Cultura organizacional

Ballet, minha inspiração para a agilidade organizacional

Este título pode parecer surpreendente para alguém que é espectador e nunca se aventurou na arte do ballet de forma inteira: dançando e coreografando.
Administradora pela EAESP – FGV, mestra em Sustentabilidade e Governança com artigo publicado em 2020 na RECADM sobre “A representatividade das mulheres na liderança”. Tem especialização no PIM na HEC e no Diversity Program da INSEAD na France. Possui 25 anos de vivência internacional em cargos de liderança (França, Brasil, Argentina, Chile) no Groupe Renault France. Desde 2011 se dedica ao desenvolvimento humano como coach, mentora, facilitadora, palestrante, educadora e consultora cultural com o Barrrett Model.

Compartilhar:

Fiquei muito feliz ao receber este artigo da Jennifer Jordan por meio do professor Emílio. Imediatamente pensei: “está mais do que na hora de trazer minha contribuição sobre este tema!”.  Muito obrigada, Professor Emílio.

## A arte da dança e a coragem para fluir

Além das habilidades que a Jennifer Jordan citou em seu artigo *Lessons in agility from a dancer turned professor*, eu quero trazer para vocês valores essenciais que a prática do ballet cultivou em mim. Eles estão conectados com as relações humanas, ponto chave para uma organização desenvolver as atitudes e comportamentos compatíveis com o mindset necessário à agilidade.

![Une image contenant plancher, pluie, silhouetteDescription générée automatiquement](https://lh6.googleusercontent.com/GELZFd41FEa1uN9AZpUfDzP6F-U3dRgpbiT6eyUtqxQYMcLNJFOlL2_b53vuGmvpOtZBpeyWKqqbLan95l9XcpEz2xZBzdjUHMEox7OhmHiFtQOkW7ruAaTaAXVuXiQK3Cwrnzk)

A importância crescente que se atribui ao Novo Normal e ao VUCA (Volatility, Uncertainty, Complexity and Ambiguity) sempre me deixam surpreendida. É como se de repente as pessoas estivessem acordando e percebendo uma realidade sempre presente: nem tudo depende da esfera das habilidades e decisões humanas; tudo é novo, por isso é VUCA. A crença absoluta na meritocracia e justiça implacáveis afastou o ser humano da capacidade de ler a vida como ela é. Hoje, isto causa impacto até nas questões de inclusão, uma vez que fica difícil com esta crença diferenciar privilégio, meritocracia e superação. Acaba polarizando e dificultando o exercício de valores básicos das relações humanas como abertura para lidar com os desafios e respeito às outras pessoas, suas ideias e visões. 

Quando dançamos, coreografamos e participamos de espetáculos, principalmente amadores, aprendemos que tudo pode acontecer. O mais importante é estar preparado para lidar com o incerto e com as diferentes visões e entendimentos! Por exemplo, quando entro em um palco, sei que mesmo fazendo o meu melhor, tudo pode acontecer. Preciso estar emocionalmente e tecnicamente pronta para lidar com estas incertezas. Você já tropeçou no palco fazendo um solo? Eu já; lidei da melhor maneira com a situação e capitalizei para aprender. E os figurinos retocados na véspera de forma errada e impossível de entrarem no seu corpo? 

Pois é, viver o VUCA demanda muita coragem para deixar fluir a criatividade de todas(os) com respeito e ousar utilizá-la para lidar abertamente com cada desafio. 

## Todo espetáculo é fruto de muita colaboração

Acredito que estes são naturalmente relacionados ao ballet e mesmo assim vale lembrar: o comprometimento total com o meu desenvolvimento pessoal são valores essenciais para eu tomar em minhas mãos o prazer de ser uma bailarina. Valor a gente repete onde estiver!

Dois outros valores que a dança me ensinou e creio fundamentais para a agilidade: interdependência e colaboração. Todas(os) sabem que um espetáculo demanda várias competências, por mais minimalistas que sejam. Isso me ensinou que preciso estar sempre pronta para ajudar e cooperar com as outras funções e sentir a importância de cada uma delas na construção de tudo que faço na vida. Com isto, o ballet me ensinou a valorizar a visão sistêmica: além de fundamental para nos percebermos no espaço de um palco, é a melhor maneira de compreender e sentir as conexões entre as diferentes pessoas e suas funções em qualquer processo. 

Aprendi a valorizar a confiabilidade em cada exercício. Sei que a execução de cada um deles com total comprometimento é que me leva a entregar o melhor de mim nesta arte dentro do meu potencial.  Aprendi a me ver como cliente desta arte, pois sou a primeira que preciso emocionar ao dançar. Para entregar um belo espetáculo, e isso inclui cada aula, preciso ter foco neste cliente para o ballet representar a total conexão com minha alma, meu corpo e mente e sentir o prazer desta emoção. Entro na sala de aula e no palco para sentir e repercutir tudo isso.

Como lembra meu amigo [Thiago Henriques](https://www.linkedin.com/in/thiago-henriques-26199083/), um case bem interessante de agilidade organizacional com foco no cliente é a Zappos, fundada em 1999 por Tony Hsieh. Ele montou uma empresa on-line de venda de sapatos que se diferenciou de tudo que existia na época. Para que isso fosse possível, deu total foco ao cliente e criou um ambiente de trabalho seguro onde o fit cultural foi critério para a entrada de novos colaboradores(as), e era mais importante que as habilidades técnicas dos(as) candidatos(as). 

Seu elemento fundamental para criar a [agilidade](https://revistahsm.com.br/post/cultura-agil-e-desafios-comportamentais) necessária que demanda o foco no cliente: favorecer uma cultura orgânica e descentralizada. Por meio de comunicação clássica como call center, a Zappos conseguiu montar uma máquina de vendas, sendo inspiração para outros mercados. Seus atendentes têm autonomia para resolver o problema do(a) cliente, e são incentivados a fazer isto, realmente colocando o “cliente em primeiro lugar”. Resultado interessante: os clientes que devolveram sapatos e foram excelentemente atendidos, estatisticamente são clientes que compram mais do que clientes que nunca tiveram qualquer tipo de problema com a Zappos. O fundador Tony Hsieh diz que o negócio da Zappos é vender felicidade.

Esta autonomia espelha a capacidade de integrar todos(as) de forma orgânica no processo com respeito, confiabilidade, coragem, comprometimento, desenvolvimento pessoal, abertura, foco no cliente e visão sistêmica! Cultura de bailarinas(os), como em um espetáculo de ballet!

## A cultura do Ballet provoca valores do Ágil!

Minhas experiências com o ballet são minha motivação e me orientam na atuação profissional. Sempre brinco: aprendi mais com Nice Leite no ballet do que em 4 anos na EAESP- FGV. Claro, são aprendizados complementares. No entanto, os valores me guiam de maneira estrutural, as competências desenvolvo, revejo e incremento em função das necessidades do mundo em que vivo e dos novos desafios que assumo. O bom é que acredito que podemos desenvolver os comportamentos que se conectam com estes valores. 

Lembrando novamente do meu amigo Thiago Henriques, por esta razão, além de recebermos formação sobre métodos e técnica ágeis, é necessário aprendermos como ser os valores essenciais do ágil. A organização pode ter “Agilistas” excepcionais e contratar caríssimos “Agile Coaches” para tentar evangelizar a empresa; contudo, se os [valores ágeis](https://revistahsm.com.br/post/empresas-ageis-conseguem-se-adaptar-melhor-em-meio-a-crise) deixam de ser introduzidos como um novo modelo de comportamentos ligados a estratégia e cultura organizacional, estes esforços serão pontuais, doloridos e pouco perenes, levando muitas vezes à frustação das equipes pioneiras e descredito dos executivos sêniores sobre a viabilidade da implementação de uma cultura ágil na organização.

O artigo da Jennifer Jordan, citado no início do meu texto, me deixa muito feliz, pois reforça a intenção que Thiago Henriques e eu colocamos neste nosso novo programa innovAGILE, cuja base são os valores essenciais para ser ágil.

![](https://lh4.googleusercontent.com/uQy45DOek76oyacgOBjVFwIX98981ctWe90k3BZUR6sbqXX80gllSzbwJTPB3xy01MV-XUdWjDtaAGhy-TTRODeUVLZk9dEYNeDVUut3nraaMiY2CrK8zph3HVOdsHmEym-9opc)

Recomendo a leitura da Jennifer Jordan, ela traz 4 relações que são também essenciais:

– *Core strength*, valores fundamentais para seguir seu propósito pessoal, desdobrá-lo na vida profissional e evitar que modismos desviem sua atenção do essencial.

– *Ability to change focus quickly*, conexão com os movimentos para fluir.

– *Extreme flexibility and range of motion*, agilidade nas ideias e conexão destas com foco na solução para saber quando se desapegar ou realmente seguir em frente.

– *Knowing where you want to go*, criar uma visão e saber realizá-la por meio de etapas de curto prazo.

Espero que gostem do meu artigo e do que me inspirou.

Leia outros artigos sobre cultura ágil no [blog](https://revistahsm.com.br/blog) da Revista HSM.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Se o evento é sobre cultura, por que a decisão ainda é sobre logística?

À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

A inteligência artificial está acelerando a educação. Mas para onde?

Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Bem-estar & saúde
20 de julho de 2026 07H00
Quase 80% dos trabalhadores sentem culpa ao tirar férias e muitos continuam respondendo mensagens durante o período de descanso. O artigo discute como essa cultura afeta pessoas e organizações e por que líderes precisam dar o exemplo para transformar a relação com o descanso.

Tatiana Pimenta - Fundadora e CEO da Vittude e autora do livro “Saúde mental é inegociável”

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 14H00
WhatsApp, redes sociais, chats e inteligência artificial mudaram a forma como as empresas se relacionam com seus clientes. O desafio agora não é apenas responder mais rápido, mas transformar cada interação em uma oportunidade de fortalecer confiança, reputação e valor de marca.

Edson Alves - CEO da Ikatec

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
19 de julho de 2026 08H00
Pensamento estratégico, julgamento humano, curadoria de ferramentas digitais, desaprendizagem contínua e construção de significado despontam como as competências que diferenciarão profissionais em uma era em que inteligência e execução estão cada vez mais distribuídas entre pessoas e máquinas.

Denis Caldeira - CEO da Caldeira Growth e autor de "Cresça ou Desapareça"

8 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Cultura organizacional, User Experience, UX
18 de julho de 2026 14H00
À medida que os eventos se consolidam como ferramentas de cultura, engajamento e construção de relacionamentos, a escolha dos destinos deixa de ser uma decisão operacional. Este artigo explora como experiências, conexões humanas e identidade local estão redefinindo o papel dos encontros corporativos e transformando cidades em plataformas de desenvolvimento econômico e cultural.

Aziz Camali Constantino - Idealizador e cofundador do Oxigênio Ilhabela

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de julho de 2026 07H00
Enquanto a maioria das empresas não pode se dar ao luxo de substituir sistemas críticos da noite para o dia, startups vêm assumindo um papel estratégico na construção de uma transformação tecnológica mais rápida, modular e segura.

Philippe Rosa - Diretor de Inovação e Novos Negócios da TQI e líder do TQI Ventures

3 minutos min de leitura
Lifelong learning, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de julho de 2026 13H00
Ferramentas de IA já produzem textos, avaliações, vídeos e conteúdos em segundos. Mas a transformação mais importante talvez não esteja na velocidade da produção, e sim na capacidade de redesenhar experiências de aprendizagem que desenvolvam pensamento crítico, prática, feedback e autonomia humana.

Daniel Luzzi - Fundador e CEO da Cognita Learning Lab

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
17 de julho de 2026 08H00
A sensação constante de apagar incêndios não é apenas um problema de produtividade. Este artigo mostra por que organização, gestão da agenda e definição de limites são competências essenciais para preservar desempenho, reduzir o esgotamento e recuperar o controle sobre a própria rotina profissional.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento

2 minutos min de leitura
Marketing & growth, Estratégia
16 de julho de 2026 14H00
Copa do Mundo, Olimpíadas, Super Bowl ou Black Friday: toda vez que a atenção coletiva se concentra em um grande evento, o mercado de mídia muda de comportamento. Entender esse movimento pode ser a diferença entre capturar demanda reprimida ou pagar, mais uma vez, o preço do improviso.

Rafael Mayrink - Empresário, sócio do Neil Patel e CEO da NP Digital Brasil

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Inovação & estratégia
16 de julho de 2026 08H00
Robôs humanoides deixaram de ser protótipo e entraram em produção comercial em série. Enquanto conselhos ainda debatem a IA generativa, a automação física avança sem esperar. O atraso não aparece no balanço, mas se acumula como dívida de reação.

Marcelo Murilo - Co-Fundador e VP de Inovação e Tecnologia do Grupo Benner, Embaixador e membro do Senior Advisory Board do Instituto Capitalismo Consciente Brasil. Embaixador e Membro da Comissão ESG da Board Academy BR.

10 minutos min de leitura
Empreendedorismo
15 de julho de 2026 15H00
Construído sobre a área que durante décadas abrigou a fábrica e a recreativa da Tigre, o Cidade das Águas nasceu de uma pergunta pouco comum ao mercado imobiliário: antes de erguer torres, que tipo de bairro vale a pena construir?

Sandra Regina da Silva - Jornalista especializada em gestão, inovação e negócios

12 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo