Transformação Digital, Blockchain

Blockchain e gestão pública: um match interessante

Você sabia que o uso de blockchain promove maior sustentabilidade e pode ajudar na redução do consumo de energia?
Matheus Laupman é Advogado do Ibrawork, mestrando em Direito Desportivo pela PUC-SP, Gestor esportivo pela FGV/FIFA/CIES e Especialista em Propriedade Intelectual.

Compartilhar:

Nos últimos anos, o avanço tecnológico tem sido notável ao impulsionar a criação de novas ideias, produtos e serviços, além de despertar o interesse de empresas, investidores e governos na otimização da gestão pública. Dentro do contexto de inovação, a tecnologia blockchain se destaca como um dos principais protagonistas.

Como definição, a blockchain pode ser citada como um livro de registros compartilhado e imutável, que facilita o processo de gravação de transações e rastreamento de ativos em uma rede de negócios. Os ativos em questão podem ser classificados de duas formas: tangível, como uma casa, carro, dinheiro e propriedades, ou intangível, como a propriedade intelectual, patentes, direitos autorais e marcas, por exemplo.

Desta forma, compreendemos que qualquer item de valor pode ser rastreado e negociado por meio da rede de blockchain, o que trará aos envolvidos uma redução dos riscos e custos. Além destas reduções, sua tecnologia pode ser fundamental, considerando que empresas, investidores e a gestão pública trabalham com dados e informações.

A título de exemplo, a revista Forbes criou uma lista de Top 50 Blockchain, em que descreve 50 empresas multimilionárias que utilizam desta tecnologia. Estima-se que quase metade destas empresas estão sediadas fora dos Estados Unidos, sendo que 14% estão sediadas na China e próximas à gestão pública.

Neste sentido, podemos destacar as seguintes companhias:

a) Ant Group, sediada em Hangzhou, em que desde julho de 2020, a empresa afiliada do Alibaba dedicou 10 mil desenvolvedores ao blockchain. Ela já desenvolveu cerca de 30 aplicativos, gerando mais de 100 milhões de documentos rastreados por blockchain, incluindo patentes, comprovantes e recibos de depósito;

b) Baidu, sediada em Pequim. Considerada a quarta maior empresa de tecnologia da China possuindo cerca de 20 mil desenvolvedores criando (principalmente) aplicativos financeiros em seu blockchain de código aberto. Atualmente, conta com um acordo de US$ 25 milhões com o governo de Tongxiang, uma cidade a sudoeste de Xangai.

A companhia possui o projeto para construir um software para rastrear a cadeia de suprimentos de cerca de US$ 5 bilhões em fibras sintéticas usadas para fazer roupas no centro industrial têxtil. A eficiência de mover o fluxo de trabalho para um livro-razão compartilhado já reduziu os custos de empréstimos em 50 pontos-base.

O Baidu estima que o blockchain ajudou a reduzir o consumo de energia da cadeia de suprimentos em 17% e pode remover 15 mil toneladas de dióxido de carbono do meio ambiente a cada ano.

c) China Construction Bank – CCB sediado em Pequim. O segundo maior banco do mundo, com US$ 4,7 trilhões em ativos, processou cerca de US$ 141 bilhões em transações em blockchains privados para tudo, desde financiamento da cadeia de suprimentos até pagamentos internacionais.

Entre seus produtos mais recentes está o EasyPay, projetado para tornar grandes transações burocráticas mais simples para as corporações, com menos erros e menos necessidade de auditorias. Ademais, como exemplo, caso uma empresa em Guangxi quiser comprar óleo de palma de Labuan, na Malásia, as contrapartes podem colocar seu contrato comercial, recibos e guias de transporte no livro-razão compartilhado.

Desta forma, as agências locais do CCB podem processar os dois lados da negociação em paralelo, em vez de sequencialmente. O resultado: o tempo total do acordo é reduzido de dois dias para cerca de dez minutos.

Diante dos exemplos acima, a transparência, velocidade e eficiência da tecnologia Blockchain, considere a quantidade e variedade de dados que os governos lidam diariamente, que abrangem desde informações sensíveis até dados públicos e anonimizados, e se todas essas informações e dados fossem processados de maneira mais rápida e precisa por meio da Blockchain?

O volume é tão significativo que é possível afirmar que os governos operam no contexto do big data. Essa abordagem refere-se a um grande volume de dados, estruturados e organizados em uma única base, que permitem uma tomada de decisão mais precisa por parte da gestão pública.

Outros benefícios que envolvem o contexto big data também podem ser direcionados para concentrar esforços e alocar recursos nas áreas onde as necessidades são mais urgentes, o que acrescenta mais uma camada de relevância à gestão pública. A análise de dados públicos oferece ao estado a oportunidade de identificar questões públicas que antes permaneciam sem solução ou não eram devidamente compreendidas.

A tecnologia blockchain emergiria como a solução ideal para essas demandas, pois proporciona acesso imediato, compartilhamento e transparência total dos registros, armazenados de forma imutável em um livro acessível apenas por membros da rede autorizados.

Esse tipo de rede tem a capacidade de rastrear pedidos, pagamentos, contabilidade, produção e uma variedade de outros processos e serviços. Os usuários podem compartilhar uma visão única dos eventos, permitindo a visualização detalhada de cada transação, o que resulta em maior confiança, eficiência, transparência e segurança, além de abrir novas oportunidades.

Com isso, para os governos e sua gestão pública, nada parece ser mais adequado do que adotar inovações e tecnologias que promovam confiança, eficiência, transparência e segurança, abrindo portas para novas oportunidades.

É fundamental destacar que nem todas as blockchains são igualmente rápidas; aquelas que alcançam um alto desempenho em velocidade tendem a ser mais confiáveis, o que resulta em um valor mais elevado para elas.

Portanto, a integração da Blockchain na utilização dos big data governamentais pode ser um grande avanço para todas as partes envolvidas, incluindo a sociedade. Agora, é essencial promover a colaboração entre o setor privado detentor dessa tecnologia e os gestores públicos, a fim de alcançar uma perfeita harmonização dos princípios da administração pública, incluindo, entre outros, legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.

Compartilhar:

Artigos relacionados

A IA vai pelo mesmo caminho do ERP e da transformação digital?

O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia – mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Estamos aprendendo mais (e entendendo menos)

Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança, Lifelong learning
18 de junho de 2026 08H00
Por que empresas aprendem mais com fracassos analisados com honestidade do que com cases heroicos?

François Bazini - CMO e Consultor

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
17 de junho de 2026 15H00
O entusiasmo com inteligência artificial segue um ciclo já visto antes. Este artigo mostra por que o próximo desafio das empresas não é implementar a tecnologia - mas transformar uso em resultado, superando velhos erros de gestão que já limitaram outras ondas de inovação.

Marcus Garcia - Diretor Comercial da Konia Tecnologia

3 minutos min de leitura
Lifelong learning
17 de junho de 2026 09H00
Este artigo propõe uma mudança de lógica na aprendizagem: mais do que acumular conteúdo, o diferencial passa a ser a capacidade de conectar conhecimentos, interpretar contextos e transformar informação em decisão e ação.

Daniel Luzzi - CEO Cognita Learning Lab

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
16 de junho de 2026 15H00
O mercado discute o futuro - mas continua ignorando quem já está pronto para trabalhar. Este artigo chama atenção para um movimento ignorado: a crescente presença da geração 60+, e o custo de continuar excluindo um dos recursos mais experientes e disponíveis da força de trabalho.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
16 de junho de 2026 09H00
Na estreia da coluna, as autoras, Cecília Seabra e Thais Giuliani, propõem uma mudança de paradigma na liderança: sair das explicações rápidas e dos julgamentos para construir relações mais consistentes por meio da escuta, da curiosidade e da integração de diferenças.

Cecília Seabra e Thaís Giuliani - Consultoras HSM e autoras do livro "O 'E' da questão"

7 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
15 de junho de 2026 15H00
Colesterol, cardiologista, academia. Tudo certo. Só falta mencionar o que, de fato, está tirando as pessoas de campo.

Rubens Pimentel - CEO da Trajeto Desenvolvimento Empresarial

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Liderança
15 de junho de 2026 08H00
A liderança não cabe mais em rótulos e quem ainda pensa assim pode estar ficando para trás. Este artigo mostra como a valorização de perfis não lineares e a capacidade de integrar múltiplas experiências redefinem o conceito de talento nas organizações.

Maria Augusta Orofino - Palestrante, TEDx Talker e Consultora corporativa

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
14 de junho de 2026 15H00
Mais do que falta de talento ou tecnologia, este artigo revela o verdadeiro risco das organizações modernas: pessoas que deixam de dizer o que pensam. Este artigo demonstra como isso compromete decisões, inovação e resultados sem que ninguém perceba.

Valter Bahia Filho – Autor e consultor educacional

6 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional, Estratégia
14 de junho de 2026 08H00
Ao revisitar o colapso e a reinvenção da Japan Airlines, este artigo revela, à luz dos princípios do Aikido, que a verdadeira transformação organizacional não começa na estratégia, mas na superação do ego - quando liderança, propósito e consciência coletiva entram em fluxo.

Kei Izawa - 7º Dan de Aikikai e ex-presidente da Federação Internacional de Aikido

10 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Bem-estar & saúde
13 de junho de 2026 15H00
Inspirado por um colapso histórico no esporte, este artigo revela um dos riscos mais silenciosos das organizações: equipes talentosas deixam de performar quando a confiança desaparece - e a liderança não cria um ambiente onde as pessoas se sintam seguras para falar, participar e contribuir de verdade.

Dr. Cristiano Nabuco - Reitor da Artmed School of Psychology (APSY)

6 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #172

Missão China: No ano do cavalo e de fogo

Não basta olhar para a tecnologia chinesa; a grande diferença está em entender sua gestão