Gestão de Pessoas
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Carreira sem rumo, talento com propósito: como as empresas podem reter a geração Z

Um convite para refletir sobre como empresas e líderes podem se adaptar à nova mentalidade da Geração Z, que valoriza propósito, flexibilidade e experiências diversificadas em detrimento de planos de carreira tradicionais, e como isso impacta a cultura corporativa e a gestão do talento.
Especialista em desenvolvimento de líderes e gestão da cultura. Fundadora da Let’s Level, possui mais de 15 anos de atuação em consultoria de RH, com foco em liderança, cultura e performance. Desenvolveu metodologia própria que integra visão de negócios, ciência do comportamento humano e gestão de alto impacto. É mestre em Psicologia Educacional pela Must University, com formações complementares em Harvard e certificações em práticas organizacionais.

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Estamos em uma era onde o conceito de plano de carreira parece cada vez mais nebuloso, especialmente para a Geração Z. Essa geração cresceu em um mundo em constante mudança, onde as trajetórias tradicionais de trabalho e sucesso deixaram de ser prioridades absolutas. 

Em vez de buscar uma carreira linear, muitos desses jovens optam por explorar possibilidades, experimentar diferentes papéis e, acima de tudo, encontrar propósito e autenticidade no trabalho que realizam. Esse movimento desafia empresas que ainda operam com uma mentalidade tradicional, na qual o sucesso de um colaborador está atrelado a promoções e estabilidade a longo prazo.

Uma pesquisa da empresa de tecnologia Caju, em parceria com a Consumoteca, mostrou que 56% dos profissionais da geração Z pediriam as contas para não deixar a vida pessoal em segundo lugar e 84% dos entrevistados afirmam que a maior preocupação de sua vida é alcançar a estabilidade financeira 

Para entender a falta de linearidade nas escolhas da Geração Z, é importante primeiro refletir sobre como esses jovens veem o mercado de trabalho. Eles valorizam experiências diversificadas e flexibilidade nas relações profissionais. Para muitos, a ideia de se prender a um plano de carreira rígido é um reflexo do passado, um modelo que limita a capacidade de adaptação a novas oportunidades e que muitas vezes não reflete os valores que carregam. 

Esse desejo de flexibilidade, somado à busca por aprendizado contínuo, cria uma mentalidade de adaptação constante. Em vez de uma trajetória fixa, eles buscam vivenciar uma jornada que faça sentido e que se alinha a seus valores.

Para que possam reter talentos da Geração Z, as empresas precisam redefinir o que entendem como “sucesso profissional”. Em vez de medidas tradicionais como cargos e promoções, o sucesso, para essa geração, tem mais a ver com impacto, realização pessoal e propósito. 

Empresas que conseguem oferecer um ambiente onde a evolução profissional não é linear, mas sim moldável às necessidades e ambições dos colaboradores, têm mais chance de se tornarem lugares atraentes e motivadores. É importante que o desenvolvimento seja encarado de forma ampla, com trilhas flexíveis e estímulos que permitam o aprendizado em diferentes direções, promovendo o engajamento desses profissionais.

Para esse público, trabalhar com o que gosta (42%), equilibrar trabalho e vida pessoal (39%) e ser reconhecido pelo que faz (32%) são aspectos mais importantes que ganhar bem (31%). Ao refletirem sobre os valores e habilidades necessários a um bom profissional, esses jovens acreditam que dedicação (43%), capacidade de diálogo e trabalho em equipe (40%), foco no trabalho (36%), ser paciente (35%) e fazer sempre o melhor (31%) são diferenciais. Essa é a conclusão de uma pesquisa conduzida pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).

Um elemento central nessa mudança é o papel da liderança. O líder que atua como mentor, facilitador de experiências e inspiração tem muito mais chance de conectar-se com a Geração Z. Essa geração quer uma liderança que compreenda e valorize suas aspirações individuais e que não se limite a uma lista de metas e demandas. Perguntas como “O que você quer aprender agora?” ou “Como podemos tornar seu trabalho mais interessante?” demonstram o interesse genuíno pelo desenvolvimento do colaborador. Essa prática aproxima as pessoas, cria um sentimento de pertencimento e, ao mesmo tempo, promove uma cultura de autenticidade e apoio que é valorizada por esses jovens.

Além disso, é importante repensar o modelo de trabalho. Em vez de designar cargos fixos e hierarquias rígidas, empresas podem adotar uma mentalidade baseada em projetos, permitindo que profissionais experimentem papéis variados e naveguem por diferentes áreas da organização. Esse modelo promove uma exposição ampla aos diferentes aspectos do negócio e traz uma versatilidade que a Geração Z valoriza profundamente. Com um modelo baseado em projetos e um programa de mentoria robusto, empresas podem criar um ambiente dinâmico, interessante e que dialoga diretamente com o desejo desses profissionais de acumular um repertório de experiências.

No entanto, a flexibilidade e a experimentação por si só não bastam. Para a Geração Z, uma empresa precisa ter propósito autêntico, e isso vai muito além de uma missão corporativa impressa no site Eles querem saber se o trabalho que realizam contribui para algo maior, se a organização está alinhada com princípios éticos e se atua em prol de causas que realmente fazem a diferença. Empresas que promovem ações concretas em áreas como sustentabilidade, inclusão e impacto social ganham a confiança e o compromisso dessa geração, pois para eles, mais do que uma oportunidade de crescimento, o trabalho precisa ser um reflexo de suas crenças.

Uma pesquisa da empresa de tecnologia Caju, em parceria com a Consumoteca, mostrou que 56% dos profissionais da geração Z pediriam as contas para não deixar a vida pessoal em segundo lugar. 84% dos entrevistados afirmam que a maior preocupação de sua vida é alcançar a estabilidade financeira. 

A partir dessa visão, o desenvolvimento dos colaboradores também precisa ser reimaginado. Em vez de encarar o crescimento como uma escada, onde cada degrau é um título ou promoção, é necessário pensar em uma “rede” de oportunidades. Esse modelo flexível permite que os jovens escolham caminhos diferentes, e isso, de certa forma, corresponde melhor ao que a Geração Z entende como desenvolvimento profissional. Não se trata de perguntar onde alguém quer estar em cinco anos, mas sim de entender quais experiências esse colaborador quer viver agora e o que o motiva no presente.

Lidar com uma geração que não segue planos de carreira tradicionais exige que as empresas abandonem práticas enraizadas e estejam dispostas a construir uma nova abordagem. A carreira linear, na qual o sucesso é medido por cargos e estabilidade, perde espaço diante de uma visão mais ampla e fluida do que pode ser um crescimento profissional. Adaptar-se a essa nova mentalidade beneficia não só os jovens profissionais, mas também a própria cultura corporativa, que se torna mais rica, diversa e preparada para os desafios futuros.

O mundo do trabalho mudou, e aceitar essa nova realidade é o primeiro passo para que as empresas se tornem mais atraentes e engajadoras para a Geração Z.

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