Empreendedorismo
6 min de leitura

Cadê a intencionalidade que tava aqui? Ou deveria estar

A intencionalidade não é a solução para tudo, mas é o que transforma escolhas em estratégias e nos permite navegar a vida com mais clareza e propósito.
Empreendedora, consultora e cofundadora da People Strat. Isabela conecta neurociência, comportamento e tecnologia para desenvolver pessoas e culturas mais humanas e inovadoras. Embaixadora de Inovação dos Hubs Learning Village e Porto Maravalley; e Top 3 Mulheres em Tecnologia pela Meta Ventures, acredita que aprender é o maior ato de liberdade e transformação.

Compartilhar:

Ideias, organização

Ao longo da minha jornada como empreendedora e facilitadora de soft skills, uma pergunta ressoa na minha mente há anos: Como tomamos melhores decisões a respeito da nossa carreira – e por que não da nossa vida? Essa pergunta me levou a refletir profundamente sobre o papel da intencionalidade no desenvolvimento profissional e pessoal das pessoas.

Começando a reflexão do início, tenho uma grande crítica ao modelo tradicional de educação, no qual não somos ensinados a ser críticos, a nos conhecermos verdadeiramente e a decidir nosso próprio caminho. Muitas vezes, as escolhas são influenciadas por pessoas ao nosso redor, mesmo quando começamos a desenvolver capacidades cognitivas para tomar decisões por conta própria. Esse cenário se torna especialmente desafiador no momento de escolher a faculdade, uma decisão que pesa desproporcionalmente na vida de um adolescente. Muitos jovens acreditam que essa será sua última grande decisão, esquecendo que, na verdade, continuamos a tomar decisões diariamente que moldam nosso futuro.

Então, como fazemos melhores escolhas para o nosso crescimento e desenvolvimento profissional? Continuamos a enfrentar decisões que impactam nossas carreiras, desde a escolha da empresa onde trabalhamos, a forma como nos apresentamos no ambiente profissional, a rotina diária, os projetos que escolhemos ou deixamos de lado, e até mesmo quando decidimos dizer “não” para a liderança ou pedir mudanças para outras áreas. O problema de tomar decisões está sempre presente, e é aí que a intencionalidade se torna crucial. A intencionalidade faz com que uma decisão hoje gere externalidades positivas no futuro; quando tenho uma intenção clara no processo de aprendizagem, minhas ações se tornam muito mais conscientes.

E a consciência, por sua vez, ajuda porque, na hora do desafio, da mudança inesperada ou da incerteza, eu consigo tomar melhores decisões porque estou consciente da intenção inicial, e assim não deixo a vida me levar. Imagine a intencionalidade como o leme de um barco. Sem um leme firme e direcionado, o barco pode ser levado pelas correntes e ventos, sem um destino claro. Da mesma forma, sem intencionalidade, nossas ações e decisões podem se dispersar, resultando em resultados imprevisíveis e, por vezes, desfavoráveis.

A intencionalidade é o que transforma decisões cotidianas em passos estratégicos rumo a um futuro desejado. Seja decisões de trabalho, de aprendizagem ou do dia a dia. Este artigo explora como a intencionalidade pode ser o elemento central no desenvolvimento profissional e pessoal, capacitando líderes e gestores a tomarem decisões mais assertivas e conscientes.

Como é isso de intencionalidade no ambiente corporativo? E na liderança?

Liderar com intencionalidade, para mim, significa moldar a cultura organizacional de forma consciente e deliberada. Eu realmente acredito que a intencionalidade na liderança envolve a criação de espaços onde os colaboradores se sentem valorizados, ouvidos e motivados a contribuir com o melhor de si, promovendo assim um ciclo virtuoso de desenvolvimento e sucesso organizacional. E sabe o que é mais importante para fazer isso acontecer na prática? Abrir espaço para fazer perguntas.

Exemplo Hipotético: Imagine uma empresa que enfrenta o desafio de integrar uma equipe diversificada com diferentes valores e expectativas. Um líder intencional poderia implementar sessões semanais de alinhamento cultural, onde não apenas metas e resultados são discutidos, mas também valores pessoais e como eles se conectam com os objetivos da empresa. Essa abordagem consciente não apenas fortaleceria o senso de pertencimento da equipe, mas também incentivaria uma comunicação mais aberta e colaborativa. Você teria coragem de fazer isso? O que faria?

Aqui deixo uma provocação para vocês: De que maneira você pode, como liderança, alinhar suas ações diárias com os valores que deseja ver no seu time ou na sua organização? Ao direcionar a cultura organizacional com intencionalidade, os líderes não apenas inspiram suas equipes, mas também estabelecem um ambiente propício para inovação, resiliência e crescimento contínuo. A intencionalidade na liderança envolve ações deliberadas que refletem os valores e a missão da organização, garantindo que cada membro da equipe esteja alinhado e comprometido com os objetivos comuns.

E qual o real impacto quando incorporamos a intencionalidade no ambiente de trabalho?

Bom, primeiro é preciso entender que, quando falamos de intencionalidade, falamos de decisão, ou melhor decisões, no plural. E aí, caros leitores, é que o bicho pega – não é mesmo? No mundo corporativo, a capacidade de tomar decisões com intenção é uma habilidade essencial que distingue líderes eficazes daqueles que apenas reagem às circunstâncias. Decisões intencionais são aquelas guiadas por uma clareza de propósito e alinhadas com objetivos estratégicos de longo prazo, em vez de serem impulsionadas por pressões imediatas ou circunstâncias externas.

Compartilho aqui um exemplo pessoal que reflete o que quero dizer. Em 2023, durante o processo de captação de recursos para a minha primeira edtech, iniciei um processo no mercado tradicional de venture capital. Depois de alguns “sim” e alguns “não”, percebi que meus sócios e eu não estávamos exatamente alinhados em termos de intenção no longo prazo. Muitos dos investidores com quem conversei naquele momento não estavam dispostos a assumir o risco necessário para uma edtech e, principalmente, não compartilhavam a intenção de construir algo a longo prazo, o que considero fundamental na educação. Voltei à minha intenção inicial com o processo de captação, que era dar continuidade a um projeto que ainda queria testar hipóteses e explorar caminhos não trilhados. Com isso em mente, entendi que não deveria me prender ao caminho inicialmente escolhido – o venture capital -, mas considerar outras alternativas, como um M&A, que poderiam me levar ao mesmo resultado e ainda além. Assim, decidi pela venda em julho daquele ano, mantendo minha intenção e não me prendendo ao caminho pré-estabelecido. Essa foi a melhor decisão porque me mantive fiel à minha intenção, resultando em uma transação que refletia meus valores e objetivos de longo prazo.

Provocação: Você está sendo fiel às suas intenções ou está preso aos caminhos que escolheu?

E no desenvolvimento pessoal: qual o papel da intencionalidade?

Para finalizar, mas não menos importante, quando falamos de intencionalidade no desenvolvimento pessoal, estamos nos referindo à clareza sobre o porquê queremos nos desenvolver, para que queremos isso e onde queremos chegar com esse desenvolvimento. Essa clareza pressupõe um profundo autoconhecimento, que é a base para qualquer processo de crescimento efetivo. O autoconhecimento permite que você alinhe suas ações com seus valores pessoais, garantindo que suas decisões reflitam quem você realmente é e o que deseja alcançar. Sem essa clareza, as decisões se tornam soltas e desconectadas, levando ao desengajamento e à falta de propósito no processo de aprendizado contínuo. Você já deve ter passado por alguns processos como esse que descrevi de desengajamento, não?

Eu realmente acredito que a intencionalidade nasce desse profundo entendimento de si mesmo, permitindo sermos pessoas e profissionais mais autênticos e resilientes. Não à toa, eu costumo dizer que o primeiro passo para levar o lifelong learning à prática é a autorreflexão sobre si mesmo, seus objetivos e desejos. Essa autorreflexão é essencial para criar um processo de aprendizagem que realmente te ajude a alcançar suas metas pessoais e profissionais. Sem intenção e decisões alinhadas com essa clareza, é fácil perder o foco e se desengajar do desenvolvimento contínuo. A intencionalidade, portanto, não apenas orienta nossas escolhas de aprendizado, mas também mantém nosso engajamento e motivação ao longo da jornada.

Não é a chave para tudo, mas é o começo de tudo!

A intencionalidade emerge como um pilar fundamental no desenvolvimento profissional e pessoal, capacitando líderes, profissionais e gestores a tomarem decisões mais conscientes e alinhadas com seus objetivos de longo prazo. Ao integrar intencionalidade na nossa vida e em nossas tomadas de decisão, transformamos nossas carreiras e criamos culturas organizacionais mais resilientes e inovadoras. Eu diria que cultivar a intencionalidade é, portanto, investir em si e nos outros à nossa volta. É garantir um mínimo de paz de espírito. É o alicerce para retomar o fôlego quando acordamos sem disposição ou quando uma decisão chega atravessada na nossa vida. É necessária para a construção de um futuro sustentável e próspero, tanto para nós mesmos quanto para as nossas organizações.

Compartilhar:

Empreendedora, consultora e cofundadora da People Strat. Isabela conecta neurociência, comportamento e tecnologia para desenvolver pessoas e culturas mais humanas e inovadoras. Embaixadora de Inovação dos Hubs Learning Village e Porto Maravalley; e Top 3 Mulheres em Tecnologia pela Meta Ventures, acredita que aprender é o maior ato de liberdade e transformação.

Artigos relacionados

Saudável, gostoso e acessível: a equação que desafia a indústria de alimentos no Brasil 

Reduzir açúcar, sódio e gorduras sem comprometer sabor, performance culinária e competitividade de preço tornou-se uma das equações mais complexas da indústria de alimentos. O artigo explora como mudanças regulatórias, comportamento do consumidor e inovação tecnológica estão redefinindo estratégias de produto, marketing, cadeia de suprimentos e crescimento no setor de bens de consumo.

A fadiga de decidir em tempos de excesso

Todos os dias, tomamos milhares de decisões, muitas delas de forma automática. Entre vieses cognitivos, excesso de informação, escassez de tempo e a crescente presença da inteligência artificial, a capacidade de decidir com qualidade tornou-se um ativo cada vez mais valioso. O artigo discute por que preservar o julgamento humano é essencial para navegar em um cenário de complexidade crescente.

Quanto custa quando o sistema para? Alguns minutos fora do ar podem custar milhões

À medida que organizações se tornam dependentes de ambientes digitais para sustentar suas operações, a indisponibilidade de sistemas passa a representar muito mais do que uma questão técnica. O artigo mostra por que calcular o impacto real de uma falha exige uma visão integrada entre tecnologia, finanças, operação e governança, e como essa análise pode orientar decisões críticas sobre modernização e resiliência dos negócios.

A Reforma Tributária vai criar uma nova onda de negócios B2B

Ao reduzir distorções tributárias que incentivavam a internalização de atividades, o novo sistema tende a estimular terceirizações, fortalecer o mercado B2B e abrir espaço para novos modelos de negócio, criando oportunidades para empresas capazes de se posicionar como parceiras estratégicas de seus clientes.

Direito, Regulação & Compliance, Inovação & estratégia
8 de agosto de 2026 14H00
Depois de testemunhar a digitalização dos processos judiciais e a transformação tecnológica da profissão jurídica, o autor reflete sobre a próxima grande mudança da advocacia. O artigo argumenta que a inteligência artificial deve ser vista como uma ferramenta de ampliação das capacidades humanas, e não como substituta das competências que tornam o trabalho jurídico verdadeiramente valioso.

Flávio Pinheiro Neto - Sócio-fundador do escritório Flávio Pinheiro Neto Advogados

4 minutos min de leitura
Cultura organizacional
8 de agosto de 2026 08H00
A tecnologia já tornou possível identificar padrões, prever comportamentos e agir antes que problemas aconteçam. O desafio agora não é tecnológico, mas cultural: desenvolver lideranças capazes de tomar decisões baseadas em probabilidades e reorganizar a gestão em torno do que está prestes a acontecer, e não apenas do que já aconteceu.

Wilian Luis Domingues - CIO da Tempo

6 minutos min de leitura
Inovação & estratégia, Tecnologia & inteligencia artificial
7 de agosto de 2026 14H00
A inteligência artificial deixou de ser apenas uma ferramenta de apoio para se tornar uma infraestrutura capaz de reorganizar decisões, processos e modelos de trabalho. Em um cenário marcado pelo avanço dos agentes inteligentes, o desafio das lideranças já não é implementar tecnologia, mas redesenhar a forma como humanos e máquinas colaboram para gerar valor.

Ulisses Pimentel - Executivo, advisor e especialista em vendas consultivas B2B

5 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
7 de agosto de 2026 09H00
Programas de startups, laboratórios de inovação e investimentos em inteligência artificial tornaram-se comuns nas grandes organizações. O problema é que poucas conseguem transformar experimentação em resultado de negócio. O artigo discute como estruturar processos que convertam conhecimento externo em decisões estratégicas capazes de gerar crescimento, adaptação e vantagem competitiva.

Roberta Barros - Gerente de Strategy, Innovation & Ventures na Deloitte.

7 minutos min de leitura
Liderança, Estratégia
6 de agosto de 2026 17H00
Tarifas, conflitos geopolíticos, rupturas nas cadeias de suprimentos e mudanças regulatórias expõem uma fragilidade comum em muitas organizações: a dependência de um único cenário de futuro. Ao analisar os efeitos recentes do tarifaço sobre produtos brasileiros, o artigo argumenta que a verdadeira vantagem competitiva não está em prever corretamente o próximo choque, mas em construir operações capazes de se adaptar rapidamente a diferentes realidades sem comprometer resultados.

Átila Persici Filho - CINO, professor de MBA e Pós-Tech na FIAP e Conselheiro de Inovação.

12 minutos min de leitura
ESG, Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
6 de agosto de 2026 08H00
Trinta e cinco anos após a criação da Lei de Cotas, a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho continua sendo medida principalmente pelo número de contratações. O desafio agora é outro: garantir experiências de trabalho dignas, acessíveis e capazes de promover desenvolvimento, pertencimento e crescimento profissional.

Carolina Ignarra - CEO da Talento Incluir

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
5 de agosto de 2026 14H00
Promover talentos internos, contratar no mercado ou recorrer a executivos por projeto são decisões cada vez mais frequentes em empresas que crescem e se transformam. Mas a escolha mais importante acontece antes disso: compreender qual problema realmente precisa ser resolvido. O artigo discute por que muitas organizações se concentram em preencher posições rapidamente, quando deveriam dedicar mais tempo a entender a natureza, a duração e a complexidade dos desafios que enfrentam.

Juliana Ramalho - CEO da Talento Sênior

4 minutos min de leitura
Liderança, Cultura organizacional
5 de agosto de 2026 08H00
A mobilização que o maior evento esportivo do mundo desperta revelou algo poderoso sobre os brasileiros: nossa capacidade de nos unir em torno de um objetivo comum. Mas por que essa mesma energia raramente se traduz em avanços estruturais para o país?

Laura Jane Pereira de Souza - Administradora de empresas, consultora e mentora

8 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho
4 de agosto de 2026 14H00
O retorno obrigatório ao trabalho presencial tem sido defendido como uma solução para desafios de gestão, colaboração e produtividade. O artigo propõe uma reflexão: organizações de alta performance gerenciam pessoas pela presença ou pelo valor que entregam?

Marta Ferreira

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Estratégia
4 de agosto de 2026 de 2026
Durante um dos maiores congressos de RH do mundo, uma provocação ganhou destaque: o futuro da área não será definido por sua capacidade de justificar sua relevância, mas por demonstrar, com dados e resultados, o impacto que gera para o negócio. Em um cenário marcado por inteligência artificial, novas formas de trabalho e pressão crescente por resultados, o RH é chamado a assumir um papel cada vez mais estratégico.

Valéria Siqueira - Fundadora da Let’s Level

3 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo