Finanças
5 min de leitura

Brasil vs EUA: em quais categorias financeiras já deixamos os estadunidenses para trás?

Com soluções como PIX, contas 100% digitais e um ecossistema de open banking avançado, o país lidera na experiência do usuário e na facilidade de transações. Em contrapartida, os EUA se sobressaem em estratégias de fidelização e pagamentos crossborder, mas ainda enfrentam desafios na modernização de processos e interfaces.
Renan Basso é co-fundador e diretor de negócios da MB Labs. Com uma formação em engenharia da computação pela PUC Campinas e MBA na DeVry Educacional do Brasil, Basso é especialista em tecnologia, engenheiro de software e desenvolvimento de sistemas para grandes companhias.

Compartilhar:

Não é novidade que nos últimos anos, a digitalização tem sido um dos motores principais da transformação no setor bancário mundial. O avanço das tecnologias financeiras, também chamadas de fintechs, levou à criação de novas formas de gestão, pagamentos digitais, empréstimos e até investimentos, tudo com maior conveniência e acessibilidade para os consumidores.

Entretanto, embora países como os Estados Unidos e outros mercados desenvolvidos estejam fazendo grandes progressos, o Brasil tem se destacado nesse cenário, especialmente quando se trata de digitalização bancária e inovação no setor financeiro. Segundo dados do levantamento feito pelo banco digital N26 em parceria com a Accenture em 28 países, o Brasil está entre os três com maior participação de clientes e com crescimento mais rápido na adesão do modelo de bancos digitais, o que o passa na frente dos EUA, da Alemanha e do Reino Unido.

Em relação ao crescimento mais rápido na adoção do modelo de bancos digitais, o Brasil ocupa o segundo lugar, com 73%, seguido da Austrália, com 58%. Já sobre o número de clientes com contas digitais, o Brasil fica em terceiro lugar, com 44%, atrás dos Emirados Árabes Unidos (51%) e da Arábia Saudita (54%).

Do meu ponto de vista, ao observar de perto outros mercados financeiros e acompanhar insights de grandes encontros e conferências do setor, como a mais recente edição do Money 20/20 Las Vegas, posso afirmar que o nosso país está a frente do mercado americano em algumas categorias, e neste texto vamos entender quais categorias são essas e o por quê. A primeira delas é em relação a facilidade com a qual abrimos uma conta e transacionamos. Nos Estados Unidos ainda é tudo muito físico, presencial, e isso se deve, principalmente, à questão cultural e também aspectos de segurança. Na terra do Tio Sam, por exemplo, circula muito cheque por correio, ao passo que aqui no Brasil abrimos uma conta digitalmente apenas fazendo a prova de vida e submetendo documentos. Lá, é claro, já tem algumas instituições fazendo o mesmo que nós, mas em sua grande maioria ainda está no papel e caneta.

Percebo que o mercado americano está na nossa frente na questão de loyalty e geração de fidelização. Aqui no Brasil ainda temos poucas carteiras que geram fidelização, sendo a mais conhecida o próprio programa de milha. No entanto, não vemos tanta estratégia em relação a esse ponto. Nos EUA é possível observar vários aplicativos focados em loyalty, o que permite usar de fato o benefício recebido em outras instituições. Isso explica porque lá há mais soluções envolvidas neste aspecto e porque é bem mais popular.

Além disso, vejo também o mercado americano focando em pagamento sem fricção, não na questão bancária, mas de cartão. Enquanto aqui estamos avançando com o PIX e cartão por aproximação, lá percebo um foco maior em trazer a inovação de pagamento rápido. No meu ponto de vista, o Brasil está na frente, uma vez que já usamos soluções, como o cartão com chip, enquanto nos EUA agora é que estamos vendo mais propagandas e divulgações nessa vertente, o que nos passa a percepção de que eles ainda estão evoluindo nesse tema.

Outro ponto, é na questão de adquirência. Durante o evento Money 20/20 notei que são poucos os restaurantes que levam as maquininhas até a mesa, a sua grande maioria pega o cartão e levam até o caixa e depois se assina um papel. Então, nessa frente, percebo também um desconforto muito grande e me parece mais suscetível a falhas de segurança. Fora isso, também podemos falar sobre a experiência do usuário dos aplicativos dos EUA, os quais são bem antigos. Por exemplo, o Bank of America e outras grandes instituições possuem uma UX antiga, e isso pode se dar por alguns motivos, como pelo fato de terem receio de os usuários não se familiarizarem, homologar e investir na segurança novamente.

Ainda no Money 20/20, encontramos muitas soluções de pagamento cross border, na qual enviamos dólar para outros países ou recebemos em outra moeda – nada mais do que uma conversão. São soluções comuns por lá, visto que o mercado financeiro americano é onde, de fato, todos estão investindo, tendo solução e empresas de todos os lugares do mundo. Aqui no Brasil, não vemos tantas empresas focadas em banco de câmbio, ao passo que lá, eles estão muito endereçados a ter dezenas de soluções, seja que dão mais agilidade, custo menor e até mesmo as que passam por criptomoedas.

Como podemos ver, embora os Estados Unidos tenham uma forte tradição em inovação tecnológica, o Brasil tem se destacado em várias frentes no que diz respeito à digitalização do setor bancário. A criação de sistemas como o PIX, a implementação do open banking, o crescimento dos bancos digitais e a experiência do cliente colocam o Brasil em uma posição de potencial liderança no cenário financeiro, ao ponto de fazer face aos gigantes globais.

Compartilhar:

Artigos relacionados

Quando a geopolítica entra pela porta da empresa

Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

O mito da falta de qualificação das pessoas com deficiência

Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

O tempo que doamos é o futuro que aceleramos

O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

O cliente ainda precisa de vendedores?

A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Direito, Regulação & Compliance, Finanças
29 de agosto de 2026 14H00
A implementação do Split Payment inaugura uma nova lógica para o recolhimento de tributos no Brasil e altera uma dinâmica financeira que acompanha as empresas há décadas. Ao retirar do fluxo de caixa os valores destinados a impostos, o novo modelo exigirá mais planejamento, integração entre áreas e maturidade na gestão financeira e tributária.

Ulisses Brondi - CEO da ASIS Tax Tech

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
29 de agosto de 2026 07H00
Em um ambiente descrito por pesquisadores como polarizado, líquido, tenso e hiperconectado, liderar deixou de significar apenas definir direções. O desafio agora é criar culturas capazes de transformar complexidade em diálogo, ambiguidade em aprendizagem e mudanças constantes em capacidade de adaptação. O artigo discute por que essa pode ser uma das competências mais estratégicas da liderança contemporânea.

Ísis P. Fontenele - Consultora organizacional, professora da FGV, mestre em Gestão de Pessoas pela FGV EAESP

8 minutos min de leitura
Tecnologia & inteligencia artificial
28 de agosto de 2026 17H00
O artigo propõe uma reflexão sobre o papel da curadoria, da divergência e do discernimento humano em uma era marcada pela abundância de inteligências e pela escassez de julgamento.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

7 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
28 de agosto de 2026 12H00
Durante anos, a baixa presença de pessoas com deficiência em posições de liderança e crescimento foi atribuída à suposta falta de qualificação. Os dados, porém, mostram outra realidade. O artigo discute como barreiras estruturais, vieses organizacionais e a ausência de oportunidades de desenvolvimento ajudam a explicar por que profissionais qualificados continuam encontrando obstáculos para avançar em suas carreiras, mesmo após a contratação.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional, ESG
28 de agosto de 2026 07H00
O voluntariado corporativo emerge como uma ferramenta capaz de aproximar propósito, liderança e transformação social. No Dia Nacional do Voluntariado, o artigo convida empresas e profissionais a refletirem sobre o papel que podem desempenhar na construção de oportunidades, no desenvolvimento de pessoas e no fortalecimento de uma sociedade mais justa.

Ana Carolina Viana - Vice-Presidente de Operações Industriais da Braskem no Brasil

3 minutos min de leitura
Vendas, Tecnologia & inteligencia artificial
27 de agosto de 2026 18H00
A IA já é capaz de automatizar uma parte significativa das atividades comerciais, da prospecção à geração de propostas. Mas isso não torna o vendedor menos relevante. Pelo contrário. Ao retirar tarefas operacionais da rotina, a tecnologia eleva a exigência sobre aquilo que continua sendo exclusivamente humano: interpretar contextos, construir confiança, fazer perguntas melhores e ajudar clientes a tomar decisões.

Carol Manciola - CEO da Conectas

6 minutos min de leitura
Liderança, Inovação & estratégia
27 de agosto de 2026 15H00
Se os algoritmos passam a apoiar decisões, automatizar processos e influenciar estratégias, qual passa a ser o verdadeiro papel do CEO? O artigo explora o surgimento do Chief AI Officer e mostra por que o papel do CEO deixa de ser apenas gerir pessoas e negócios para incluir decisões sobre os limites, responsabilidades e impactos da IA dentro das organizações.

Bruno Padredi - Fundador e CEO da B2B Match

3 minutos min de leitura
Cultura organizacional, Liderança
27 de agosto de 2026 08H00
O mercado de M&A tem demonstrado que empresas com bom potencial nem sempre conseguem converter interesse em transação. Muitas vezes, a diferença está na qualidade da governança. Ao discutir sucessão, gestão, acordos societários e profissionalização da tomada de decisão, o artigo explica por que a governança se tornou um dos principais fatores de geração de valor para o middle market brasileiro.

Jefferson Nesello - Cofundador & Managing Partner na Zaxo M&A Partners e Conselheiro de Empresas

4 minutos min de leitura
Bem-estar & saúde
26 de agosto de 2026 14H00
A norma exige que as empresas avaliem fatores como jornada, ritmo, metas, autonomia e organização do trabalho. Em nenhum momento a NR-1 fala sobre diagnósticos individuais. Ainda assim, grande parte das organizações respondeu com pesquisas de saúde mental e mapeamentos de sintomas. Agora, com a suspensão temporária das multas pelo STF até setembro, surge uma oportunidade rara: abandonar as respostas equivocadas e voltar à pergunta original que a norma sempre fez sobre o trabalho, e não sobre as pessoas.

Claudia Cavallini - Psicóloga, psicanalista e professora convidada da HSM

8 minutos min de leitura
Marketing & growth, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
26 de agosto de 2026 08H00
Freelancers, consultores, creators e pequenas agências estão redesenhando a lógica de crescimento no marketing digital. Em vez de ampliar estruturas, apostam em tecnologia para expandir capacidade, ganhar eficiência e aumentar resultados. O desafio agora não é apenas fazer mais em menos tempo, mas construir operações capazes de escalar com inteligência, previsibilidade e qualidade.

Renan Caixeiro - Cofundador e CMO do Reportei

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo