Uncategorized

Assédio moral e sexual no trabalho: como evitá-los na sua empresa

As lideranças precisam ser proativas na formação de uma cultura corporativa que não tolera o assédio ou outras práticas de discriminação no ambiente de trabalho
Advogada e fundadora da [SafePlace](https://safeplacebrasil.com/), plataforma digital com o objetivo de reduzir as desigualdades de gênero no ambiente de trabalho.

Compartilhar:

A pauta sobre diversidade veio à tona mais forte do que nunca. Ela tem influenciado inclusive iniciativas privadas, como os programas de trainees exclusivos para pessoas negras que foram lançados pelo Magazine Luiza e Bayer, e que tornaram-se motivos de discussões calorosas nas redes sociais – contando até com a manifestação do Ministério Público do Trabalho sobre a temática.

No entanto, a barreira do preconceito vai muito além do ingresso ao mercado de trabalho.

Estudos comprovam que os grupos mais suscetíveis ao assédio moral e sexual no trabalho são mulheres (especialmente negras) e LGBTQI+.

Por isso, tão importante quanto assegurar o [ingresso de pessoas diversas nas organizações](https://revistahsm.com.br/post/sua-lideranca-e-inclusiva), é criar uma cultura corporativa capaz de lidar com essas diversidades de forma ética e sustentável, criando contornos para que os profissionais possam tanto desenvolver suas carreiras nas organizações onde escolheram trabalhar, quanto ter segurança física e psicológica asseguradas durante o exercício da função.

A seguir, vamos abordar três iniciativas que contribuem para que a sua organização seja um ambiente seguro e saudável para todos os colaboradores.

Afinal, para que seja possível acabar com o assédio no trabalho, é necessário falar sobre o tema nos diversos níveis de uma organização, envolvendo especialmente ações estratégicas.

## 1. Crie espaços para orientações sobre o tema

Normalmente, as empresas possuem uma estrutura pouco ativa no que tange ao monitoramento de risco de cultura ocasionado pelo assédio moral e sexual.

Seja você supervisor de equipe, gerente de departamento ou conselheiro de uma grande empresa, as iniciativas para abordar e prevenir o assédio no trabalho precisam estar na agenda da sua organização e você também é responsável por isso.

É comum que haja alguma confusão entre o conceito de assédio moral e assédio sexual. Por isso, segue uma breve definição:

O assédio moral é a repetição deliberada de gestos, palavras ou comportamentos que expõem o colaborador a situações humilhantes e constrangedoras, capazes de lhe causar ofensa à personalidade, dignidade, integridade física ou psíquica, com o objetivo de excluí-lo das suas funções ou deteriorar o ambiente de trabalho.

Por isso, para ser caracterizado assédio moral é importante que haja: conduta repetitiva, intenção evidente, conduta direcionada a um colaborador específico ou a um grupo de colaboradores específicos e a definição do período de tempo em que a conduta perdurou.

É importante lembrar que quem assedia pode responder pelo ato em esferas administrativa, trabalhista, cível (respondendo por danos morais e materiais) e criminal (dependendo do caso, os atos de violência poderão caracterizar crime de lesão corporal, crime contra a honra, crime de racismo, entre outros).

Já o assédio sexual é definido como o ato de constranger alguém, com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função, conforme tipificado no artigo 216-A do Código Penal Brasileiro.

É importante lembrar que para caracterizar assédio sexual, é necessário o não consentimento da pessoa assediada e o objetivo, por parte de quem assedia, de obter vantagem ou favorecimento sexual. Aqui, o não consentimento deve ser interpretado amplamente, como não adesão à investida sexual do agressor. Além disso, para se qualificar assédio sexual, basta que a conduta aconteça uma única vez.

O assédio sexual cometido no ambiente de trabalho é considerado falta grave e pode ensejar a demissão por justa causa, conforme previsto na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), bem como a abertura de processo administrativo e as suas respectivas consequências. Além da esfera administrativa, o assediador também pode ser punido na esfera criminal, com pena de detenção de até dois anos.

Criar um ambiente seguro, onde os colaboradores tenham acesso às informações pertinentes de forma inclusiva e prática é fundamental para conscientização da gravidade, dos riscos e das penalidades previstas frente às condutas de assédio.

## 2. Atualize o Código de Ética da sua empresa

As lideranças geralmente concordam que, embora o assédio no local de trabalho seja um comportamento inaceitável por parte de um indivíduo, o silêncio resultante ou a falta de consequências para este comportamento reflete em danos culturais, além de despesas administrativas, aumento da rotatividade de pessoal e até mesmo ações indenizatórias.

Ocorre que, muitas vezes, o silêncio existe tanto pela falta de posicionamento institucional, quanto pela ausência da definição de instruções normativas que tragam segurança para interposição de denúncias administrativas e segurança na apuração da ocorrência.

Daí a importância de a organização evidenciar o seu posicionamento em relação às condutas de assédio através do seu Código de Ética.

O Código de Ética é um documento importante dentro de uma organização. É nele que o colaborador encontra, de forma consolidada, orientações sobre os seus direitos e deveres, além do posicionamento social adotado pela empresa.

Portanto, [o posicionamento da empresa](https://revistahsm.com.br/post/como-a-cultura-corporativa-e-criada) através do Código de Ética é fundamental tanto para orientação em relação ao tema, quanto para trazer segurança ao colaborador, caso seja necessário realizar uma denúncia administrativa.

## 3. Crie um canal administrativo para denúncia e investigação

Em 2019, comecei a empreender a SafePlace Brasil juntamente com outras profissionais de áreas correlatas.

A SafePlace Brasil é uma plataforma digital que visa gerenciar avaliações sobre a experiência de trabalho de diversas mulheres, com o objetivo de reduzir a ocorrência de assédio ou outro tipo de violência contra a mulher no local de trabalho.

Durante o processo de investigação junto às usuárias para desenvolvimento da plataforma, constatamos que 95% das pessoas entrevistadas, dos diversos setores econômicos, não receberam qualquer orientação da empresa sobre canais de denúncia que poderiam ser acionados caso elas sofressem assédio ou outro tipo de violência no local de trabalho.

Além disso, muitas das usuárias entrevistadas disseram que não tinham amplo conhecimento da definição de assédio moral e sexual antes de vivenciar alguma ocorrência e a partir daí, buscaram orientação com outros colegas de trabalho ou pares.

Certamente a orientação sobre o tema e o posicionamento institucional através do Código de Ética ajudarão na inibição de condutas de assédio no ambiente de trabalho, mas caso a conduta aconteça é essencial que o colaborador saiba como e onde agir.

Por isso a necessidade de que as empresas ofereçam um canal único para denúncia de assédio ou outro tipo de violência no local de trabalho, e que os profissionais responsáveis pela gestão do canal tenham a devida formação e orientação para tratar das denúncias com imparcialidade, considerando a legislação aplicável e o Código de Ética da instituição.

Estamos traçando um caminho de (re)evolução econômica, política e social no que tange à inclusão e acessibilidade de pessoas diversas ao mercado de trabalho e, sem dúvidas, a atuação ativa das nossas empresas e suas respectivas lideranças é um passo fundamental para mudança que tanto almejamos.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Morte: a próxima fronteira do bem-estar

Do SXSW 2026 à realidade brasileira: O luto deixa o silêncio e começa a ocupar o centro do cuidado humano. A morte entrou na agenda do bem-estar e desafia indivíduos, empresas e sociedades a reaprenderem a cuidar.

Os rumos da agenda de diversidade, equidade e inclusão nas empresas brasileiras em 2026

Os números de assédio e a estagnação das carreiras de pessoas com deficiência revelam uma verdade incômoda: a inclusão no Brasil ainda para na porta de entrada. Em 2026, o desafio não é contratar, mas desenvolver, promover e garantir permanência – com método, responsabilidade e decisões que tratem diversidade como estratégia de negócio, e não como discurso.

Quando tudo vira conteúdo, o que ainda forma pensamento?

A inteligência artificial resolveu a escala do conteúdo – e, paradoxalmente, tornou a relevância mais rara. Em um mercado saturado de vozes, o diferencial deixa de ser produzir mais e passa a ser ajudar a pensar melhor, por meio de curadoria, experiências e comunidades que realmente transformam.

Fornecedores, riscos e resultados: a nova equação da competitividade

Em um mundo em que pandemias, geopolítica, clima e regulações desmontam cadeias de fornecimento inteiras, este artigo mostra por que a gestão de riscos deixou de ser operação e virou sobrevivência – e como empresas que ainda tratam sua cadeia como “custo” estão, na prática, competindo de olhos fechados.

Lifelong learning
19 de março de 2026 17H00
Entre escuta, repertório e prática, o que conversas com executivos revelam sobre desenvolvimento profissional no novo mercado.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de março de 2026 08H00
Enquanto as empresas correm para adotar IA, pouquíssimas fazem a pergunta que realmente importa: o que somos quando nosso modelo de negócio muda completamente?

Bruno Stefani - Fundador da NERD Partners

6 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de março de 2026 13H00
Nada destrói uma empresa tão rápido - e tão silenciosamente - quanto um líder mal escolhido. Uma única nomeação equivocada corrói cultura, paralisa times, distorce decisões e drena resultado. Este artigo expõe por que insistir nesse erro não é só imprudência: é um passivo estratégico que nenhuma organização deveria tolerar.

Sylvestre Mergulhão - CEO e fundador da Impulso

3 minutos min de leitura
Estratégia
18 de março de 2026 06H00
Sua estratégia de 3 anos foi desenhada para um ambiente que já virou história. O custo de continuar executando um mapa desatualizado é mais alto do que você imagina.

Atila Persici Filho - COO da Bolder

5 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
17 de março de 2026 17H15
Direto do SXSW 2026, surge um alerta: E se o maior risco da IA não for errar, mas concordar demais?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Empreendedorismo
17 de março de 2026 11H00
No SXSW 2026, Lucy Blakiston mostrou como uma ideia criada na faculdade se transformou na SYSCA, um ecossistema de mídia com impacto global.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
17 de março de 2026 08H00
Neste artigo, exploramos por que a capacidade de execução, discernimento aplicado e proximidade com a realidade estão redefinindo o que significa liderar - e por que títulos, discursos sofisticados e metodologias brilhantes já não bastam para garantir relevância em 2026.

Bruno Padredi - CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde, Estratégia
16 de março de 2026 15H00
Dados apresentados por Kasley Killam no SXSW 2026 mostram que a qualidade das nossas conexões não influencia apenas o bem‑estar emocional - ela afeta longevidade, risco de doenças e mortalidade. Ainda assim, poucas organizações tratam conexão como parte da operação, e não como um efeito colateral da cultura.

Viviane Mansi - Conselheira de empresas, mentora e professora

3 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
16 de março de 2026
A tecnologia acelera tudo - inclusive nossos erros. Só a educação é capaz de frear impulsos, criar critérios e impedir que o futuro seja construído no automático.

Adriana Martinelli - Diretora de Conteúdo da Bett Brasil

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
15 de março de 2026 14H30
Direto da cobertura do SXSW 2026, este artigo percorre as conversas que dominam Austin: quando a tecnologia entra em superciclo e a IA deixa de ser apenas inovação para se tornar força estrutural, a pergunta central deixa de ser técnica - e passa a ser profundamente humana: como preservar significado, pertencimento e propósito em um mundo cada vez mais automatizado?

Ale Fu - Executiva de Tecnologia, Professora, Palestrante, além de coordenadora da Comissão de Estratégia e Inovação do IBGC e membro do Grupo de Trabalho de Inteligência Artificial da ABES

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #171

A Face Executiva de 2026

Líderes de organizações brasileiras de todos os setores, portes e regiões desenham o ano empresarial do Brasil com suas prioridades em relação a negócios, pessoas e tecnologia...