosas exceções, como Warren Buffett. Na verdade, eles pensam, como esclarece o Boston Consulting Group nesta edição, mas é o pensamento do tipo crítico, que quer resolver um problema específico e alcançar um resultado com isso. O que anda fazendo falta é o pensamento reflexivo, voltado para dentro, em que o indivíduo repassa suas premissas, crenças e conhecimento sobre determinado assunto para definir um problema, identificar padrões e buscar sentido na complexidade. Como propõe o BCG em nossa matéria de capa, “os CEOs devem utilizar o pensamento crítico para resolver os desafios imediatos e o pensamento reflexivo para ter clareza sobre o cenário e vislumbrar novas oportunidades”. 

Esta revista convida você, CEO do presente ou do futuro, a pensar reflexivamente. E não ficamos só no convite; compartilhamos orientações sobre como arrumar tempo para fazer isso, como transformá-lo em uma rotina. 

Muitos conteúdos da presente revista podem ser gatilhos para a reflexão. Eu me refiro aos lembretes (ao Brasil) do que os governos da China e da Grã-Bretanha estão fazendo para ganhar competitividade, respectivamente com a Rota da Seda e o departamento de nudging (o Rio tem um programa!). Falo dos textos sobre a mentalidade elástica e sobre o aspecto “entender emoções” da inteligência emocional. Tenho em mente o estudo-alerta “Seu filho será mais pobre do que você” e a ótima entrevista com a líder mundial de sustentabilidade do Walmart. 

O professor de filosofia Mario Sergio Cortella nos disse em uma entrevista que pensar “faz muita falta, porque compreender é o passo inicial para qualquer ação”. E, na ocasião, citou o educador Paulo Freire: “A prática de pensar a prática é a maneira de pensar certo”. Isso é reflexão.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O futuro que queremos construir e as conversas difíceis que precisamos ter!

Direto da cobertura do SXSW 2026, este artigo percorre as conversas que dominam Austin: quando a tecnologia entra em superciclo e a IA deixa de ser apenas inovação para se tornar força estrutural, a pergunta central deixa de ser técnica – e passa a ser profundamente humana: como preservar significado, pertencimento e propósito em um mundo cada vez mais automatizado?

Você acredita mesmo na visão que você vende todo dia?

Diretamente da cobertura do SXSW 2026, este artigo parte de uma provocação de Tom Sachs para tensionar uma pergunta incômoda a líderes e criadores: é possível engajar pessoas, construir mundos e sustentar visões quando nem nós mesmos acreditamos, de verdade, no que comunicamos todos os dias?

Liderança
19 de janeiro de 2026
A COP 30 expôs um paradoxo gritante: temos dados e tecnologia em abundância, mas carecemos da consciência para usá-los. Se a agenda climática deixou de ser ambiental para se tornar existencial, por que ainda tratamos espiritualidade corporativa como tabu?

Carlos Legal - Fundador da Legalas Aprendizagem e Educação Corporativa

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de janeiro de 2026
Falar em ‘epidemia de Burnout’ virou o álibi perfeito: responsabiliza empresas, alimenta fundos públicos e poupa o Estado de encarar o verdadeiro colapso social que adoece o país. O que falta não é diagnóstico - é coragem para dizer de onde vem o problema

Dr. Glauco Callia - Médico, CEO e fundador da Zenith

7 minutos min de leitura
Liderança, ESG
16 de janeiro de 2026
No início de 2026, mais do que otimismo, precisamos de esperança ativa - o ‘esperançar’ de Paulo Freire. Lideranças que acolhem perdas, profissionais que transformam desafios em movimento e organizações que apostam na criação de futuros melhores, um dia de cada vez.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
15 de janeiro de 2026
A jornada de venda B2B deve incluir geração de demanda inteligente, excelência no processo de discovery e investimento em sucesso do cliente.

Rafael Silva - Head de parcerias e alianças da Lecom

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
14 de janeiro de 2026
Cumprir cotas não é inclusão: a nova pesquisa "Radar da Inclusão" revela barreiras invisíveis que bloqueiam carreiras e expõe a urgência de transformar diversidade em acessibilidade, protagonismo e segurança psicológica.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Cultura organizacional
13 de janeiro de 2026
Remuneração variável não é um benefício extra: é um contrato psicológico que define confiança, engajamento e cultura. Quando mal estruturada, custa caro - e não apenas no caixa

Ivan Cruz - Cofundador da Mereo

5 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
12 de janeiro de 2026
Empresas que tratam sucessão como evento, e não como processo, vivem em campanha eleitoral permanente: discursos inflados, pouca estrutura e dependência de salvadores. Em 2026, sua organização vai escolher maturidade ou improviso?

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional
9 de janeiro de 2026
Alta performance contínua é uma ilusão corporativa que custa caro: transforma excelência em exaustão e engajamento em sobrecarga. Está na hora de parar de romantizar quem nunca para.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de janeiro de 2026
Diversidade não é jogo de aparências nem disputa por cargos. Empresas que transformam discurso em prática - com inclusão real e estruturas consistentes - não apenas crescem mais, crescem melhor

Giovanna Gregori Pinto - Executiva de RH e fundadora da People Leap

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de janeiro de 2026
E se o maior risco estratégico para 2026 não for uma decisão errada - mas uma boa decisão tomada com base em uma visão de mundo desatualizada?

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB – Global Connections

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...