Diversidade

Case Dow: capacitação, diversidade e inclusão

Em parceria com a consultoria Eureca, empresa química lança iniciativa para preparar pessoas autodeclaradas negras para processos de seleção
Angela Miguel é editora de conteúdos customizados em HSM Management e MIT Sloan Review Brasil.

Compartilhar:

Quando a multinacional química Dow, empresa com mais de 120 anos e presente em cerca de 150 países, determinou que a inclusão se tornasse base de sua cultura corporativa, todas as áreas passaram a exercitar ideias para transformar esse ideal em realidade. Como uma das principais portas de entrada na corporação, o programa de estágio *Jump to the future* tomou à frente das iniciativas e se ocupou de promover a [ascensão de pessoas negras](https://www.mitsloanreview.com.br/post/dados-podem-estimular-a-equidade-racial), com deficiência, mulheres ou LGBTI+ na companhia.

Segundo Mariana Quadros, especialista em recrutamento digital, employer branding e relações com as universidades para a Latina América na Dow, havia dois anos que discussões sobre diversidade e inclusão estavam presentes na pauta do programa de estágio, um movimento que se intensificou com o apoio da Eureca, consultoria de recrutamento focada em jovens talentos.

“Sabíamos que [faltava representatividade nas histórias](https://www.revistahsm.com.br/post/por-uma-diversidade-racial-real-nas-empresas) que contávamos, assim nos processos executados. O desafio era contratar, no mínimo, 50% de estagiários autodeclarados pretos e pardos, e a Eureca atuou ao nosso lado para encontrar novas estratégias de alcance a esse público”, conta Mariana.

## Capacitação para todos
Parte da equipe que liderou o projeto na Eureca, a consultora de comunicação Kamilly Oliveira recorda que o primeiro passo foi entender dores, expectativas e anseios de jovens negros de variadas localidades do país. “Ao ouvir tantas histórias tristes e o deslocamento desses jovens, chegamos à ideia de criar um programa de mentoria, responsável por impulsionar e orientar os candidatos para programas de seleção”, completa.

Assim surgiu o *Trampolim*, programa de desenvolvimento e mentoria para pessoas negras. Ainda segundo Kamilly, a equipe percebeu logo que a [inclusão verdadeira](https://www.revistahsm.com.br/post/a-busca-pela-equidade-humana) significaria não falar apenas com os selecionados para o Jump to the future, mas criar uma iniciativa acessível para qualquer pessoa autodeclarada negra.

“Criamos uma trilha de conhecimento que traz mais do que dicas sobre como se comportar nas etapas de um processo seletivo, originamos um espaço de confiança e segurança. Com o *Trampolim*, ajudamos profissionais com técnicas de entrevista, apresentação e trabalhamos habilidades socioemocionais para autoconhecimento e autoestima”, continua Kamilly.

Em paralelo, a Dow repensou as necessidades demandadas pelas vagas, de forma a garantir flexibilidade e menos requisitos obrigatórios por parte dos candidatos. De acordo com Mariana Quadros, a segunda língua passou a ser um requisito desejável, não mais obrigatório, assim como o filtro inconsciente sobre certas universidades e localidades do país foi retirado do processo.

“Essas mudanças foram acontecendo a cada onda do nosso programa, pois percebemos que, por mais que trouxéssemos mais candidatos diversos para os processos seletivos, eles não passariam nos filtros originais e não sabiam explorar suas habilidades. Devíamos capacitar novos talentos, mesmo que eles não ficassem na Dow. Portanto, o Trampolim significa capacitação para antes, durante e após o processo de seleção, disponível para quem quiser participar”, emenda.

## Empoderamento e reconhecimento
Contudo, a preocupação com capacitação não era apenas do lado dos candidatos. Ao mesmo tempo, a Dow trabalhou uma série de [ações para conscientizar seus colaboradores](https://www.revistahsm.com.br/post/prepare-se-para-o-onboarding-dos-jovens) sobre o tema, com o objetivo de assegurar que o ambiente corporativo refletisse o ideal da inclusão como base da cultura corporativa.

Mariana conta que as lideranças e times foram orientados sobre atitudes adequadas, escuta ativa e práticas para evitar [vieses inconscientes por parte dos avaliadores](https://www.revistahsm.com.br/post/o-que-processos-seletivos-diversos-e-algoritmos-tem-em-comum). A organização também certificou-se que as etapas do processo de seleção contassem sempre com lideranças e colaboradores autodeclarados negros.

“Ter avaliadores pretos fez com que os candidatos se encontrassem na Dow, se sentissem seguros e se engajassem com a marca. Realizamos um longo preparo dos avaliadores para que soubessem ouvir as histórias e não comparassem as necessidades, e o bacana é que o *Trampolim* trouxe muito conhecimento para todos, além de possibilitar o empoderamento dos candidatos”, continua a especialista da Dow.

Além do programa aberto para todos autodeclarados negros, Kamilly conta que o uso de influenciadores negros e pardos para a divulgação do programa foi essencial para o apoio e engajamento do público.

## Balanço positivo
Com a primeira edição do Trampolim, a Dow identificou um aumento de 92% no número de inscritos ao Jump to the future, e a marca passou a ser muito mais reconhecida como uma marca empregadora que defende verdadeiramente a [temática da diversidade](https://www.revistahsm.com.br/post/onde-esta-a-diversidade-nos-conselhos-administrativos) e da inclusão. Além disso, a iniciativa garantiu o acesso de 66% de negros, 63% de mulheres, 18,5% de candidatos autoidentificados como LGBTQ+ e 3,7% de PCDs.

Ao todo, 40 novos jumpers foram contratados pela Dow, profissionais que se sentiram amparados e reconhecidos pela empresa e pela consultoria. De acordo com a Eureca, esse foi o maior nível de participação e conversão em etapas da história do negócio, com um NPS de 97.

“Ao todo, tivemos cerca de 500 inscritos e todos receberam respostas e algum tipo de capacitação. Todo esse processo só foi possível com o apoio de uma empresa como a Dow, que possui uma preocupação real com a inclusão. Acho que realizamos um processo humanizado de verdade e que ouviu pessoas negras de verdade”, completa Kamilly.

Compartilhar:

Artigos relacionados

O maior prejuízo de um ataque cibernético raramente está onde as empresas costumam procurar

A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Quando a IA assume as tarefas, a liderança ganha espaço para cuidar das pessoas

À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

A comunicação é um teto de vidro que pode afastar as mulheres da liderança

A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Entre viralizar e ser lembrado: O que acontece quando o algoritmo assume a estratégia?

As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Acordo Mercosul e União Europeia representa um novo ciclo de crescimento para o franchising brasileiro

A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

As edtechs brasileiras aprenderam a crescer sem investimento. Mas até onde isso pode levá-las?

Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Tecnologia & inteligencia artificial
5 de setembro de 2026 14H00
A maioria das organizações sabe exatamente quanto faturou ontem. Poucas sabem quanto perderiam se amanhã não conseguissem operar. Ao discutir os impactos financeiros da indisponibilidade de sistemas, o artigo propõe uma mudança de perspectiva: cibersegurança não deve ser vista apenas como um investimento em tecnologia, mas como uma estratégia de proteção da receita, da continuidade operacional e da capacidade do negócio de seguir funcionando diante de incidentes cada vez mais frequentes.

Felipe Berneira - CEO da Pronnus Tecnologia

2 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
5 de setembro de 2026 08H00
À medida que a inteligência artificial assume atividades repetitivas e amplia a capacidade analítica das organizações, surge uma oportunidade para redefinir a gestão de pessoas. O artigo mostra como tecnologias aplicadas a remuneração, benefícios e bem-estar podem fortalecer decisões mais inteligentes e personalizadas, sem substituir aquilo que continua sendo exclusivamente humano: empatia, julgamento e liderança.

Natalia Ubilla - Diretora de RH no iFood Pago e iFood Benefícios

3 minutos min de leitura
ESG, Cultura organizacional
4 de setembro de 2026 14H00
A busca por equidade de gênero não se encerra quando as mulheres conquistam um assento nas mesas de decisão. Ela continua na forma como suas ideias são recebidas, valorizadas e transformadas em influência. Ao discutir comunicação, liderança e protagonismo, o artigo mostra por que fortalecer a voz feminina é também uma estratégia para ampliar diversidade, inovação e resultados nas organizações.

Juliana Algodoal - PhD em Análise do Discurso e especialista em comunicação corporativa

3 minutos min de leitura
Marketing & growth
4 de setembro de 2026 08H00
As plataformas digitais premiam velocidade, engajamento e adaptação constante. As marcas, por outro lado, dependem de consistência, memória e diferenciação para gerar valor no longo prazo. O artigo explora o conflito entre essas duas lógicas e analisa como algoritmos e inteligência artificial estão influenciando a forma como as organizações constroem relevância e identidade.

Juliana Bezerra - Líder de conteúdo na DEA Design

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Direito, Regulação & Compliance
3 de setembro de 2026 18H00
A entrada em vigor do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia inaugura um novo cenário para as redes de franquias brasileiras. Com redução gradual de tarifas, acesso mais facilitado a tecnologias e insumos, além da possibilidade de expansão para novos mercados, o franchising passa a enxergar na internacionalização uma oportunidade concreta de crescimento. Ao mesmo tempo, a chegada de concorrentes europeus exigirá das marcas nacionais mais inovação, eficiência e capacidade de adaptação para competir em um ambiente cada vez mais globalizado.

Camila Nicolau - Advogada especialista em Direito Empresarial e Contratual

4 minutos min de leitura
Empreendedorismo, Marketing & growth
3 de setembro de 2026 14H00
Dois terços das edtechs brasileiras nunca receberam investimento externo. Ainda assim, muitas já superaram a fase inicial, conquistaram clientes e validaram seus modelos de negócio. O artigo propõe uma reflexão sobre como a escassez de capital ajudou a formar startups mais resilientes e eficientes, ao mesmo tempo em que levanta uma questão estratégica para o próximo ciclo do setor: como transformar capacidade de sobrevivência em escala, internacionalização e crescimento sustentável.

Claudia Schulz - CEO da ABStartups

4 minutos min de leitura
Inovação & estratégia
3 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a pergunta mais importante já não é qual solução de IA adotar, mas quem está definindo os limites, os objetivos e as regras de uso dessa tecnologia dentro da organização.

Erick Rezende - Diretor de Delivery na Cognitivo AI

5 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, ESG
2 de setembro de 2026 14H00
À medida que a população envelhece, cresce a necessidade de repensar o papel da experiência nas organizações e na sociedade. Tomando o comportamento do eleitor 70+ como ponto de partida, o artigo questiona o que faz alguém continuar contribuindo quando já não é obrigado a fazê-lo e por que essa pode ser uma das perguntas mais importantes para empresas que desejam se preparar para a era da longevidade.

Fran Winandy - CEO da Acalântis Services

6 minutos min de leitura
User Experience, UX, Marketing & growth
2 de setembro de 2026 08H00
O artigo mostra por que a Connected TV se tornou uma peça central na economia da atenção. Em um cenário de audiências fragmentadas, a combinação entre conteúdo de alta qualidade, segmentação baseada em dados e métricas avançadas transforma a televisão conectada em um dos ambientes mais estratégicos para marcas que buscam equilibrar alcance, relevância e performance.

Bruno Almeida - CEO da US Media

4 minutos min de leitura
Gestão de pessoas & arquitetura de trabalho, Inovação & estratégia
1º de setembro de 2026 15H00
Em momentos de retração econômica, cortar custos costuma ser uma resposta imediata. O problema é que algumas das perdas mais importantes não aparecem nas planilhas. Conhecimento acumulado, confiança, experiência e capacidade de inovação formam um patrimônio invisível que pode levar anos para ser reconstruído.

Rennan Vilar - Diretor de Pessoas e Cultura do Grupo TODOS Internacional

4 minutos min de leitura

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo

Baixe agora mesmo a nossa nova edição!

Dossiê #173

A Geoeconomia entra no mundo corporativo