Desenvolvimento pessoal

Carreira não é correria

Quem não planeja a própria carreira ou tem medo constante do desemprego (um problema real e enorme) ou está mais preocupado com status a qualquer custo
Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

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Em termos realistas, ninguém alcança grandes resultados na vida profissional de qualquer maneira. Pelo contrário, a experiência revela que as conquistas significativas envolvem algum senso de direção, ainda que rudimentar.

Os editores de obras biográficas, por exemplo, afirmam que um dos principais atrativos desse tipo de livro é justamente a apresentação dos percalços, aflições, superações, idas e vindas da pessoa biografada. Trajetórias profissionais inspiradoras invariavelmente são construídas passo a passo.

Por que então muitas vezes nos afobamos em nossas próprias trajetórias? O que faz com que algumas pessoas simplesmente tomem decisões precipitadas uma atrás da outra?

Em quase duas décadas ajudando jovens em suas carreiras e vocações, constatamos nitidamente dois grandes blocos de pessoas que desistem de planejar e transformam a jornada profissional em uma correria desordenada. Vejamos.

O primeiro bloco é composto por aqueles que se desesperam diante do desemprego. No contexto brasileiro, sem dúvida, a precariedade da economia pesa muito no momento de pensar sobre a própria carreira profissional. [Os dados mais recentes do IBGE](https://www.ibge.gov.br/explica/desemprego.php) revelam que a taxa de desemprego no país é de 11,1%.

Diante da pressão econômica, muitos profissionais mais jovens abdicam de todo planejamento e aceitam qualquer oportunidade que apareça pela frente. É evidente que trabalhar e batalhar para deixar as contas em dia é prioridade na vida de alguém responsável. Agora, não é correndo aleatoriamente que se resolvem essas questões.

Entregar-se à correnteza não parece ser um caminho sábio no longo prazo. Não é difícil entender a razão: se conquistar a estabilidade profissional e financeira já é difícil com planejamento, quanto mais sem planejamento. Desistir de organizar a carreira é praticamente a mesma coisa que desistir da própria carreira. Sem organização, a pessoa fica à deriva no mercado profissional.

Mas há um segundo grupo que não investe tempo planejando a vida profissional: os ansiosos caçadores de status. Habitualmente são pessoas engajadas em conquistar cargos, posições, salários e seguidores em mídias sociais de modo afoito e impensado.

O resultado é sempre frustrante. Correr sem pensar não colabora com sua carreira profissional, pelo contrário, gera desgaste físico e financeiro, além de atrapalhar as relações pessoais e perturbar o estado mental.

O apavoramento alimentado pela hipercompetitividade acaba trazendo doenças como hipertensão arterial, distúrbios cardíacos e estafa total em jovens profissionais com pouca idade. [Dados do Ministério da Saúde apontam para o aumento de 59% em casos de infarto em pessoas com menos de 40 anos](https://veja.abril.com.br/saude/o-aumento-preocupante-de-infartos-em-pessoas-com-menos-de-40-no-brasil/) (entre 2010 e 2019), sendo que o estresse profissional é frequentemente apontado como uma das causas agravantes.

## Notas para seu “eu” futuro
O que fazer para a carreira não se transformar em mera correria? Não há fórmula mágica, é uma questão de postura.

A chave é separar tempo para refletir, observar, discernir e decidir sobre a própria carreira. Ninguém fará isso por você. Esse processo é pessoal e contínuo.

Como direcionamento, queremos oferecer uma prática simples e eficiente recomendada nos melhores programas de formação de líderes: mantenha notas regulares sobre seus sentimentos, ideias, indignações e percepções em geral no dia a dia de trabalho. Não precisa ser nada complicado. Em meio aos afazeres do cotidiano, muitas vezes temos algumas ideias e desejos, mas logo nos distraímos e esquecemos.

Assim, o medo de pensar destrói a trajetória de muitas pessoas talentosas. Quando não nos permitimos refletir com mais profundidade, encurralamos nosso próprio potencial, estancamos nossa criatividade.

A escritora Nora Roberts disse que a sabedoria em identificar as prioridades na vida é semelhante ao treinamento de um malabarista aprendiz: ele precisa saber quais peças são de plástico e quais são de vidro. Se alguma peça tiver que cair, não pode ser nenhuma de vidro.

Anotar com regularidade suas percepções sobre sua carreira profissional é uma prática objetiva que auxiliará na identificação do que realmente importa para você. De tempos em tempos revise suas anotações. Carreiras bem-sucedidas envolvem decisões calmas e refletidas.

## Apontamentos finais:
1. Tome a iniciativa de estabelecer metas para sua carreira. Não espere ser questionado.
2. Anote regularmente suas percepções sobre sua própria carreira. Separe um tempo para reler e refletir sobre suas anotações.
3. Resolva um problema de cada vez na vida pessoal e profissional.

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Augusto é Diretor de Relações Institucionais do Instituto Four, Coordenador da Lifeshape Brasil, Professor convidado da Fundação Dom Cabral, criador da certificação Designer de Carreira e produtor do Documentário Propósito Davi Lago é coordenador de pesquisa no Laboratório de Política, Comportamento e Mídia da PUC-SP, professor de pós-graduação na FAAP e autor best-seller de obras como “Um Dia Sem Reclamar” (Citadel) e “Formigas” (MC). Apresentador do programa Futuro Imediato na Univesp/TV Cultura

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