Estratégia e Execução

Bastidores da Black Friday no Brasil

Como é o backoffice do comércio virtual do País durante essa data de vendas frenéticas?

Compartilhar:

A Black Friday (e suas variações mais recentes, como Black Week, Black November e afins) tornou-se uma das principais datas para o comércio varejista brasileiro. Milhares de consumidores vão às compras no período, a fim de encontrar ofertas imperdíveis – e uma parcela considerável dessas pessoas recorre às vitrines virtuais dos e-commerces para adquirir seus produtos e serviços.

Mas, numa época em que a demanda aumenta exponencialmente, como garantir que aquela compra que você fez através de alguns cliques no mouse chegue até a porta da sua casa sem atrasos, defeitos ou outros percalços? 

Para entender isso, o blog da HSM Management conversou com algumas empresas ligadas ao comércio virtual, responsáveis por várias etapas do backoffice, da infraestrutura e da logística durante a Black Friday.

Confira!

Omnichannel
———–

Renan Mota, Co-Fundador da CoreBiz, empresa especialista em transformação digital e omnichannel para o varejo. Atende companhias do porte de O Boticário, Sony, Ambev, Hering, C&A e Motorola.

**O que a transformação digital tem mudado no varejo? Como essas transformações podem ser sentidas em datas especiais para o comércio, como a Black Friday?**

Em poucos anos o mundo mudou drasticamente. Temos mais gente com celular do que com esgoto tratado, por exemplo. Com isso, o cliente ficou ainda mais no controle das escolhas; ele pode escolher se compra de uma empresa ou outra apenas com um clique. Pode escolher se compra via site, presencialmente, telefone e até por voz. 

Com essa mudança da expectativa do cliente, dois novos conceitos vieram à tona: omnichannel e customer centric. O primeiro, que visa ter as mais diversas possibilidades de relacionamento entre empresa e consumidor, e o segundo, que está plenamente ligado ao primeiro e prega que o cliente está no centro de todas as operações da empresa. Com apenas esses dois conceitos, todas as empresas têm se transformado muito para conseguir atender esse novo consumidor. 

A Black Friday, por exemplo, foi um conceito que no Brasil veio muito forte no e-commerce e hoje cria filas enormes de consumidores atrás de promoções nas lojas físicas. O que nós entendemos é justamente que o consumidor deve escolher sua jornada de compra como desejar, as empresas que não fizerem a mesma promoção no site e na loja física, por exemplo, terão problemas enormes com os consumidores.

**Qual a importância de as empresas serem omnichannel para alavancar vendas durante a Black Friday?**

A expectativa do consumidor é de se relacionar com a empresa e não apenas com o canal de venda. Ou seja, se a empresa não entrega uma experiência omnichannel, como retirada em loja, compra na loja de estoque virtual, compra pelo app etc, o consumidor pode não encontrar a jornada que mais lhe agrada, e é nesse momento que a empresa pode perder vendas para o concorrente que já está preparado. 

Além disso se a empresa já está operacionalmente preparada, ela pode utilizar disso para aumentar sua margem, dando um desconto maior, por exemplo, para quem for retirar (para descongestionar a operação logística) ou fazendo promoção juntamente com um parceiro se utilizando de integração de marketplace. As possibilidades são inúmeras, mas a empresa só conseguirá fazer se estiver preparada.

Loja virtual
————

Clovis Souza, Presidente da Giuliana Flores, uma das primeiras lojas virtuais de flores e presentes do Brasil, nascida em 2000. Para esta Black Friday, a floricultura espera crescer as vendas em 30% em relação a 2018.

**Há alguma preparação especial que uma loja virtual precisa fazer para a Black Friday?**

Uma loja virtual precisa estar preparada nos 360. Começando por estar com o site apto a receber um grande volume de acessos, não ter lentidão e nem ficar fora do ar. Também é preciso estar com o Televendas e com o SAC preparados para receber um maior volume de atendimentos e estar a par das promoções especiais da data para atender aos clientes com excelência. As ofertas precisam ser pensadas com atenção para oferecermos bons descontos sem afetar as margens. Além disso, ter atenção no estoque e, por fim, planejar a logística para não ter problemas de separação e atrasos nas entregas são pontos fundamentais.

**Como fazer ofertas que realmente sejam vantajosas para o cliente durante a Black Friday, porém sem perder a margem de lucro?**

Uma boa estratégia é fazer um balanço das coleções e dos estoques. Por ser final de ano, é uma boa hora para fazer esses balanços. Itens de coleções que que não vão para 2020 são uma boa alternativa para entrar no Black Friday, pois é possível oferecer um ótimo desconto e ajudar a escoar o estoque. Como trabalhamos com flores, temos também a sazonalidade, que nesse caso vem ao nosso favor. Estamos saindo da primavera e entrando no verão, então conseguimos negociar diversas flores com um custo melhor, podendo ofertar também alguns dos produtos queridinhos dos clientes. 

Full service
————

Eduardo Fregonesi, CEO da Synapcom. Especializada no mercado em full service (gestão completa) para e-commerce, a Synapcom atende clientes como L’Oréal, Vans, P&G, além de marcas internacionais, como Levi´s e Swarovski.

**Como a presença multicanal das lojas ajuda-as a vender durante a Black Friday?**

A convergência de canais nesse período é essencial para alavancar as vendas. Agrada aos olhos do consumidor comprar online e retirar no ponto físico ou vice-versa. Você dá a ele a opção de escolher o que convém a sua rotina. Além de oferecer vantagens, como retirar no físico e não pagar frete, você levando o cliente ao offline induz o contato dele a novas promoções e convertendo vendas tanto no físico quanto no online. Além disso, na Black Friday o cliente sente insegurança quanto ao prazo de entrega e a opção click & collect gera uma conversão maior no online.

No mês de novembro, por conta da Black Friday, dobramos a receita em média de nossos clientes. Percebemos que nossos clientes que vendem produtos de maior valor agregado têm um aumento de conversão algumas vezes maior que em um mês comum, chegando a fazer a receita de um mês em apenas um dia.

Logística
———

Vinicius Pessin, co-founder da Eu Entrego, startup de entregas colaborativas para o comércio. A Eu Entrego atende gigantes como Casas Bahia, Supermercados Extra e Ponto Frio, do Grupo Via Varejo; o Grupo Pão de Açúcar; e o Grupo O Boticário.

**Há alguma particularidade especial no processo de logística no período da Black Friday?**

A particularidade da nossa operação, visto que somos uma rede autônoma e que conseguimos crescer, escalar sem aumentarmos nossos custos fixos. Esse é um dos grandes diferenciais de uma rede de crowdshipping.

Essa vai ser a maior operação da nossa história. Estaremos com milhares de carros nas ruas fazendo entregas no modelo autônomo de crowdshipping. É a maior operação da história neste modelo de logística.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Tecnologia & inteligencia artificial
21 de agosto de 2026 08H00
Por que a metáfora mais repetida do momento também é a mais mal compreendida pelas lideranças

Thierry Cintra Marcondes - Conselheiro, Influenciador e Professor

8 minutos min de leitura
Direito, Regulação & Compliance
20 de agosto de 2026 14H00
Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Frederico Turolla - Sócio Fundador da Pezco Economics, Presidente do PSP Hub e Coordenador do Comitê de Economia e Infraestrutura da SWISSCAM - Câmara de Comércio Suíço Brasileira.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
20 de agosto de 2026 08H00
Embora as máquinas assumam atividades repetitivas e analíticas, competências como liderança, criatividade, pensamento crítico, negociação e julgamento continuam sendo essencialmente humanas. O desafio das empresas será criar ambientes em que essas capacidades atuem de forma integrada para impulsionar inovação e crescimento.

Ricardo Scheffer - CEO da SONDA no Brasil

3 minutos min de leitura
User Experience, UX, Tecnologia & inteligencia artificial
19 de agosto de 2026 14H00
Consumidores estão mais exigentes, mais conectados e menos tolerantes a experiências frustrantes. Ao mesmo tempo, os avanços em inteligência artificial estão permitindo que startups evoluam da simples automação para modelos capazes de interpretar contexto, tomar decisões e resolver demandas de forma autônoma. O resultado é uma nova lógica de crescimento baseada na qualidade da resolução, e não apenas na velocidade do atendimento.

Alan Schulte - Vice-presidente de Vendas para Startups e PMEs da Zendesk na América Latina.

3 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
19 de agosto de 2026 08H00
Enquanto o Congresso debate mudanças na jornada de trabalho, empresas já precisam lidar com uma pergunta prática: como reorganizar pessoas, escalas e recursos sem comprometer produtividade, atendimento e sustentabilidade financeira? Neste cenário, dados, planejamento e governança tornam-se ferramentas essenciais para transformar incerteza regulatória em vantagem competitiva.

Marcelo Gomes - CEO da Nexti

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
18 de agosto de 2026 14H00
Em mercados cada vez mais competitivos, escolher uma máquina apenas pelo menor preço pode significar abrir mão de produtividade, automação e eficiência operacional. O artigo propõe uma mudança de perspectiva: substituir a lógica do custo inicial pela análise do valor que o investimento é capaz de gerar para a empresa ao longo dos anos.

Fábio Kreutzfeld - CEO da Delta Máquinas Têxteis

2 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
18 de agosto de 2026 08H00
Os profissionais de finanças foram treinados para dominar processos, consolidar informações e produzir análises complexas. Mas, em um mundo onde a inteligência artificial faz isso em segundos, a vantagem competitiva passa a estar em outro lugar: na capacidade de transformar informação em contexto, formular perguntas estratégicas e tomar decisões que nenhuma máquina consegue assumir sozinha.

Talita Braga - Diretora Executiva de Finanças da Infor na América Latina

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
17 de agosto de 2026 18H00
Profissionais maduros seguem acumulando repertório, capacidade de julgamento e conhecimento organizacional, mas frequentemente enfrentam uma perda silenciosa de reconhecimento e pertencimento. Ao abordar o conceito de envelhescência, o artigo discute como profissionais experientes podem perder espaço simbólico mesmo permanecendo altamente qualificados e por que reconhecer, valorizar e integrar o repertório acumulado se tornou um desafio estratégico para empresas que desejam preservar conhecimento, fortalecer a sucessão e construir culturas verdadeiramente intergeracionais.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services, Consultora, Palestrante e Professora

4 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial, Finanças
17 de agosto de 2026 14H00
Hiperpersonalização, agentes inteligentes, analytics em tempo real e IA generativa já deixaram de ser tendências isoladas e começam a formar uma nova arquitetura para o setor financeiro. O desafio das lideranças passa a ser transformar essas tecnologias em capacidades organizacionais escaláveis, seguras e conectadas aos objetivos estratégicos do negócio.

Diego Souza - Principal Technical Manager no CESAR, e Maria Tereza Nagel - Gerente de Projetos no CESAR

8 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de agosto de 2026 08H00
À medida que algoritmos passam a influenciar decisões cada vez mais relevantes, cresce uma questão que conselhos e lideranças não podem mais ignorar: quanto poder está sendo delegado à inteligência artificial sem supervisão adequada? O artigo propõe uma reflexão sobre a necessidade de incorporar a IA à agenda de governança corporativa.

Eliana Camejo - Vice-presidente do Conselho de Administração da Sustentalli e conselheira de Administração pelo IBGC

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo