Business content

Atenção primária reduz custos na saúde corporativa

Acompanhamento com médico da família in company impacta no absenteísmo, presenteísmo e na sustentabilidade do sistema de saúde suplementar
Angela Miguel é editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

Compartilhar:

Quando os primeiros sinais da Covid-19 apareceram na China, o mundo assistiu o sistema chinês impedir o crescimento do contágio do vírus em seu território, estratégia atribuída ao governo centralizador e autoritário. No entanto, durante o Festival ALMA – Festival Digital de Negócios Conscientes, realizado em abril, Peter Senge, professor sênior da MIT Sloan School of Management, cofundador da MIT Academy for Systemic Change, defendeu que o sucesso chinês se deveu à abordagem integrada que o país adota para a saúde de seus habitantes.

Segundo Senge, a China combinou ensinamentos ocidentais com a milenar medicina oriental. Enquanto a primeira combateu a doença, a segunda fortaleceu a imunidade dos indivíduos, estratégia que se mostrou efetiva para reduzir o uso de leitos nas unidades de terapia intensiva, mesmo que, por exemplo, o país tenha tido proporcionalmente de dez a 20 vezes mais casos do que a média dos países europeus até aquele momento.

Essa é uma rápida ilustração de como o [cuidado integral da saúde](https://www.revistahsm.com.br/post/cuidar-dos-colaboradores-durante-a-pandemia-e-tao-importante-quanto-pensar-nos-clientes) pode promover efeitos duradouros em uma população – e esse cuidado tem início com a atenção primária à saúde (APS), modelo de atendimento em que as pessoas são tratadas de maneira holística, em vez de apenas terem doenças ou condições avaliadas.

Reside também na APS uma das soluções para a sustentabilidade do sistema de saúde suplementar, uma vez que grande parte dos gastos da cadeia de bens e serviços desse setor está ligada ao aumento da frequência da utilização dos planos de saúde, decorrente de uma gestão inadequada da saúde populacional, e à epidemiologia da população, segundo estudo da Interfarma, publicado em 2019.

Nesse sentido, a APS promove uma mudança cultural, fazendo com que o paciente acesse o pronto-socorro apenas em urgência real. Assim, gastos com material, instalações, máquinas, pessoal, medicamentos, redundância de exames, excesso de consultas e procedimentos caem drasticamente, o que auxilia na redução de gastos totais, além de melhorar a eficiência do sistema.

## Panorama corporativo na saúde
Por meio de operadoras e seguros privados, a saúde suplementar passou a ser regulada no Brasil somente em 2000, com a criação da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), setor que atendeu 47,1 milhões de beneficiários no país, cerca de 23% da população brasileira. Nesse contexto, os planos de saúde coletivos representam mais de 80% do mercado de saúde privada do Brasil, sendo que 67,5% são planos coletivos empresariais, planos esses reajustados constantemente muito acima da inflação.

Com o objetivo de entender como as empresas brasileiras têm atuado na gestão de saúde de seus colaboradores, a Aliança para Saúde Populacional (ASAP) e a Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH) entrevistaram 704 empresas de pequeno, médio e grande porte sobre o tema. Entre os principais resultados, destacam-se:

– Ainda que a [saúde corporativa](https://www.revistahsm.com.br/post/nao-ha-saude-sem-saude-mental) seja o segundo maior orçamento de RH, a gestão dos programas é delegada a gestores com menor poder de decisão – 39% são coordenadores ou analistas; 12% são diretores;

– Houve aumento na adoção de atenção primária, como criação de ambulatórios (de 28%, em 2017, para 30%, em 2020) e médico de família (de 7% para 15%);

– Houve desaceleração no aumento dos custos em saúde. Em 2017, 31% das empresas tiveram correção anual acima de 15% e, em 2020, 18%;

– Para conter alta de custos, empresas investiram em coparticipação (de 53% para 61%) e em acordos com hospitais (de 4,5% para 6,5%). Houve queda na mudança de operadora (de 21% para 18%);

– Sobre os custos em saúde, 81% entendem a importância da saúde em suas organizações como média ou alta, contudo, 83% acreditam que não conseguirão evitar aumentos nos custos;

– Quanto a custos e sinistralidade, em 36% das empresas, os gastos com saúde estão acima de 16% dos custos de RH; em 59% delas, a sinistralidade está acima de 70%.

## Médico da família nas empresas
Embora as empresas estejam cientes da importância de se estabelecer programas de APS para redução de custos, a preocupação com um possível aumento de gastos que essa implementação poderia causar também afasta os investimentos.

Contudo, a própria ANS defende que até 85% dos problemas de saúde dos colaboradores podem ser evitados, resolvidos ou tratados nos ambulatórios das empresas pelos médicos de família, profissionais generalistas que conhecem o histórico de vida dos pacientes e atendem de 80% a 90% das necessidades de saúde dos cidadãos.

Iniciativas como gerenciamento de crônicos, programas de atividade física e nutrição, [acolhimento e saúde mental](https://www.revistahsm.com.br/post/o-adoecimento-mental-nas-empresas), gestão de colaboradores com doenças de alta complexidade ou afastados, predição em saúde, acompanhamento de gestantes e redesenho e programas de benefícios costumam andar ao lado da APS para garantir que o modelo seja bem-sucedido nas organizações.

“E para além do cuidado com a saúde propriamente dita dos colaboradores, sabemos que um programa de APS tem efeito em dois grandes problemas que as áreas de gestão de pessoas enfrentam constantemente, que são o absenteísmo e o presenteísmo. Quando um colaborador reporta uma queixa a um médico da APS, ele é atendido com toda a atenção necessária; mas quando ele não possui queixa, ele também é avaliado, o que reforça a atenção aos hábitos e à prevenção de doenças. Isso faz com que o trabalhador se sinta amparado pela empresa, pois há uma coordenação efetiva da sua saúde”, explica Dr. Eduardo Oliveira, fundador de SantéCorp e CEO de Saúde iD.

## APS como pilar de negócio
Com o objetivo de fornecer soluções para a gestão de saúde corporativa, a SantéCorp, tem como um de seus principais pilares de atuação a APS. Segundo o Dr. Oliveira, assim como a APS é uma das ferramentas existentes para a sustentabilidade do sistema de saúde, é também o modelo para garantir uma gestão mais perene e financeiramente adequada para as empresas brasileiras quando o assunto é saúde de seus colaboradores.

“Quando as organizações olham para o custo da saúde de seus funcionários, o que elas fazem? Trocam de plano. Mas essa é uma alternativa de curto prazo e nada sustentável. Com a APS, além das outras soluções de SantéCorp, estamos apostando que o cuidado integral e constante com a saúde e o bem-estar dos colaboradores é a chave para a mudança do comportamento e da cultura, levando a uma redução do reajuste dos planos para patamares menores e que caibam no orçamento do RH. É um investimento a médio e longo prazo, mas que há retorno sustentável para toda a cadeia”, avalia.

Organizações que desejam incorporar o modelo são estudadas pela SantéCorp, para que as soluções sejam estruturadas de acordo com o cenário e as necessidades específicas da companhia. Em seguida, o projeto é desenvolvido, favorecendo o [cuidado coordenado](https://www.revistahsm.com.br/post/qual-e-o-papel-do-rh-nas-organizacoes) por meio de realização de coleta de exames, conexão de indicadores de saúde (plano de saúde e medicina ocupacional, por exemplo) e programas de medicamento e apoio via equipe multidisciplinar. Como as empresas possuem iniciativas existentes, conectar indicadores é fundamental para a jornada sustentável, segundo o executivo.

O modelo de APS na SantéCorp conta com três frentes de atuação. No caso de on-site clinics, é possível instalar um ambulatório nas dependências da organização, a ser operada por um médico e um enfermeiro, seguindo a metodologia de medicina da família.

“Essa costuma ser a opção das grandes empresas, e o objetivo é estabelecer uma relação de confiança e de continuidade entre médico e colaboradores. Com essa metodologia, os pacientes montam sua abordagem terapêutica com o profissional, há um planejamento temporal sobre cada queixa relatada, não é uma consulta estanque”, explica Dr. Oliveira.

Já nas frentes shared-site clinics e near-site clinics, os colaboradores podem acessar o mesmo atendimento de APS, porém em unidades do Grupo Fleury e A+. Em ambas as opções, a diferença está na extensão do atendimento aos dependentes, em que o médico faz a coordenação e prevenção de saúde para toda a família do funcionário. Esse modelo acolhedor inclui, por exemplo, outras soluções como integração tecnológica dos dados, bundle de exames no Grupo Fleury e medicação sintomática na unidade.

O CEO explica que, assim que a empresa inicia o contrato com SantéCorp, o colaborador baixa o aplicativo e tem acesso aos seus dados, pode marcar consultas de telemedicina e interagir com chatbot de IA para esclarecimento de dúvidas. A estrutura de APS também inclui integração tecnológica de dados em saúde, prontuário eletrônico e, em alguns planos, coleta domiciliar de exames. São oito centrais de APS em São Paulo em unidades do Fleury e a expansão continua em 2021, paralisada com a pandemia da Covid-19.

“Temos acesso a uma série de dados que comprovam o [retorno sobre investimento](https://www.revistahsm.com.br/post/como-criar-uma-cultura-de-alta-performance-sem-afetar-a-saude-mental-da-sua) dessa escolha, pois não queremos contratos de curto prazo ou sermos mais uma fonte de gasto às companhias. Nosso objetivo é ajudá-las a serem mais sustentáveis e no cuidado com a saúde de sua população corporativa”, finaliza.

De quebra, todo o sistema de soluções SantéCorp está conectado à plataforma Saúde iD, plataforma criada para integrar produtos e serviços de saúde baseada na ciência de dados e inteligência artificial. Dessa forma, toda a inteligência de SantéCorp já está integrada ao ecossistema de saúde lançado pelo Grupo Fleury em setembro de 2020, que tem o objetivo de democratizar o acesso à saúde no Brasil.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Futebol feminino: O que mulheres aprendem quando têm espaço para competir?

A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Tecnologia se compra. Liderança se constrói.

O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Autonomia não é fazer sozinho

Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Liderança, Cultura organizacional
9 de outubro de 2026 08H00
A conquista histórica do São Paulo no Brasileirão Feminino vai além do esporte e convida a uma reflexão sobre como desenvolvemos competências que costumam ser associadas à liderança. O artigo explora como experiências vividas dentro e fora das organizações ajudam a construir confiança, influência, resiliência e capacidade de disputar espaços de forma saudável, preparando novas gerações para desafios que começam muito antes do primeiro cargo de liderança.

Maria Eduarda Silveira - Founder & CEO da BOLD HRO

5 minutos min de leitura
Estratégia
8 de outubro de 2026 14H00
Da aquisição à expansão de clientes, o artigo propõe uma reflexão sobre como organizações podem substituir crescimento baseado em volume por crescimento sustentado por retenção, adoção de valor e decisões mais inteligentes.

Renata Centurión - Sócia e Diretora da Winning By Design LATAM

5 minutos min de leitura
Marketing & growth, Vendas
8 de outubro de 2026 08H00
Diante de metas ameaçadas, a reação mais comum é fazer mais: mais reuniões, mais pressão, mais descontos, mais cobranças. O problema é que nem sempre atividade gera resultado. À medida que dezembro se aproxima, o verdadeiro desafio pode estar menos em acelerar e mais em eliminar comportamentos que comprometem decisões, margens e o próximo ciclo de vendas.

Carol Manciola - CEO da Conectas e autora dos best sellers #BORA BATER META, Coragem e mais alguns Cês da Vida e do recém-lançado Vendas Movem o Mundo.

8 minutos min de leitura
Liderança
7 de outubro de 2026 14H00
O artigo discute por que sucessão, desenvolvimento de lideranças e fortalecimento da cultura organizacional deixaram de ser temas de RH para ocupar o centro das decisões estratégicas e da competitividade empresarial.

Renato Bagnolesi - CEO da FESA Group

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Liderança
7 de outubro de 2026 08H00
Metade dos executivos ouvidos pelo BCG já vê a própria equipe perdendo habilidades por causa da IA, e o julgamento é a primeira a cair. Velocidade sem discernimento não é ganho, é dívida com outro nome.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
6 de outubro de 2026 14H00
Empresas querem profissionais protagonistas, capazes de decidir e agir com independência. As pessoas querem mais confiança, voz e espaço para fazer escolhas. O desafio é que autonomia costuma significar coisas diferentes para cada lado dessa relação.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Estratégia
6 de outubro de 2026 08H00
Em reuniões de conselho, comitês executivos e equipes de alta gestão, é comum que profissionais experientes analisem os mesmos dados e cheguem a conclusões completamente diferentes. Nem sempre isso é sinal de desalinhamento ou falta de informação. Muitas vezes, a divergência revela algo mais profundo: critérios distintos para avaliar riscos, oportunidades, prioridades e sucesso.

Angelina Bejgrowicz - Fundadora e CEO da AB-Global Connections

9 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
5 de outubro de 2026 14H00
Embora o calendário ainda indique os últimos meses de 2026, as principais decisões que definirão o desempenho das empresas no próximo ciclo já estão sendo tomadas agora. A questão não é prever o que acontecerá em 2027, mas construir antecipadamente as capacidades que permitirão responder melhor ao que vier.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
5 de outubro de 2026 08H00
Plataformas digitais e ferramentas de inteligência artificial estão chegando às salas de aula em ritmo acelerado. Mas a transformação educacional não depende apenas da disponibilidade de novas soluções. Ela exige clareza sobre os problemas que se pretende resolver, participação de quem vive o cotidiano escolar e condições reais para que a tecnologia faça sentido no processo de aprendizagem.

Camila Wasserman e Sabrina Serafim -

6 minutos min de leitura
Liderança
4 de outubro de 2026 14H00
Por trás de uma das obras mais inovadoras da literatura brasileira havia um método rigoroso de trabalho. A partir dessa provocação, o artigo discute por que organizações que desejam crescer de forma consistente precisam desenvolver algo que nenhuma tecnologia entrega pronta: critérios compartilhados, disciplina intelectual e capacidade coletiva de manter a qualidade em escala.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

8 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #174

Mobilização é o novo segredo da execução